Integração lavoura-pecuária-floresta promete ganhos econômicos e ambientais

Agência Indusnet Fiesp

Reunião nesta sexta-feira (14 de setembro) do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), presidido por Jacyr Costa, teve como tema “Integração lavoura-pecuária-floresta”, conhecida pela sigla ILPF.

Renato Rodrigues, secretário de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa e presidente do conselho executivo da Rede ILPF, iniciou sua apresentação sobre o assunto explicando a dependência brasileira em relação à qualidade das pastagens para a competitividade da pecuária.

Há 178 milhões de hectares de pastagem no Brasil, com cerca de 50% com algum nível de degradação (abaixo de sua capacidade de lotação). A produtividade atual das pastagens cultivadas é de 32% a 34% de seu potencial. Elevar para 49% o índice já atenderia à demanda interna, afirmou.

O processo de degradação ao longo do tempo está ligado a causas como uso de sementes de baixa qualidade, práticas inadequadas de manejo, fatores como pragas e efeitos climáticos. Há perda de qualidade do solo, aumento das emissões por cabeça de emissões de gases do efeito estufa (por problemas na ruminação). A ILPF muda o quadro.

A ILPF é a grande revolução do século 21, afirmou. É, explicou, um pacote tecnológico completo, que visa à produção sustentável. Entre suas características estão o aumento do bem-estar animal, manutenção da biodiversidade, redução da sazonalidade da mão de obra no campo, maior geração de empregos diretos e indiretos e melhora da imagem do agronegócio. Pode, destacou Rodrigues, ser adotada em praticamente todos os portes de propriedades. E diminui a pressão por expansão de áreas cultivadas.

De 18,7 arrobas por hectare por ano da pecuária –de boa produtividade- atual, a ILPF permite passar para mais de 30 arrobas por hectares por ano já no primeiro ano de sua adoção, chegando a 40,6 arrobas por hectare no segundo ano.

A ILPF reduz em 20% o consumo de água por animais. A produção de 7 toneladas de palhada por hectare ajuda a manter a umidade do solo. Há redução de 99% na perda de solo e de 91% na perda de água. O estoque de carbono é aumentado em 8% na ILPF (contra perda de 4% na pecuária), e há redução de 50% na emissão de GEE.

De R$ 700 de lucro líquido de uma fazenda com boa aplicação de ILPF por hectare cai para R$ 1,78 por hectare para unidades ruins. A ILPF também reduz o risco para o produtor, graças à diversificação. Havia 11,5 milhões de hectares de ILPF em 2015, com a projeção de 15 milhões para 2018.

Há desafios para o produtor, como o gerenciamento de um sistema muito mais complexo do que ao que ele está habituado. A ILPF exige apoio, mão de obra qualificada (o que exige atualização das grades curriculares), extensão rural, modelo de crédito ajustado ao sistema.

Rodrigues mostrou o exemplo da fazenda Santa Brígida, que conseguiu sair de prejuízo de R$ 300 por hectare para lucro de R$ 3.000 por hectare.

A rede

A Rede ILPF surgiu em 2012 como parceria público-privada (PPP), em projeto de transferência de tecnologia, inicialmente com 3 empresas, passando a 5 em 2015. Entidade privada sem fins lucrativos, tem a Embrapa como sócia honorífica e encarregada de tocar os projetos.

Rodrigues citou o projeto Rural sustentável fase 2 do Cerrado, com a implementação de 300.000 hectares de ILPF, com diferentes características por região, pensada como ferramenta de desenvolvimento regional.

Reunião do Cosag sobre integração lavoura-pecuária-floresta, com a participação de Renato Rodrigues. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião do Cosag sobre integração lavoura-pecuária-floresta, com a participação de Renato Rodrigues. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Confiança do Agronegócio avança para 100,3 pontos e encerra 2017 com otimismo moderado

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Produtores e indústrias ligados à agropecuária brasileira terminaram 2017 com um nível de otimismo moderado, como o demonstrado no início do mesmo ano. No começo de 2017, o indicador havia marcado 100,5 pontos. O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) fechou o quarto trimestre de 2017 em 100,3 pontos ao avançar 1,2 ponto em relação ao trimestre imediatamente anterior. De acordo com a metodologia do estudo, resultados acima de 100 pontos correspondem a otimismo. Pontuações abaixo disso demonstram baixo grau de confiança. O IC Agro é um indicador medido pela Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“Esse resultado sinaliza uma recuperação dos ânimos que haviam esfriado ao longo do ano, principalmente entre os produtores agrícolas e os fabricantes de insumos. Entre os pecuaristas e as indústrias de forma geral, o nível de desconfiança continuou maior”, disse Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro).

