Empresas brasileiras deveriam olhar privatização da TAP com enorme interesse, diz Giannetti

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Portugal. Roberto Giannetti da Fonseca. Foto: Everton Amaro

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Derex/Fiesp, aponta setores estratégicos para empresariado brasileiro em Portugal. Foto: Everton Amaro

Após se reunir pela manhã e realizar um seminário com autoridades portuguesas, o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou nesta quarta-feira (05/09) que a privatização da companhia aérea portuguesa TAP é movimento estratégico para empresas brasileiras que desejam internacionalizar.

“A privatização da TAP é algo que as empresas brasileiras deveriam olhar com enorme interesse. Refiro-me à TAM, Avianca, Gol, empresas que poderiam se internacionalizar mais ainda”, disse Giannetti em coletiva depois de encerrar o seminário Oportunidades de Investimento em Portugal, realizado pela Fiesp.

O presidente-executivo da TAP é Fernando Pinto, ex-presidente da Varig. Segundo Giannetti, a companhia aérea portuguesa realiza pelo menos 54 voos por semana para “várias capitais brasileiras”.

Outros setores apontados pelo diretor do Derex como estratégicos para o empresariado brasileiro são o de estaleiros, que, em sua avaliação, pode ser muito útil nas plataformas de petróleo do pré-sal, e o de aeroportos.

“Há também na área de concessão os aeroportos portugueses”, destacou Giannetti. “Tem empresas brasileiras que estão investindo, tanto aqui quanto lá, nessa especialização que é administração de aeroportos, algo que o Brasil poderia também se destacar no processo de internacionalização”, completou.

O governo português abriu processos de privatização para as estatais EDP Energias e Galp (empresa de combustível e petróleo), para a companhia aérea TAP e para a operadora aeroportuária ANA.

Ministro de Estado e Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas. Foto: Everton Amaro

Ministro de Estado e Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas. Foto: Everton Amaro

Questionado se o investidor brasileiro vai investir em concessões em Portugal enquanto o Brasil está no mesmo processo, o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, afirmou acreditar que seu país está aberto às novas economias, às economias emergentes, mas sua obrigação neste processo é “ser discreto”.

“Os processos de privatização estão abertos. Agora, o ministro deve ser bastante sóbrio e discreto. As privatizações precisam se reguladas pelas melhores praticas”, afirmou Portas.

Fiesp deve realizar missão empresarial a Portugal no primeiro tri de 2013

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No intuito de se recuperar de uma crise econômica, Portugal está disposto a fazer o que estiver ao seu alcance para abrir sua economia e atrair mais investimento estrangeiro, inclusive do Brasil, afirmou nesta quarta-feira (05/09) o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas. Reflexo desse esforço é o convite feito pela autoridade ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, para que uma missão empresarial seja realizada em seu país no próximo ano.

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Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex da Fiesp, e o ministro português Paulo Portas, durante o seminário “Oportunidades de Investimento em Portugal”. Foto: Everton Amaro

“Tivemos uma excelente reunião de trabalho com Paulo Skaf, que vai resultar no estreitamento da relação econômica entre Portugal e Brasil. Nós convidamos o presidente da Fiesp para fazer uma missão nos próximos meses, e [os empresários brasileiros] serão recebidos como irmãos, amigos e sócios”, afirmou Portas, durante o seminário “Oportunidades de Investimento em Portugal”, realizado nesta manhã na sede da entidade.

As intenções foram confirmadas pelo diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca: “Deixamos já confirmado o interesse da federação de realizar uma missão a Portugal, provavelmente, no primeiro trimestre de 2013”.

O encontro desta quarta na Fiesp, segundo o diretor, é uma continuidade  do trabalho que a entidade tem realizado com autoridades e empresários portugueses. Em maio deste ano, o ministro Paulo Portas esteve na federação e se reuniu com o vice-presidente João Guilherme Ometto, com quem conversou, entre outros assuntos, sobre benefícios que o governo português estuda conceder a investidores brasileiros.

Crise

Com o agravamento da crise econômica no país, Portugal pediu ajuda financeira à União Europeia. “Para uma nação antiga, de nove séculos, não é agradável chegar a uma situação em que tem de pedir ajudar externa,” afirmou Portas. “Vocês sabem que empréstimo não é grátis.”

Ao contrário de países como os Estados Unidos, o motivo da crise econômica de Portugal não foi o estouro de bolha de crédito, mas a perda gradual de competitividade com elevação de salários e redução das tarifas de exportações.

O Instituto Nacional de Estatísticas de Portugal informou, na primeira quinzena de agosto, que o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 3,3% no segundo trimestre de 2012 em relação ao mesmo período de 2011. Após registrar queda de 1,6% em 2011, o governo português estima que o PIB deva encerrar 2012 negativo em 3%.

Plano de resgate

“Nós queremos recuperar a independência do ponto de vista da nossa economia. Tivemos problemas ao longo da nossa história, e concluímos que Portugal depois da crise sempre se tornou melhor do que antes”, afirmou Portas.

Como medidas para sair da recessão, o governo português implementou um plano de resgate que inclui medidas de austeridade criadas para equilibrar o orçamento de Portugal.

Entre as medidas estão a suspensão de quatro feriados, para aumentar a produção, e a criação do Visto Gold – um visto duradouro para quem investir acima de um milhão de euros ou adquirir propriedades de mais de 500 mil euros ou, ainda, criar ao menos 30 postos de trabalho no país.

“É um tipo de visto, em Portugal, muito mais competitivo”, afirmou Portas, acrescentando que “temos de tratar bem quem está em Portugal”.

Antes do início do seminário “Oportunidades de Investimento em Portugal”, realizado nesta manhã na sede da entidade, o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, foi recebido pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em seu gabinete.

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Presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebe o ministro de Portugal, Paulo Portas. Foto: Junior Ruiz

Agenda: Fiesp promove nesta 4ª feira (05/09) seminário sobre investimento em Portugal

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza, nesta quarta-feira (05/09), seminário “Oportunidades de Investimento em Portugal”, com a presença do ministro de Estados e Negócios Estrangeiros do país, Paulo Portas.

Portugal busca, no Brasil, atrair investimentos para seu setor de construção civil e, principalmente, para seu programa de privatização, já que o governo colocou à venda as empresas estatais EDP e Galp (do setor de energia), a companhia aérea TAP e a operadora aeroportuária ANA.

Durante o seminário, o ministro Paulo Portas apresentará os detalhes das desestatizações e as vantagens do país europeu como porta de entrada para as indústrias que querem se internacionalizar com foco na África.

Esta é a terceira vez que o governo de Portugal envia um representante à Fiesp. O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moeda, e o ministro da Economia do país, Álvaro Santos Pereira, também estiveram na entidade em busca de capital estrangeiro.