Sindicato Responsável: Sindirepa-SP, parcerias pela qualificação

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Por Karen Pegorari Silveira

O Sindirepa-SP firmou parceria com Senai para que seus associados tenham condições diferenciadas de pagamento em cursos da instituição e para que possam melhorar seus processos operacionais. Para ser beneficiada, a empresa precisa ter Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específico de reparação de veículos.

O curso tem duração de 40 horas e a programação oferece ensinamentos sobre fluxograma de processos na oficina automotiva; como potencializar a eficiência com o uso de ferramentas como TPMO (Tempo Padrão de Mão de Obra Automotiva), check list, ordem de serviço, orçamento de peças e mão de obra.

Também são abordados o processo de garantia de produtos e serviços; a importância do conhecimento do Código do Consumidor; organização e limpeza; e segurança do trabalho.

Além disso, o Sindirepa-SP também realizou convênio com TecDoc e Partlinks para dados e informações de peças e aplicações. Tem ainda o Programa Empresa Amiga da Oficina que conta com mais de 40 empresas, entre fabricantes de autopeças e equipamentos e prestadores de serviços que promovem uma série de ações aos associados da entidade, entre elas, palestras técnicas que são muito importantes para promover o conhecimento dos profissionais e estreitar relacionamento.

Em fase piloto há também o Programa de Incentivo à Qualidade (PIQ), em parceria com o Sindirepa Nacional e o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA). Nesta iniciativa, seis oficinas de funilaria e pintura do Estado de São Paulo foram certificadas:

As entidades desenvolveram um roteiro que permite ao empresário avaliar a empresa nos estágios atual e desejável. “Usamos metodologia apropriada com pesquisa de campo e avaliação 360º. Os indicadores de performance guiam as ações e as melhorias a serem alcançadas”, explica José Nogueira, vice-presidente do Sindirepa-SP.

Por meio do programa, as empresas recebem o acompanhamento de avaliador especializado, que orienta as oficinas e entre os principais objetivos a serem obtidos seria melhoria na infraestrutura (layout), melhoria nos processos de trabalho (cliente x fornecedor interno), a criação de indicadores de qualidade, a interpretação de índices de satisfação do cliente da empresa, a visão de Recursos Humanos da empresa e oportunidade de melhoria da mão de obra com treinamentos específicos.

Para Nogueira, a expectativa é atrair mais adeptos para a cultura da qualidade. “Este programa visa a excelência no segmento de reparação automotiva, um caminho sem volta. Foi cuidadosamente estudado em bases reais, sendo assim uma escada que permite superar um degrau em cada etapa”, afirma o vice-presidente.

Para conhecer mais ações do Sindirepa-SP, acesse – portaldareparacao.com.br



Entrevista: Desafios e Benefícios na Implementação da Agenda 2030

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Por Karen Pegorari Silveira

Nesta entrevista, o Professor Doutor em Economia, Gustavo Andrey Fernandes, pesquisador nas áreas de políticas públicas – especialmente nos temas de Educação e Desenvolvimento, discorre sobre os desafios e benefícios da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na estratégia dos negócios.

Para ele, não se estabelece um processo produtivo mais sustentável sem envolver as diversas peças que compõem a cadeia produtiva, assim como consumidores e fornecedores.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

Por que as parcerias são importantes para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

Gustavo Andrey – Os ODS representam uma agenda de transformação para o mundo muito mais ampla do que a Agenda 2015. É um desafio dobrado para empresas, governos, cujo resultado, se alcançado, estabelecerá um novo patamar para toda a humanidade. A Agenda 2030 propõe um conjunto de metas que vão desde processos produtivos mais eficientes, aperfeiçoando o uso de nossos recursos naturais, até a forma como lidar com as pessoas, dentro da empresa e fora. Em linhas gerais, é a humanização de relações entre pessoas e empresas, sem perder o sentido econômico inerente à produção. Neste sentido, uma agenda tão ambiciosa como os ODS torna explícito um atributo fundamental do processo de desenvolvimento que é a cooperação. Não é possível integrar, reduzir desigualdades, seja de gênero ou racial, sem unir os diversos atores envolvidos nesse processo. Ao mesmo tempo, não se estabelece um processo produtivo mais sustentável sem envolver as diversas peças que compõem a cadeia produtiva, assim como consumidores e fornecedores. E para isso, parcerias são fundamentais.

