Atividade industrial cai 0,2% em agosto; Fiesp e Ciesp revisam para baixo estimativa de crescimento para 2013

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou queda de 0,2% em agosto sobre julho, descontados os efeitos sazonais. Os resultados são da pesquisa do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp) e confirmam que o  setor manufatureiro em 2013 já está comprometido e o seu desempenho não deve recuperar as perdas registradas em 2012, quando o indicador fechou o ano com 4,1% de queda.

“Não estamos otimistas há algum tempo e parece que tínhamos razão de não estar otimistas”, afirma Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Em meio a perspectivas de fraco desempenho do INA, a Fiesp e o Ciesp revisaram para baixo sua projeção para 2013. A entidade agora espera um crescimento de 2,5% para o indicador até o fim deste ano, contra prognóstico anterior de 3,2% de crescimento.

A expectativa para desempenho do índice no terceiro trimestre é de queda de 1,7%. Se confirmado o declínio, o INA precisa apresentar crescimento de 1,3% no último trimestre de 2013 para fechar com crescimento de 2,5%.

“O panorama de tristeza persiste quanto ao desempenho da indústria”, acrescentou Francini. Segundo ele, fatores positivos como a desvalorização cambial de 10%, de R$2,00 para R$2,20 ainda não são sentidos.  “Os efeitos tardam e a reação tem uma dimensão ainda desconhecida, mas a ocorrer a partir do início do próximo ano”.

Outro motivo aparentemente positivo, segundo Francini, são os leilões do plano de concessões do governo, cujo primeiro foi feito na semana passada para a concessão de rodovias.

“Até os ocorridos conduzem mais certo ceticismo com relação ao seu resultado, mas ainda temos leiloes adicionais, portanto há coisa ainda para acontecer e que pode dar um impulso de otimismo sabendo, no entanto, que os resultados não são imediatos”, ponderou Francini.

Atividade Industrial

Sem ajuste sazonal, a atividade industrial subiu 3,6% em agosto sobre julho. No acumulado de 12 meses, o nível de atividade ficou em 1,9%. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, agosto deste ano recuou 1,1%, enquanto que no acumulado do ano o desempenho da indústria acelerou em 3,4%.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) encerrou agosto com 80,9% contra 81,2% em julho sem considerar efeitos sazonais

Dos setores avaliados pela pesquisa no mês passado, o segmento de Alimentos foi destaque com alta de 1,5%, estimulado pela queda dos preços dos alimentos que motivou a expansão das vendas no mês.

Já a indústria de máquinas e equipamentos encerrou o mês praticamente estável, crescendo apenas 0,3%, na leitura com ajuste sazonal, após mostrar desempenho positivo no primeiro e no segundo trimestre do ano, uma vez que a confiança do empresário enfraqueceu no terceiro trimestre de 2013.

“Após comportamento razoável ocorrido no primeiro e no segundo trimestre do ano, no terceiro trimestre o setor mostra um cansaço desse comportamento mais positivo”, afirmou Francini.

Percepção

Fôlego para o mau momento da indústria. A percepção geral dos empresários com relação ao cenário econômico no mês de setembro, medida pelo Sensor Fiesp, melhorou para 51,8 pontos contra 49,4 pontos em agosto.

“A boa notícia vem do Sensor, é nossa lanterna de proa, que voltou ao campo positivo acima de 50 pontos, mas temos que dar um pequeno desconto nessa questão em função do mês de setembro, que é tradicionalmente o mês de maior de atividade da indústria”, explicou o diretor do Depecon, Paulo Francini.

O item Mercado também subiu de 51,6 pontos em agosto para 56,3 pontos em setembro, enquanto a percepção dos empresários com relação ao Emprego melhorou para 51,7 pontos este mês versus 47,9 no mês passado.

O componente de Estoque ficou em 49,7 pontos em setembro contra 42,9 pontos em agosto, indicando normalização do nível de estoques da das indústrias.

Por outro lado, o indicador Vendas caiu de 51,5 em agosto para 49,2 pontos no mês corrente, enquanto o componente Investimento ficou praticamente estável em 52,2 pontos contra 53,3 pontos no mês anterior.