Fiesp discute investimentos com representantes do distrito financeiro de Londres

Elcio Cabral, para a Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544976492

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e lord mayon Nick Anstee, prefeito da City of London, discutem formas de investimentos recíprocos entre corporações do Brasil e Reino Unido. Foto: Kenia Hernandes



O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu nesta terça-feira (19) o lord mayon Nick Anstee, prefeito da City of London, o distrito financeiro de Londres, e sua comitiva, dentre eles Alan Charlton, embaixador do Reino Unido no Brasil, e John Dodrell, cônsul-geral do Reino Unido em São Paulo.

No encontro foram discutidas formas de investimentos recíprocos entre corporações das duas nações, envolvendo instrumentos de crédito e parcerias de negócios. Como resultado, ficou acertado que os representantes presentes vão trabalhar pela elaboração de um Fórum de CEOs (chefes-executivos) brasileiros e britânicos para debater com profundidade as possibilidades de negócios entre o Brasil e o Reino Unido.

A Fiesp, por sua vez, propôs a criação de acordo para evitar a bitributação, pois esta inibe a entrada de capital estrangeiro no País e desestimula a internacionalização das empresas brasileiras. Todos os participantes consideraram a questão como essencial.

O presidente Paulo Skaf alertou para a necessidade da criação de linhas de crédito mais acessíveis a empresas brasileiras de médio porte e também chamou atenção para a precisão de maior oferta de seguros para o setor agrícola brasileiro.

“É essencial mantermos um diálogo permanente e criarmos canais de cooperação com parceiros que representam um dos mais importantes mercados financeiros do mundo”, afirmou.

Já lord mayon Nick Anstee disse ser necessário um grau maior de transparência nas informações sobre as empresas brasileiras, pois assim os estrangeiros sentirão mais confiança ao investir no País.

“É preciso divulgar as informações de maneira mais aberta”, defendeu. Mesmo com essa ressalva, ele citou o “crescimento espetacular” da economia nacional: “O Brasil é cada vez mais importante como destino de investimentos”.

Anstee mencionou, ainda, o interesse britânico em atuar nas Parcerias Público-Privadas brasileiras e a possibilidade de usar o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que abriu escritório em Londres há cerca de um ano, como canal de acesso ao setor privado brasileiro.

Boa fase

Mario Marconini, diretor de Negociações do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, destacou a importância do país europeu, que tem fluxo comercial de cerca de US$ 7 bilhões com o Brasil.

“Nosso setor financeiro é competente, mas poderia ser mais competitivo”, avaliou, completando que “os juros brasileiros são os mais altos do mundo”.

Marconini também pontuou a boa fase econômica brasileira pós-crise financeira internacional: “Depois da turbulência houve uma explosão de crédito, principalmente para a população de baixa renda”.

Ele destacou o deficit habitacional brasileiro, que está na casa das 8 milhões de moradias. “Temos no Brasil a Caixa Econômica Federal, que oferece esse tipo de financiamento, mas há muito espaço para outros investidores”, resumiu o diretor.

Outra oportunidade apontada pela Fiesp aos britânicos é em private equity, um tipo de atividade financeira feita por instituições que investem essencialmente em empresas que ainda não são listadas em bolsa de valores.