Pesquisa da Fiesp mostra aumento no investimento em P&D e gestão e queda em inovação

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira deve investir R$ 6,8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) este ano, 4,9% a mais do que os R$ 6,5 bilhões de 2015.  Também se espera um crescimento de 5,6% no investimento em gestão, de R$ 8,5 bilhões para R$ 9 bilhões, e redução de 8,6% no investimento em inovação, de R$ 11,5 bilhões para R$ 10,5 bilhões. Somando os três itens, estima-se queda de 0,8%, de R$ 26,5 bilhões em 2015 para R$ 26,3 bilhões em 2016. Os resultados, divulgados nesta quinta-feira (25/8), são da Pesquisa Fiesp de Intenção de Investimento em Inovação 2016.

“Em linhas gerais, nossa avaliação é de que, diferentemente do que se esperava para um cenário de grave crise econômica, que era uma redução dos investimentos em todas essas modalidades, os investimentos em gestão e P&D mostraram o contrário, e isso é positivo, pois reforça o aprendizado das empresas quanto à importância desses investimentos para a competitividade”, explica o diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho.

A queda de 8,6% no investimento em inovação está relacionada tanto ao caráter mais flexível das atividades que a compõem quanto ao fato de ter o maior investimento absoluto entre as três modalidades, o que permite trabalhar com corte de custos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016 com a participação de 1.120 empresas, sendo 534 pequenas, 405 médias e 181 grandes. Todos os setores da indústria de transformação foram considerados, exceto fabricação de coque e produtos derivados do petróleo. Os resultados foram expandidos pela Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE), que permite a análise nacional.

De acordo com o levantamento, os investimentos em gestão deverão aumentar em 23,6% nas grandes empresas, mas serão reduzidos em 31,8% pelas pequenas e 48,6% pelas médias. Já em inovação, serão reduzidos em todos os portes: 17,7% nas pequenas, 38,6% nas médias e 1,4% nas grandes. E os investimentos em P&D deverão aumentar 25% nas pequenas e 11,3% nas grandes, mas serão reduzidos em 31,4% pelas médias.

Pela primeira vez, a pesquisa foi dividida em duas partes. A primeira, divulgada em junho, contemplou o investimento fixo da indústria de transformação (máquinas, equipamentos e instalações). Esta segunda parte avalia exclusivamente o investimento em gestão, inovação e P&D.

Segundo o estudo, os R$ 9 bilhões que serão investidos em gestão serão compostos por 69% de recursos próprios, 24% de recursos de terceiros privados e 7% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso significa uma queda de 17 pontos percentuais (p.p.) na utilização de recursos próprios, um aumento de 16 p.p. nos recursos de terceiros privados e de 1 p.p.nos recursos públicos.

Os R$ 10,5 bilhões investidos em inovação serão compostos por 71% de recursos próprios, 17% de recursos de terceiros privados e 12% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso representa a manutenção do nível de utilização dos recursos próprios, a redução de 5 p.p. do uso de terceiros privados e aumento de 5 p.p. de recursos públicos.

Os R$ 6,8 bilhões que serão investidos em P&D serão compostos por 72% de recursos próprios, 13% de recursos de terceiros privados e 15% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso representa uma queda de 12 p.p. na utilização de recursos próprios, um aumento de 5 p.p. de terceiros privados e 7 p.p. de recursos públicos.

Segundo Roriz, é preocupante o aumento esperado para os recursos de terceiros privados e públicos, pois, no tocante ao crédito privado, os recentes aumentos na taxa de juros, acompanhados da restrição de crédito e escassez de recursos, representam grandes obstáculos a serem superados. “E o processo de austeridade fiscal, que aos poucos é implementado no governo, já impacta sobremaneira as principais agências de fomento do país”, afirma.

Em 2015, os desembolsos do BNDES para inovação diminuíram 9% na comparação com 2014, saindo de R$ 6,5 bilhões para R$ 6 bilhões. Na Finep, os desembolsos foram reduzidos em 50%, saindo de R$ 5,3 bilhões para R$ 2,6 bilhões. Acompanhando essa tendência, a demanda por crédito para inovação na Finep despencou de R$ 19 bilhões em 2013 para R$ 3,6 bilhões em 2015.

