Novo Centro Cultural Fiesp é um oásis, diz arquiteta que projetou a reforma

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ela veio para fazer a diferença num marco da Avenida Paulista que leva a assinatura de dois gigantes da arquitetura brasileira: Rino Levi e Paulo Mendes da Rocha. E, com o seu talento, ajudou a indústria paulista a entregar à cidade o novo Centro Cultural Fiesp. Um projeto que começou a ser pensado em 2012, quando, convidada a fazer uma outra intervenção no prédio, a arquiteta Moema Wertheimer apresentou uma proposta diferenciada para a área. O resultado? Mais de 5 mil metros quadrados de espaços de exposições, galeria de fotos, teatro e um café com vista para um jardim que leva a marca de Burle Marx. Prova de que na sede da manufatura do maior estado brasileiro as mulheres são respeitadas, ela diz que nunca se sentiu intimidada por assumir uma obra grande, como antes apenas profissionais do sexo masculino assumiram. “Sempre fui muito bem recebida aqui”, diz.

A relação da arquiteta com a Fiesp começou bem antes da inauguração do novo Centro Cultural, no último dia 19 de fevereiro, quando 19.047 pessoas passaram pelo espaço. Em 2008, Moema renovou o restaurante localizado no 16º andar do prédio. “Havia uma demanda grande por eventos e pouco aproveitamento da luz natural”, conta. “Melhoramos a cozinha e a acessibilidade ao local, tornando a área flexível”. Assim, foi criado um “cardápio de uso” com mais de dez formas de utilização da área.

Moema com o jardim de Burle Marx ao fundo: para usufruto de quem passa pela Paulista. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Não menos importante, o Salão Nobre, que recebe eventos, palestras e debates no 15º andar, também foi reformado por ela. “Criamos uma cozinha de apoio e assim conseguimos triplicar o uso da área”, diz. “Fico orgulhosa de saber que assim pode haver mais sinergia, contatos e negócios entre os empresários.”

Ferramenta de transformação

Orgulho foi algo que também não faltou na história de Moema com o novo Centro Cultural Fiesp. Até porque o projeto que criou a estrutura, nos anos 1990, foi feito por Paulo Mendes da Rocha, o mais renomado arquiteto brasileiro em atividade e orientador dela em seu projeto de conclusão de curso na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “Fiquei muito honrada quando me deparei com a chance de trabalhar com algo feito por ele”, lembra. “Com o Paulo Mendes da Rocha aprendi que a arquitetura pode ser uma ferramenta de transformação, um meio para melhorar a qualidade de vida das pessoas.”

Assim, convidada a melhorar o acesso do público ao prédio na recepção, ela fez questão de circular pelo piso e conhecer melhor a área destinada à cultura no número 1313 da Paulista. “Vi aquele jardim nos fundos da construção e na hora achei que tinha a cara do Burle Marx”, lembra. “Fui consultar os arquivos, confirmei a informação e pensei que aquele trecho merecia se transformar num espaço de contemplação.”

O passo seguinte foi apresentar um projeto de renovação da área. “Fiz por minha conta e risco”, diz. Valeu a pena. “Ouvi muito de companheiros de trabalho que ia dar em nada, mas não desisti”, lembra. “Hoje o resultado está aí”.

Está aí e lotou a sede da indústria de São Paulo em fevereiro, num domingo que começou com uma apresentação da Bachiana Filarmônica do Sesi-SP e terminou com a apresentação da peça Tróilo e Créssida no teatro da casa, à noite. Com visitantes circulando e aproveitando as exposições oferecidas ao longo de todo o dia. “Estamos falando de um espaço importante de usufruto do público da Paulista”, diz Moema. “O novo Centro Cultural da Fiesp é um oásis.”

A inauguração do novo Centro Cultural Fiesp: 19.047 visitantes num único domingo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Aula de marcenaria

Paulistana, 54 anos e filha de uma suíça e de um brasileiro, sendo o avô paterno um austríaco, a arquiteta acredita que chegou até aqui em grande parte devido à formação que teve. “Na Escola Suíço-Brasileira de São Paulo, onde estudei, tinha aulas de arte, teatro, idiomas, marcenaria”, diz. “Esse contato com conhecimentos variados hoje me estimula a ir fundo na cultura das empresas antes de fazer um projeto, a conhecer bem os clientes, entender o que eles fazem e do que precisam.”

Assim, mergulhando em universos tão variados, Moema já atendeu empresas como os laboratórios Roche e Boehringer Ingelheim, Nokia e Google, entre muitas outras.  “Além dos projetos no Brasil, fizemos obras nas sedes da Nokia na Argentina, no Chile e no México”, diz. “Também cuidamos da sede da Roche em Istambul, na Turquia, e da loja conceito da marca Melissa no bairro do Soho, em Nova York, nos Estados Unidos.”

Mas não só os clientes estrelados que fazem os olhos da arquiteta brilharem. “Sou apaixonada pelo que faço e tenho um carinho especial por todas as obras: as menores e as maiores”.

