Retrospectiva 2013 – Agronegócio da Fiesp projeta o setor até 2023, traça perfil do produtor e comemora desoneração da cesta básica

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Na próxima década, o mercado doméstico será o vetor do crescimento da produção brasileira de arroz, trigo, milho, carnes, café, lácteos e ovos, em razão do aumento da renda da população. Em relação às exportações, o Brasil seguirá à frente do mundo para um grande conjunto de produtos. Responsável por este desempenho está um produtor rural que consome tecnologia e serviços de ponta oferecidos pela indústria. Essas foram algumas das análises e projeções do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizadas em 2013.

O Outlook Fiesp 2023, divulgado em outubro, apontou que o mercado  doméstico será fundamental para o desempenho das carnes, milho, café, lácteos, trigo, ovos, arroz e etanol. Enquanto isso, o mercado internacional terá grande importância para a soja, celulose, algodão e açúcar.

Na ocasião do lançamento do estudo, o gerente do Deagro, Antonio Carlos Costa, afirmou que “qualquer incremento de renda modifica os hábitos alimentares e, como vem ocorrendo de forma intensa nos países em desenvolvimento, esse é um movimento que está longe de terminar”.

Segundo o levantamento do Deagro, o consumo total de carne de frango no Brasil em 2013 é de 9,3 milhões de toneladas e deve chegar a 11,5 milhões de toneladas em 2023, um aumento de 24%.

Já o consumo de carne bovina no Brasil deve crescer 16% na próxima década. Os brasileiros, que demandaram 8,5 milhões de toneladas de carne em 2013, devem  absorver em 2023  um  total de 9,8 milhões de toneladas. Quanto ao consumo per capita, já ultrapassamos os EUA nas duas carnes.

Vantagem sobre a produção mundial 

O prognóstico do Outlook Fiesp é que em 2023, a produção brasileira de soja, milho e carnes manterá vantagem sobre a produção mundial.

Destaque para a soja, cuja produção brasileira crescerá a taxas anuais de 3,9%, enquanto o incremento da produção mundial será de 2,4%. Em relação às exportações do produto, o Brasil ampliará de forma importante a sua participação, alcançando quase 50% do mercado mundial “devemos abrir uma vantagem nos próximos anos em relação aos Estados Unidos”, afirmou Costa ao divulgar o Outlook Fiesp.

Na ocasião o gerente avaliou ser “difícil, de forma geral, repetir o mesmo desempenho exportador, já que o ritmo dos últimos dez anos foi muito forte, tanto pela grande quantidade de mercados abertos, quanto pelo papel desempenhado pelos países em desenvolvimento”. Ainda assim, o Brasil crescerá acima da média mundial na maioria dos produtos. Na última década, as exportações do agronegócio brasileiro em direção aos países emergentes cresceram mais de 500%.

O Outlook Fiesp é uma importante contribuição para a indústria ligada ao agronegócio brasileiro no sentido de planejamento de longo prazo para os negócios, avaliou Costa.

“A indústria – esteja antes da porteira da fazenda, fornecendo insumo para produção agropecuária ou depois dela, comprando essa produção—representa cerca de 40% do PIB do agronegócio”, afirmou o gerente do Deagro. “Por isso, saber o que vai acontecer como  o setor nos próximos dez anos é muito importante para que essas indústrias possam fazer um planejamento adequado de longo prazo”, completou.

Produtor brasileiro

Ainda no âmbito das contribuições, o Deagro desenvolveu o Perfil do Produtor Agropecuário Brasileiro, um estudo feito juntamente com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

A pesquisa apurou que 43% desses produtores agropecuários têm curso superior completo. O percentual é maior entre os herdeiros das propriedades: 77% têm diploma universitário. Não por acaso, são grandes usuários e demandantes das tecnologias desenvolvidas pela indústria.

De acordo com o levantamento, divulgado pelo departamento em novembro deste ano, 40% dos produtores rurais operam seu negócio com o suporte de agrônomos, zootecnistas e veterinários, ; 25% são clientes de serviços de consultoria, 22,3% têm gerentes e 20% contam com administradores em suas propriedades.

A pesquisa ouviu 1,5 mil agricultores e pecuaristas de 16 estados brasileiros entre os dias 20 de junho e 10 de agosto de 2013.

Para Costa, “conhecer o perfil do produtor agropecuário brasileiro é importante para a indústria, que precisa acompanhar as novas demandas e antecipar soluções para esse público”.

O “Perfil do Produtor Agropecuário Brasileiro” revela que um total de 65,6% dos entrevistados usa capital próprio como principal fonte de financiamento da produção, seguido das linhas de crédito disponibilizadas pelos bancos oficiais, com 40%, e por bancos privados, com 22%. As cooperativas, com 17,4%, e as indústrias de insumos, com 13%, também se destacam nesse mercado.

O estudo identificou ainda a longevidade das famílias de produtores agropecuários no comando das fazendas, o que denota um alto grau de especialização. Em 39% dos casos estão há mais de 30 anos. Outros 24% dos entrevistados disseram estar no controle das propriedades por um período entre 21 e 30 anos e 23% num período entre 11 e 20 anos.

A pesquisa envolveu as culturas de soja, milho, trigo, arroz, cana, café, laranja, algodão e pecuária (gado de corte e leiteiro). Entre os produtores avaliados, 40,5% possuem propriedades de porte médio, 36,4% de pequeno porte e 23,1% são grandes proprietários.

Cesta Básica

Pleito da Fiesp desde 2008, o Departamento realizou estudos para embasar tecnicamente a iniciativa do Presidente Paulo Skaf no sentido de corrigir uma importante distorção: o imposto sobre os alimentos no Brasil pesam proporcionalmente muito mais às famílias de menor renda.

No país, cerca de 7% das famílias possuem renda de até dois salários mínimos. Para essas, cerca de 30% do orçamento é destinado à compra de alimentos, enquanto as mais abastadas gastam cerca de 10% da renda com alimentação. É o que os economistas chamam de imposto altamente regressivo. Em março deste ano, o Governo Federal anunciou a desoneração de uma lista de alimentos, que passaram a ser isentos dos tributos Federais.

Outros Eventos

Em suas reuniões mensais ao longo de 2013, o Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp debateu soluções para superar as dificuldades em logística e infraestrutura para escoamento da produção, entre outros temas pertinentes ao setor.

Dirigidas pelo presidente do Conselho, João de Almeida Sampaio Filho, as reuniões também foram ambientes de discussões e análises sobre os preços das commodities, o desempenho do setor agropecuário do Brasil no mercado internacional e a demanda por alimentos no país.

Durante um encontro em março deste ano, Sampaio Filho falou sobre a dificuldade de setores agropecuários em crescer frente aos obstáculos de logística. Segundo o presidente do Cosag,  “o problema da infraestrutura ainda não foi resolvido”.

“A gente percebe alguns setores enfrentando problemas. Talvez o tamanho [do resultado] tenha sido provocado por alguns outros acontecimentos, como a infraestrutura. A gente perdeu muita produção”, avaliou.

Na ocasião, Sampaio Filho afirmou que a queda de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário em 2012 era previsto, mas sua dimensão pode ter sido agravada por problemas com logística e infraestrutura.

 

Brasil deve ultrapassar EUA na produção de soja, garantindo 50% do mercado mundial

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp 

Se São Pedro ajudar, em 2023 a safra de soja brasileira deverá representar quase 50% das exportações mundiais. O Brasil só não irá ultrapassar o atual maior produtor do grão, Estados Unidos, – abrindo grande vantagem e tornando-se o maior fornecedor mundial – se for atingido por uma quebra de safra ocasionada, por exemplo, por uma intempérie climática. Os dados são do Outlook Fiesp 2023, estudo no qual a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) analisa o Agronegócio no Brasil e seus resultados para a próxima década.

Divulgado na manhã desta quarta-feira (16/09), o Outlook Fiesp 2023 examinou 18 commodities agropecuárias – entre elas, milho, carnes, lácteos, cana-de-açúcar, açúcar, etanol e complexo soja  – e traçou projeções de consumo doméstico, produção, exportação, importação, estoques e área plantada, para o ano de 2023.

>> Conheça  as projeções e tendências do  Outlook Fiesp 2023

“Os resultados para os principais produtos mostram a urgente necessidade de se estabelecer políticas públicas que ofereçam sustentação e estímulo frente ao grande potencial produtivo do Brasil”, explica o presidente da entidade, Paulo Skaf.

Isto porque o país precisa estar preparado para escoar toda produção do setor, como por exemplo, as 238 milhões de toneladas de grãos e as 32 milhões de toneladas de carnes previstas para 2023. “Se nossa estrutura atual já é insustentável, como será com um incremento de 30% na produção de grãos e 20% em carnes?”, questiona Skaf.

Ao avaliar a posição do Brasil frente à tendência de consumo internacional, o Outlook Fiesp 2023 também constatou que continuaremos sendo um país chave na oferta mundial de alimentos e ampliaremos a participação de mercado para a maior parte dos produtos avaliados.

O estudo, que será atualizado anualmente, traz ainda informações sobre importação e demanda de fertilizantes, dinâmica do uso da terra e consolidação das regiões produtoras.

Os resultados detalhados do estudo estão disponíveis para consulta e download no endereço www.fiesp.com.br/outlook.