Especialistas debatem importância dos parques tecnológicos no Brasil

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Durante o seminário “São Paulo: cidade da inovação”, que aconteceu na manhã desta segunda-feira (21/10), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foi debatido o tema “Parques Tecnológicos e Incubadoras”.

Marcos Cintra: mão de obra qualificada é a base da pirâmide da inovação. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O subsecretário de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Marcos Cintra, lembrou que, atualmente, o Brasil ocupa a sétima economia mundial e tem um “peso econômico muito significativo em todo o mundo”.

“O Estado de São Paulo tem uma participação notável dentro da economia brasileira e, embora corresponda apenas a 3% do território brasileiro, movimenta 22% do PIB [Produto Interno Bruto] do país”, destacou Cintra, ressaltando que São Paulo é um “diferenciado” em todos os sentidos, mas principalmente em investimento em pesquisa e desenvolvimento.

O subsecretário disse que a cidade de São Paulo é responsável por 12,5% do PIB do país, possui o maior mercado consumidor da América Latina e detém a mão de obra qualificada. “Mão de obra qualificada é a base da pirâmide da inovação e, por esses motivos, São Paulo está a frente dos outros estados no Brasil”, explicou.

O subsecretário destacou que o Estado de São Paulo detém 51% de toda produção de pesquisa tecnológica nacional, com 19 institutos de pesquisa, 28 iniciativas de parques tecnológicos e três universidades que realizam pesquisas científicas de notabilidade mundial.

Na opinião de Cintra, há uma desigualdade muito grande no campo do desenvolvimento da tecnologia de inovação nos estados brasileiros. “Há a necessidade de uma política de redistribuição desse setor, para que o país trabalhe em sinergia. A inteligência do ser humano não depende de infraestrutura e investimentos e pode existir em qualquer país e em qualquer região”, alertou.

Embora o Estado de São Paulo seja destaque nessa área, Cintra alertou para o fato de que ainda faltam diretrizes e programas. “O governo está reinstalando dois conselhos: o primeiro, para definir um plano diretor; e o segundo para reunir todos os institutos de pesquisa do estado”, explicou.

Cintra falou ainda do chamado “Pro-parque”, um projeto de incentivo fiscal para todas as empresas que investirem em parques tecnológicas, liberando os créditos acumulados de ICMS. “Esse é um instrumento muito poderoso e deve atrair as empresas para investirem nesse segmento.”

Ao concluir, o subsecretário afirmou que é papel do governo convencer a sociedade paulista de que a inovação é fundamental e que o investimento em ciência e tecnologia é o fomento para o crescimento do país. “Hoje, é o conhecimento que faz com que um país se distancie dos demais em termos de crescimento econômico.”

Investimento em inovação e tecnologia

Roberto Astor Moschetta, diretor do Parque Tecnológico da PUC-RS. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O diretor do Parque Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Roberto Astor Moschetta, explicou que a instituição optou por ser um centro de pesquisa de inovação.

“Optamos por ser um agente de desenvolvimento regional”, afirmou Moschetta ao destacar que, atualmente, a PUC-RS ocupa a segunda posição (entre as universidades privadas), no ranking das universidades que mais investem em inovação no país.

Moschetta informou que, antigamente, a universidade não realizava relações de contato espontânea com a comunidade empresarial. “Era preciso construir mecanismos para que isso acontecesse”, disse. Para melhorar essa relação, a PUC-RS criou a Agência de Gestão tecnológica. “Esse é o elo de aproximação do mundo acadêmico com o mundo empresarial.”

Eduardo Cicconi, do Parque Tecnológico de Ribeirão Preto e da Fipase. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Eduardo Cicconi, gerente de Novos Negócios do Parque Tecnológico de Ribeirão Preto e da Fundação Instituto Pólo Avançado de Saúde (Fipase), apresentou o parque tecnológico da cidade, habitualmente conhecida como a capital do agronegócio e do chope. “Gostaríamos que Ribeirão Preto ficasse conhecida também como a capital da inovação”, afirmou.

“O nosso parque tecnológico é uma materialização da iniciativa privada e do poder público estadual e local e será inaugurado no final de 2013, com sede dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP)”, afirmou.

Cicconi explicou que o polo educacional da região era focado quase que exclusivamente no setor de saúde, mas que hoje atuação é mais abrangente. “Temos oito unidades de ensino e pesquisa, com 25 cursos de graduação e mais de 38 programas de pós. O nosso objetivo é trabalhar de maneira mais organizada e incentivar a criação de novas empresas de parque tecnológico”, afirmou.