Que tipos de parcerias podem ajudar as empresas a implantarem alguns dos ODS e como elas podem ser conduzidas?

Gustavo Andrey – Pela natureza ampla e diversa dos ODS, há possibilidade de todo o tipo de parceria. Desde trabalhos em conjunto com o setor público, com ONGs e obviamente, parcerias entre empresas. Vamos pegar um exemplo concreto. A Agenda 2030 não vai abolir a inovação como uma variável fundamental para o sucesso dos negócios. No entanto, ela estabelece novos horizontes. Eliminar diferenças de gênero no local de trabalho é uma meta explícita e para isso, é preciso inovar no local de trabalho. Uma empresa pode ganhar muito ao estabelecer parcerias com ONGs que trabalhem a questão de gênero, acelerando seus passos nessa direção. E qual o resultado disso? Uma vantagem comparativa importante, pois a empresa passa a atrair melhores funcionários o que, indiretamente, impactará positivamente os negócios.

Pode nos dar exemplos de parcerias de sucesso já realizadas para inserir os ODS na estratégia dos negócios?

Gustavo Andrey – Há inúmeras iniciativas de grande importância sendo realizadas. O Pacto Global é sem dúvida uma delas e já vem produzindo excelentes resultados como indutor de transformações. No caso brasileiro, por exemplo, a ampla discussão sobre medidas anticorrupção e boas estratégias de compliance entre empresas e academia estão mudando a forma como nós fazemos negócios. A trocas de experiência, a produção de material, divulgação, o debate, estão produzindo uma verdadeira revolução. É importante destacar que isso não aborda apenas as empresas que foram de alguma forma atingidas diretamente pelas investigações. É uma mudança de mindset.

Quais os principais desafios encontrados para a implantação dos ODS nas empresas?

Gustavo Andrey – Acredito que o principal desafio seja internalizar a Agenda 2030 entre todos os colaboradores da empresa, permitindo que novos horizontes sejam percebidos. O salto dos ODM para os ODS foi muito ambicioso, de modo que, é preciso agora concretizar esse avanço dentro da firma. Seguramente, as pessoas irão se identificar com esses goals. A partir desse momento, aparece o que eu chamo de segundo desafio: criar a possibilidade de inovação dentro da firma para alcançar os ODS. É preciso não apenas entender os ODS, mas também criar a possibilidade de que algo seja feito.

A implementação bem-sucedida dos ODS resulta em quais benefícios para as empresas e sociedade?

Gustavo Andrey – Daqui para frente, não vamos apenas consumir um produto, mas uma concepção, uma ideia mais elaborada que vai além do produto em si. Isto envolve toda a cadeia produtiva, a forma como os colaboradores são tratados dentro da empresa. Muito além, isto envolve a própria visão que a empresa passa de mundo. Veja o exemplo das empresas com problemas de trabalho escravo nos seus fornecedores. A perda de clientes é imediata. É preciso, portanto, entender, que os ODS trazem novos horizontes para que as firmas inovem e alcancem vantagens competitivas. É uma Agenda de mercado também. Não podemos apostar daqui em diante, as pessoas se tornarão menos cientes das possibilidades do mundo ou mesmo indiferentes. Pelo contrário, o consumidor do século XXI é muito mais exigente e sintonizado no mundo. É essa revolução dentro das empresas que irá revolucionar toda a sociedade. Os benefícios, portanto, para a comunidade em geral são enormes. Contudo, apenas as empresas mais preparadas irão fazer parte disso. Os ODS estão aí, é preciso agarrar essa agenda de oportunidades!

Artigo: Trabalhando em prol do Desenvolvimento Sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Por Tânia Cosentino*

Eficiência energética e baixa emissão de carbono. Estão aí duas questões urgentes que precisam ser endereçadas tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada. Sustentabilidade, mais do que nunca, deve fazer parte da estratégia de negócios. E nós, da Schneider Electric, temos orgulho de ajudar nossos clientes a repensar e reinventar seus processos, num movimento que impacta a sociedade e assegura o futuro das próximas gerações.

