Importação de peças de vestuário deve aumentar 42% em 2012, diz especialista

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789858

Marcelo Prado, diretor do IEMI

A participação de produtos importados no consumo brasileiro de vestuário deve chegar a 12,5% até o final de 2012, estimou o diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), em sua primeira projeção para o ano, durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil (Comtêxtil) da Fiesp, na terça-feira (20).

Na comparação com 2011, as importações de vestuário em volume de peças devem crescer 42% este ano. “Isso quer dizer que uma em cada oito peças de roupa comercializadas no Brasil será importada em 2012”, previu Marcelo Prado, diretor do IEMI e membro do Comtextil/Fiesp.

A produção de vestuário movimentou R$ 88,5 bilhões em 2011, mas graças ao aumento de 7% em valores. Já produção de peças do setor registrou queda de 1,8% em volume. O prognóstico para 2012 é de um ganho de 1,5% em peças e de 6,9% em valores.

Os números referentes à produção têxtil como um todo revelam um cenário ainda mais negativo. Em 2011, o setor têxtil movimentou R$ 107,8 bilhões, mas a produção em toneladas amargou uma queda de 14,9%. Em valores, foi anotada alta de 1,3%, enquanto a projeção para o item 2012 é de crescimento de 6%.

Prado explicou que o aumento verificado em valores não reflete o bom desempenho da produção, já que as fábricas adequaram preços para escoar estoques elevados. Em relação à produção em toneladas, espera-se um aumento de 3,3% para o setor, afirmou o especialista, ponderando que se trata da primeira estimativa, que pode variar de acordo com os ajustes sazonais do mercado.

Ásia

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789858

Elias Miguel Haddad, coordenador do Comtêxtil

Os membros do Comtêxtil da Fiesp debateram mais uma vez medidas para frear a invasão de produtos têxteis acabados vindos da Ásia.

Na reunião do mês passado, empresários liderados por Elias Miguel Haddad, coordenador do Comitê, avaliaram oportunidades de implantar medidas de salvaguarda, as quais têm o objetivo de aumentar, temporariamente, a proteção à indústria doméstica que esteja sofrendo prejuízo grave ou ameaça de prejuízo grave decorrente do aumento das importações.

“Cada vez mais a produção está se concentrando na Ásia. Em 2009, a Ásia era responsável por 73% da produção mundial de têxteis. Em 2010, essa porcentagem aumentou para 75%. Ou seja, três em cada quatro quilos do mundo são produzidos por asiáticos, dos quais dois em cada quatro se concentram na China”, explicou Prado. “Com o câmbio forte e a entrada dos importados, passamos a dividir o mercado interno com esses importadores.”