Outro instrumento de apoio que também se tornou vulnerável em razão da crise econômica é o incentivo fiscal à inovação previsto na Lei do Bem (Lei nº 11.196/2015). De 2013 a 2015 seu crescimento se manteve estável na casa de 1% ao ano. Além disso, a Medida Provisória nº 694/2015, que tentou suspendê-lo, caducou, mas deixou como legado o aumento da insegurança jurídica, e, por consequência, um desincentivo ao investimento em P&D.

“Para reverter esse cenário, é preciso reconhecer a necessidade de se construir uma agenda de longo prazo combinada com o uso estratégico dos recursos públicos”, afirma Roriz, ressalvando que não se pode desconsiderar o contexto atual de austeridade econômica.

Evento na Fiesp vai debater como reindustrializar o Brasil urgentemente

Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de discutir políticas para reindustrializar o Brasil e dinamizar a economia, o Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), promove o seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”, no dia 26 de agosto. O evento terá quatro painéis e contará com a presença de 32 renomados especialistas.

Segundo diretor titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, o contexto econômico não tem sido favorável aos investimentos em tecnologia. Por isso, o Brasil precisa ser mais agressivo nas políticas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e inovação a exemplo do que fazem os países desenvolvidos.

>> Conheça a programação do seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”
Um dos painéis discutirá os “Instrumentos de política industrial e tecnológica para incentivar a reindustrialização do Brasil”.

O debate, moderado por Mauro Borges Lemos, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), tem a participação confirmada de Alexandre Comin, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Antonio Fernandes dos Santos Neto, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Carlos Américo Pacheco (ITA), reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), José Roberto Mendonça de Barros , da empresa de consultoria MB Associados, Mansueto de Almeida, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mariano Laplane, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Mario Bernardini, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Paulo Pereira da Silva (Força Sindical).

Os comentários finais são de David Kupfer, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dois diretores da Fiesp: Roberto Giannetti da Fonseca, titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), e José Ricardo Roriz Coelho, do Decomtec.

Durante o painel serão tratadas de questões como: é viável a política de conteúdo local para desenvolver fornecedores nacionais competitivos internacionalmente? É possível expandir a política de compras governamentais brasileira para todas as compras públicas? As margens de preferências estão adequadas? O uso da regulação setorial pode ser um instrumento de política industrial mais bem aproveitado no Brasil?

Também devem constar do debate essas questões: existem setores que são dinamizadores/vetores, como o setor de petróleo e gás, químico e infraestrutura, entre outros. É viável incentivar os setores dinamizadores? A desoneração dos insumos básicos industriais aumentaria a competitividade das principais cadeias produtivas? Como aumentar os investimentos em P&D e inovação no Brasil?

O evento terá transmissão on-line, em tempo real, pelo site da Fiesp: www.fiesp.com.br/online

Serviço

Seminário “Reindustrialização do Brasil: chave para um projeto nacional de desenvolvimento”
Data: 26/08/13
Horário: 8h30 às 18h30
Local: Edifício-sede da Fiesp, em São Paulo – Av. Paulista, 1313

 

Brasil é o 3º país que mais dá incentivo de P&D; ao setor privado

Agência Indusnet Fiesp 

Carlos Américo Pacheco, da Unicamp (segundo, da esq. p/ dir.): “Temos muitos avanços, mas um longo caminho pela frente”. Foto: Vitor Salgado

O apoio para Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do setor privado do Brasil vem aumentando nos últimos anos, conforme levantamento mostrado por Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A apresentação foi feita nesta sexta-feira (12) aos membros do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec), presidido pelo professor Carlos Henrique de Brito Cruz, como parte da palestra de Pacheco sobre O Regime Brasileiro de Incentivos de P&D no Setor Privado. “Temos muitos avanços, mas um longo caminho pela frente”, afirmou.