Ao longo de toda nossa trajetória – em 2017, completamos 70 anos no Brasil -, desenvolvemos produtos e serviços que, em suma, possibilitam às companhias produzir mais com menos. É desse modo que nossos parceiros reforçam sua atuação sustentável e fortalecem seus negócios. E nossa plataforma EcoStruxure simboliza bem tal propósito. Essa tecnologia promove automação e conectividade entre as máquinas e os dispositivos móveis, possibilitando o acesso remoto, otimizando o desempenho e melhorando a eficiência da operação, a gestão de processos e a agilidade na tomada de decisões. Só no Brasil, nossas soluções permitiram que, em 2016, nossos clientes economizassem 3TWh de energia, o equivalente a 11 dias de geração de energia da Itaipu Binacional (fonte: Itaipu Binacional) ou então ao abastecimento mensal de energia da região Norte do país (fonte: EPE).

Impactos ambiental e social sempre estiveram na agenda da Schneider Electric. Outra prova disso é que, desde 2002, trabalhamos mundialmente com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e, sem sobressaltos ou solavancos, incorporamos suas iniciativas em nossos negócios, envolvendo, inclusive, nossa cadeia de suprimentos. Não foi diferente quando a entidade lançou, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas a serem alcançadas até 2030.

Fizemos, assim, uma avaliação profunda de nossas ações e nossos projetos, relacionando-os com os tais objetivos. Concluímos que impactamos diretamente 12 dos 17 ODS estabelecidos: erradicação da pobreza (ODS 1); educação de qualidade (ODS 4); igualdade de gênero (ODS 5); água potável e saneamento (ODS 6); energia limpa e acessível (ODS 7); emprego digno e crescimento econômico (ODS 8); indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9); cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11); consumo e produção responsáveis (ODS 12); combate às alterações climáticas (ODS 13); paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16); e, por fim, parcerias e meios de implementação (ODS 17).

Na América do Sul, endereçamos fortemente o ODS 5 e, claro, o ODS 7, que, afinal, é nosso core business. Mas, desta vez, aproveito a oportunidade para falar de forma mais profunda sobre o ODS 17. São as parcerias firmadas com instituições sérias que nos garantem dar passos cada vez mais largos e transversais em direção ao cumprimento das metas traçadas.

Trabalhamos junto a ONGs como World Wide Fund for Nature (WWF) e Instituto Socioambiental (ISA), experientes em ações e relacionamento com comunidades isoladas que possuem baixo ou nenhum acesso à energia renovável. Nesses casos, geramos eletricidade em espaços de convivência (escolas e unidades de saúde) e aqueles destinados a atividades produtivas – pimenta, mel, castanha –, e ainda promovemos treinamentos para que os próprios moradores possam cuidar da manutenção elétrica. Agora com energia a um custo justo, essas pessoas podem, finalmente, melhorar seus processos produtivos (refrigeração, por exemplo), com impacto direto na geração de renda.

As mulheres ganham atenção especial. Junto ao ISA e ao Instituto Consulado da Mulher, valorizamos o empreendedorismo feminino, oferecendo treinamento e apoio às trabalhadoras envolvidas com a cadeia de produção de pimenta. E mais: em parceria com o ISA, levamos soluções e treinamentos para cerca de 30 aldeias do Parque Indígena do Xingu.

Ainda dentro do programa de acesso à energia, pudemos, em conjunto com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), eletrificar comunidades remotas da região, como Tumbira e Rio Negro. Além disso, lado a lado com a FAS e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), apoiamos a iniciativa Star Energy, incentivando a pesquisa científica sobre sistemas de energia sustentáveis, renováveis, replicáveis e autônomos para a Amazônia.

