Na Fiesp, Peggy Dulany afirma que filantropia é amor pela humanidade

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Filantropia não é dar dinheiro, nem caridade. Filantropia significa amor pela humanidade. O ensinamento é de Peggy Dulany Rockefeller, fundadora do Synergos Institute. Ela foi a convidada da reunião da noite desta segunda-feira (17/11) do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Minha meta sempre foi dar uma qualidade melhor para as pessoas e para o mundo”, resumiu a herdeira de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos.

Para Peggy, projetos de filantropia, que visam a melhoria das condições de vida dos mais necessitados, exigem coragem e riscos.

“Arrisquem em fracassar”, sugeriu aos cerca de 200 presentes ao encontro, realizado no Centro Cultural Fiesp. “São os fracassos que ensinam. Ter medo gera fechamento do coração, e restringe a criatividade”, alertou.

Com a experiência de quem conviveu muitos anos com o povo brasileiro – que, segundo ela, tem “um coração aberto como nenhum outro povo do mundo” –, Peggy aproveitou para encorajar a plateia a participar de projetos sociais.

“Se querem um Brasil melhor, mais igualitário, com melhoria da qualidade e do bem-estar das pessoas, eu proponho que você comecem a pensar quais são os desafios do país e como vocês podem ajudar.”

E um um projeto educacional no Pará é o seu novo desafio. “As empresas de lá têm dificuldades de encontrar bons empregados para trabalhar em suas indústrias, pois a qualidade do ensino é muito baixa”, contou. “Muitos empresários se aliaram e bolaram um plano que une diversos agentes. O objetivo é melhorar o índice de escolaridade da região”, completou Peggy.

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Peggy: experiência com a realidade das favelas cariocas. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Essa não é a primeira experiência da americana no Brasil. Com 17 aos, ela visitou o país pela primeira vez. “Comecei a participar de projetos em favelas no Rio de Janeiro e morei por três meses na favela do Jacarezinho.”

Esse período mudou sua vida. E ela começou a trabalhar para melhorar a situação das pessoas com quem conviveu.

Aos 30 anos de idade, ela voltou para Nova York e trabalhou com o pai, David Rockefeller.

Apesar de distante de regiões de extrema pobreza, Peggy disse que jamais deixou de lado sua busca em melhorar a vida dos outros. O trabalho com o pai em um projeto social que reuniu inúmeros empresários americanos foi a “segunda grande experiência” na vida dela.

“Meu pai tinha uma incrível capacidade de lidar com as pessoas. Trabalhei com parcerias em projetos.”

Um dos ensinamentos absorvidos por Peggy ao longo das décadas trabalhando em prol dos menos favorecidos foi a necessidade de criação de “pontes” – pessoas que alcançam grupos distantes de si, indivíduos com “personalidade suficientemente aberta para ouvir o que os outros estavam dizendo.”

Ela percebeu, então, que era preciso formar pessoas pontes em cada comunidade do planeta. “Uma das parcerias que criamos foi na Índia, perto de Bombaim. O projeto era diminuir a desnutrição infantil.”

Peggy batizou esse tipo de empreitada – envolvendo um elevado número de agentes sociais – de iniciativa colaborativa. Para ela, parcerias entre diversos agentes são fundamentais. “Na Índia, juntamos a Unicef, representantes da sociedade civil e grandes empresas.”

Outro exemplo citado por ela foi um projeto de agricultura na Etiópia.

“Espero que minhas palavras tenham convencido muitos de vocês a participar de projetos sociais como esses”, encerrou.

Para o diretor titular do CJE, Sylvio Gomide, é importante a troca de conhecimento. “Ficamos muito felizes em ter a Peggy na reunião do CJE”, afirmou.

O evento foi mediado por Marcos de Moraes, criador do Zip.Net, e membro do comitê.