A queda de 4 pontos na confiança da indústria (antes e depois da porteira), para 99,3 pontos em relação ao trimestre anterior, não significa necessariamente um esfriamento geral dos ânimos, pois o resultado foi influenciado por segmentos específicos da indústria depois da porteira, como as empresas de trading e logística, atividades nas quais as margens de lucro se mantiveram bastante pressionadas nos últimos tempos. Contudo, a maioria dos setores que compõem esse grupo – como os de alimentos e sucroenergético – apresentou maior confiança em relação ao trimestre anterior. Já a indústria antes da porteira (insumos agropecuários) apresentou avanço de 0,4 ponto, para 105,2 pontos no encerramento do 4º trimestre, mantendo-se praticamente estável.

“Os resultados do indicador refletem em boa parte o que aconteceu ao longo do ano. No segundo trimestre, os produtores foram mais reticentes em avançar com as negociações de fertilizantes e defensivos, num momento em que os preços das principais commodities agrícolas, como a soja e o milho, estavam em baixa. Do terceiro trimestre em diante, porém, a comercialização de insumos se normalizou, diante de uma recuperação gradual nas cotações e um clima favorável ao desenvolvimento da safra de verão”, explica Costa.

Houve avanço também para o índice de confiança do produtor agropecuário (agrícola e pecuário), que encerrou o 4º trimestre de 2017 em 101,8 pontos, alta de 8,6 pontos ante o terceiro trimestre. Contudo, esse foi o único período do ano em que o indicador para esse segmento ficou na faixa considerada otimista.

Segundo os resultados, há mais entusiasmo entre os produtores agrícolas do que entre os pecuaristas. No primeiro caso, o índice subiu 11,1 pontos, chegando a 104 pontos.

“A recuperação dos preços de commodities como soja e milho, nos últimos três meses de 2017, ajuda a explicar um pouco o aumento no otimismo. Outro destaque é o humor dos produtores em relação ao crédito agrícola, que está num dos melhores níveis da série histórica. Um ponto negativo que merece atenção, porém, é o sentimento em relação aos custos de produção, uma variável em que o pessimismo aumentou nos últimos dois levantamentos. Os estoques de produtos (insumos agropecuários) nas mãos de fabricantes e revendas estão caindo gradativamente, abrindo espaço para recomposição de margens”, diz Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB.

Entre os pecuaristas a confiança ficou praticamente estável. O indicador desse grupo subiu 0,9 ponto, fechando o ano em 95,1 pontos. A falta de ânimo em relação aos custos de produção pesou para manter o indicador num patamar baixo – o que era de se esperar diante do aumento nos preços de insumos importantes, como é o caso do milho, ao longo do segundo semestre de 2017. Outro aspecto no qual houve perda de confiança foram os preços – nesse caso, a queda foi mais acentuada entre os produtores de leite do que entre os pecuaristas de corte.

Clique aqui para ter acesso a todos os dados do IC Agro.

Outlook Fiesp: o agronegócio deve ganhar mercado nas exportações na próxima década

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

Mesmo com um crescimento projetado aquém do registrado na última década, o agronegócio brasileiro seguirá com desempenho superior ao restante do mundo em relação às exportações e deve aumentar sua participação no mercado mundial em diversas culturas nos próximos dez anos.

A avaliação é da equipe do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), responsável pela elaboração do Outlook 2024, que reúne diagnósticos e projeções para o setor na próxima década.