Também atuamos em parceria com organizações educacionais em diferentes localidades do Brasil e até de outros países, como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Centro Universitário de Lins (Unilins) e Instituto Dom Bosco. Doamos soluções de iluminação e eletrificação solar, além de material didático, para que tais entidades possam estruturar e ofertar treinamentos de elétrica básica e energia fotovoltaica. O objetivo é beneficiar pessoas de baixa renda, ajudando-as a entrar no mercado de trabalho ou a avançar no empreendedorismo e, portanto, a sair da condição de vulnerabilidade social a que estão submetidas. Na América do Sul, em cinco anos, foram treinadas 30 mil pessoas, incluindo mulheres, elevando a renda média da comunidade piloto em 52%.

Há outros tantos parceiros fundamentais quando o objetivo é trabalhar em prol do desenvolvimento social e econômico: a ONU e seu Pacto Global, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Câmara Americana de Comércio (Amcham), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds – cujo principal intuito é influenciar políticas públicas nas esferas municipal, estadual e federal), a Plataforma Liderança Sustentável (organizada pelo consultor Ricardo Voltolini), etc.

As associações criam guias de boas práticas, fomentando e orientando ações por parte da iniciativa privada. Por meio da ONU Mulheres, por exemplo, nós firmamos compromisso com o HeForShe e com o Women Empowerment Principles (WEP) – iniciativas que visam, em linhas gerais, à eliminação das disparidades entre homens e mulheres na sociedade e ao empoderamento feminino no ambiente corporativo.

Estamos atravessando um momento bastante difícil em nosso país e no mundo. Precisamos mudar e com urgência. O planeta nem a sociedade podem esperar. E o setor privado pode e deve ajudar! Para tanto, os ODS são cruciais, porque norteiam as ações empresariais. Faço o que acredito e fico feliz de trabalhar numa empresa que me dá espaço para executar esses projetos e de ter um time apaixonado que também abraça causas tão importantes. Sou uma ativista pela inovação para a sustentabilidade. Essa é minha contribuição como executiva e como indivíduo.

*Tania Cosentino é presidente da Schneider Electric para América do Sul, foi reconhecida pela ONU como um dos 10 Pioneiros nos ODS – indivíduos de todo o mundo que estão de fato defendendo a sustentabilidade em suas companhias e mobilizando toda a comunidade de negócios para o cumprimento dos tais objetivos.

Energia solar fotovoltaica é tema de workshop na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Foi realizado na manhã desta quinta-feira (25/8) workshop sobre energia solar fotovoltaica no Brasil, com foco nas oportunidades e mecanismos para parcerias entre França e Brasil na área. O evento, promovido pela Business France, agência nacional de apoio à internacionalização da economia francesa, discutiu os desafios para a expansão desse mercado, alternativas de financiamento e possíveis parcerias estratégicas entre Brasil e França. O evento contou com a presença da embaixada da França, agências reguladoras, bancos e empresas e entidades do setor.

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Seminário sobre energia solar fotovoltaica, na sede da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diretor da Fiesp propõe que Brasil seja base para lançadores de satélites do Japão

Katya Manira e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

José Augusto Corrêa, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) apresentou nesta segunda-feira (22/2) uma proposta surpreendente durante o seminário Intercâmbio Brasil-Japão em Perspectiva. Corrêa sugeriu que o Japão faça no Brasil o lançamento de seus foguetes de transporte de satélites. É um acordo em que todos ganham, disse, lembrando que a enorme extensão (3.000 km) de território na linha do Equador torna o Brasil ótimo local para o lançamento. O Japão, com um dos programas aeroespaciais mais avançados do mundo, ganharia com o corte de custos. Ter base no Brasil permitiria ao Japão economizar 30% de combustível no lançamento, ou levar 30% mais carga, explicou Corrêa. Atualmente a China se encarrega do lançamento dos satélites brasileiros.

O seminário

Na abertura do evento, promovido pela Fiesp em parceria com o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros e o Consulado Geral do Japão em São Paulo, o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, destacou a importância de olhar para o Japão neste momento em que o Brasil está “numa fase clara de transição de um ciclo político econômico para outro”, uma vez que os nipônicos são conhecidos por sua visão a longo prazo e projetos que miram o futuro. O apoio japonês no início dos anos 80, ele diz, foi um exemplo dessa percepção aguçada. O Brasil estava sem reservas, com hiperinflação e mesmo assim empresas japonesas acreditaram no país, fazendo investimentos na mina de Carajás e no setor de papel e celulose.

