Alunos do Senai-SP sonham com Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Não é apenas a formação profissional de milhares de jovens alunos e o atendimento a centenas de empresas que movimentam as unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). As duas instituições também realizam, desde 2009, um trabalho pioneiro no esporte.

Uma das missões do Senai-SP e do Sesi-SP é promover a inclusão social de pessoas com deficiência por meio do esporte. Para alcançar o objetivo, a primeira modalidade a ser criada pelo projeto foi o voleibol sentado masculino e feminino, na cidade de Suzano. Depois disso, as instituições começaram a desenvolver a bocha paralímpica, também em Suzano, e o atletismo, na unidade de Santo André.

Com resultados positivos, o projeto foi ampliado em 2013, e, neste ano, novas modalidades foram implantadas: o futebol para paralisados cerebrais e o atletismo para cadeirantes, também na cidade de Suzano. Na unidade de Mogi das Cruzes, a novidade foi o golbol, jogo para deficientes visuais.

“O objetivo do projeto pioneiro é incentivar a prática de esportes paralímpicos desde a formação ao rendimento esportivo, revelando novos talentos para contribuir com o resultado paralímpico brasileiro, disseminando os valores do esporte com foco na inclusão”, afirma Ronaldo de Oliveira, orientador de Esportes e Lazer do CAT Max Feffer, de Suzano.

Paralimpíadas de Londres

Prova do sucesso do projeto pioneiro foi vista durante as Paralímpiadas de Londres. Para a competição, o Sesi-SP levou dez atletas, sendo seis do voleibol sentado feminino, um de voleibol sentado masculino, um de bocha e dois de atletismo. Dessa forma, houve representantes de todas as modalidades contempladas pelo serviço durante o maior evento esportivo para deficientes do mundo.

Atualmente, a equipe é composta por 90 atletas, divididos em cinco modalidades paraolímpicas: goalball, vôlei sentado (feminino e masculino), futebol para paralisados, bocha e atletismo.

Próxima parada: Rio de Janeiro

Muitos desses atletas de sucesso nascem para o esporte nas próprias escolas do Sesi-SP e do Senai-SP.

Na última semana, durante os Jogos Regionais de Barueri, Sara Silva, atleta e aluna da Escola Ítalo Bologna, de Itu, conquistou três medalhas de ouro nas três modalidades que disputou: lançamento de peso, disco e dardo.

Sara no pódio em um dos torneios dos quais já participou: bom desempenho na carreira e no esporte. Foto: Arquivo Pessoal

Sara (à direita) no pódio em um dos torneios dos quais já participou: destaque no esporte. Foto: Arquivo Pessoal

 

Além das aulas e cursos de aprendizagem industrial, que permitiram que Sara também obtivesse sucesso em sua carreira (hoje ela trabalha em uma empresa de grande porte no interior paulista), a unidade de Itu também disponibiliza aulas de educação física.

“Esporte também é foco para o Senai-SP. Conheci diversas modalidades esportivas na unidade. Depois de experimentar várias, optei pelas quais eu me encaixava melhor”, lembra a atleta.

Os bons resultados conquistados fazem Sara sonhar alto e almejar seguir o exemplo de outros atletas patrocinados pela indústria.  “Minha meta é evoluir, passo a passo. Tenho várias competições pela frente e espero ir galgando espaço com o tempo, conquistando os índices necessários”, conta.

A meta principal da atleta já está traçada: a Paralimpíada de 2016, a ser realizada na cidade do Rio de Janeiro.  “É o meu grande objetivo, em dúvida”.

O colecionador de títulos

Outro aluno do Senai-SP que vem escrevendo uma história vencedora dentro do esporte é Fabrício da Silva Pinto, de 19 anos.

Estudante do Sesi de Santos de 2010 a 2011, onde realizava o curso de redes de computador, Pinto foi convidado para se transferir para a unidade do Senai-SP de Suzano, para a prática do vôlei sentado.

Fabrício (camisa número 7) e equipe do vôlei sentado. Foto: Arquivo Pessoal

Fabrício (camisa número 7) com a equipe do vôlei sentado do Sesi-SP: incentivo ao esporte. Foto: Arquivo Pessoal

 

A partir de então, o jovem, que atua como ponta-passador, vem colecionando títulos dentro do esporte. Em 2011 e 2012, conquistou pela equipe do Senai-SP, a medalha de prata na competição nacional da modalidade.

Em 2013, o ápice de sua ainda curta carreira: a convocação para a seleção brasileira.

“O trabalho do Senai e do Sesi-SP  me ajudou bastante. Recebi muito apoio dos diretores e professores. Sou muito grato pelo trabalho deles”, conta Fabrício, direto de um hotel na região do Ibirapuera, em São Paulo, onde se concentra com a seleção para uma competição na Alemanha. Será a primeira viagem internacional de sua vida.

Assim como Sara, Fabrício também sonha com uma participação nos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. “A deficiência não é um obstáculo que não possa ser superado”.