Região metropolitana de SP pede plano integrado para uso racional de recursos naturais

Agência Indusnet Fiesp

Ivanildo Hespanhol, do Cirra. Foto: Vitor Salgado

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) realizaram, na última quarta-feira (14), o workshop “Disponibilidade de água para o setor produtivo”, que contou, ao longo dos debates, com painel específico sobre “Os desafios do atendimento das demandas setoriais de água”.

As palavras-chave foram conservação e reúso de água. Entre os participantes houve consenso quanto à necessidade de equilibrar o sistema de abastecimento na região metropolitana. À frente do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), Ivanildo Hespanhol abriu o debate enfatizando que “é preciso implantar políticas e legislações específicas”.

Hespanhol explicou o descompasso existente: São Paulo conta, somando todos os seus sistemas, com 70 metros cúbicos por segundo e vazão média de 65 metros cúbicos por segundo. A capacidade de tratamento instalada das cinco estações hoje é de 18 metros cúbicos por segundo, mas apenas 13,5 metros cúbicos por segundo são submetidos a efetivo cuidado.

Dilma Seli Pena, secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo. Foto: Vitor Salgado

“Hoje não temos condições de equilibrar a produção de esgoto com os investimentos atuais que são feitos em tratamento. Esse aspecto é insustentável”, criticou Hespanhol, apontando um dos grandes entraves: a falsa cultura de abundância, pois há muita água na região Norte e alta demanda na Sul.

Dilma Seli Pena, secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, rebateu a crítica ao lembrar que se fez um investimento contínuo nos últimos quinze anos, mas concorda que é preciso estudar a possibilidade de uso de novos mananciais em uma visão integrada da macrometrópole.

Hespanhol relacionou outros fatores perniciosos, tais como impactos climáticos e elevação do nível dos oceanos, além de sua crescente salinidade comprometendo qualidade e uso. O resultado será a proliferação de espécies tóxicas (algas) e exóticas.

João Gilberto Lotufo Conejo, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA). Foto: Vitor Salgado

O mapa da equação a ser resolvida foi apresentado por João Gilberto Lotufo Conejo, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), com o Atlas de Abastecimento Urbano, lançado no ano passado, identificando alternativas a longo prazo tanto de oferta como de demanda, no Brasil, até 2025.

Conejo também fez a defesa de um macroplanejamento e soluções integradas, em São Paulo, envolvendo os setores públicos e privados a fim de estabelecer limites pactuados, e solicitou a inclusão deste complexo assunto na agenda política.

A secretaria Dilma Pena sinalizou o esgotamento dos recursos naturais e enumerou os principais investimentos em curso na área de saneamento:

  • Córrego Limpo (R$ 191,85 mi);
  • Onda Limpa (R$1,9 bi);
  • Água Limpa (R$ 482,4 mi);
  • Parque Várzea do Tietê (R$ 381 milhões em sua primeira etapa), fundamental para contenção de enchentes;
  • Programa Mananciais (R$ 1,3 bi);
  • Projeto Tietê (R$ 2,1 bilhões em sua terceira fase).

 

Pirâmide invertida

O Brasil possui de 12% a 14% de água do planeta Terra, com mais de 70% do total concentrados na região Amazônica e apenas 1,6% em São Paulo, apesar de o Estado concentrar 1/3 do Produto Interno Bruto (PIB), 2,4% do território e mais de 22% da população brasileira.

Confira nos links abaixo as palestras na íntegra (arquivos em pdf):