Pacheco atribui o bom desempenho brasileiro à renúncia fiscal pela Lei de Informática, que “depende essencialmente do desempenho econômico do setor”, e pela Lei do Bem, que tem número crescente de empresas participantes. “Eles explicam quase 90% do aumento do apoio público para P&D”, observou.

O crescente número de empresas habilitadas a usufruir destes incentivos também tem despertado o interesse pela inovação. Exemplo disso é que, em 2006, a Lei do Bem tinha 130 participantes e, em 2008, saltou para 441.

Apesar dos números positivos, Pacheco alertou para a principal dúvida: a capacidade de alavancar o P&D privado. “O conjunto do sistema de incentivos brasileiro tem sido pouco eficaz em alterar de maneira radical o quadro da inovação brasileira”.

Segundo ele, estimativas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) indicam que a renúncia da Lei do Bem tem características “muito positivas por induzirem a um investimento elevado, cinco vezes maior que os benefícios concedidos”.

Alto risco de aplicação em P&D; pede maior participação governamental

Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp

Os altos custos e riscos da aplicação em políticas de desenvolvimento e inovação tecnológica elevam a insegurança das empresas, tanto em expandir a mão de obra quanto em investir em tecnologias mais avançadas.

Neste sentido, durante o seminário Avaliação da Política de Desenvolvimento Produtivo, realizado na sede da Fiesp nesta quarta-feira (2), os setores da indústria pediram maior participação do governo no processo.

O diretor da Área de Informática da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Irineu Goveia, solicitou aumento nas compras de produtos industriais, a exemplo dos países mais desenvolvidos, bem como maior aplicação de recursos públicos nas empresas.

“A subvenção econômica deveria atingir no mínimo 40% do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico”, alertou.

Além disso, Goveia disse que o governo tem condições de permitir às empresas o uso de créditos tributários acumulados para direcioná-los às políticas de inovação. “O INSS e os encargos legais dos alocados para P&D têm que ser aliviados. Seria um grande incremento à competitividade econômica do País”.

Tapar buracos

A demanda prioritária é “tapar os buracos” da cadeia produtiva nacional, pois, segundo o vice-presidente de Tecnologia da Embraer, Emílio Matsuo, somente assim a indústria poderia criar produtos mais avançados e alcançar novos mercados.

“Tecnologias mais avançadas só serão possíveis num ambiente que permita contato direto entre empresas que trabalham com tecnologias diferentes”, explicou.

De acordo com o diretor da Abinee, outros pontos que precisam ser melhorados são a formação de mão de obra especializada – nos níveis tecnológico e superior – e o registro de propriedade intelectual.

“Precisamos de mais agilidade na concessão de patentes”. Segundo ele, a demora faz com que muitas empresas desistam do processo. “Estamos até pensando em começar a patentear no exterior”, concluiu.

Aplicações conjuntas

O ministro interino do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias

O ministro interino e secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Rodrigues Elias, prometeu que o governo irá direcionar investimentos conjuntos do BNDES, Finep e Petrobras às empresas, para ampliação tecnológica.

Além disso, espera já para o próximo ano atrelar os programas compartilhados entre Capes e CNPq, e outros grupos de pesquisa às indústrias, para que a iniciação científica e produção se fortaleçam.

“O impacto da crise surtiu efeito direto no setor produtivo. Vamos criar programas seletivos que possam melhorar as cadeias produtivas”, ressaltou.

Para ele, o mais importante é utilizar ao máximo a capacidade de inovação do País. “Vamos usar as áreas seletivas levantadas pelos próprios empresários. Assim o investimento será direcionado e melhor aproveitado por todos”, afirmou.

Empresários pedem incentivo a projetos de P&D; e adequação dos prazos de licenciamento

Agência Indusnet Fiesp

O Ciesp Campinas recebeu na última quarta-feira (29) cerca de 100 empresários locais para debater as dificuldades na adoção de tecnologias limpas na indústria, como a falta de incentivo às empresas ambientalmente responsáveis e de uma política para gestão de resíduos na região. Também foi pleito dos industriais a adoção de prazos mais realistas por parte dos órgãos de licenciamento ambiental.