Entre as maiores, o novo Centro Cultural Fiesp é uma prova de que, juntos, talento e arquitetura podem, sim, fazer toda a diferença.

Conheça o novo Centro Cultural Fiesp: www.centroculturalfiesp.com.br.

 

Responsável pela reforma que criou a Galeria do Sesi-SP, Paulo Mendes da Rocha receberá medalha de ouro de instituto na Inglaterra

Agência Indusnet Fiesp

Responsável pela reforma que em 1998 deu ao prédio da Fiesp e do Sesi-SP na capital paulista a cara que ele tem hoje, com a construção de um mezanino onde foi instalada a Galeria do Sesi-SP, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha receberá a medalha de ouro do Royal Institute of British Architects, na Inglaterra. A comenda é um reconhecimento pela sua obra, já premiada anteriormente com o Pritzker, considerado o “Nobel da arquitetura”.

A medalha será entregue no primeiro semestre de 2017. Já o prêmio foi instituído em 1948, devendo ser sempre ter o aval da rainha Elizabeth 2ª. O objetivo é destacar pessoas ou grupos que tenham colaborado de forma significativa para o desenvolvimento da arquitetura.

No sede da Fiesp e do Sesi-SP na Paulista, Paulo Mendes da Rocha recuperou a distância original entre o asfalto automotivo e a entrada principal da construção. Para conseguir esse efeito, o arquiteto fez um “corte” da laje do pavimento superior ao passeio público e recuou a laje inferior onde atualmente funciona o Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

O Centro Cultural da indústria paulista oferece, gratuitamente ou a preços populares, atrações diversificadas para todas as faixas etárias. Em 2008, recebeu o atual nome em homenagem à antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), incentivadora da educação solidária no Brasil.

 

Boas lembranças do 1313 da Avenida Paulista

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ela nunca esqueceu do impacto que sentiu ao entrar, pela primeira vez, no quinto andar. Ali, ao ver tanta gente trabalhando, se deu conta da grandiosidade da instituição para a qual começou a trabalhar no último mês de julho: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Gerente do Departamento Sindical (Desin) da instituição, Daniele Azevedo de Souza é uma das 3 mil pessoas que circulam, em média, todos os dias pelo edifício de número 1313 da Avenida Paulista. E, admiradas, comemoram o fato de frequentar um marco da arquitetura da maior metrópole brasileira, uma construção que completa 37 anos neste sábado (27/08).

“O nosso prédio é especial”, diz Daniele. “O reflexo da importância da Fiesp e de tudo o que ela representa para São Paulo e para o Brasil”.

Seria um caso de pura e simples paixão momentânea pelo novo ambiente de trabalho? A julgar pelo que dizem os funcionários mais antigos da Fiesp, o relacionamento com a instituição e a sua sede é duradouro. “Não dá para esquecer esse prédio”, conta Laudelina Leal dos Santos, administradora do mesmo setor em que trabalha Daniele, o Desin. “Coisas muito boas acontecem aqui”.

O prédio da Fiesp: 3 mil pessoas circulam todos os dias na sede da indústria paulista. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Laudelina é a colaboradora mais antiga da federação, tendo sido contratada há 38 anos. Assim, foi testemunha da mudança de sede do Palácio Mauá, onde hoje está o Fórum Hely Meirelles, no Centro, para a pirâmide da Paulista. “A avenida era muito sossegada”, lembra. “Tínhamos duas horas de almoço e dava tempo de sobra de comer e relaxar caminhando pela região e aproveitando as atividades oferecidas no prédio, como shows ao meio-dia às sextas-feiras”.

Laudelina: no prédio da Fiesp desde os tempos em que a Paulista era "sossegada". Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Também um representante do time dos funcionários com mais tempo de casa, com 30 anos de carteira assinada, o gerente do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, Filemon Lima, é outro entusiasta da programação cultural permanente, com shows na calçada, exposições de arte no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso e peças e debates no Espaço Mezanino e no Teatro do Sesi-SP, atualmente em reforma e com inauguração prevista para setembro. “Digo a todos que aproveitem mais esse prédio”, conta.

Em suas melhores lembranças vividas na sede da indústria paulista, Lima conta que foi aqui que ele conheceu a sua primeira mulher, Solange, mãe de seus dois filhos e hoje a sua melhor amiga. “Trabalhávamos juntos e namoramos durante três anos”, diz. “Santo Antônio estava sempre por aqui”, brinca.

No balanço de tantas emoções, ficaram amizades de longa data, despedidas dolorosas e momentos que nunca serão esquecidos. “Tenho uma foto com o Zé Maria, lateral direito da seleção brasileira nos anos 1970 e ídolo do Corinthians, que tirei quando ele veio aqui”, diz. “Guardo até hoje, foi especial para mim”.

Lima: um amor, muitas amizades, algumas despedidas, emoções de sobra. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Ídolos do vôlei

Gerente de Recursos Humanos da Fiesp, Marco Aurélio Meneguesso também guarda com carinho fotos com ídolos com quem já cruzou pelos corredores da Fiesp, como os craques do vôlei Serginho e Marcelo Negrão. “Estando aqui, temos a chance de ter contato com pessoas que a gente admira na nossa profissão e em todas as outras”, conta.

