Maurice Strong: ‘O futuro que desejamos não acontecerá sozinho’

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Para Maurice Strong, o empresariado brasileiro tem que ser cada vez mais enfático nas ações sustentáveis que servirão de exemplo para o mundo inteiro. Foto: Everton Amaro

Durante a palestra magna Perspectiva sustentável para o Brasil no mundo globalizado e suas vantagens competitivas, realizada na tarde desta terça-feira (27/11), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ambientalista Maurice Strong afirmou que acredita que as indústrias e o empresariado são o centro do movimento em prol da sustentabilidade. “Cada empresário é responsável pelas ações de suas empresas”, afirmou.

Na visão do especialista, o empresariado brasileiro tem que ser cada vez mais enfático nas ações sustentáveis que servirão de exemplo para o mundo inteiro. Para ele, não se pode manter as ações sustentáveis apenas em regras e leis: “É preciso arregaçar as mangas e começar a trabalhar. Existem atitudes viáveis e fáceis de fazer”.

Strong lembrou que São Paulo tem posição de liderança do empresariado brasileiro. “Fico impressionado com São Paulo porque é o centro econômico e produtivo do Brasil, mas isso significa também que a cidade tem mais responsabilidade ambiental”.

Para o ambientalista, a vida no planeta Terra está sob ameaça e, quanto mais seguirmos o curso em que estamos, mais difícil será revertemos esse quadro.

“O centro dessa questão é a comunidade industrial e de negócios. Vocês me dão esperança”, enfatizou. E emendou: “Este é um momento muito empolgante da nossa história, pois o futuro que desejamos não acontecerá sozinho: nós precisamos ser arquitetos do que desejamos para nossos filhos e netos”.

China

Consultor na área de Desenvolvimento Sustentável na China, país que apresenta os melhores avanços em tecnologias sustentáveis do planeta, Maurice Strong acredita que lá existem muitas oportunidades de negócios para o Brasil.

Segundo ele, o empreendedorismo chinês está em suas ações e comunidades. “Neste momento pós-revolução cultural, os chineses estão mostrando sua face e buscando lugares para investir”, disse.

Os chineses, explicou, estão focando no desenvolvimento da economia interna, o que permite muitas oportunidades de negócios para empresas brasileiras na China.

“A troca de experiências dos dois países é um ganho global porque são líderes na atualidade”, sublinhou Strong, sugerindo que a Fiesp envie uma delegação de empresários à China para que possam observar a perspectivas das empresas de lá. “Eles têm mais experiência, expertise e tecnologia do que se imagina.”

Ele explicou ainda que a China é um país muito dinâmico. “Eles estão construindo 500 novas cidades e querem que elas sejam verdes e ecologicamente sadias, para tirar a pressão das grandes cidades que já existem e estão crescendo rápida e desordenadamente.”

O ambientalista elogiou a produção de etanol brasileira como um bem para o planeta. “O etanol chama minha atenção, pois acredito que contribua para uma crescente fonte de combustível mundial”, disse, acrescentando que o Brasil pode aprender muito com a China e vice-versa.

Jeitinho brasileiro

Na avaliação de Maurice Strong, a última coisa que o Brasil deve fazer é adotar o modelo americano de consumo, conhecido por American way of life, porque não se pode seguir as diretrizes do consumo norte-americano. “O Brasil tem oportunidade de desenvolver seu próprio modelo, que será muito melhor para servir de exemplo para o mundo.”

E a sociedade civil e da mídia, acredita o especialista, têm um papel fundamental para deter a produção sem consciência ambiental. “Creio no papel das pessoas, que podem demonstrar suas preferências no momento do consumo. Na China, há o boicote aos produtos que agridem o meio ambiente”, exemplificou.

Para ajudar governos de outros países a garantir apoio no desenvolvimento sustentável de suas empresas, Strong aconselhou o Brasil a criar um “Conselho da Terra”.

“A sustentabilidade não pode ser só regras e leis, mas deve estar integrada como parte da vida humana. E o Brasil terá um papel fundamental no modelo de desenvolvimento sustentável na Terra”, concluiu.