Brasil precisa de plano de Estado para incentivar produção e consumo sustentáveis, diz dono da Osklen na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil precisa de um projeto de estado para alavancar o consumo local e internacional e a produção de mercadorias sustentáveis, um segmento que configura o novo mercado de luxo, avaliou o empresário Oskar Metsavaht. Ele é fundador da Osklen, marca de roupas e acessórios desenvolvida no Rio de Janeiro. Com produção 90% brasileira, a empresa está entre as seis companhias nacionais mais conhecidas no exterior. O empresário foi o convidado da reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta terça-feira (24/09).

Médico de formação, mas “artista de espírito”, como se auto-intitula, Oskar acredita que o potencial comercial do Brasil esteja no posicionamento de marcas com o “valor” do país traduzido em produtos sustentáveis. “Mas se não houver um plano de estado com a participação da indústria, do governo e da sociedade que viabilize esse mercado, o Brasil vai perder o momento”, disse.

“A gente tem de voltar todos os nossos esforços para fazer um projeto nacional de conscientização do produto brasileiro de origem sustentável”, explicou. “Os Estados Unidos souberam fazer, a China está fazendo e nós estamos perdendo tempo”, afirmou Oskar.

Oskar: projeto nacional de conscientização do produto brasileiro de origem sustentável. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Oskar: projeto nacional para o produto brasileiro de origem sustentável. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O empresário reconhece, no entanto, que uma mercadoria de origem sustentável, como uma camisa feita com algodão orgânico, acaba saindo mais caro ao consumidor por ser um produto inovador, já que não é produzida em escala. Mas, para vencer esse obstáculo, é preciso que exista uma parceria entre o governo, as empresas e sociedade.

“Um produto sustentável é 30% mais caro, e quem vai bancar isso? A gente repassa para o produto, mas o consumidor também não pode bancar sozinho”, afirmou. “Eu gosto pensar em tripé. Se nós empresários investirmos 10%, acreditando que é um investimento, se a sociedade topar pagar 10%, sabendo que ela está ajudando a transformar e que se trata de luxo, e se o governo desonerar essa terceira parte com incentivos, temos um projeto de estado”, propôs.

Nobreza

Embaixador da Boa Vontade da Unesco, Oskar acredita que as preocupações com preservação do planeta e com o estilo de vida são “os valores nobres” deste século.

“O mundo quer que saibamos preservar o que nós temos e isso é um ativo maravilhoso para nós. É uma imagem”, afirmou.

A reunião do Cosema foi conduzida pelo presidente do Conselho, Walter Lazzarini. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião do Cosema foi conduzida pelo presidente do Conselho, Walter Lazzarini. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Na opinião do empresário, falta ao Brasil criar produtos e marcas que representem o espírito do brasileiro, independentemente da condição social.

“A alma brasileira é nobre, mas isso só fica na fitinha do Senhor do Bonfim e nas Havaianas. Por que elas são nossos símbolos? Porque são as únicas coisas apontadas como comuns entre as classes sociais”, explicou.

O debate foi conduzido pelo presidente do Cosema, Walter Lazzarini.