Além disso, para ele é um privilégio dar expediente num prédio tão conhecido. “Todo mundo sabe onde eu trabalho”, diz. “Somos uma das construções mais conhecidas da Paulista”.

Em todo o edifício, trabalham cerca de 2.300 pessoas, dos quais 465 são funcionários da Fiesp. Os demais fazem parte dos quadros do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e de sindicatos variados ligados à indústria.

Ceia de Natal

Um batalhão de gente que garante movimento 24 horas. Com serviços de manutenção, limpeza e segurança que não param jamais.

Funcionário da equipe de segurança do prédio, Paulo Ismar Lourenço conta que, no final de 2015, se sentiu emocionado, durante uma ceia de final de ano com seus colegas, ao se dar conta de que, mesmo com tão pouca gente trabalhando, o número 1313 da Paulista continuava em movimento. “Foi um momento de união muito bonito”, lembra. “Para um segurança, trabalhar na Fiesp é dinâmico: se hoje atendemos uma autoridade internacional, amanhã acompanhamos a visita de um grupo de alunos das escolas do Sesi-SP”, diz.

Dos bastidores aos palcos, emoção é o que não falta. Estrela de dois musicais de muito sucesso no Teatro do Sesi-SP, A Madrinha Embriagada e O Homem de La Mancha, Sara Sarres frequentou a sede da Fiesp praticamente todas as semanas de agosto de 2013 até junho de 2015, quando terminaram as temporadas dos dois espetáculos.

“Tive a sorte de viver muitos momentos inesquecíveis no prédio da Fiesp, mas um dia transformador para mim foi o lançamento do Projeto Educacional de Teatro Musical, em maio de 2013”, lembra. “Ver que existia um laço atado entre a indústria, a educação e a cultura foi uma emoção indescritível, me encheu de esperanças de vivermos num Brasil melhor”, diz. “Por essas e outras, o prédio da Fiesp é um cartão postal no meu coração”.

Sara durante o lançamento do projeto Teatro Musical, em maio de 2013: para não esquecer. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Como um abraço

Um cartão postal que, com seus 92 metros de altura, emociona até quem já está acostumado com o melhor em matéria de construção. Vencedor do prêmio Pritzker, considerado o Nobel de arquitetura, em 2006, Paulo Mendes da Rocha diz que a casa da indústria paulista é “um prédio exemplar dentro da obra belíssima do Rino Levi”, numa referência ao arquiteto responsável pelo projeto.

Em 1998, Mendes da Rocha reformou a parte mais baixa da construção, aproveitando os apoios de concreto para sediar o que hoje é o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso. Assim, a laje do pavimento superior do passeio recebeu um corte, com o recuo da laje inferior. Com a mudança, o passeio público foi ampliado, integrando o edifício à avenida mais famosa de São Paulo e dando a sensação de abraçar quem passa pela frente.

“O prédio reflete as relações que a Fiesp estabelece com a cidade por meio do teatro e dos seus espaços de exposições”, afirma Mendes da Rocha. “Marca bem o fato de São Paulo ser o maior centro industrial da América Latina”.

Numa prova definitiva de que a pirâmide da Paulista brilha e faz brilhar, o arquiteto lembra de quando assinou a cenografia da peça Futebol, dirigida por Bia Lessa e encenada em 1994, no Teatro do Sesi-SP. “Foi muito bom estar ali dentro, na plateia, e ver o meu trabalho em cena”, diz. “O prédio da Fiesp é um marco da arquitetura de São Paulo”.

O prédio ds Fiesp iluminado com projeções em sua fachada: casa da indústria e palco da cultura. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Paulo Mendes da Rocha, arquiteto de reforma do prédio da Fiesp, é premiado na Bienal de Veneza

Agência Indusnet Fiesp

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha, autor do projeto de reforma do prédio da Fiesp que em 1998 acrescentou ao imóvel o mezanino em que funciona a Galeria do Sesi-SP, vai receber em 28 de maio, pelo conjunto de sua obra, o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza. Ele venceu também, em 2006, o prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura.

Em entrevista ao Portal da Fiesp em 2013, Mendes da Rocha disse que o prédio da Fiesp está entre os “mais notáveis” de São Paulo.

O projeto do prédio é do escritório Rino Levi Associados. Na reforma projetada por Mendes da Rocha, a parte inferior foi alterada para permitir a criação da galeria de arte (onde hoje funciona o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso), nova recepção e saguão dos elevadores na portaria principal, além de ampliar o passeio público, tornando o acesso à construção mais generoso e integrado à calçada da avenida Paulista.

O prédio é sede também do Ciesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, entidades da indústria que, como a Fiesp, são presididas por Paulo Skaf.

Térreo do prédio da Fiesp, que teve projeto de reforma assinado por Paulo Mendes da Rocha. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

36 motivos para amar o prédio da Fiesp

Isabela Barros

De longe, de perto, da calçada, de uma de suas varandas. Não importa o ângulo: de onde quer que se olhe, o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, é sempre uma referência. E isso não somente pelo formato, em forma de pirâmide, todo revestido de alumínio, mas, principalmente, por tudo o que acontece, todos os dias, em seus 25 andares.

Daqui, decisões que ajudam a melhorar a vida dos paulistas e dos brasileiros são tomadas. E muito é feito em nome da economia, educação, lazer, cultura e esporte.

Abaixo, 36 motivos para admirar o edifício, que completa 36 anos nesta quinta-feira (27/08):

1. É uma das construções mais originais da maior cidade do Brasil. Não à toa um cartão postal obrigatório nas filmagens feitas na Avenida Paulista.

2. Aqui há programação cultural gratuita da melhor qualidade no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso, do qual faz parte o Teatro do Sesi-SP, o Espaço Mezanino e a área para exposições. Para conferir a programação, é só clicar aqui.

3. Projetado numa época marcada por grandes incêndios em São Paulo, como os do Andraus, em 1972, e o do Joelma, em 1974, a sede da Fiesp tem segurança reforçada em relação a esse tipo de ocorrência. De acordo com o gerente de Serviços de Manutenção da entidade, Alberto Batista Passos, a construção possui duas escadas de rota de fuga isoladas do chamado conjunto administrativo, onde ficam as salas.

4. Dizem os funcionários que o formato de pirâmide atrai boas energias.

O prédio da Fiesp foi projetado pelo arquiteto Rino Levi. Foto: Everton Amaro/Fiesp

5. Super modernos, os elevadores usados no edifício operam com uma velocidade de quatro metros por segundo, levando apenas 17,5 segundos para percorrer todos os andares.

6. Com 92 metros de altura, o prédio foi projetado por Rino Levi.

7. Outro arquiteto estrelado deixou a sua marca na construção: Paulo Mendes da Rocha. Vencedor do prêmio Pritzker, um dos mais importantes da área em todo o mundo, Mendes da Rocha foi o autor do projeto que construiu o mezanino onde hoje funciona a Galeria do Sesi-SP. A obra foi feita em 1998.

8. Quer mais? Ninguém menos que Roberto Burle Marx, arquiteto e paisagista, assinou um mosaico de 515,68 metros quadrados que fica na parte de trás do prédio, sendo visto pela Alameda Santos. Falecido em 1994, Burle Marx fez o trabalho em parceria com o também arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono.

9. Todos os dias, 3 mil pessoas, em média, circulam por aqui.

10. Além da Fiesp, o edifício é sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e de diversos sindicatos ligados à indústria.

11. É das salas do prédio da Fiesp que saem estudos que são referência para o setor manufatureiro, como o Índice de Nível de Atividade (INA) e o Nível de Emprego, divulgados todos os meses.

12. Aqui está o Centro de Processamento de Dados do Sesi-SP, que gerencia todas as escolas da rede no estado.

13. Em cada andar há uma varanda onde é possível ver a Paulista e espairecer um pouco.

A sacada de um dos andares do edifício: respiro para ver a Paulista. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

14. O programa Meu Novo Mundo, de qualificação, treinamento e inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, foi idealizado aqui, numa parceria entre a Fiesp, Sesi-SP e Senai-SP.

15.  Até junho de 2015, o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso recebeu um público de 156.230 pessoas em suas exposições.

16. Para o segundo semestre, está programada e mostra Carne Valle – Imaginário Carnavalesco na Cultura Brasileira. 

17. A exposição Leonardo da Vinci: A Natureza da Invenção foi a campeã de público em 2015, com 210.282 visitantes.

A exposição sobre Leonardo da Vinci: recorde de público na programação em 2015. Foto: Tamna Waqued/Fiesp

 

18. Também um sucesso, o musical A Madrinha Embriagada, exibido em 2013 e 2014 no Teatro do Sesi-SP, teve um público de 134.931 pessoas em suas 325 apresentações.

Teatro do Sesi-SP lotado durante apresentação de "A Madrinha Embriagada". Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

19. Outro campeão de bilheteria, O Homem de La Mancha teve 121.135 espectadores em 276 apresentações entre setembro de 2014 e junho de 2015.

Cena de "O Homem de La Mancha": 121.135 espectadores em 276 apresentações. Foto: Beto Moussali/Fiesp

 

20. Maior tela da cidade, a Galeria de Arte Digital do Sesi-SP consiste na fachada do prédio.

A Galeria de Arte Digital do Sesi-SP: a maior tela da cidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

21. O espaço para projeções digitais já recebeu duas mostras e receberá mais uma em 2015.

22. Numa delas, a Natureza Urbana – Riscos e Traços, o artista Toni D’Agostinho fez caricaturas dos passantes, que viram os seus desenhos projetados na construção.

23. O Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso recebeu, no Teatro do Sesi-SP e demais espaços cênicos, 13 peças que, juntas, tiveram 656 apresentações e um público de 207.285 pessoas. Isso em 2014 e até junho de 2015.

24. Em 2015, até o mês de junho, 27. 136 alunos e participantes de grupos das escolas do Sesi-SP visitaram o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso.