“Isto é algo que falta ao Brasil: perspectiva de longo prazo. Quando vemos os projetos do Japão em que houve participação japonesa, são sempre projetos grandes e de sucesso”, lembrou Zanotto. “Não podemos mais pensar no máximo na próxima eleição ou no orçamento deste ano, apenas. Temos que pensar no longo prazo, e o Japão, nesse sentido, é um forte exemplo para nós.”

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Abertura do seminário Intercâmbio Brasil-Japão em Perspectiva, realizado na sede da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


O presidente do Centro de Estudos Nipo-Brasileiro, Shozo Motoyama, também falou sobre parcerias passadas de sucesso, como por exemplo o aproveitamento do cerrado para a extração de celulose. “Temos muito que aprender com esse passado, que deve servir de inspiração para os novos. E chamo a atenção para as duas variáveis que devem ser pensadas: cooperação técnico científica e o fortalecimento da comunidade nikkei. Tenho certeza que as discussões tratadas nesse seminário dignificarão nosso passado e inspirarão nosso futuro.”

Já o cônsul geral do Japão no Brasil, Takahiro Nakamae, lembrou que a visita do primeiro-ministro de seu país ao Brasil, em 2014, foi de extrema importância para as relações bilaterais. Nessa mesma visita, ambos os países acordaram uma estratégia global de posicionamento na questão do clima, por exemplo, além de concordarem em impulsionar alguns setores específicos, como agrícola, infraestrutura, saúde e capacitação em recursos humanos. “Já na área econômica, assinamos o memorando de facilitação de visto de múltiplas entradas para curta permanência, estamos preparando a instalação da Japan House em São Paulo e esperamos contribuir cada vez mais.”

Brasil e Japão na COP 21

Abrindo o primeiro painel do seminário, “COP 21 e Cooperação Nipo-Brasileira em Meio-Ambiente, o presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Edson Emanoel Simões, ressaltou que os dois países possuem vários aspectos que se complementam. “O Japão é a terra da tecnologia avançada, dos computadores. Já o Brasil dispõe de recursos naturais em abundância, criatividade e expertise inovadora para soluções cotidianas. Por isso acredito que a parceria [bilateral] seria exitosa em todos os temas.”

Por sua vez, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, fez um relato histórico da participação de ambas as nações em diversas edições da Conferência do Clima (COP).

“O Brasil representa 2,6% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, o Japão 2,9%. No entanto, este segundo vem há tempos reduzindo suas emissões. Já a situação do Brasil é radicalmente diferente, as emissões estão crescendo”, compara. Contudo, ele acredita em uma cooperação mútua significativa nesta área entre os dois países.  “Podemos contribuir fazendo com que eles [japoneses] reconheçam a utilização dos biocombustíveis e eles podem nos auxiliar ensinando às industrias a operarem, efetivamente, com maior eficiência energética.”

Mundo em mudança

No segundo painel do seminário, José Augusto Corrêa, diretor titular adjunto do Derex, destacou a transformação das relações internacionais. “Existe uma mudança completa, que inclui o ambiente de comércio internacional. É como se estivéssemos jogando futebol e, de repente, dissessem que agora se pode jogar com as mãos. Temos que mudar”, disse, para ressaltar a importância do Tratado Transpacífico (TPP na sigla em inglês), que une EUA e Japão.”

Corrêa lembrou que a Fiesp defende a análise de se integrar ao acordo, que deve ditar o padrão dos futuros pactos norte-americanos. E está em gestação o Tratado Transatlântico (TPIP), que vai incluir Estados Unidos e União Europeia, no que pode ser o maior acordo de livre comércio do mundo. “Ou a gente negocia agora, ou no futuro só vamos poder aderir.”

Paulo Eduardo Rocha Brant, diretor presidente da Cenibra -Celulose Nipo-Brasileira S/A, disse que uma das faces mais funestas da crise atual do país é o seu quase isolamento do ponto de vista das relações econômicas internacionais. “Infelizmente o Brasil está ficando à margem” da atual revolução tecnológica.

