Potencial de crescimento na América do Sul é destaque em evento sobre nozes e castanhas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino-Americano de Nozes e Castanhas, realizado nesta nesta segunda-feira (29/8) na Fiesp, teve como primeiro painel “Potencial do Mercado Latino Americano”. Ricardo Engelmann, da Engelmann & Cia S.R.L, falou sobre a experiência da Argentina na produção de nozes e castanhas. Faltam dados confiáveis sobre a produção no país, esclareceu no início de sua apresentação. Produção anual de nozes com casca na Argentina, de 15.000 toneladas, representa forte crescimento em relação às 10.000 toneladas produzidas em 2008. São exportadas 3.000 toneladas por ano, total que praticamente dobrou nos últimos três anos. De amêndoas, são 1.000 a 1.500 toneladas (sem casca) por ano, e há a importação de perto de 2.500 toneladas.

No consumo, o primeiro item são as nozes, seguidas pelas amêndoas (juntas, respondem por 80% do consumo) e pela castanha de caju. São 10.000 toneladas de frutas secas sem casca por ano no país.

Importam principalmente do Brasil a castanha de caju. Ressaltou que o novo governo derrubou barreiras a sua importação.

Macadâmia, importada pela primeira vez em 2009, ainda não é muito conhecida nem por produtores. Pistache deve continuar crescendo, e já tem 1.000 hectares plantados.

Para a noz pecan, que considera de grande potencial, há 6.000 hectares plantados, dos quais 25% em produção, de cerca de 900 toneladas por ano.

Santiago Maldonado, da Biko, apresentou dados sobre o Equador. O país está em transição, explicou. A área plantada de macadâmia caiu de 250 para 150 hectares, com produção em queda de 20.000 toneladas em kernel para 19.000. Problemas com o prazo de investimento e com a concorrência do cacau levaram à diminuição. Ressaltou que houve ganhos de produtividade, que há novos produtores pequenos entrando no mercado e que a demanda é maior que a produção. E está em crescimento, graças ao maior conhecimento das pessoas a respeito de seus benefícios.

A tarifa de 45% para importação de frutas secas (válida até 2017) e a cobrança de 5% de imposto sobre saída de capital desestimulam o investimento.

Beatriz Camargo, responsável pelo mercado latino-americano da Green & Gold, que representa produtores de macadâmia, e diretora da Divisão de Nozes e Castanhas da Fiesp, mostrou dados da produção brasileira, liderada por castanha de caju (33.000 toneladas), seguida pela castanha-do-pará (3.465 toneladas), macadâmia (1.500 toneladas), pecan (1.400) e baru (100). Ressaltou que se espera a plantação adicional de 500 hectares por ano de macadâmia e de pecan, o que deve levar a mudanças no share nos próximos anos.

Em 2015 a exportação foi de US$ 153 milhões, contra importação de US$ 136 milhões.

Camargo falou sobre os mercados potenciais para os produtos, entre eles o dos mixes de castanhas, seguindo a tendência dos EUA. Crescimento de lojas especializadas, com produtos visando à saúde, incentivam o consumo de nozes. Problema provocado pela crise é a redução da renda da classe média, explicou.

Além do consumo pela indústria, produtos com nozes atraem consumidores em busca de saúde. Potencial também em cosméticos. Para exemplificar, exibiu uma diversidade de produtos com nozes e castanhas lançados em 2015, de leite de castanhas a panetones.

José Agustín Ribera, da Cadexnor, explicou que a Bolívia é um dos países que têm a presença natural da castanha-do-brasil. Norte do país tem mais de 100.000 km² de terras propícias à castanha, disse. Substituiu o látex e ganhou importância socioeconômica na Bolívia, que é o maior exportador do produto no mundo. Ela representa 75% da atividade econômica do Norte do país. Ressaltou também a importância da produção para a população indígena e camponesa da Bolívia. E destacou a importância para o ambiente da produção, porque as árvores são protegidas.

A Inglaterra (32% das vendas) e os Estados Unidos (31%) lideram entre os importadores do produto boliviano. Nos últimos cinco anos (2011 a 2015) houve salto de US$ 148 milhões para US$ 192 milhões no valor exportado.

Ribera disse que a Bolívia procura parceiros para a venda fracionada, de modo a aumentar o valor do produto vendido (de US$ 0,0009 por grama para US$ 0,0027). A diferença de valor seria de US$ 308 milhões por ano. Defende a união de produtores para lançar itens como barras enriquecidas com castanhas e mixes de castanhas, para maior valor agregado. Ribera também revelou que o país terá em 2017 evento para comemorar o ano internacional da castanha.

Patrício Queiroz, diretor da Promoex, conduziu o painel e destacou que o mercado é pulsante, crescente e estimulante, à espera de um impulso.

Siegfred Von Gehr, diretor e embaixador do INC para o Chile, disse que é claro que em seu país, tendo há muitos anos economia estável e previsível, possibilitou o investimento agrícola, necessariamente de longo prazo. A entrada da China no mercado internacional, com o grande aumento do poder aquisitivo de sua classe média, também provocou aumento da demanda. O país é visado por quem planta no Chile. Outro fator importante é o grande número de acordos comerciais firmados pelo Chile, que exporta para países que representam 84% do PIB mundial.

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“Potencial do Mercado Latino-Americano” foi tema de painel no encontro de nozes e castanhas na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Abertura de mercado para as nozes e castanhas do Brasil em debate na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de abrir mercado para as nozes e castanhas.  Para debater as potencialidades nesse campo, foi realizado, nesta segunda-feira (29/08), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em São Paulo, o V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas.

“Mais do que um encontro, aqui temos o sonho de transformar essa atividade, vista por muitos como de fundo de quintal, em negócio”, disse o vice-presidente do Ciesp e diretor de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro), José Eduardo Camargo. “O potencial é muito grande”.

Também presente à abertura do evento, o presidente do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Fiesp, João de Almeida Sampaio Filho, lembrou da participação de Camargo num evento do setor, há alguns anos. “Na época, havia uma sensação de euforia em vários setores, como algodão e eucalipto, por exemplo. Todo mundo citando boa rentabilidade de produção em sua área”, disse. “Quando o Camargo levantou a mão e contou o que estava acontecendo com as nozes e castanhas, todos ficaram quietos. São muitas as oportunidades”, explicou.

Para Sampaio Filho, há espaço para novas culturas em São Paulo.  “Olhamos muito para a soja e para a laranja, mas cabe diversificação”, afirmou. “As castanhas e nozes têm tudo para emplacar no estado, pois aqui temos gente preparada para produzir e mercado consumidor”.

>> Ouça boletim sobre o encontro de nozes e castanhas

Nessa linha de oportunidades, foi apresentado um panorama dos destaques nacionais na área.

Representante da Pecanita Agroindustrial, do Rio Grande do Sul, Claiton Wallauer destacou a produção da noz pecan. “A noz pecan ainda é pouco conhecia no Brasil”, disse. “A nossa meta é trazer cada vez mais renda para o pequeno agricultor, assumir o desafio da sustentabilidade do campo”, explicou.

Segundo Wallauer, o crescimento da produção, no caso da pecan, é de 500 a 600 hectares por ano em novas áreas de cultivo.

A floresta em pé

Gerente de Desenvolvimento do Ciex do Amazonas, Daniel Benzecry destacou a produção de Castanha do Brasil ou do Pará.

“A castanha do Brasil é o principal produto ecologicamente amigável que se conhece hoje, a maior fonte de renda do interior do Amazonas”, disse.

De acordo com Benzecry, a coleta da castanha depende da floresta, da preservação das árvores. “Quem trabalha com castanha do Brasil tem interesse de manter a floresta em pé”, explicou.

Uma curiosidade: a Bolívia, dona tem 70% da produção mundial, segundo números de 2015, é uma grande compradora da castanha do Brasil. “Cerca de 90% da castanha com casca que sai do Brasil vai para a Bolívia e para o Peru, com 17 mil toneladas exportadas por ano para os dois países”, disse. “Assim temos uma ideia do nosso potencial, do quanto nós podemos processar aqui”.

As possibilidades são grandes também quando o assunto envolve macadâmia. Segundo Ricardo Picard, da Tribeca Agroindustrial e Comercial, do Rio de Janeiro, a noz representa 2% das vendas mundiais da área. “Temos experiências boas no Brasil, onde pequenas e médias empresas podem ter um bom retorno a médio prazo, com a produção podendo durar 70 anos”.

A macadâmia é originária da Austrália e o consumo do alimento no Brasil é de três gramas por pessoa por ano.

Com vocês, o baru

Diretor comercial da Flora do Cerrado, de Goiás, Peter Oliveira é um entusiasta do baru, castanha extraída do fruto de uma árvore, o baruzeiro, considerada um símbolo do cerrado brasileiro.

“O baru vem ganhando espaço, é uma joia do cerrado”, disse. “Entre os benefícios para quem consome o produto estão o fato de que ele é antioxidante, rico em cálcio, fósforo e manganês, ajudando a combater a anemia e sendo capaz de fortalecer os ossos”.

Hoje, há produção do baru nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

O exemplo do Chile

Do Centro Oeste brasileiro para o Chile, a experiência do país na produção de nozes foi apresentada pelo diretor embaixador para o Chile do International Nut and Died Fruit Council (INC), Siegfried Von Gehr.

Os chilenos conseguiram elevar as suas exportações do produto de US$ 20 milhões para US$ 300 milhões em dez anos. Hoje, o país é dono de 6% da produção mundial de nozes e de 11% das exportações.

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A abertura do encontro na manhã desta segunda-feira na Fiesp: potencial grande de crescimento. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Vendemos para o exterior 90% da nossa produção”, explicou Gehr. “Somos um país pequeno, com 18 milhões de habitantes, não conseguimos consumidor tudo”.

As explicações para o bom desempenho na área? Uma combinação de clima e vontade do governo e da iniciativa privada. “Temos um clima mediterrâneo na zona central do Chile, muito propício à agricultura”, disse Gehr. “E incentivamos a produção de muitas formas, como a partir de uma lei que só permite a venda de alimentos saudáveis, como frutos secos e sementes, nas escolas chilenas”, afirmou. “Combatemos a obesidade infantil e valorizamos o consumo desses alimentos”.

Para o presidente do Datagro, Plínio Nastari, o Chile “deve servir de inspiração para o Brasil”. “O crescimento médio no consumo das nozes e castanhas no mundo está entre 6% e 8% ao ano”, disse. “Temos espaço para crescer”.

O Brasil exportou US$ 150 milhões em castanhas e nozes em 2015, sendo a castanha de caju o principal item nacional a ser vendido lá fora. “Não estamos falando de produtos exóticos, mas de alimentos com alto potencial de negócios”.