Em reunião com presidente da Petrobras, Skaf defende equilíbrio na avaliação do conteúdo nacional

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, apresentou nesta segunda-feira (26/9) na sede da Fiesp o Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. E na reunião se comprometeu a estudar duas questões levantadas pela Fiesp. A primeira é relativa ao mercado de asfalto, tema sobre o qual Parente recebeu um estudo do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), entregue por seu diretor titular, Carlos Eduardo Auricchio.

A segunda questão é o desinvestimento no setor de gás natural. Foi levantada por Carlos Cavalcanti, diretor titular do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra).

No encontro, Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, disse que é preciso buscar equilíbrio entre as visões sobre conteúdo nacional, lembrando que muitas empresas investiram e se prepararam para atender à Petrobras. Parente se disse a favor de uma política de conteúdo local, mas afirmou que havia muita coisa errada na que foi adotada. Metas irrealistas, reconheceu Parente, provocaram uma série de problemas. “Com nossa escala e nosso poder de compra, podemos alavancar a indústria nacional”, declarou, ajudando-a a se tornar competitiva. “Queremos ter política inteligente de conteúdo nacional.”

Reunião na Fiesp em que Pedro Parente apresentou o Plano Estratégico da Petrobras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O Plano

Antes de Parente fazer sua apresentação, Paulo Skaf listou a longa lista de cargos do executivo em importantes empresas privadas e estatais. Foi boa notícia sua nomeação, por sua seriedade e competência, afirmou Skaf. Sabíamos da importância da Petrobras para o país e das dificuldades da empresa, disse. Ninguém está mais preparado do que ele para resolver esses problemas. Cadeia de petróleo e gás tem grande alcance, destacou.

O presidente da Petrobras explicou que no plano, de 5 anos, há horizonte de 2 anos para concentração de esforços para uma virada na empresa, em segurança e alavancagem. Depois virá período de volta do crescimento. Terminados os 5 anos, a empresa produzirá 3,4 milhões de barris de petróleo e gás, mas o período inicial será de austeridade.

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A intenção da Petrobras é se tornar uma empresa integrada de energia, com foco em óleo e gás. Para Parente, a capacidade técnica da Petrobras é única, reconhecida especialmente na exploração em águas profundas.

Pela primeira vez, disse Parente, há métrica de segurança (36% de redução na taxa de acidentes registráveis, de 2,2 acidentados por milhão de homens-hora para 1,4) e financeira, de redução da alavancagem de 5,3 para 2,5 dívida líquida/EBDA até 2018. Resultados na segurança demandarão muito treinamento.

Cerca de 100 pessoas participaram da elaboração do plano, que prevê para o novo sistema de gestão metas compartilhadas e cruzadas, com seu acompanhamento sistemático e a correção de desvios. Principal ferramenta será o orçamento base zero. Aspecto muito importante é a meritocracia.

Pilares são preços competitivos, redução de investimentos mantendo a produção, eficiência de Opex (despesas operacionais) e parcerias em desinvestimentos. A transformação cultural é vista pela direção da Petrobras como essencial para o sucesso do plano. Metas para 2018 são desafiadoras, mas a simulação de cenários mostra que são factíveis. Nos gastos operacionais gerenciáveis a meta é redução de 18%.

O programa de parcerias e desinvestimentos, na estimativa do Plano, pode alavancar investimentos adicionais de mais de US$ 40 bilhões em 10 anos.

Produtividade do pré-sal é maior do que a esperada (em média 26.000 barris por dia). Há menor necessidade de Capex para a mesma produção. Aumento da participação do pré-sal na carteira de produção leva a uma diminuição dos custos operacionais.

Petrobras pretende reduzir seu risco principalmente no midstream e no refino. Para isso, mais do que parcerias, quer alianças estratégicas que tragam aprendizado. Vai sair de uma série de áreas, como produção de biocombustíveis, distribuição de GLP e produção de fertilizantes. Vai ainda reestruturar os negócios de energia, consolidando-os em busca de maximização de valor para a empresa.

Investimentos em refino e gás serão para manter capacidade, não para ampliá-la.

Em tecnologia há duas estratégias principais, com a de curto prazo voltada a reduzir custos, e a segunda visando à adequação à nova economia, de baixo carbono, com crescimento das energias renováveis no mix e exigência de redução da emissão de CO2.

Parente ressaltou a importância da gestão do processo de contratação, com ações em projetos e operação, conformidade, geração de valor e riscos. O fortalecimento dos controles internos e da governança, disse, dá mais transparência e eficácia do sistema de prevenção e combate a desvios. Série de medidas já implementadas permitem a melhora da governança, afirmou.

Ressaltou que não há decisão que seja tomada fora de um colegiado. Separação de autorização de despesas e autorização de pagamento é outro ponto importante.

Parente encerrou a apresentação com a leitura dos direcionamentos estratégicos de longo prazo, para depois dos cinco anos do plano.

José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), avaliou como consistente e convincente o plano da Petrobras. Ressaltou o enorme peso dela no PIB brasileiro.

Skaf encerrou a reunião desejando sucesso a Parente, lembrando que o êxito dele na Petrobras terá grande reflexo sobre a economia. “Temos que olhar para a frente.”