Projeto de Londres transformou aterro sanitário em parque olímpico sustentável

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

No último dia do 2º Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas (Cidyr), que aconteceu na sede da Fiesp, o aguardado tema “Mega Eventos Esportivos” trouxe novas perspectivas para a realização de jogos olímpicos e entusiasmou o público que lotou as dependências do Teatro do Sesi São Paulo.

Para começar, Gustavo Nascimento, especialista em Arquitetura de Instalações Esportivas dos Jogos Olímpicos Rio 2016, explicou que o projeto de um parque olímpico na região ainda encontra-se em fase de análises. Mas adiantou que não apenas as exigências do COI serão atendidas como todas as necessidades dos atletas.

“A partir daí teremos o desenvolvimento do projeto. As obras começarão em junho de 2011 e serão concluídas no primeiro trimestre de 2015”.

Nascimento sublinhou que uma série de fatores está sendo considerada nesta fase de análises: “Temos que estar atentos ao legado que a Rio 2016 pretende deixar à sociedade, mantendo-se sustentável do ponto de vista financeiro, ambiental e operacional até 2050.”

Mensagem

Outro fator é tentar transmitir, por meio do evento, uma ideia de transformação da juventude. Gustavo explicou que, assim como a China mandou seu recado com conteúdo extremamente político a bilhões de pessoas em todo mundo, ao construir um estádio em forma de ninho de ave, o Brasil pretende fazer o mesmo.

“Não estamos tentando representar isso da mesma magnitude, mas da mesma maneira que a China passou essa mensagem nós temos a nossa – uma mensagem de sustentabilidade e de transformação social e do esporte”.

O especialista adiantou que há muitos planos para tornar a Rio 2016 um evento bastante acessível às pessoas: “Existe um projeto de uma ‘trans-olímpica’ com seis faixas e que ligará o centro do Rio à região da Barra da Tijuca, e também funcional, com segurança e qualidade da competição”.

Legado

Medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Caracas (1983) nos 800 e 1.500 metros, Agberto Guimarães, atual diretor de Esportes do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos da Rio 2016, observou que o País ainda não tem um centro de treinamento que abrigue diversas modalidades e possa trocar informações com inúmeros profissionais.

Segundo ele, o grande legado dos Jogos Olímpicos do Rio será a construção de um centro olímpico que resultará em um parque olímpico.

“Para nós que vamos organizar esse megaevento, seria muito simples se nos concentrássemos apenas no planejamento e nas instalações, pensando unicamente nos eventos de 2016. Mas não pretendemos isso. Queremos que nossos atletas treinem no local antes e após os Jogos e tenham o mesmo nível de qualidade de seus adversários. Este é o grande desafio.”

Para Agberto Guimarães, tão importante quanto a construção do centro de treinamento é a qualificação de profissionais que conduzirão esse trabalho.

“Isso é fundamental para que possamos competir no mesmo nível de outros países. Existem centros de treinamento que já alcançaram resultados fantásticos, como o Australian Institute of Sport (AIS), em Camberra, Austrália, e o U.S. Olympic Training Center, em Colorado Springs, Estados Unidos. Eles são, de fato, um exemplo”, destacou.

Transformação

O 2º Cidyr foi encerrado em grande estilo, com a presença de Dan Epstein, diretor de Sustentabilidade dos Jogos Olímpicos de Londres.

Segundo ele, os organizadores não idealizaram o evento para durar três semanas. Mas desenvolveram infraestrutura pensando no bem da comunidade mais simples nos próximos 100 anos. “O legado de 2012 será entregue à cidade de Londres”, destacou.

Localizado em Stratford, leste da cidade, na área pobre da capital britânica, o Parque Olímpico de Londres foi criado a partir de um aterro sanitário, onde a população local despejava dejetos e outros lixos em um rio totalmente poluído.

“Era um lugar simplesmente deplorável. Foi um grande desafio”, lembrou Epstein, mostrando um slide de como está o parque hoje: “Lindamente irreconhecível”, ressaltou.

Reciclagem

De acordo com o diretor, 99% do material no parque foi todo reciclado e transformado em matéria-prima. Nada foi desperdiçado. Até a vida animal que havia por lá foi transportada para outro local e depois reposta, após o processo de limpeza e despoluição do rio.

Epstein sublinhou que, para ligar a comunidade com o parque, foram construídas pontes que permitiram a ideia de integração. Além disso, uma empresa privada criou – ao custo de 60 milhões de libras e direito de fornecimento de energia por 40 anos – um centro de energia que dispôs tubos de seis quilômetros de extensão, para fornecimento de água à população.

Dentro do parque está sendo erguido o Estádio Olímpico de Londres, todo ele construído em aço. Terá capacidade para 80 mil lugares durante os Jogos – e 25 mil depois dos Jogos. E estará pronto em 2011.

Conclusão

Atualmente, a capital inglesa concluiu 70% das obras para sediar os Jogos Olímpicos de 2012, e estima o fim do projeto de melhorias para julho de 2011. Conforme Epstein, os custos para a realização dos Jogos (2 bilhões de libras esterlinas) estão sendo financiados a partir da iniciativa privada, através de patrocínios, merchandising, venda de ingressos e de direitos de mídia.

Para ajudar a financiar o custo dos Jogos Olímpicos de Londres, os organizadores acordaram com grandes empresas. Entre elas, Tier One, Lloyds, TSB, EDF Energy, BT, British Airways, BP, Nortel, Adidas, além de uma parceria com o Youtube.