O encontro reuniu representantes industriais de Campinas e mais oito municípios e integrou a Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente 2009, que nesta edição vai compilar em um documento-referência da indústria as propostas discutidas em oito macrorregiões do Estado, com apoio das unidades regionais do Ciesp.

O documento será apresentado no encerramento da Semana de Meio Ambiente, dia 4 de junho, na sede da Fiesp e do Ciesp em São Paulo. “Cada realidade regional terá a oportunidade única de expor suas necessidades e trabalhar boas práticas de produção mais limpa”, avaliou Mario Hirose, diretor-titular de Meio Ambiente do Ciesp.

Segundo o diretor da Regional Campinas na área ambiental, Marlúcio Borges, pretende-se que o documento elaborado pela indústria seja um instrumento para delinear um plano de ações junto aos governos municipais, estadual e federal, que resultem em benefícios para o setor.

“É a primeira vez que o evento é construído de forma a ouvir e consolidar demandas, desafios e oportunidades que nascem da base. Este é o momento de o Ciesp se colocar como ouvidor, porta-voz do processo”, afirmou Borges.

Novas tecnologias

Os empresários se dividiram em três grupos de discussão: tecnológico e de capacitação; regulatório e de financiamento. No campo tecnológico, os representantes do setor industrial apontaram como problemas para a região:

  • A não-aplicação de tecnologias existentes para gestão e uso racional da água;
  • Falta de política para descarte de resíduos sólidos e líquidos, como, por exemplo, a redução de carga tributária de materiais reciclados para viabilizar sua colocação no mercado;
  • Falta de conhecimento e incentivo para uso de alternativas energéticas;
  • Baixa implementação do sistema de gestão ambiental ISO 14000;
  • Falha mútua na relação indústria-universidade para aplicação de projetos de P&D;
  • Falta de investimentos em programas de qualificação profissional para uso das novas tecnologias ou aplicação de instrumentos de gestão.A divulgação das tecnologias existentes para melhor utilização de matérias-primas e minimização dos resíduos foi a principal proposta dos empresários, que também pediram incentivo ao desenvolvimento de novos projetos na indústria com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro).

Ganhou destaque, ainda, a criação de políticas de incentivo escalonado, de acordo com a sustentabilidade da tecnologia utilizada pelas empresas.


Legislação

No campo regulatório, a falta de clareza em alguns diplomas legais foi indicada como principal ponto a melhorar.

“As recentes modificações legais de licenciamento aumentam o prazo de resposta dos órgãos ambientais. Além disso, temos uma desvantagem competitiva devido à legislação estadual mais restritiva, principalmente quanto às formas alternativas de destinação de resíduos”, afirmou o coordenador do Grupo de Estudos Ambientais (GEA) do Ciesp Campinas, Jorge Galgaro, que comandou os trabalhos do grupo de fiscalização.

A 1ª Câmara Técnica de Uso e Conservação da Água na Indústria, fórum coordenado pelo Ciesp Jundiaí no âmbito do Comitê de Bacias do PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), foi apontado pelos empresários da região como aspecto positivo para minimizar o quadro de incertezas instituído no arcabouço legal ambiental do Estado.

A CT-Indústria tem oito meses de atuação e a função de filtrar os pleitos do setor produtivo. “O modelo de administração da Bacia PCJ permite participação ativa do segmento industrial, como na discussão dos Planos de Bacias, decisiva para a competitividade”, definiu Galgaro.

Os empresários reunidos no Ciesp Campinas também pediram prazos mais realistas para o licenciamento e cumprimento de exigências técnicas, maior abertura do governo para parcerias com a iniciativa privada e critérios mais adequados de compensação ambiental.

No campo do financiamento, as demandas se concentraram na criação de linhas setorizadas e com custo diferenciado para investimentos ambientais, incentivos no IRPJ nos moldes da Lei Rouanet e criação de um fundo estadual formado pela arrecadação de multas ambientais.