‘Temos que ter resultados’, diz diretor do Departamento do Mercosul em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Mercosul fortalecido, mercado integrado. Para debater formas de ajudar a fortalecer esse processo, foi realizada, na manhã desta quarta-feira (26/10), na sede da Fiesp, a reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da federação. Na pauta, as informações mais atualizadas sobre o acordo, destacadas pelo diretor do Departamento do Mercosul (MRE), o diplomata Otavio Brandelli. Participaram do encontro o presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, o coordenador das atividades dos conselhos superiores temáticos da Fiesp, embaixador Adhemar Bahadian e o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e vice-presidente do Coscex, Thomaz Zanotto.

“Mercosul fortalecido, mercado integrado, esse é foco”, explicou Brandelli. “Temos marcada para a última semana de novembro uma reunião sobre o plano de ação para o fortalecimento do acordo”.

Segundo Brandelli, há pontos a serem observados no âmbito de todos os países participantes. “No Brasil, há reclamações de demora nos registros de comercialização nos órgãos competentes”, disse. “No Paraguai, de excesso de burocracia e demora nas licenças”.

No Uruguai, conforme o diplomata, há restrições à carne, às aves e às frutas do Brasil. E em relação aos medicamentos importados, cada lote deve ser submetido à análise, sem o conceito de amostragem. E assim por diante. “O Uruguai, por seu lado, se queixa de demora na entrada de caminhões na fronteira do Chuí”, afirmou. “Precisamos trabalhar todos esses pontos sem preconceito”.

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Brandelli (o segundo a partir da esquerda): muitos pontos a serem discutidos "sem preconceitos". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


De acordo com Brandelli, em sua primeira década, o Mercosul teve foco na harmonização regulatória, com “legislação em excesso”. “Hoje há uma morosidade para aprovar novas normas, o processo decisório depende de consenso: basta um país ser contra para uma determinação não ser aceita”, explicou. “É o caso de avaliar a adoção de medidas diferenciadas, considerar acordos bilaterais dentro do bloco, pensar numa abordagem mais pragmática”, disse. “Isso pode dinamizar o Mercosul”.

Próximos passos

Assim, daqui por diante, o foco está em pontos como a facilitação de investimentos. “O Brasil chegou a negociar com Colômbia e Peru, mas nada estruturado no âmbito do Mercosul”, disse Brandelli. “Outro eixo de discussão é o acordo de compras governamentais e contratações públicas”.

Outra meta é incluir o açúcar no tratado. “O produto não tem porque continuar excluído”, afirmou. “Nenhum setor deve ser excluído”.

Por fim, a meta é trazer de volta ao centro das discussões o foco “econômico-comercial” do tratado. “Precisamos atacar a existência de barreiras comerciais de forma pragmática: temos que ter resultados”, explicou.

Após a apresentação do diplomata, o embaixador Rubens Barbosa destacou a necessidade de o Brasil exercer a liderança do bloco. “Precisamos apresentar propostas, ir atrás”, afirmou. “Gosto da volta da prioridade comercial, o Mercosul é um tratado econômico”.

Para o também embaixador Adhemar Bahadian, há motivos para ter esperanças. E a ideia de buscar a facilitação de investimentos é uma “criação brasileira”. “Estou mais otimista”.

Segundo o diretor titular do Derex e vice-presidente do Coscex, Thomaz Zanotto, “o Brasil vai precisar de muito investimento externo”. “Temos que pensar numa agenda mais pragmática”, afirmou.