Segundo a nova versão do Outlook, atualizado a cada ano, as exportações brasileiras de soja devem crescer a uma taxa de 5,2% ao ano até 2024. Neste período, a soja brasileira responderá por 50% das exportações globais. Atualmente, o Brasil participa com 41%.

>> Saiba mais sobre o Outlook Fiesp 2024

>> Acesse o estudo Outlook 2024 na íntegra

“Quanto ao milho, fica a dúvida em relação ao seu desempenho exportador em um cenário menos favorável em termos de preços”, diz Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro/Fiesp. “O grão vem de anos favoráveis, aproveitando-se de janelas importantes, como a quebra de safra nos Estados Unidos (EUA), e ganhando espaço no marcado internacional. No entanto, em um momento de inflexão de preços, o custo logístico ganha ainda mais importância e castiga a competitividade da cultura”, conclui Costa.

As vendas externas de carne de frango do Brasil também devem continuar crescendo pelos próximos 10 anos. O Deagro estima que as exportações devem ter um aumento anual de 2,7%, alcançando 42% de participação no mercado mundial, contra atuais 40%. Embora o crescimento se dê acima da média mundial para o período (2%), é inferior à expansão verificada na década anterior (7,1% ao ano).

No que se refere à carne suína, o setor deve experimentar uma década melhor do que o período de 2003 a 2013. Segundo o relatório da Fiesp, as exportações do produto devem subir 2,6% ao ano na próxima década.

Atualmente, o Brasil se aproveita de um momento em que importantes produtores e exportadores, como os EUA, apresentaram sérios problemas sanitários, como o Vírus da Diarreia Epidêmica (PED).

“O país é o único entre os quatro maiores exportadores mundiais sem problemas com doenças e isso confere uma grande oportunidade ao setor, afirma Benedito Ferreira, diretor titular do Deagro/Fiesp. “Além disso, há muito espaço para crescer no mercado doméstico”, complementa Ferreira, mencionando que, entre as três carnes, a suína é a que apresentará a maior variação do consumo no Brasil na próxima década.

No entanto, o estudo lança um alerta em relação ao desempenho da economia brasileira: como o mercado doméstico é o vetor de crescimento para grande parte do agronegócio, em especial as proteínas animais, como o leite, ovos e as carnes, a retomada da confiança e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passam a ser fundamentais para assegurar o bom desempenho do setor.

Açúcar, crise e exportações

O setor sucroenergético vivencia a pior crise de sua história, com o fechamento de mais de 60 usinas no centro-sul do país nos últimos anos, com um endividamento total do setor de R$ 66 bilhões em 2013. O cenário é explicado em grande parte por problemas climáticos, quebras de safra, adaptação à colheita mecanizada, mas especialmente pela incapacidade do setor de repassar aos preços do etanol os aumentos do custo de produção, em razão da política do governo federal para a gasolina.

Além do prejuízo direto ao etanol, toda essa situação tem um grave efeito colateral no açúcar, pois causa um aumento significativo da produção do produto.

Ainda assim, o relatório aponta para a perspectiva de um novo ciclo em 2015, com uma relação mais favorável entre oferta e demanda de açúcar, em meio a uma provável recuperação de preços.

Segundo Costa, “as medidas do governo em relação ao setor serão determinantes para os rumos deste segmento para os próximos anos”.

O ambiente de forte preocupação é reforçado pelos números. Entre a safra 2009/10 e 2012/13, a redução no consumo do etanol hidratado foi de 5,5 bilhões de litros. “O problema é que esse etanol que deixa de ser consumido vira açúcar nas usinas, o que deprime os preços internacionais do produto. A conta é simples: esse volume a menos no consumo do combustível representou cerca de 5,6 milhões de toneladas a mais na oferta de açúcar. Para se ter uma ideia de grandeza, isso significa 83% do volume exportado pela Tailândia em 2012/13, segundo exportador mundial. Isso configura uma situação insustentável.”


Uso da terra

O bom desempenho da pecuária deve favorecer os investimentos na concentração do rebanho, com consequentes ganhos de produtividade. De acordo com Benedito Ferreira, isso permitirá que a pecuária ceda 4,5 milhões de hectares de pastagens para a agricultura.