A Cenibra completou 40 anos em 2013 e atualmente tem capital 100% japonês. Trabalha a 101% da capacidade de produção e planeja expansão, tendo como maior entrave um decreto do Governo Federal que obriga à criação de um projeto a ser enviado ao Incra para cada fazenda que quiser comprar. Brant diz que depois de um ano de envio do primeiro projeto, a Cenibra não teve resposta. Para dobrar a produção, a Cenibra precisaria de 100.000 hectares a mais de florestas plantadas. Isso, ressaltou , para viabilizar um investimento de US$ 3 bilhões em área em que Brasil é muito competitivo, graças a, entre outras coisas, “ciência da boa”.

Frisou a enorme complementariedade entre Brasil e Japão. O Japão poupa mais do que investe, porque já tem infraestrutura pronta, ao passo que o Brasil ainda precisa de muita coisa. “Trabalhar no aprofundamento e na ampliação das relações entre os dois países é crucial.” Disse que a Cenibra e seus acionistas estão muito satisfeitos com a parceria com o Brasil. “Queremos ampliá-la, se deixarem.” A declaração foi comemorada por Ruy Martins Altenfelder Silva, presidente do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp (Consea), coordenador da mesa redonda. Ele convidou Brant a participar do grupo da Fiesp dedicado às discussões sobre remoção dos entraves ao investimento.

Passado e futuro

Akihiro Ikeda, que foi presidente da Alunorte (1977-1978), citou o modelo, com incentivos fiscais e parceria com o governo, que permitiu por exemplo o surgimento da Cenibra. Exibiu gráfico que mostra a evolução da corrente de comércio entre Brasil e Japão em relação ao comércio mundial do Brasil, que teve pico entre 1971 e 1975 (8,3%). “Murchou, não é desprezível, mas caiu para 3,1%” entre 2011 e 2015. Explicou que o Japão estava em expansão na década de 79, e o Brasil precisava exportar. Foram criadas condições (inclusive a implantação de indústrias) para o comércio. Crises posteriores, no Brasil e no Japão, prejudicaram o fluxo. Além de fábricas de celulose e alumínio, a agricultura do cerrado ficou como herança da época, frisou.

Nos investimentos, o pico ocorreu entre 71 e 80 (11,4% do capital estrangeiro no Brasil era japonês). Depois de cair a 0,9% entre 91 e 2000, chegou a 6,5% entre 2011 e 2014.

“E agora?”, perguntou. O Japão tem sérios problemas, como o demográfico, que limita a demanda e lhe tira a energia para o futuro. O Brasil deve sair da crise em talvez dois anos, mas depois tem baixa chance de crescer mais que 3% ao ano. Também começa a enfrentar problema demográfico. Não se sustenta crescimento baseado apenas em aumento da produtividade da mão de obra. O Brasil tem mercado, com 200 milhões de pessoas, com demanda em transformação, e o Japão tem tecnologia. Há espaço para aumentar muito as trocas.

Akira Homma, assessor científico e tecnológico sênior da Bio-Manguinhos/Fundação Oswaldo Cruz, ressaltou a interação de longa data na área biomédica entre Brasil e Japão. Destacou memorando de cooperação entre Brasil e Japão assinado em agosto de 2014, com foco em populações em envelhecimento, estímulo à qualidade de vida e prevenção de doenças.

Apesar de seu avançado sistema de saúde, o Japão tem alta incidência de doenças imunopreveníveis – e até “exporta” vírus. Homma apresentou proposta de intercâmbio entre Brasil e Japão na prevenção de doenças. O Brasil usaria o conhecimento acumulado com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), e o Japão forneceria expertise na medicina preventiva e assistencial. Outra área de grande potencial é a capacitação científica e tecnológica em vacinas, em que o Japão é forte, e o Brasil ainda tem carência. O intercâmbio na área de produção de vacinas traria ganho no desenvolvimento comum de vacinas – por exemplo, contra dengue, zika e chikungunya.