Manuel Leonardo Neves Guimarães, diretor-executivo do Porto Digital. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O diretor-executivo do Porto Digital, Manuel Leonardo Neves Guimarães, fez uma comparação entre Recife e São Paulo e ressaltou: “tudo em Recife é dez vezes menos do que é em São Paulo, mas o que a gente é capaz de construir é independente dos recursos que a gente tem”, afirmou ao explicar que o parque tecnológico está meio da cidade e não tem um campus próprio.

Guimarães ressaltou que o destaque de Pernambuco é que hoje, o estado conseguiu espalhar sua economia e não apenas concentrá-la na capital.

Claudio Rodrigues, diretor-presidente do Cietec. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O diretor-presidente do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), Claudio Rodrigues explicou que a instituição se envolve em inovação e empreendedorismo, no sentido de que a sua medida de valor é identificada no seu sucesso no mercado. “Seus agentes são empreendedores e seus produtos são empresas competitivas. Apoiamos a criação e fortalecimento de empresas, ajudando-as a se tornarem competitivas e aumentando a renda da região.”

Governo paulista anuncia 30 parques tecnológicos no Estado

Agência Indusnet Fiesp

O atual secretário de Estado do Desenvolvimento, Luciano Almeida, agradou os mais de 500 empresários na manhã desta sexta-feira (30), na sede do Ciesp, em São Paulo, ao anunciar medidas de sua pasta para implantar outros 14 parques tecnológicos no âmbito do SPTec, além dos 16 em fase de construção e credenciamento. Destes, três já funcionam, em Campinas, São Carlos e São José dos Campos.

A criação de ambientes e condições especiais que favoreçam a expansão da pesquisa inovadora na indústria está sendo pleiteada pelo Ciesp como ação indutora de desenvolvimento regional, a exemplo do que já vem acontecendo em regiões contempladas por parques e incubadoras de base tecnológica.

O parque tecnológico de Sorocaba, por exemplo, o sexto oficializado pelo governo paulista, dispõe de área de 1 milhão de metros quadrados. “Ali estarão os campi da UFScar, Uniso e Unesp, que já está instalada nesse espaço, com área de 250 mil metros quadrados”, assinala Erly Domingues, diretor do Ciesp em Sorocaba. Ao lado das universidades, vão se juntar a recém-criada Inova, agência de Inovação, e entidades do setor privado.


Agentes tecnológicos

A proposta do secretário Luciano Almeida, de criar a figura do “agente tecnológico” para ser o interlocutor da indústria e os centros de pesquisa, foi aceita de prontidão pelos representantes de 43 Diretorias Regionais, Municipais e Distritais do Ciesp no Estado, no fechamento da convenção, na tarde de sexta-feira.

“O Ciesp poderia colocar sua capilaridade a serviço da Tecnologia e Inovação”, sugeriu Rolf Sita, diretor do Ciesp em Bragança Paulista, que apresenta vocações fortes nos setores de biotecnologia, ferramentaria e eletroeletrônica.

A expansão dos parques tecnológicos vem tornando ultrapassada a expressão de quadrilátero do conhecimento, atribuída às cidades de Ribeirão Preto, São Carlos, Campinas e São José dos Campos, embora esta última continue em plena expansão.

“São José tem uma sintonia com a inovação, apesar do período de estagnação dos anos 1980 e 1990 que caracterizou grandes empresas, como a própria Kodak, LG e a própria Philips, que resistiram às mudanças”, assinalou José de Mello Corrêa, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia.

Nos últimos anos, porém, o cenário mudou, com a criação do Parque Tecnológico, em convênio com o governo do Estado, onde se instalaram empresas com perfil inovador. “Hoje, para cada real investido pelo governo, temos um aporte de mais 20 reais em investimentos externos”, afirma o secretário.

Empresas como Vale e Embraer, além da Sabesp, já transferiram unidades de pesquisa para o parque tecnológico de São José e, em junho próximo, será inaugurada área de 5 mil metros quadrados, onde serão instaladas 30 empresas de base tecnológica”, acrescentou Mello Corrêa.

“Por isso mesmo estamos ampliando, em mais 20 mil metros quadrados, o nosso Senai na região, com a criação de novos cursos”, afirma Almir Fernandes, diretor-titular do Ciesp em São José dos Campos. “Além da oferta, pelo prefeito Eduardo Cury, de uma área dentro do parque tecnológico, para que o Senai instale ali um laboratório para ensaios e dispositivos para serviços de base tecnológica”, completou Almir.

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