Na Fiesp, especialistas analisam perspectivas dos países membros do BRICS sobre o Brasil

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

A fim de analisar as ações dos países integrantes do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), especialistas, acadêmicos e autoridades de cada um dos membros do bloco se reuniram nesta terça-feira (31/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em torno da III Mesa-redonda O Brasil, os BRICS e a Agenda Internacional.

O evento foi realizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, em conjunto com a Fundação Alexandre de Gusmão, vinculada ao Ministério de Relações Exteriores (MRE).

Compareceram ainda parlamentares, diplomatas e outras autoridades do governo brasileiro envolvidas nos processos de negociação entre os membros dos BRICS.

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Mesa-redonda O Brasil, os Brics e a agenda internacional: 'esforço para trazer o MRE mais próximo do mundo acadêmico'

Os professores Fedor Lukyanov (Revista Russia in Global Affairs – Rússia), Varun Sahni (Jawaharlal Nehru University-JNU, Índia), Jin Canrong (Renmin University of China) e Elizabeth Sidiropoulos (South African Institute of International Affairs-SAIIA, África do Sul) expuseram as perspectivas de seus relativos países sobre o Brasil e do grupo como um todo.

O embaixador José Vicente de Sá Pimentel, presidente da Fundação Alexandre de Gusmão, afirmou que o encontro é um esforço para trazer o MRE mais próximo do mundo acadêmico, em um “esforço de diplomacia pública”. Dos outros dois seminários que aconteceram em São Paulo e Nova Délhi, na Índia, ele lembrou que vários palestrantes apontaram como o problema do empresário brasileiro a “despreocupação” com o planejamento e com as análises estratégicas.

“O empresariado brasileiro, de certa maneira, perde um apoio importante que teria no mundo acadêmico, que poderia trazer análises e perspectivas úteis ao seu planejamento”, considerou Pimentel.

Fato político

Para o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, a discussão é um “exercício de diplomacia pública” e também um “exercício de sugestões políticas para o Itamaraty”.

“Recentemente, por causa da crise econômica, surgiram comentários de economistas importantes sobre a evolução das economias dos países dos BRICS, e qualquer que seja este desenvolvimento, ela está aqui para ficar”, afirmou Barbosa.  Ele acrescentou que a institucionalização dos BRICS é um fato político que ocorreu e vai se desenvolver e desdobrar em ações políticas e econômicas.

O embaixador afirmou estar acompanhando a questão dos BRICS, que considera como uma das importantes iniciativas da política externa brasileira. “Se verificarmos o grau de aproximação com esses sucessivos planos de ação desde a primeira reunião, vamos ver que em pouco tempo muita coisa foi feita para melhorar o conhecimento entre os países, que era restrito, mas agora começa a ser reparado”, completou.

Segundo Rubens Barbosa, as reuniões indicaram grandes progressos relativos à cooperação dentre os países membros, e uma incipiente cooperação nos organismos financeiros internacionais. “Os países membros ganhariam maior influência na medida em que os BRICs pudessem falar com uma única voz em temas políticos e econômicos específicos”, sublinhou.