“Precisamos da liderança do Brasil e da presidente Dilma”, afirma François Fillon

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

François Fillon, primeiro-ministro da França. Foto: Junior Ruiz

Em conferência realizada na Fiesp nesta quinta-feira (15), o primeiro-ministro francês François Fillon certificou que a liderança do Brasil é essencial para superar a crise de confiança que a Europa atravessa.

“Devemos precisamente agora captar o imenso potencial ofertado por esta parceria estratégica entre os dois países, e afirmo solenemente que precisamos da liderança do Brasil e de sua presidente Dilma Rousseff”, declarou para uma plateia de autoridades e empresários brasileiros e franceses.

Com a ideia de compartilhamento da visão de um mundo multipolar, Fillon disse que tanto seu país quanto o Brasil sempre se opuseram ao pensamento de dominação pelas superpotências. “Cada Estado deve se fazer ouvir em cada continente. Os países procuram uma solução comum aos problemas mundiais, e a França e o Brasil contribuem para a estabilidade internacional entre as grandes nações.”

Ele reforçou: “Isso vale para o G20 e para o FMI, e também para o conselho de segurança do ONU, onde a França pleiteia um assento permanente para o Brasil, como faz para a Alemanha, Japão e Índia, sem esquecer o local justo que deve ser dado no Conselho de Segurança das Nações Unidas ao continente africano”.

Ao comentar o projeto de aproximação comercial e econômica do Brasil com outros países da América Latina, o primeiro-ministro foi enfático: “Vocês sabem muito bem com que determinação devemos nos empenhar para poder chegar nesse objetivo”. E adicionou que “hoje a questão da zona do euro atrapalha esses interesses. “Acho evidente que há uma parte de ideologia e outra de oportunismo nos ataques a esta união monetária”.

Contenção da crise

Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Foto: Junior Ruiz

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, elogiou a adoção de medidas por parte do governo francês para a contenção da crise.

“A crise europeia é de endividamento público. O governo da França está tomando providências que nem sempre são medidas politicamente populares, mas corretas, o que é um bom exemplo”, sublinhou.

Skaf destacou que a Europa é um mercado de 500 milhões de consumidores “que interessa a todos”. Ressaltou também que o Brasil e a França tradicionalmente têm realizado muitas parcerias. “Em 2010, tivemos mais de US$ 1 bilhão de investimentos brasileiros na França e uma troca de comércio que lógico, pode ser muito ampliada.”