Além disso, o aumento de 14% da produtividade média de grãos entre 2014 e 2024 ajudará a poupar áreas, já que o percentual equivale a uma preservação de 8,9 milhões de hectares. “No entanto, sabemos que existe um potencial para ir além na pecuária, caso o cenário se mantenha favorável por um período maior de tempo, aumentando ainda mais o efeito poupa-área”, conclui Ferreira.

Retrospectiva 2012 – As principais ações da Fiesp na área de agronegócio

Agência Indusnet Fiesp

No ano de 2012, como forma de contribuição para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio de seu Departamento do Agronegócio (Deagro), apoiou iniciativas, estimulou debates e elaborou estudos.

Outlook Brasil 2022

Outlook Brasil 2022. Foto: Divulgação

Em maio, especialistas da Fiesp, em parceria com o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), elaboraram as projeções para o agronegócio brasileiro para os 10 anos seguintes. O documento, intitulado Outlook Brasil 2022, analisou 16 produtos agroindustriais – entre eles milho, soja, carnes e fertilizantes – e traçou projeções para o consumo doméstico, produção, exportação, importação, estoques, área plantada e consumo de fertilizantes. Impactos futuros desses segmentos na economia e infraestrutura de transporte do país também foram mensurados.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho. Foto: Helcio Nagamine

O tema ganhou destaque no seminário Segurança Alimentar e Sustentabilidade no Agronegócio, realizado em junho, no Rio de Janeiro, como parte da programação do megaevento Humanidade 2012 – iniciativa da Fiesp e de parceiros para realçar o papel do Brasil no debate mundial sobre sustentabilidade durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

O seminário teve a participação do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho, do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Geraldo Coutinho e do presidente da Organização das Cooperativas Brasileira (OCB), Márcio Lopes de Freitas. E discutiu meios para garantir o cumprimento das Metas do Milênio, que prevê a produção de alimentos para sete milhões de habitantes no planeta sem prejudicar o meio ambiente.

Também no Humanidade 2012, a entidade organizou uma reunião entre ministros da Agricultura e autoridades governamentais estrangeiras para debater a experiência brasileira em agricultura tropical.

Na sequência, o Deagro da entidade divulgou um levantamento sobre o peso dos tributos sobre os alimentos no Brasil. Na ocasião, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, enfatizaram a necessidade de se desonerar os alimentos, lembrando que são os pobres os mais atingidos pela carga tributária.

Rally da Pecuária

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

André Pessoa, coordenador do rally da pecuária e sócio-diretor da Agroconsult. Foto: Júlia Moraes

A edição 2012 do Rally da Pecuária registrou uma melhoria significativa nas informações coletadas em nove unidades da federação brasileiras. Durante a cerimônia de encerramento, realizado na sede da Fiesp, o diretor da Agroconsult e membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da entidade,  André Pessoa, afirmou ter chegado a “conclusões heroicas”, já que a avaliação apontou números mais consistentes.

Apesar de estar sob pressão devido à competição com outras atividades, como a agricultura, Pessoa afirmou que as perspectivas para o setor no Brasil são mais favoráveis, mas há necessidade de investimentos em tecnologia e aumento de produtividade.

China

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

Subdiretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China, Xie Jianmim, quer conhecer as demandas do mercado brasileiro. Foto: Everton Amaro

Em novembro, durante visita ao Brasil, o subdiretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China, Xie Jianmim, participou de um encontro empresarial promovido pela Fiesp. Acompanhado por uma comitiva de 20 pessoas, entre representantes do governo e de grupos empresariais do setor de agronegócio chinês, Jianmim afirmou que o principal objetivo da vista foi conhecer as demandas do mercado brasileiro e, também, prospectar ações e projetos de cooperação comercial no setor de agronegócio entre os países, contemplando as áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

Homenagem

Em outubro, o diretor-titular do Deagro/Fiesp, Benedito da Silva Ferreira, recebeu, no Rio de Janeiro, o prêmio Destaques – A Lavoura, concedido pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Benedito da Silva Ferreira foi reconhecido na categoria Informação.

