Brasil já é uma referência internacional em sustentabilidade, diz representante da FAO

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Promover a agricultura e a segurança alimentar sustentável não é só tarefa do Estado, mas também dos produtores rurais e das empresas. É necessário o alinhamento entre políticas de longo prazo e responsabilidade conjuntas, afirmou nesta terça-feira (11/03) o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.

Ele participou da segunda rodada sobre os Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA) do Pacto Global das Nações Unidas, promovida pela Rede Brasileira do Pacto Global, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O relatório, que já foi avaliado por nove países na primeira rodada de consulta pública realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de setembro a novembro de 2013, traz na segunda rodada seis sugestões para promover uma produção agrícola sustentável. São eles a promoção da segurança alimentar, saúde e nutrição; ser ambientalmente responsável; garantir viabilidade econômica e compartilhar valores; respeitar os direitos humanos; incentivar a boa governança e responsabilidade e aprimorar o acesso e a transferência de conhecimento, habilidades e tecnologia.

Empresários e representantes do setor fizeram sugestões para a formulação do documento com objetivos para agricultura e produção de alimentos sustentáveis. Os princípios devem ser lançados oficialmente em setembro deste ano, durante a Assembleia Geral da ONU.

“A ONU é um plataforma para fazer o alinhamento entre as necessidades da população, das indústrias, e as necessidades também de crescimento econômico e suas implicações ambientais”, explicou Bojanic.

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Bojanic: alinhamento de necessidades variadas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Quanto às ações do Brasil para promover agricultura sustentável, Bojanic afirmou que “o mundo tem muito que aprender” com o país.

“O Brasil já uma referência internacional em termos de sustentabilidade, tem muitos avanços feitos em termos de controle de desmatamento, em termos de legislação de trabalho”, afirmou Bojanic. “Mas temos boas práticas para acrescentar”, ponderou.

ONU faz consulta pública na Fiesp sobre princípios para indústria de alimentos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Empresários e representantes do setor agropecuário avaliaram nesta terça-feira (11/03) os seis tópicos da versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA), elaborado pelo Pacto Global das Nações Unidas. Essa consulta pública, iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global, apresentou o documento com os objetivos do setor para uma agricultura mais sustentável. E deve ser lançado oficialmente em setembro deste ano.

O relatório, que já foi avaliado por nove países na primeira rodada de consulta pública realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de setembro a novembro de 2013, traz na segunda rodada seis sugestões para promover uma produção agrícola sustentável. São eles a promoção da segurança alimentar, saúde e nutrição; ser ambientalmente responsável; garantir viabilidade econômica e compartilhar valores; respeitar os direitos humanos; incentivar a boa governança e responsabilidade e aprimorar o acesso e a transferência de conhecimento, habilidades e tecnologia.

Segundo a gerente do Pacto Global das Nações Unidas, Adrienne Gardaz, essas diretrizes foram levantadas durante a primeira consulta com os nove países. “O objetivo dessas reuniões não é desenvolver os princípios, mas propor resultados. Esses resultados foram traduzidos para uma base que agora temos para elaborar os princípios”, afirmou.

De acordo com Adrienne, os princípios devem ser finalizados em abril deste ano. “O lançamento oficial será em setembro, durante a assembleia geral da ONU”.

Ela explicou que os fundamentos para elaborar o documento estão baseados no conceito do Fome Zero e nos compromissos com a sustentabilidade da agricultura firmados durante a Rio+20.

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A reunião para discutir a versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Isabella Freire Vitali, gerente no Brasil e coordenadora na América Latina da Proforest, e mediadora do encontro, afirmou que “essa consulta vai ser compilada com todas as outras. A ideia é consolidar o que é consensual”.

Até março, o órgão vai realizar consultas públicas no Brasil, Estados Unidos, Turquia, Reino Unido e outros países. O presidente da Rede Brasileira do Pacto Globa, Jorge Soto, também participou da consulta na Fiesp.

Sugestões do Brasil

A consulta pública desta terça-feira (11/03)  foi realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).  O ex-ministro Roberto Rodrigues, membro do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da entidade, participou do encontro e contribuiu para algumas alterações na redação do documento.

Rodrigues sugeriu que a liberação dos mercados esteja presente no documento com um dos objetivos.  “O único mecanismo justo seria liberar o mercado para todo mundo”, afirmou ao avaliar um dos seis tópicos propostos para a formação dos princípios do Pacto Global.

Ele também pediu mais clareza no que se refere ao pequeno produtor, citado em todos os seis itens que devem compor o documento. “Outra questão é sobre a defesa do pequeno produtor. O que é pequeno produtor? Qual o conceito que vamos ter universalmente sobre o pequeno produtor? Por tamanho? Por faturamento?”, questionou.

Embora tenha reconhecido que a questão é importante, Isabella, da Proforest, afirmou que é difícil padronizar esse entendimento de maneira global.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, também participou da consulta. Segundo ele, o evento é uma oportunidade para avaliar todas as implicações da agricultura na economia e na sociedade.

“Acho até que demorou um pouco para o tema da agricultura chegar a uma discussão mais detalhada e aberta dentro do Pacto Global”, disse ele.

Entre outros colabores para a produção do documento, o head de Responsabilidade Socioambiental do Rabobank, Luiz Fernando do Amaral, sugeriu uma atualização da abordagem do tema e uma simplificação da linguagem.

Amaral afirmou ainda que o primeiro passo para aplicação desses princípios é que eles sejam incorporados na missão e nos valores das corporações. “Isso é algo que a gente negligencia”, alertou.

Segundo ele, outro ponto de atenção é “definir e esclarecer para que serve esse documento e principalmente para o que não serve. É muito importante alinhar as expectativas”. “Um relatório, para ser inovador, tem que ser simples o suficiente, sistematizado para diferentes tipos de consultas, automatizado, mas também flexível”, sugeriu.