Ao encerrar o painel, Ruy Altenfelder destacou entre os objetivos do seminário a revisão do sucesso dos projetos conjuntos, para, com base naqueles bem-sucedidos, pensar no futuro. Creditou à tecnologia trazida pelo Japão parte do sucesso no cerrado. Entre os desafios atuais, mencionou as doenças viróticas e o aedes aegypti. Também citou a complementariedade entre os cientistas japoneses e os brasileiros como algo a ser seriamente considerado em relação ao Sistema Único de Saúde.

Indústria de Defesa brasileira precisa aumentar exportações, afirma diretor da Abimde

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Segundo Lemos, expectativa é de crescimento do mercado interno. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O cenário interno é positivo, mas é preciso estabelecer parcerias para o crescimento das exportações da indústria de defesa nacional, disse o Coronel Armando Lemos, diretor técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), nesta sexta-feira (05/04), durante o último dia do Defense Industry Day, evento que acontece na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O diretor da Abimde, entidade criada em 1985 que congrega 185 empresas de alta especialização tecnológica de segurança e defesa, alertou para a pouca expressividade das exportações brasileiras no cenário global. “Na década de 1980, o Brasil estava entre os dez maiores exportadores do mundo. Hoje estamos em 76º lugar. Exportamos 1,7 bilhões de dólares. O que é pouco para um mercado grande como esse”, disse.

Para Lemos, o caminho para o crescimento das exportações é a criação de parcerias, principalmente com os Estados Unidos. “O Brasil não abre mão de sua soberania, mas é necessário criar parcerias com os Estados Unidos. O Brasil é um bom parceiro e temos grandes oportunidades.”

Entretanto, na visão de Lemos, o futuro do setor é positivo devido ao aumento da demanda interna.  “O futuro é favorável. Há grande expectativa de crescimento interno e de geração de empregos. A sociedade brasileira entendeu que a questão de segurança não é responsabilidade apenas do governo e das forças armadas”, afirmou.

Lemos apontou as razões para o crescimento do setor nos próximos anos. “As recentes descobertas de reservas na camada do pré-sal criaram a necessidade de investimentos na indústria petrolífera, o que demandará maior consumo de produtos de segurança. Grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas também fomentarão o crescimento do setor nos próximos anos.“

O diretor destacou a importância do crescimento do setor para o desenvolvimento da nação. “O crescimento contribui para o desenvolvimento nacional e promove uma maior independência do país. Gera capacitação, autonomia e crescimento”, encerrou.

Missão chinesa busca parcerias e investimentos no agronegócio, na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Em visita ao Brasil, missão empresarial chinesa participa nesta quinta-feira (29/11) de encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O evento envolverá uma delegação chinesa composta de 18 altos executivos do agronegócio da China, além de representantes do Ministério de Agricultura dos dois países.

O objetivo da missão é prospectar oportunidades, estabelecer parcerias para investimentos e, também, buscar fornecedores a fim de suprir as demandas internas daquele país.

A China é hoje um dos principais parceiros comerciais do Brasil e grande importador mundial de commodities. Em 2011, o Brasil exportou para China 16,5 bilhões de produtos agropecuários.

O agronegócio respondeu por 17,5% do total embarcado para o país. Entre os principais produtos agro: complexo soja 71%, celulose 8%, açúcar 7%, algodão 3%, carne de frango 3%, couro bovino 2%, fumo 2%, e demais produtos 3%.

Serviço
Data/horário: 29/11/2012, quinta-feira, das 10h às 12h
Local: Av. Paulista, 1313, 15º andar, capital

Processo democrático anuncia crescimento para África nos próximos 10 anos

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp

A prospecção de parceria com a África, onde existem 1 bilhão de habitantes, é muito interessante. O Brasil é especialista em várias áreas como biocombustíveis, energia limpa e agrícola, o que para os africanos seria muito importante, tanto quanto para os brasileiros.

A afirmação de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, foi feita durante entrevista coletiva após o Seminário Brasil-África, realizado nesta quarta-feira (16) pela entidade em parceria com o Instituto Lula e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

“Sinto que o presidente Lula priorizou as ações do Instituto Lula, com o qual temos ótimo relacionamento, às questões relacionadas à África como sequência das inúmeras missões que ele fez ao continente durante seu governo”, completou Skaf.

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, destacou que não há país que se assemelhe à África como o Brasil.

