Se fraco dinamismo continuar, participação industrial no PIB pode chegar a 9,3% em 2029

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto (PIB) caiu pela metade em menos de 30 anos e pode diminuir ainda mais, chegando a 9,3% em 2029, se a competitividade da indústria doméstica continuar baixa, avaliou nesta segunda-feira (26/11) o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ricardo Roriz.

Um ranking elaborado pelo Departamento de Competitividade da Fiesp aponta que a participação industrial no PIB caiu de 27,2% em 1985 para 13,6% em 2012.

Ricardo Roriz, diretor-titular do Decomtec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

“Se não for feito nada, a participação no PIB vai chegar a isso [9,3%]”, acrescentou Roriz ao divulgar um ranking com o nível de competitividade de 43 países, elaborado pelo Departamento de Competitividade (Decomtec) da entidade.

Segundo ele, medidas do governo, como a redução dos juros para níveis históricos e a aplicação de incentivos fiscais a exemplo da diminuição do IPI para diversos setores, são ações “corajosas” e importantes para retomar a competitividade da indústria brasileira.

O diretor-titular do Decomtec/Fiesp considera, no entanto, que o câmbio e a alta carga tributária para a indústria são fatores que ainda travam a competitividade.

De acordo com cálculos da Fiesp, 33,9% da carga tributária são gerados na indústria de transformação.

“A direção [das medidas] está certa. Agora, eu acredito que o câmbio está numa posição ainda muito elevada”, afirmou Roriz. “O governo tem de atrair investimento, e a melhor maneira de atrair investimento é melhorar juros e carga tributária”, concluiu.

O Índice de Competitividade Fiesp 2012 calcula que, para alcançar um crescimento econômico consistente, o investimento precisa chegar a 25% do PIB em 2025.

Em 2011, o investimento do Brasil era de 19,28% do PIB, ante taxas de 45,63% na China, 32% na Indonésia, 29,52% na Índia e 27,44% na Coreia do Sul, apurou o ranking mundial da Fiesp. No mesmo ano, os Estados Unidos investiram 15,59% do seu PIB, enquanto a Alemanha investiu 18,16%.

Clique aqui e veja ranking na íntegra.

Participação de produtos importados no consumo volta a atingir nível recorde na série histórica

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A participação de mercadorias importadas no consumo brasileiro voltou a atingir o nível recorde da série história, ao fechar o segundo trimestre do ano em 24%, de acordo com os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta segunda-feira (13/08).

Patamar semelhante foi apontado, pela primeira vez, no quarto trimestre do ano passado. Na comparação com o mesmo período de 2011, o aumento foi de 1,2 p.p. Quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral apresenta alta de 1,5 p.p..

A análise, realizada trimestralmente pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, tem mostrado constantes altas no nível de participação dos importados no consumo doméstico, indicando a persistente perda de oportunidade para o crescimento da indústria.

Segundo o diretor do Derex, Roberto Giannetti, “o aumento consistente das importações ocorre tanto em bens finais quanto em insumos, enfraquecendo a agregação de valor na indústria”.

O Coeficiente de Importação (CI) para a indústria de transformação também apresentou alta (de 1,1 p.p), passando de 21,5% no segundo trimestre de 2011 para 22,6% no mesmo período deste ano. Já na comparação com os três primeiros meses de 2012, a variação foi positiva em um ponto percentual.

Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total da indústria geral cresceu de 19,9% para 20,5%, na comparação entre os segundos trimestres de 2011 e 2012. O Coeficiente de Exportação (CE) para a indústria de transformação cresceu 0,7 p.p atingindo as marcas de 17,7%

Apesar da leve alta do CE no segundo trimestre, houve queda na quantidade de produtos brasileiros enviados para o exterior. Giannetti explica que, com a retração mais intensa da produção física da indústria no período, a quantidade exportada permaneceu a mesma, à medida que a fatia enviada ao mercado internacional ficou, proporcionalmente, maior em relação ao total produzido.

“A diminuição da indústria dá uma falsa impressão de que estamos exportando mais. Apesar do acréscimo na parcela exportada da produção industrial no segundo trimestre, houve queda da quantidade exportada”, conta. “Por outro lado, a contração ainda mais forte da produção industrial no período puxou o coeficiente para cima. O que aconteceu neste trimestre foi que tanto o bolo como a fatia dele destinada ao mercado externo diminuíram, só que o bolo contraiu mais intensamente.”

De acordo com os dados do Derex, a produção industrial caiu 3,8% ante ao primeiro semestre de 2011. O índice acumulado nos últimos doze meses mostrou retração de 2,3% em junho de 2012, a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010.

Setores

O coeficiente de importação apresentou alta em 21 dos 33 setores analisados. Destaque para o setor de tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, cuja participação dos importados atingiu o terceiro maior nível da série histórica, crescendo de 46,1% no segundo trimestre de 2011 para 54% no mesmo período de 2012.

Dos 12 setores que mostraram retração, peças e acessórios para veículos automotores e outros equipamentos de transporte registraram as maiores quedas ante ao mesmo período de 2011 (2,7 p.p. e 2,5 p.p., respectivamente). Vale destacar que o CI do setor de autopeças vem apresentando redução trimestral interanual desde o início deste ano.

“Na abertura setorial, chamou atenção o fato de o setor de autopeças ter apresentado a segunda queda consecutiva do seu Coeficiente de Importação, inclusive com maior intensidade no segundo trimestre”, destaca o diretor do Derex. “Isto pode ser um sinal positivo de que o incentivo dado aos produtores nacionais do setor – que exige 65% de conteúdo regional nos veículos para evitar majoração da alíquota do IPI –, concedido pelo governo no final de 2011, esteja produzindo efeito”.

Dos 33 setores analisados pelo coeficiente de exportação, 12 apresentaram alta em relação a 2011. Destaque para o de ferro-gusa e ferroligas e o de aeronaves, cujos coeficientes de exportação se elevaram 14,6 p.p. e 10,8 p.p., respectivamente. Na comparação entre os segundos trimestres, o setor de produtos têxteis também se destacou por registrar alta de 4,9 p.p. no CE, passando de 6,5% para 11,5%, após consecutivas reduções do coeficiente.

Já entre os 21 setores que apresentaram queda no CE, o setor de outros equipamentos de transporte – que envolve embarcações, veículos ferroviários, motocicletas, motociclos, carrocerias e reboques – registrou a maior baixa em bases anuais (24,2 p.p.), atingindo o segundo menor nível da série histórica. O setor de fundição e tubos de ferro e aço vem logo em seguida, com recuo de 3,9 p.p. na mesma base de comparação.