25. A programação cultural da casa vai ferver no segundo semestre de 2015, com novas temporadas dos maiores sucessos exibidos no Teatro do Sesi-SP.

26. Entre elas, estão produções premiadas como Lampião e Lancelote e Mistero Buffo. Para saber mais, é só clicar aqui.

27. O projeto Quartas Musicais, com shows às quartas-feiras, às 20h, no Teatro do Sesi-SP, também está de volta no segundo semestre de 2015. E terá atrações como Pedro Mariano e Jaques Morelenbaum em setembro.

28. Relaxar na calçada do prédio vendo o movimento da Paulista é sempre um bom programa.

29. Da calçada da construção, aliás, a sensação é a de estar dentro do prédio, que “abraça” a avenida mais famosa de São Paulo.

30. Trabalham no edifício mais de 2 mil pessoas que se dedicam às causas e realizações da indústria de São Paulo.

31. Nove tanques armazenam água da chuva para a limpeza das áreas comuns. A capacidade de armazenamento é de 75 mil litros.

32. E por falar em água, campanhas internas com funcionários resultaram numa economia mensal de 30% no consumo.

33. Os empresários têm acesso a serviços diversos no primeiro subsolo do edifício, como um posto de atendimento da Receita Federal e outro da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

34. O uso de bicicletas entre os funcionários é estimulado com 20 vagas para estacionamento. Com o aumento no número de ciclovias em São Paulo, a quantidade de vagas será ampliada.

35. Em média, 26% do lixo produzido no prédio é reciclado.

36. Ter metrô literalmente na porta, no caso a estação Trianon-Masp, da Linha 2 Verde, é um luxo.

 

Trinta e cinco coisas que você não sabia sobre o prédio da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Quem passa pela Paulista e olha, admirado ou curioso, para a construção em forma de pirâmide que ocupa o número 1313 da avenida não imagina que, por trás daquele concreto revestido de alumínio, todos os dias, em média, 3 mil pessoas circulem pela sede da indústria de São Paulo. Funcionários ou visitantes, são pessoas envolvidas com atividades que movimentam a economia do estado mais rico do país, além de levar educação, cidadania, cultura e esporte para industriários ou não.

O prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é um templo de trabalho, mas também de história. De suas varandas, funcionários mais antigos viram  arranha-céus brotarem na paisagem e carros ocuparem cada vez mais espaço na rua. Pelas salas de reuniões, onde são servidos 250 cafezinhos por dia, já passaram chefes de estado daqui e de fora, personalidades como a argentina Cristina Kirchner e o francês François Hollande, para citar apenas dois nomes.

Abaixo, 35 curiosidades sobre o edifício que completa 35 anos de atividades nesta quarta-feira (27/08). Ou 35 motivos para gostar ainda mais da pirâmide erguida em um dos endereços mais famosos do Brasil.

O PRÉDIO

1) Lá do alto –Tendo como referência a Avenida Paulista, o prédio da Fiesp tem altura de 92 metros.  

A sede da indústria paulista: pirâmide de trabalho e história. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A sede da indústria paulista: pirâmide de trabalho e história. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

2) A outra sede – Antes da mudança para a atual sede, a Fiesp funcionava no chamado Palácio Mauá, no local em que hoje está o Fórum Hely Meirelles, no Centro da capital.

3) Tijolo por tijolo – As obras começaram em agosto de 1970.

4) O maior andar – O maior andar do edifício é o térreo superior, com 2.769 metros quadrados. É lá que ficam a entrada corporativa do edifício e o Centro Cultural Fiesp com a Galeria de Arte do Sesi-SP. Já o menor é o 15º, com 969 metros quadrados.

5) Concurso público – O projeto arquitetônico do edifício foi selecionado em um concurso público, vencida pelo escritório Rino Levi Associados. A ideia era criar uma construção que fosse expressiva e que se tornasse numa referência na Avenida Paulista.

6) Burle Marx – No acesso pelo número 1.336 da Alameda Santos, há um mosaico de 515,68 metros quadrados assinado pelo paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx (1909-1994). O trabalho foi feito em parceria com o também arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono.

Um tesouro na fachada dos fundos do prédio, por Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Um tesouro na fachada dos fundos do prédio, por Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

7) Sindicatos e associações – Além da Fiesp, Ciesp, Sesi-SP, Senai-SP e Instituto Roberto Simonsen têm sede no edifício 49 sindicatos e associações da indústria. Essas entidades ocupam o 7º, 8º, 9º e 10º andares.

8 )  Sesi e Senai – Junto com a Fiesp e o Ciesp, o Sesi-SP também se mudou para a Paulista em 1979. Já o Senai-SP veio somente em 2002.

9) Mudança anunciada – Em 26 de agosto de 1979, um dia antes da mudança, as edições dominicais da Folha de S. Paulo e do Estado de S. Paulo divulgaram a abertura da nova sede da Fiesp.

10) Nobel da arquiteturaEm 1998, o edifício passou por uma reforma, com a construção de um mezanino onde foi instalada a Galeria do Sesi-SP. O autor do projeto foi o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o único brasileiro a ganhar o Pritzker, considerado o “Nobel da arquitetura”, além de Oscar Niemeyer.

11) Corte na laje – Com a mudança no térreo, foi feita a recuperação da distância original entre o asfalto automotivo e a entrada principal do prédio na Paulista. Para conseguir esse efeito, Paulo Mendes da Rocha fez um “corte” da laje do pavimento superior ao passeio público e recuou a laje inferior onde hoje funciona o Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

Acesso ao prédio a partir da Paulista: integração com a avenida. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Acesso ao prédio a partir da Paulista: total integração com a avenida. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

12) ‘Rotas de fuga’ – De acordo com o gerente de Serviços de Manutenção da federação, Alberto Batista Passos, o prédio da Fiesp possui duas escadas de rota de fuga isoladas do chamado conjunto administrativo, ou seja, de seu centro, onde ficam as salas. “Existem corredores em todo o perímetro do edifício que direcionam para estas saídas”, explica.

13) 11 bustos – Onze empreendedores inspiram quem passa pelo 11º andar. A homenagem consiste em 11 bustos de nomes importantes para a economia de São Paulo e do Brasil. São eles: Horacio Lafer, José Ermirio de Moraes, Raphael de Souza Noschese, Morvan Dias de Figueiredo, Jorge Street, Roberto Simonsen, Francisco Matarazzo, Armando de Arruda Pereira, Antonio Devisate, Theobaldo de Nigris e Nadir Dias de Figueiredo.

14) Mais luz – Outro mérito apontado na elaboração da sede da indústria paulista está no fato de que a inclinação em direção ao topo pudesse garantir mais luz à construção. Uma preocupação pouco comum nos anos 1970.

15) Agora em agosto –Em sua mais recente reforma, concluída em agosto de 2014, em seus andares inferiores, foi aberta a área de recepção com o objetivo de separar a área corporativa do acesso ao Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso.

16) Pelo 99 – No chamado andar intermediário, acessado como 99 pelo elevador e ocupado pelo  Sesi-SP, trabalham 355 pessoas. De acordo com o gerente de Serviços de Manutenção da Fiesp, Alberto Batista Passos, o piso tem área total de 2.143 metros quadrados.

O andar intermediário, no qual trabalham 355 pessoas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O andar intermediário da construção, no qual trabalham 355 pessoas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

17) Ralador de queijo – A cobertura metálica que reveste o prédio é chamada de “brize-soleil”, sendo feita de alumínio. O revestimento rendeu ao prédio um apelido carinhoso: “ralador de queijo”.

18) Estacionamentos – Juntos, os quatro subsolos de estacionamento da casa têm capacidade para 367 veículos, vagas compartilhadas por todas as instituições que funcionam no prédio.

19) Novela e Copa –Marco da arquitetura paulistana, a construção foi destacada na abertura da novela em Amor à Vida”, exibida em 2013 e 2014 no horário das 21h, na Rede Globo, e no vídeo produzido pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) apresentando São Paulo como uma das cidades que sediaram a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.  

O DIA A DIA 

20) Um café, por favor – Todos os dias, são servidos 250 cafezinhos nas reuniões realizadas no prédio.

Café servido nas reuniões do prédio: 250 xícaras por dia. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Café servido nas reuniões realizadas no prédio: 250 xícaras por dia. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

21) De plantão – A cada madrugada, de domingo a domingo, uma equipe fica de plantão trabalhando com a manutenção preventiva e corretiva do prédio, cuidando de pontos como o sistema de ar-condicionado e o quadro elétrico, por exemplo. Ao todo, 190 pessoas trabalham na administração do edifício, como seguranças, bombeiros, recepcionistas e oficiais de manutenção, entre outros profissionais.

22) Funcionários –Trabalham no prédio mais de 1.900 pessoas, considerando a Fiesp, Instituto Roberto Simonsen, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP.

23) Os elevadores – Os sete elevadores da casa fazem 12,6 mil viagens por dia. Os pisos mais solicitados são o térreo, o primeiro subsolo e o quarto andar.

24) 172 câmeras – O trabalho de monitoramento dos andares foi reforçado, em 2014, com a instalação de 172 câmeras que gravam em alta definição.

25) Receita e Junta Comercial – No prédio são oferecidos serviços variados para os empresários. Entre eles, um posto de atendimento da Receita Federal e outro da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).

26) Reciclar é preciso – Desde janeiro, todo o lixo orgânico gerado pelo restaurante do Espaço Eventos, do 16º andar, está sendo processado para o uso, nos jardins das escolas do Sesi-SP, como adubo. Por enquanto, o material está armazenado no quarto subsolo. Por falar no assunto, 29,5% de todo o lixo produzido no edifício é reciclado. Para se ter uma ideia, a média de reciclagem na cidade de São Paulo é de menos de 10%.