Balanço do Rally da Pecuária 2012 aponta perspectivas favoráveis para produtores

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

O Rally da Pecuária 2012 registrou uma melhoria significativa nas informações coletadas em nove Estados brasileiros. Durante a cerimônia de encerramento, que aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira (23/10), o diretor da Agroconsult e membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da federação,  André Pessoa, afirmou que avaliação deste ano teve foco qualitativo e quantitativo das estatísticas, avaliadas pelas cinco equipes das consultorias Agroconsult e Bigma.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

André Pessoa, diretor da Agroconsult e membro do Cosag/Fiesp. Foto: Everton Amaro

“Tiramos conclusões heroicas, e hoje estamos felizes por mostrar números com mais consistência na avaliação realizada. Demos um passo importante no levantamento dessas informações”, afirmou Pessoa. Foram medidas as condições das pastagens e das fazendas de criação de gado do país, bem como os índices zootécnicos e a qualidade do rebanho nacional.

O diretor da Agroconsult revelou que a pecuária está sob pressão por causa da competição com outras atividades, como a agricultura. “Nos próximos 10 anos, as atividades de produção de grãos, açúcar e reflorestamento demandarão 15,3 milhões de hectares, e nossa expectativa é de que 82% venha da pastagem. É um desafio enorme”, comentou.

Entretanto, as perspectivas são muito favoráveis para a pecuária brasileira, que necessita de investimentos em tecnologia e aumento de produtividade, recuperação de venda via tecnificação e levantamento de informações do setor. “O sucesso depende da genética, estratégia de nutrição do gado, sanidade, reprodução, manejo e fertilização das pastagens, integração com lavoura e florestas, além de gestão e sucessão”, listou André Pessoa.

Metodologia realista

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

Maurício Nogueira, sócio-diretor da Bigma. Foto: Everton Amaro

Para Mauricio Nogueira, sócio-diretor da Bigma, o Rally da Pecuária 2012 foi muito mais conclusivo que o do ano anterior. “Conseguimos ir a campo com metodologia mais realista e conseguimos levantar dados inéditos”, opinou.

Os métodos utilizados, segundo ele, foram: registro fotográfico e anotação do ponto com GPS, avaliação das condições e uso da pastagem, homogeneidade do pasto, volume de massa, tipo de capim e invasoras presentes.

Nogueira apontou o perfil da amostra do Rally da Pecuária 2012:

  • Rebanho médio: 3.400 cabeças;
  • Rebanho total: 1,3 milhão;
  • Área média da pecuária: 2.356 hectares;
  • Ocupação média: 1,44 cabeças por hectare.
  • Rebanho total confinado: 549 mil cabeças;
  • Produtividade média estimada: 6,96 hectares por ano.

“Concluímos que a amostra foi muito mais rigorosa e realista esse ano. Não podemos dizer que a pecuária piorou”, avaliou Mauricio Nogueira, ao informar que o rebanho dos produtores vem aumentando em 52,1% dos casos, enquanto se manteve estável em 39,3% e reduziu em 8,6% dos avaliados.

“Os pecuaristas pretendem reformar mais de 14% das pastagens ao ano, o que nos permite concluir que há um espaço enorme de oportunidades para o produtor economizar, adotando técnicas mais eficientes para lidar com as pastagens. A demanda por tecnologia do pecuarista é maior que a do agricultor”, completou.

Entrega de Homenagens

Durante o evento também foi feita a entrega de homenagens aos apoiadores e patrocinadores do Rally 2012.  As empresas que patrocinam a iniciativa são Dow AgroSciences, Vale, Marfrig, MSD e Heringer. São apoiadoras do Rally 2012, instituições como a Fiesp, Embrapa e INPE, além das indústrias Mitsubishi Motors, Famato, Famasul e BeefPoint.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

Patrocinadores e apoiadores do Rally 2012 recebem troféu. Foto: Julia Moraes






Rally da Pecuária 2011 aponta crescimento da safra de pasto

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

André Pessoa, coordenador do rally da pecuária e sócio-diretor da Agroconsult. Foto: Júlia Moraes

O crescimento de 17% da área de pastagem e o aumento da lotação de animais por hectare foram alguns dos dados divulgados nesta terça-feira (30), pela Agroconsult e Bigma, na sede da Fiesp, durante a apresentação dos resultados do Rally da Pecuária 2011.

