Política energética brasileira em debate na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A política energética brasileira e suas perspectivas foram alvo de debates, na quarta-feira (03/07), durante o seminário “O Futuro Energético e Geração Nuclear”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede da entidade. No evento, estiveram em discussão temas como os limites de uso da hidroeletricidade no país, com a adoção de sistemas como a energia nuclear, por exemplo.

A abertura oficial do encontro foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes para o setor. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O primeiro a se apresentar no seminário, o secretário do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, explicou que a prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos. No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura. Segundo ele, a alternativa para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo.

Também presente no evento, o chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar às características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

Moussallem: iniciativa privada pode ajudar. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussallem: iniciativa privada pode dar apoio para energia nuclear. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, foi outro a defender a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

Mais energia nuclear

A política energética brasileira pode valorizar mais a diversificação e o equilíbrio da oferta entre as diversas fontes energéticas que podem ser geradas no país. Inclusive com o maior uso de energia nuclear. A recomendação é da divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em estudo divulgado no seminário.

“Isso se refere a um quadro que entendemos que pode ser ampliado e melhorado”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador da FGV Projetos. Segundo o estudo, as reservas de urânio no país –matéria prima para geração de energia nuclear– em 2012 eram de 309 mil toneladas, com condição para manter dez usinas nucleares de 1.000 MW durante cem anos.  Mas as estimativas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta as condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

Alegando a necessidade de novos cálculos para aumentar a segurança da unidade, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, também presente no seminário, informou, em junho, que o início da operação da usina nuclear Angra 3 foi adiado de 2016 para 2018.

Quando 2040 chegar

No mesmo estudo da FGV apresentado no seminário, foi feita uma projeção da demanda por energia elétrica no Brasil em 2040, que pode chegar a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). O levantamento indica ainda que a utilização de energia nuclear no Brasil deve atender à demanda futura.

“Ficou claro que o sistema elétrico está em transição. E uma transição que tem dimensão econômica, energética e regulatória”, afirmou Mielnik  no seminário.

O maior consumo estimado seria se o país enfrentasse um cenário de crescimento anual de 2,5% até 2015 e posteriormente  de 5%.  Neste caso, a demanda por energia chegaria a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). “É claro que os recursos públicos não serão suficientes para suprir a demanda”, disse Mielnik. “Mas o setor privado poderia contribuir e inovar trazendo sua experiência”, concluiu.

Demanda por energia elétrica no Brasil pode chegar a 1,2 mi GW/h em 2040

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A demanda por energia elétrica no Brasil pode chegar a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh) em 2040, apontou estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado nesta quarta-feira (03/07), durante seminário sobre o assunto na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O prognóstico faz parte do levantamento Futuro Energético e a Geração Nuclear, elaborado pela FGV Projetos. O estudo indica que a utilização de energia nuclear no Brasil deve atender à demanda futura.

“Ficou claro que o sistema elétrico está em transição. E uma transição que tem dimensão econômica, energética e regulatória”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador de projetos da FGV, no seminário.

Mielnik: mudanças na geração elétrica no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Mielnik apresentou estudo no seminário: sistema elétrico está em transição no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Para projetar a condição do setor de energia elétrica no país em 2040, a FGV Projetos elaborou três cenários para direcionar os rumos do setor nos próximos anos.

Considerando um cenário de controle de mercado, no qual o crescimento econômico seria maior no curto prazo, a 4% ao ano até 2017, e menor no longo prazo, a 3%, o Brasil consumiria até 1,02 milhão gigawatt-hora (GWh) de energia elétrica.

Em cenário de racionalidade econômica, com um crescimento econômico inferior no curto prazo, a 2,5% ao ano –podendo alcançar patamares de expansão pré-crise, de 4% ao ano, posteriormente— o consumo brasileiro de energia chegaria a 1,1 milhão gigawatt-hora (GWh).

O maior consumo seria se o país enfrentasse um cenário de crescimento anual de 2,5% até 2015 e posteriormente a 5%.  Neste caso, a demanda por energia chegaria a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). “É claro que os recursos públicos não serão suficientes para suprir a demanda”, disse Mielnik. “Mas o setor privado poderia contribuir e inovar trazendo sua experiência”, concluiu.

Restrições orçamentárias podem limitar expansão da energia nuclear, aponta estudo da FGV

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A política energética brasileira pode valorizar mais a diversificação e o equilíbrio da oferta entre as diversas fontes energéticas que podem ser geradas no país. Inclusive com o maior uso de energia nuclear. A recomendação é da divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em estudo divulgado nesta quarta-feira (03/07), sobre o futuro da energia e a geração nuclear no Brasil.

“Isso se refere a um quadro que entendemos que pode ser ampliado e melhorado”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador da FGV Projetos, durante o seminário Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela fundação em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mielnik: mais opções de matrizes energéticas para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Mielnik: necessidade de desenvolver mais opções de matrizes energéticas para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Durante o encontro, a FGV divulgou um levantamento sobre o cenário atual e futuro da energia no Brasil, levando em conta a geração de energia nuclear.

Segundo o estudo, as reservas de urânio no país –matéria prima para geração de energia nuclear– em 2012 eram de 309 mil toneladas, com condição para manter dez usinas nucleares de 1.000 MW durante cem anos.  Mas as estimativas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta as condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

O documento da FGV afirma ainda que as restrições orçamentárias do governo podem frear a expansão do setor de energia nuclear, limitando número de usinas construídas que poderiam atender a essa demanda. Essa restrição, no entanto, pode ser superada com a participação do setor privado como investidor e concessionário na operação das plantas.

Alegando a necessidade de novos cálculos para aumentar a segurança da unidade, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, informou, em junho, que o início da operação da usina nuclear Angra 3 foi adiado de 2016 para 2018.