Zeca Baleiro no InteligênciaPontoCom: ‘O artista tem que ser um catalisador’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A sensação era a de estar na sala de casa, batendo papo sem pressa, falando sobre assuntos diversos. Foi assim, em tom de leveza e, principalmente, de quebra de preconceitos, que o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro participou, na noite desta terça-feira (25/03), no Teatro do Sesi-SP, na Avenida Paulista, em São Paulo, da edição de março do InteligênciaPontoCom, bate papo mensal organizado pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). O encontro foi mediado pela radialista e escritora Patrícia Palumbo, apresentadora do programa Vozes do Brasil, da Rádio Eldorado.

Muito à vontade diante da plateia, Baleiro conversou com os participantes do debate sobre o seu processo de criação, suas muitas referências musicais e o hábito de reverenciar artistas tradicionais na música popular brasileira ao mesmo tempo em que elogia novos talentos. “É divertido e desafiador compor em parceria, já trabalhei com mais de cem parceiros”, disse. “Nunca briguei com nenhum deles, no máximo dei um tempo na relação”, brincou.

Entre os novos artistas que têm chamado a sua atenção, destaque, entre outros nomes, para o catarinense radicado em Alagoas Wado. “Um dos caras mais talentosos da geração que sucedeu a minha”, explicou.

Baleiro e Patricia no InteligênciaPontoCom: parcerias e referências variadas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Baleiro e Patricia no InteligênciaPontoCom: parcerias e referências variadas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Por meio de seu selo musical, o Saravá Discos, Baleiro já produziu “uns 18 discos” de caráter mais experimental, como um com poesias de José Chagas, paraibano que vive no Maranhão, cantadas por artistas diversos, ou um disco do maranhense Antonio Vieira, que gravou pela primeira vez depois dos 80 anos.

Sempre em meio a tantas referências, o cantor está em turnê atualmente com um show com canções de Zé Ramalho. “Fui muito influenciado por ele, pelo Fagner, por toda a geração nordestina que se destacou nos anos 1970”, disse. “Conhecer o trabalho dos dois foi como um alumbramento para mim”.

Abaixo o preconceito

Ao longo do bate papo, Baleiro, que já teve as suas composições interpretadas por Simone, Gal Costa e Rita Ribeiro, entre muitos outros, fez questão de destacar que não tem preconceitos em relação a essas e outras gravações. “Já tive músicas gravadas até por Claudia Leitte e pela dupla Rio Negro e Solimões”, contou. “Eu mesmo sempre ponho releituras nos meus discos, gosto muito de interpretar canções alheias”.

Tal opção é mantida mesmo à custa de farpas aqui e ali. “Fui apedrejado quando gravei Charlie Brown Jr”, disse. “Fui chamado de ‘vendido’ e olhe que a gravadora nem queria aquela gravação, eu que quis pegar uma música pesada e trazer para um estilo mais lírico, com violões”, afirmou em referência à sua versão de Proibida pra mim.

A rede predileta

Depois de avisar que só responderia “perguntas inteligentes” porque o nome do evento era “InteligênciaPontoCom”, ele abriu a palavra para a plateia. Foi quando entraram em cena temas como o patrulhamento nas redes sociais. “A rede de que eu mais gosto é uma xadrez que eu trouxe do Maranhão”, brincou. “Não entro nessa, podem me chamar de feio e de burro que eu não estou nem aí”.

Provando que as opiniões alheias não têm qualquer interferência sobre as suas escolhas, Baleiro contou que está produzindo um disco da cantora Vanusa. “Para a geração do You Tube, ela será sempre aquela que errou o hino nacional”, disse. “Mas é preciso lembrar que a Vanusa foi uma das primeiras a entoar hinos feministas no Brasil, é uma grande cantora, com uma excelente presença de palco”, afirmou. “Piada velha continuarem dizendo para ela não errar o hino”.

Baleiro: “Podem me chamar de feio e de burro que eu não estou nem aí”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Baleiro: “Podem me chamar de feio e de burro que eu não estou nem aí”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Perguntado sobre o funk, foi direto na resposta: “adoro”. “Acho muito bom o ritmo, as letras são um capítulo à parte, eu adorava o Claudinho e Buchecha”.

Para o cantor, não existe problema algum em apreciar estilos variados. “Eu consigo gostar tanto da música do Lulu Santos quanto do trabalho do Milton  Nascimento”, explicou. “As duas coisas não são excludentes, mas, nos anos 1980, quem tocasse um baião no meio do show era ridicularizado”.

No fim das contas, para Baleiro, o mais importante é ser fiel “à própria verdade” e viver de acordo com o seu tempo. “O artista tem que ser um catalisador da sociedade”.

InteligênciaPontoCom recebe Zeca Baleiro e Patrícia Palumbo nesta terça-feira (25/03)

Agência Indusnet Fiesp

O debate vai ser bom. Nesta terça-feira (25/03), o InteligênciaPontoCom, bate papo mensal organizado pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), recebe o cantor e compositor Zeca Baleiro e a radialista e escritora Patrícia Palumbo. O encontro será realizado a partir das 20h30, no Teatro do Sesi-SP, no prédio da instituição e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, em São Paulo. Também haverá transmissão online nos sites do Sesi-SP e da Fiesp.

Zeca Baleiro canta, toca violão e já teve as suas composições interpretadas por Simone, Gal Costa, Rita Ribeiro e O Rappa, entre muitos outros. Nascido no Maranhão, assinou a dramaturgia e a direção musical da peça Quem tem medo de curupira?, exibida no Teatro do Sesi-SP e eleita o melhor espetáculo jovem de 2010 pelo Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem. Também escreveu o livro Bala na Agulha – Reflexões de Boteco, Pastéis de Memória e Outras Frituras, que reúne textos publicados desde 2005.

Já Patrícia Palumbo começou a sua carreira nos anos1990 criando uma fórmula pioneira ao reunir notícias sobre música e meio ambiente. Também inovou ao apresentar um programa em que alternava música e informações sobre o trânsito nos horários de maior engarrafamento. É a apresentadora do programa Vozes do Brasil, da Radio Eldorado.

Os ingressos para o evento podem ser reservados com antecedência pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi. Haverá transmissão ao vivo pela internet no www.fiesp.com.br/online.

Serviço

InteligênciaPontoCom – Zeca Baleiro e Patrícia Palumbo

Data: 25 de março, terça-feira

Horário:  20h30

Local: Teatro do Sesi-SP – Avenida Paulista, 1313 (Em frente ao metrô Trianon-Masp)

Entrada gratuita