De acordo com André Pessoa, coordenador do rally da pecuária e sócio-diretor da Agroconsult, pela primeira vez uma equipe de expedição técnica conseguiu medir, in loco, a pecuária bovina de corte e a qualidade das pastagens no Brasil. Os técnicos visitaram nove estados, totalizando 30 mil quilômetros percorridos. “Graças ao empenho dos técnicos e ao apoio dos nossos colaboradores, construímos indicadores de confiabilidade e qualidade, que serão úteis para os produtores”, avaliou Pessoa.

Também presente no evento, o diretor-titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Benedito da Silva Ferreira, disse que o estudo foi um importante passo na captação de informações do setor pecuário: “Não é possível intensificar os investimentos e políticas públicas eficientes sem uma base de dados confiáveis”.

Resultados

A expedição técnica percorreu, entre 26 de setembro e 11 de novembro de 2011, as principais regiões de cria, recria, engorda e confinamento de gado em novo estado brasileiros, onde estão concentrados 75% do rebanho bovino, correspondentes a 85% da produção de carne no País.

O estudo constatou uma disponibilidade de pastagem 17% maior que a expectativa pré-rally. Para os pesquisadores, o bom desempenho foi resultado dos investimentos dos pecuaristas na aquisição de novas tecnologias e, também, o aumento da composição dos rebanhos de categoria mais leve (animais mais jovens), reduzindo o peso médio e a demanda por capim.

Outra novidade foi o aumento da lotação média de gado por hectare. Os dados apontam 1,6 animais por hectare, contra uma lotação média brasileira de 1,22 animais por hectare. Com relação ao confinamento, o levantamento apontou um aumento de 23,8% no número de animais confinados. Para o próximo ano, a expectativa é que o crescimento seja superior a 18%.

Além disso, os produtores desejam melhorar as áreas de pastagem. Segundo Mauricio Palma Nogueira, coordenador do rally da pecuária e sócio-diretor da Bigma Consultoria, 75% dos produtos entrevistados afirmaram que pretendem realizar alguma reforma: “Vale lembrar que a recuperação da pastagem custa 60% de uma reforma”, alertou.

De acordo com a expedição técnica, apenas 12% das pastagens avaliadas precisam de reformas, tendo em vista que o pasto encontra-se em estado avançado de degradação. Já 18% podem ser recuperados com o uso de tecnologias adequadas.

Na próxima semana, os dados serão apresentados para os representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Sobre o evento

O Rally da Pecuária é uma expedição nacional que avalia, in loco, a situação atual da pecuária bovina de corte nas principais regiões produtoras do Brasil. Durante a expedição, os técnicos visitaram 90 fazendas, amostraram 400 pastos e realizaram eventos com pecuaristas convidados, que responderam a 431 questionários com informações qualitativas. Os dados coletados foram decisivos para o mapeamento do setor.

Rally da Pecuária avalia gado de corte e qualidade de pastagens em nove estados

Agência Indusnet Fiesp (com informações de Agroconsult e Bigma)

Começou nesta segunda-feira (26) o Rally da Pecuária 2011, realizado pelas consultorias Agroconsult e Bigma, que avaliará, in loco, a pecuária bovina de corte e a qualidade das pastagens no Brasil. O evento conta com o apoio da Fiesp.

A expedição técnica percorrerá as principais regiões de cria, recria, engorda e confinamento de gado do país, totalizando aproximadamente 24 mil quilômetros em nove estados – onde estão 75% do rebanho bovino e 85% da produção de carne no país – até 11 de novembro.

“É importante melhorar a base estatística da pecuária no país, conhecer em detalhes os indicadores zootécnicos e verificar a qualidade das pastagens, que são a base da sustentabilidade dessa atividade”, explica Maurício Palma Nogueira, diretor da Bigma Consultoria. Dos 205 milhões de cabeças no Brasil, aproximadamente 170 milhões são gado de corte.

