‘A tarefa da escola é ajudar aluno a encontrar o seu talento’, afirma educador finlandês no I Congresso de Educação, Tecnologia e Conhecimento do Sesi-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Foi uma aula de educação. Com muitas lições para o Brasil. Um dos nomes mais esperados entre os palestrantes do I Congresso de Educação, Tecnologia e Conhecimento do Sesi-SP, Pasi Sahlberg envolveu a plateia em sua apresentação no evento, aberto na manhã desta segunda-feira (23/04), no Teatro do Sesi-SP, na sede da Fiesp, em São Paulo. Diretor geral do Ministério da Educação da Finlândia, PHD em educação, professor  visitante da Escola de Educação de Harvard, nos Estados Unidos, ele contou como o seu país se transformou num destaque mundial em matéria de ensino. Escrito por ele, o livro Lições Finlandesas, sobre o tema, foi lançado no mercado brasileiro também nesta segunda-feira, tendo sido publicado pela Sesi-SP Editora.

De acordo com Sahlberg, as coisas começaram a mudar em seu país nos anos 2000, mais exatamente em 2001, quando a Finlândia começou a se destacar em matemática e ciências na avaliação internacional  Pisa, que considera 72 países. “Nessa época, quais eram os exemplos para educação moderna? A Coréia do Sul, os Estados Unidos, a Alemanha, a França, a Suíça”, disse. “Ninguém falaria da Finlândia”, afirmou. “A gente só queria ser melhor do que a Suécia no Pisa”, brincou.

Quando veio o primeiro lugar no ranking, o resto do mundo ficou sem entender o resultado.  “Essa mesma reação veio em 2003, quando nos saímos bem outra vez. E em 2006”, disse. “Foi quando começou essa onda de estudos sobre a Finlândia e eu escrevi o meu livro”, explicou. “Ninguém chega em primeiro lugar porque teve sorte, era preciso entender o que estava acontecendo”.

Segundo Sahlberg, é preciso combater, nas escolas, práticas como a competição entre as instituições e a padronização do conhecimento, entre outros problemas.

Por outro lado, alternativas de políticas educacionais de sucesso envolvem pontos como a cooperação e a criação de uma rede de compartilhamento de ideias. “Não é aumentar a competição entre as escolas e as crianças, é compartilhar informações e práticas”, explicou. “As escolas precisam aprender a correr riscos, inovar, fazer coisas diferentes”.

E tudo isso com “profissionalismo”. “Os profissionais da educação precisam ter qualificação, diplomas, mestrado, participar de conferências”, disse.

Outra dica boa: responsabilidade com base na confiança em todas as etapas do processo “É preciso confiar na educação e nas escolas”, disse. “Se confiamos nas crianças, elas sempre se saem melhor”.

Mitos

Sahlberg aproveitou a conferência para esclarecer alguns mitos envolvendo o sistema educacional finlandês.  O primeiro deles é de que não haverá mais disciplinas, apenas o ensino por projetos. “Isso não existe, não é verdade”, disse. “O que está acontecendo é que nós vamos solicitar mais trabalhos integrativos, envolvendo várias áreas do conhecimento, mas vamos ter as disciplinas também”, afirmou. “Recebi ligações do mundo todo sobre nisso e disse para não pararem de organizar as aulas dessa maneira”.

Mito número dois: na Finlândia não existe lição de casa. “Era igual dizer que os jogadores de futebol não praticam o esporte fora dos jogos”, disse. “Não sei de onde vem esse mito”.

Para Sahlberg, acima de tudo as salas de aulas “precisam ser espaços colaborativos”. “O sistema de cadeiras enfileiradas não promove isso”.

Para fechar, o educador deixou dicas de reflexões sobre educação. “Precisamos de salas de aula onde o aprendizado seja cooperativo em vez de individual”, disse. “As escolas têm que trabalhar juntas, descobrir como podem colaborar umas com as outras”, afirmou. “Convide alguém para assistir o que você faz e, do seu lado, passe alguns dias sendo a sombra de outra pessoa, acompanhando tudo”.

Tudo com foco na “reflexão coletiva”. “Desliguem o celular e, juntos, façam a pergunta: como estamos indo?”. “Vamos formar grupos e fortalecer a colaboração”, disse. “Essa será uma ferramenta poderosa para melhorar as formas de trabalho”.

Segundo Sahlberg, “todas as crianças são iguais, mas não são as mesmas”. “Todas têm necessidades educacionais especiais”, explicou. “E cada uma tem o seu talento. A tarefa da escola é ajudar aluno a encontrar o seu talento”.

O I Congresso de Educação, Tecnologia e Conhecimento do Sesi-SP segue até esta terça-feira (24/04) na Fiesp.

Sahlberg: mais colaboração entre as escolas. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp