Campeão da bocha, paratleta do Sesi-SP tem história de superação

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Com pouco mais de três anos como paratleta do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), Adriano Andrade Silva já coleciona diversos títulos. No sábado (23/11) chega mais um momento marcante para a trajetória de superação do o jogador de bocha. Nessa data, Silva recebe homenagem do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sesi-SP, Paulo Skaf, e empresta seu nome para a nova quadra coberta da unidade de Suzano.

Cadeirante há uma década, o atleta de 37 anos afirma que a homenagem é resultado de muita luta e do bom trabalho que realiza ao lado dos profissionais com quem convive. “Será um dia emocionante. Comecei no esporte acreditando que poderia fazer a diferença e vencer. A homenagem representa uma vitória muito grande para mim. Nunca aconteceu algo assim na minha vida”, diz, emocionado.

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Adriano Andrade Silva: “Já tive que vender balas em farol. Mas hoje tenho uma renda, graças ao Sesi-SP”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para Silva, a ocasião serve também como motivação para todos os atletas cadeirantes do Brasil, “gente batalhadora, que sofre muito, mas que, no fim, sempre supera os obstáculos”.

Aprendizado e evolução

A trajetória de Silva no esporte é meteórica. De vendedor de balas nos semáforos da região de Suzano até se tornar um atleta multipremiado foram apenas alguns anos.

Seu aprendizado e evolução foram notáveis: apenas dois meses depois de começar a praticar o esporte, Silva já conquistava a segunda colocação no campeonato brasileiro, disputado em 2002, na cidade de Uberlândia (MG). E justamente na categoria BC4, considerada a mais competitiva dentro da bocha.

Em 2007, depois de dois anos longe do esporte por questões médicas, Silva foi convocado pela primeira vez pela seleção brasileira e participou da Copa do Mundo, realizada na cidade canadense de Vancouver. Apesar de não conquistar um grande resultado na ocasião, a experiência serviu-lhe muito bem. Lá, em sua primeira viagem internacional, teve a oportunidade de travar contato com o elevado nível dos atletas estrangeiros.

Já na Copa do Mundo seguinte, em 2011, Silva alcançava a quinta colocação geral na categoria individual. Uma incrível evolução que não parou por aí.

No ano seguinte, diante do “jogador mais temido do esporte”, o bicampeão olímpico Dirceu Pinto, Silva contrariou todas as previsões e conseguiu superar o rival pelo placar de 9 a 2. A vitória ainda hoje é celebrada. “Foi um jogo especial para mim”, lembra.

Atleta do Sesi-SP desde 2010, Silva se considera um vencedor não apenas no esporte.“Hoje, dos meus oito irmãos, sou o único com casa própria. Sinto-me um realizado e feliz, um verdadeiro vencedor”, conta.

“Já tive que vender balas em farol. Mas hoje tenho uma renda, graças ao Sesi-SP”, comemora.

A instituição tem um lugar de destaque no coração do campeão. “O Sesi-SP me deu qualidade de vida. Retribuo honrando o nome da instituição de todas as formas que posso.”

Para o futuro, as metas já estão traçadas. “Atualmente treino seis horas por dia. De segunda a sexta-feira”, revela.

O ritmo pesado tem razão de ser. Segundo ele, seu maior objetivo não é apenas disputar a Paralimpiada de 2016, no Rio de Janeiro – é, sim, ganhá-la. “Tenho qualidade para, pelo menos, ficar entre os três melhores.”

Além da homenagem a Silva, no dia 23 de novembro, no Centro de Atividades do Sesi (CAT) Max Feffer, em Suzano, haverá também o lançamento da nova modalidade do Sesi-SP, o Hóquei na Grama.

Confira abaixo todos os títulos conquistados pelo atleta desde que se tornou atleta do Sesi-SP.

2010

– Campeão Paulista da Classe Individual BC4
– Campeão Mundial (Lisboa) – Classe Pares BC4

2011

– Vice-campeão Regional Sudeste individual BC4
– Campeão Brasileiro Classe Pares BC4
– Vice-campeão Paulista Classe Individual BC4
– Vice-campeão Paulista Classe Pares BC4

2012

– Campeão Paulista Classe Individual BC4
– Vice-campeão Paulista Classe Pares BC4
– Campeão Brasileiro Classe Individual BC4
– Campeão Brasileiro Classe Pares BC4

2013

– Vice-campeão Regional Sudeste classe individual BC4
– Campeão Brasileiro Classe Pares BC4

Bocha: saiba mais sobre a modalidade

Competem na bocha paralímpica paralisados cerebrais severos que utilizem cadeira de rodas. O objetivo do jogo é lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca chamada de jack (conhecida no Brasil como bolim). É permitido o uso das mãos, dos pés ou de instrumentos de auxílio para atletas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores. Há três maneiras de se praticar o esporte: individual, duplas ou equipes.

Antes de começar a partida, o árbitro tira na moeda (cara ou coroa) o direito de escolher se quer competir com as bolas de couro vermelhas ou azuis. O lado que escolhe as vermelhas inicia a disputa, jogando primeiro o jack e uma bola vermelha. Depois, é a vez da bola azul entrar em ação. A partir de então, os adversários se revezam a cada lance para ver quem consegue posicionar as bolas o mais perto possível do jack. As partidas ocorrem em quadras cobertas, planas e com demarcações no piso. A área do jogo mede 6m de largura por 12,5m de comprimento.

Para ganhar um ponto, o atleta tem de jogar a bola o mais próximo do jack. Caso este mesmo jogador tenha colocado outras esferas mais próximas do alvo, cada uma delas também vale um ponto. Se duas bolas de cores diferentes ficam à mesma distância da esfera branca, os dois lados recebem um ponto. Vence quem acumula a maior pontuação.

As partidas são divididas em ends, que só terminam após todas as bolas serem lançadas. Um limite de tempo é estabelecido por end, de acordo com o tipo de disputa. A contagem começa quando o árbitro indica quem fará o lance até quando a bola para. Nas competições individuais, são quatro ends e os atletas jogam seis esferas em cada um deles. Nas duplas, os confrontos têm quatro partes e cada atleta tem direito a três bolas por período. Quando a disputa é por trios, seis ends compõem as partidas. Neste caso, todos os jogadores têm direito a duas esferas por parte do jogo.

Jogadores com paralisia cerebral são classificados como CP1 ou CP2, bem como atletas com outras deficiências severas (como distrofia muscular), que também são elegíveis para competir na bocha. Os jogadores podem ser incluídos em quatro classes a depender da classificação funcional.

BC1: Tanto para arremessadores CP1 como para jogadores CP2. Atletas podem competir com o auxílio de ajudantes, que devem permanecer fora da área de jogo do atleta. O assistente pode apenas estabilizar ou ajustar a cadeira do jogador e entregar a bola a pedido.

BC2: Para todos os arremessadores CP2. Os jogadores não podem receber assistência.

BC3: Para jogadores com deficiências muito severas. Os jogadores usam um dispositivo auxiliar e podem ser ajudados por uma pessoa, que deve permanecer na área de jogo do atleta mas deve se manter de costas para os juízes e evitar olhar para o jogo.

BC4: Para jogadores com outras deficiências severas, mas que não podem receber auxílio.

As informações são do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).