O primeiro subsolo, no qual há postos de atendimento da Receita Federal e da Jucesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O acesso pela Alameda Santos, com postos de atendimento da Receita Federal e da Jucesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

AS PESSOAS

27) Pelas catracas –As catracas do prédio registram, em média, 3 mil acessos de pessoas nos chamados dias úteis. Por mês, são 66 mil acessos, mais que a população de cidades do interior paulista como Vinhedo, Penápolis e Andradina, por exemplo.

28) O homem por trás do nome – Empresário que dá nome ao prédio, Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho foi presidente da Fiesp entre 1980 e 1986, sendo hoje presidente emérito da entidade. A escolha de seu nome foi tomada em decisão da diretoria da federação.

29) De Bachelet a Berlusconi – O mundo passou, e ainda passa, por aqui: entre 2004 e agosto de 2014, nada menos que 67 chefes de estado estiveram na Fiesp. Entre eles, nomes como a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, Michelle Bachelet (Chile), Álvaro Uribe (Colômbia), Shimon Peres (Estado de Israel), Silvio Berlusconi (Itália) e François Hollande (França).

Hollande, um dos 67 chefes de estado que visitaram a Fiesp entre 2004 e 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Hollande, um dos 67 chefes de estado que visitaram a Fiesp entre 2004 e 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

30) Sempre haverá uma solução – Em 29 de maio de 2013, o economista Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006, fez sucesso em palestra realizada durante reunião extraordinária do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp. “Não importa o tamanho do problema, sempre haverá uma solução simples para resolvê-lo”, disse Yunus na ocasião.

Yunus: sucesso na reunião extraordinária do Comitê de Jovens Empreendedores. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

Yunus: sucesso na reunião extraordinária do Comitê de Jovens Empreendedores. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

 

31) Os presidentes – Desde a sua inauguração, em 1979, a sede da indústria paulista recebeu muitos presidentes brasileiros. Entre eles, João Baptista de Oliveira Figueiredo, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A ARTE

32) Na fachada – Uma das principais atrações do edifício, a Galeria Digital, que consiste em uma plataforma de transmissão de obras interativas em movimento e estáticas na fachada da construção, foi inaugurada em dezembro de 2012. Até agora, foram exibidas 51 obras no espaço como parte integrante de mostras, além de 23 vídeos artísticos e comemorativos independentes. De acordo com a agente de Atividades Culturais do Sesi-SP, Luciana Paulillo, o sistema é acionado por meio de um computador que transmite as imagens para a Galeria formada por lâmpadas de led. De modo geral, os vídeos interativos são exibidos até as 22h. Já aqueles que ficam passando de modo ininterrupto ficam no ar até as 6h.

A Galeria Digital da Fiesp: para deixar a Paulista mais iluminada. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Galeria Digital da Fiesp: para deixar a Paulista mais iluminada. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

33) As produções – Um dos principais espaços culturais da Paulista, o Teatro do Sesi-SP já recebeu 45 peças adultas e 32 voltadas para jovens. No Espaço Mezanino, foram 20 peças, num total de 97 produções no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

34) Exposições – Na Galeria de Arte do Sesi-SP, já foram realizadas 76 exposições.

35) O último prêmio – Foi no Teatro do Sesi-SP, no dia 1º de abril de 2014, que o cantor Jair Rodrigues, falecido em 08 de maio deste ano, recebeu o seu último prêmio. Ele foi escolhido o melhor ator coadjuvante no 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema, por sua atuação no filme “Super Nada”, de Rubens Rewald e Rossana Foglia.

Jair Rodrigues na cerimônia de entrega do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema, em abril. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Jair Rodrigues na cerimônia de entrega do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema, em abril. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Uma prova de amor pela arquitetura

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

De longe, de perto, na abertura da novela das 21h da Rede Globo, “Amor à Vida”, o prédio da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) é um dos maiores símbolos do endereço mais famoso da maior metrópole brasileira. Mais que isso, para os arquitetos, é também uma prova de respeito da indústria pela arquitetura. E de amor pela cultura.

“O Ministério da Cultura reconheceu a arquitetura como cultura no Brasil somente em 2010”, explica o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo e vice-presidente do IAB nacional José Armênio de Brito Cruz. “A indústria fez isso antes. A Fiesp sempre entendeu a arquitetura assim”.

O prédio da Fiesp: referência arquitetônica para a cidade e para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp

O prédio da Fiesp: uma referência arquitetônica para a cidade e para todo o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Para Brito Cruz, o “quartel general da indústria” na Paulista, projetado pelo escritório Rino Levi Associados, tem raízes na moderna arquitetura brasileira. “A principal característica é a estrutura metálica que reveste a fachada e dá unidade ao prédio”, diz. “Um desenho que tem origem nos cobogós, muito usados no país”.

Além de não se parecer com nenhum outro edifício paulista, o prédio da Fiesp, segundo o arquiteto, tem como mérito “não ser datado”. “É um prédio contemporâneo e que pode receber atualizações”, diz. “Não é datado, perdura.”

E isso para não falar da relação “muito bem definida” com São Paulo. “Ele é generoso com a cidade”, afirma Brito Cruz.

O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, Valter Caldana, concorda com a avaliação. “A relação do prédio com a rua é muito bem projetada, tem acessos amplos”, diz. “E isso só ficou melhor depois da reforma no térreo feita pelo Paulo Mendes da Rocha em 1990.”

Caldana: . “A relação do prédio com a rua é muito bem projetada, tem acessos amplos”. Foto: Wilson Camargo

Caldana: . “A relação do prédio com a rua é muito bem projetada”. Foto: Wilson Camargo

Segundo Caldana, a sede da Fiesp tem como mérito ainda o fato de ter sido pensada à luz das preocupações com o meio ambiente, o que não era uma prática tão comum na época de sua fundação – a inclinação em direção ao topo, por exemplo, garante maior insolação do prédio. Mérito do escritório fundado e inspirado por Rino Levi (1901-1965).

“Rino Levi foi um precursor em cuidados como o uso da luz natural e o controle de iluminação e calor”, explica. “Sem dúvida foi um dos arquitetos mais brilhantes do mundo em seu tempo.”

Outra virtude apontada por Caldana é a capacidade de “despertar emoções”. “Mesmo quem não gosta não consegue ficar indiferente.”

Suporte multimídia

Integrante do time dos que gostam da obra, o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes em São Paulo, Ênio Moro Jr diz que não só considera a construção “um dos grandes ícones arquitetônicos” da cidade como também é um frequentador das atividades do Centro Cultural Fiesp.

“A Avenida Paulista é um desfile de boa arquitetura: temos a Fiesp, o Masp [Museu de Arte de São Paulo], o Conjunto Nacional”, afirma. “Meu carinho especial pelo prédio da Fiesp é que, além da sua riqueza formal e do Centro Cultural Fiesp, o edifício é completamente contemporâneo”, diz.

Para exemplificar o que diz, Moro Jr cita as exposições de arte digital projetadas na fachada do local. “Ele funciona como um megasuporte multimídia”, explica. “Somente um prédio com tantas qualidades arquitetônicas poderia ainda estar tão atual.”

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Paulo Mendes da Rocha: ‘O prédio da Fiesp é uma figura destacada, fruto da engenhosidade do Rino Levi’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

No final da década de 1990, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha recebeu uma proposta de trabalho tentadora para qualquer profissional de sua área: reformar a parte mais baixa da sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Antes de dizer sim, fez questão de procurar o escritório Rino Levi Associados, onde apresentou a sua proposta de intervenção. “Fui até lá e falei com o arquiteto Roberto Cerqueira César (1917-2003) [um dos autores do projeto original ao lado de Luiz Roberto Carvalho Franco (1926-2001)], que gostou das minhas ideias”, conta Mendes da Rocha. “Tive carta branca para trabalhar”.

Área do piso inferior do prédio da Fiesp: integração realçada pela reforma. Foto: Kênia Hernandes/Fiesp

Área do piso inferior do prédio da Fiesp: integração realçada pela reforma. Foto: Kênia Hernandes/Fiesp

 

Foi assim que, em 1998, depois de um gesto de gentileza e respeito à concepção arquitetônica original, a parte inferior da construção ganhou a cara que tem hoje, aproveitando grandes apoios de concreto para estruturar uma galeria de artes (onde hoje funciona o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso), a recepção e o acesso aos elevadores na portaria principal. Dessa forma, a laje do pavimento superior ao passeio recebeu um corte, com o recuo da laje inferior. A medida ampliou o passeio público, tornando o acesso à construção mais generoso e integrado à calçada da Paulista.

“O prédio da Fiesp é uma figura destacada, fruto da engenhosidade do [escritório] Rino Levi”, diz o arquiteto. “Tem uma fachada inesperada e interessante junto a uma avenida importantíssima em São Paulo”, explica.

O arquiteto explica que levou em consideração fatores como o “maior desfrute do plano público” ao conduzir a reforma do prédio. “São Paulo é um centro industrial por excelência e a Fiesp queria um teatro e um centro de exposições”, diz. “Achei muito oportuno, uma boa proposta de convivência entre o privado e o público”.

Para facilitar a circulação

Outro ponto importante da intervenção foi a interligação entre a Paulista e a Alameda Santos pelo subsolo da Fiesp. “Abrimos a rampa que hoje faz essa passagem”, explica Mendes da Rocha. “Isso facilitou a circulação e também a entrega de documentos e correspondências, além do acesso dos industriais ao prédio pelo subsolo, numa disposição nova”.

Mendes da Rocha: reforma ampliou o passeio público na frente do prédio. Foto: Lito Mendes da Rocha

Mendes da Rocha: reforma ampliou o passeio público na frente do prédio. Foto: Lito Mendes da Rocha

Orgulhoso do trabalho que fez numa das construções mais famosas da cidade, Mendes da Rocha conta que foram feitas “demolições curiosas” na obra. “Fizemos muitos cortes com máquinas, separamos o térreo do resto do edifício”, diz.

Para o arquiteto, vencedor do prêmio Pritzker, considerado o Nobel de arquitetura em 2006, o prédio da Fiesp está entre os “mais notáveis” da maior metrópole brasileira. “E merece os meus cumprimentos pelos seus 34 anos”.

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