Fiesp analisa Parceria Transpacífico para elaborar agenda de discussão

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Um mês depois da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciar oficialmente a criação de um mecanismo de estudo para analisar as regras da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), o Conselho Superior do Comércio Exterior (Coscex) trouxe à sede da entidade especialistas para discutir os principais tópicos do acordo.

A reunião, realizada na manhã desta quarta-feira (16/12), teve como objetivo “produzir elementos que servirão de base para a elaboração de uma agenda futura sobre o tema”, de acordo com o presidente do conselho, embaixador Rubens Barbosa.

“Antes de fazer qualquer movimento político temos que fazer o dever de casa, que é entender as regras do acordo, estudá-las, saber quais pontos se chocam com o quê”, declarou. “Vamos analisar tudo para ver o que é possível e de que maneira é possível. O próximo passo é pontuar quais medidas precisam ser tomadas para que possamos apresentar algo [quando] na negociação.”

Especialista no assunto, o professor de economia da Universidade de Brasília e colunista do jornal Valor Econômico, Jorge Arbache, explicou ao corpo de conselheiros algumas regras do TPP referentes a negociação de serviços e propriedade intelectual. Neste âmbito, ele diz, é extremamente difícil prospectar os impactos do megaacordo devido à dificuldade de mensurar essas atividades.  “É, sem dúvida, algo muito mais complexo e que ainda não entendemos seus contornos, justamente por estarmos vivenciando tudo isso”, justifica.

Já o diretor do Departamento de Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto, defendeu que o fechamento da economia não é mais uma opção para o Brasil, que a indústria doméstica não é protecionista como muitos afirmam e que a análise da Parceria Transpacífico é fundamental para que o país possa negociar sua entrada de maneira estratégica.

“A tecnologia robótica irá eliminar postos de trabalho. Robôs irão substituir jornalistas, colhedores de laranjas, adubadores nas plantações”, conta, referindo-se a dados publicados no livro Rise of Robots, de Martin Ford. “O que vai preservar os empregos aqui são as pequenas e médias indústrias, que ainda empregarão pessoas. E é por isso que estamos propondo a análise minuciosa do TPP, para que o Brasil também possa negociar sua entrada. Quanto mais demorarmos para decidir, mais reféns ficaremos.”

Após passar semanas debruçada sobre as regras e definições do acordo, a professora e pesquisadora da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Vera Thorstensen concluiu que o TPP foi realmente feito para “definir as regras de comércio do futuro e servir de base para todos os outros países do [oceano] Pacífico que podem vir a negociar com o Brasil”.

“Sugiro que a Fiesp analise capítulo por capítulo e veja o que afeta a legislação brasileira. Temos que ler, consultar, reagir e estar preparados”, disse ao final da sua explanação sobre os critérios de barreiras não tarifárias dentro do TPP.

Reunião do Conselho Superior do Comércio Exterior sobre a Parceria Transpacífico. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp