Produtividade de grãos no Brasil pode crescer 10,3% em dez anos, mas poderia ser maior, aponta Outlook Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A produtividade média dos grãos cultivados no Brasil pode aumentar em 10,3% entre 2013 e 2023, apontam estimativas do Outlook Fiesp 2013. Mas o resultado poderia ser mais significativo, já que o governo, que interfere nos processos de novas tecnologias, como no registro de novas moléculas para os agroquímicos, está atrasado em relação à necessidade do setor.

A análise foi feita por Antônio Carlos Costa, gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divisão responsável pelo estudo, o qual reúne análises do setor nos últimos dez anos e projeta o cenário para a próxima década.

“Se a produção de grãos no futuro ocorresse com a mesma produtividade de hoje e com o mesmo pacote tecnológico, precisaríamos de 6,5 milhões de hectares a mais para  colher a mesma safra”, explicou Costa. “Esse ganho de produtividade (10,3%), no entanto, poupará essa área”, completou.

Acima da média mundial

Entre 2002 e 2012, a produção de soja no Brasil cresceu a um ritmo de 5% ao ano, enquanto o cultivo no mundo avançou 3,2%. Na safra 2013/14, o Brasil deve se consolidar como maior produtor mundial da oleaginosa. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita recorde entre 87,6 milhões a 89,7 milhões de toneladas.

Segundo o Outlook, a área ocupada por lavouras (cana, floresta plantada e lavouras de primeira safra) no Brasil deve chegar a 52 milhões de hectares em 2013 e aumentar para 61,5 milhões até 2023, o equivalente a um incremento de 9,5 milhões de hectares.

A área utilizada para pastagens, no entanto, deve diminuir de 182 milhões de hectares para 177,1 milhões em dez anos, cedendo o equivalente a 4,6 milhões de hectares para a agricultura. Costa acredita que a área poupada deve ser cedida ao cultivo de lavouras já que, para o produtor, a produção agrícola “é mais atrativa do ponto de vista econômico do que a pecuária”.

O gerente do Deagro explicou que o movimento, já iniciado no estado de São Paulo, leva a uma necessidade de incremento da produtividade, via intensificação do rebanho, para que o país continue abastecendo a demanda doméstica e o mercado internacional de forma adequada.

Costa: incremento da produtividade no agronegócio no estado e no Brasil. Foto: Vitor Salgado

“Toda região oeste do estado sempre foi muito tradicional em pecuária, mas aos poucos ela vem se transformando também em área de cana-de-açúcar, que se expande em trechos de pastagens”, explicou Costa. “É possível que, com investimentos em genética, manejo e recuperação de pastagens, no futuro a pecuária se torne mais atrativa em termos econômicos para o produtor, especialmente com uma maior intensificação do rebanho”, afirmou. Ele ponderou, no entanto, que, de forma geral, “o que existe hoje de concreto para o produtor pecuário é uma realidade de margens muito apertadas, o que tem levado à agricultura a avançar sobre essas áreas com pastagens, tendência que será mantida para os próximos anos”.

Papel do governo e preservação de áreas

Na avaliação do gerente de Agronegócio da Fiesp, a taxa de abertura de novas áreas para lavoura é “absolutamente decrescente” e isso tem relação direta com os ganhos de produtividade, como os observados na última década.

“A indústria química, por exemplo, está direcionando parte importante dos investimentos para a produção de sementes e agroquímicos cada vez mais seguros e eficientes no combate a pragas e doenças”, disse. “Tem sido notável o desempenho da indústria das máquinas e implementos agrícolas, que vem registrando um forte crescimento nos últimos anos”.

Na outra mão, para Costa, cabe ao governo interferir para agilizar os processos de liberação de novas moléculas e abrir caminho para tecnologias que permitam ampliar esses ganhos.

“A aprovação de moléculas para um produto químico, por exemplo, leva anos. Hoje você precisa da aprovação do Ministério da Agricultura, da Anvisa, do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama para a criação de uma nova molécula”, explicou. “Não se questiona a importância de uma análise rigorosa, no entanto, esse processo é tão lento que ele inibe muita vezes a inovação e, quando o produto é aprovado, chega sempre atrasado em relação às necessidades do setor”, criticou.

Para conferir essas e outras projeções no Outlook Fiesp 2013, só clicar aqui.