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Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex/Fiesp

Ele revelou que os países africanos que mais têm atraído a atenção brasileira são Angola, Moçambique (já com presença maciça de investimentos brasileiros), Nigéria, Gana e África do Sul (maior economia do continente).

Para Gianetti, o grande concorrente do Brasil com a África é a China, que tem muito apetite pelos recursos naturais da África.

“A esperança da África é o Brasil. O africano se comporta em relação ao brasileiro de uma forma mais legítima, honesta e transparente do que com os outros, com os quais tem ressentimento ou desconfiança. Com o brasileiro ele se sente seguro, o Brasil transmite a ele uma esperança melhor do que com qualquer outro país”, declarou.

Brasil, parceiro generoso

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, fez um balanço positivo do evento e frisou que a África, continente com PIB de US$ 1,7 trilhão, vai crescer muito nos próximos dez anos e que este valor pode chegar a US$ 2,7 trilhões.

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Luciano Coutinho, presidente do BNDES

Analisou que a África passa por um processo de equilíbrio com o aprofundamento da democracia em várias sociedades com maior estabilidade política.

“É uma sociedade ainda pobre, jovem e com taxa de crescimento populacional alta, que quer oportunidade de emprego e renda. O Brasil pode ser um parceiro generoso no desenvolvimento da África com o desenvolvimento da agricultura familiar, que contribui para gerar mais segurança alimentar para o continente”, avaliou.

O presidente do BNDES considerou ainda que, por meio do etanol e de outras fontes de energia, a África é também uma grande oportunidade para o Brasil. “Podemos contribuir criando mais segurança energética, outro fator de vulnerabilidade para a África. O interesse das empresas brasileiras é crescente.”

Segundo Coutinho, existem muitas chances para desenvolvimento e projetos de infraestrutura. “A África está lançando agora um programa de integração da infraestrutura africana, e o Brasil felizmente tem empresas de engenharia muito competitivas que podem exportar serviços. E o BNDES pode apoiar, entre outras áreas interessantes como serviços, telecomunicações, turismo e varejo”.

Ele ressaltou que a presidente Dilma Rousseff, após uma visita recente a vários países africanos, determinou uma priorização do relacionamento com o continente. “Na próxima semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, vai liderar uma comitiva para os países do sul da África”, anunciou.

Baviera considera Brasil promissor para novos negócios

Rosângela Bezerra, Agência Indusnet Fiesp

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Katja Hessel, secretária-adjunta de Economia, Infraestrutura, Transporte e Tecnologia do estado da Baviera

O mundo está de olho no Brasil. Áreas como tecnologia, infraestrutura, meio ambiente e energias renováveis despertam o interesse em estados como a Baviera, o maior da Alemanha, conhecido pelo seu desempenho econômico.

“O Brasil é a sexta maior economia do mundo e demonstrou isto de forma muito competente. Em breve será uma das maiores potências mundiais”, disse Martin Langewellpott, representante do estado da Baviera no Brasil, durante encontro realizado nesta nesta quinta-feira (10), na Fiesp.

Langewellpott integra a delegação, formada por 43 pessoas e chefiada por Katja Hessel, secretária-adjunta de Economia, Infraestrutura, Transporte e Tecnologia do estado da Baviera, que veio ao país com o objetivo de ampliar as relações comerciais e políticas já existentes entre Brasil e Alemanha.

Parceria com a Fiesp

Durante o encontro, Katja fez uma apresentação das empresas bávaras que participaram com suas expertises da Copa da África do Sul e querem oferecer serviços para o Mundial de 2014. “Agradeço a parceria com a Fiesp e pretendo voltar em abril do próximo ano para auxiliar as empresas a entrar no mercado brasileiro”.

Thomaz Zanotto, direto-titular-adjunto do Derex, ressaltou que esta delegação tem como particularidade empresas de alta tecnologia de diferentes setores, que vão desde máquinas e equipamentos até aquelas que fornecem elementos para estádios visando a Copa do Mundo de 2014. “Temos a oportunidade de mostrar aos alemães qual é a atual situação da economia brasileira e o enorme potencial que existe no pais em diferentes setores, que vão além da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos”.