Gestão: engenheiro conta sua trajetória de perseverança em evento do CJE

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

O gosto por ganhar dinheiro começou por conta própria, segundo Wilson Poit, um dos convidados do seminário  “Melhores Práticas de Gestão” — evento realizado quarta-feira (08/08) pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com a Endeavor.

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Wilson Poit fala de empreendedorismo durante reunião mensal do CJE da Fiesp

Trabalhando com o pai desde adolescente,  Poit empreendia sozinho parte da venda do comércio da família e tinha a liberdade de comprar e vender para aprender a lidar com dinheiro. “Acho que o gostinho de empreender e ganhar dinheiro nesta idade é muito importante, e temos que nos atentar muito a isso. Hoje em dia, os jovens têm muita coisa fácil e as escolas pouco falam de orçamento, de vida pessoal”, observou.

Poit fez sua mudança para São Paulo após alguns anos e cursou engenharia elétrica. Terminou a faculdade e foi efetivado em uma grande empresa, mas mesmo assim fazia seus projetos autônomos em paralelo, até se dar conta de que os lucros com as atividades extras estavam representando mais do que ele ganhava na multinacional. “Tive que optar em deixar o emprego com muitos benefícios.”

‘Empreendedor por oportunidade’

Pediu demissão e, em uma sala alugada em São Paulo, fazia seus projetos “na prancha, pois não tinha computador”. A companhia da qual pedira demissão acabou se tornando sua cliente e, a partir daí, vários negócios surgiram.

“Acredito que existem dois tipos de empreendedor: o [que surge] por necessidade e  o [que surge] por oportunidade. A maioria empreende porque perdeu o emprego ou precisa fazer alguma coisa. E não se pode misturar as finanças pessoais com as do negócio. Esta é a causa da maior taxa de mortalidade das empresas”, apontou.

Já o empreendedor por oportunidade, emenda Poit, “é aquela pessoa que está empregada e já tem empresa com relativa estabilidade, mas que tem uma ideia e descobre alguma coisa que pode fazer melhor do que o concorrente e que a média do mercado”, comparou.

Além do trabalho independente, abriu uma loja de materiais elétricos e hidráulicos como negócio complementar e uma transportadora, que não foi bem-sucedida. Aos 40 anos, foi convidado a fazer uma instalação elétrica em São Bernardo do Campo em uma danceteria, e, ao contratar serviço de gerador de energia para um evento, recebeu um atendimento incompleto.

Ele recorda que teve de incluir mais pessoas por conta própria para operar o equipamento e se deu conta de que poderia oferecer aquele serviço muito melhor que seus fornecedores.

Inovar é o negócio

Comprou um caminhão de pequeno porte e um gerador financiado: era o começo da Poit Engenharia, em 1999. O foco era o mercado de eventos e, com a sorte a seu favor, formou um bom time que fazia instalações elétricas com um diferencial: alugava o gerador e oferecia solução temporária de infraestrutura elétrica, instalação e acompanhamento.

“Fizemos a Fórmula 1 naquele ano pela primeira vez para a Rede Globo, nosso maior cliente de eventos atualmente”, celebrou. Wilson Poit então vendeu seu sítio e investiu tudo nos geradores. “A sorte é o encontro de oportunidades com vontade e preparação, e assim apareceram várias oportunidades.”

No começo dos anos 2000, forneceu geradores de energia  para as operadoras de celular e com o apagão de energia elétrica, em 2001, ganhou visibilidade na mídia. Em 2002, foi selecionado “empreendedor Endeavor” – um dos primeiros da ONG –, o que fez a diferença na vida da empresa por promover contatos com outros empresários e tornar seu negócio mais robusto.

Wilson Poit rememorou um período difícil entre 2003 e 2004, quando muitas empresas clientes compraram seus próprios geradores. O fato é que, pouco depois, a baixa acabou se transformando em oportunidade. “Compramos esses geradores das empresas, que os adquiriram ‘sem pensar’ durante o apagão e os colocamos em locação, com alavancagem financeira forte.”

Oportunidade

Em março passado, depois de 12 anos do negócio que passou de apenas um para mais de 1.400 geradores, Wilson Poit, hoje com 53 anos, vendeu a empresa em uma transação de 100% das ações, uma operação de R$ 450 milhões. Atualmente, a Poit Engenharia é empresa líder nacional de mercado há mais de 10 anos, com 12 unidades no Brasil e quatro no exterior com mais de 1200 geradores, com capacidade de 420 MW de geração de energia, 800 contêineres e 300 torres de iluminação.

“Doze anos atrás tive uma ideia e, entre muitos momentos difíceis, houve também muita perseverança”, orgulha-se Wilson Poit, que integra o Conselho de Administração da Endeavor.