Ao longo da viagem, serão feitos levantamentos qualitativos focados na capacidade instalada de confinamentos, intensidade do uso de semiconfinamentos, estado da arte da integração lavoura-pecuária e disponibilidade de áreas degradadas de pastagens com potencial para a agricultura.

Em todo o percurso, mais de 100 fazendas serão visitadas. Nas visitas às propriedades, o levantamento técnico será focado na composição do rebanho, condição corporal dos animais, índice de natalidade, ganho de peso, consumo de sal, sistemas de gestão, oferta de bezerros para 2012 e 2013, além do manejo das pastagens e infra-estrutura disponível. Em campo, os técnicos deverão recolher, de forma aleatória, mais de mil amostras de pastagens.

Todos os dados quantitativos e qualitativos colhidos pelo Rally serão processados pela Agroconsult e Bigma e apresentados no dia 29 de novembro, na Fiesp, em São Paulo.

Serão 150 profissionais do agronegócio envolvidos entre a organização e a realização do Rally da Pecuária, patrocinada pelo Banco do Brasil, Dow AgroSciences e Vale/Serrana Nutrição Animal, com apoio da Fiesp, Frigorífico Minerva, John Deere e Mitsubishi Motors.

O trabalho das equipes e o roteiro completo da expedição podem ser acompanhados pelo site http://www.rallydapecuaria.com.br/.

Intensificação da produtividade pecuária pode liberar até 70 mi hectares para agricultura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539919542

Arnaldo Carneiro Filho, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (no destaque), durante reunião do Cosag/Fiesp

A atividade pecuária é o último setor produtivo a passar pela transformação e inovação tecnológica, afirmou Arnaldo Carneiro Filho, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, nesta segunda-feira (1º). Este redesenho da produção pode liberar mais de 70 milhões de hectares para a agricultura, incluindo a indústria de floresta plantada, principal fonte de celulose e carvão vegetal.

“Setor que vive hoje enorme transformação é a pecuária, e vai disponibilizar território para novos investimentos”, disse Carneiro Filho durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, nesta manhã na sede da Federação.

Ele citou a meta do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC) de aumentar o rebanho bovino de 193 para 220 milhões de cabeças, com uma redução da área de pastagem de 220 para 150 milhões de hectares no curto prazo, deixando 70 milhões de hectares para a produção agrícola do País.

“Todo o esforço recai sobre a pecuária, que vive um processo de intensificação. Temos uma sobra de terras que é colossal no Brasil”, avaliou o assessor sobre promover o rearranjo de terras para incrementar produção de outras importantes culturas no País, como soja e grãos, cana de açúcar e florestas plantadas.

Indústrial Florestal

A intensificação da produtivididade pecuária é a aposta para evitar novos desperdícios de terra e estimular a indústria florestal, que, segundo Carneiro Filho, vive um apagão atualmente.

De acordo com a publicação Florestas Independentes no Brasil, a demanda potencial por produtos da indústria de florestal, como celulose e carvão vegetal, vai aumentar a área de 716,3 mil hectares em 2010 para 1,6 milhão de hectares em 2020.

“Somos hoje o país que tem a melhor tecnologia para floresta plantada e, curiosamente, temos um apagão florestal. Nova atividade hoje se traduz em floresta, pelo excedente de terras. Onde há forte presença da indústria é onde há os melhores indicadores de produtividade”, explicou Carneiro Filho.

Para gerir o gargalo da indústria florestal, o assessor informou que Secretaria tem trabalhado em diretrizes para estruturar uma política nacional de florestas plantadas. O objetivo é criar o projeto “até o final do ano.”

Radiografia territorial

A modelagem espacial desenvolvida pela Secretaria de Assuntos Estratégicos vai mapear o território brasileiro e as áreas produtoras. O modelo tem como objetivo reproduzir a vida real da produção agropecuária e vai priorizar as culturas com mais rentabilidade.

Carneiro Filho acrescentou que as sugestões de rearranjo produtivo propostas pelo modelo “buscam uma aproximação com a indústria porque ela é que rege as condições para o mercado.”