A cada nota, uma emoção e um motivo de orgulho

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Orgulhosos do trabalho que realizam nos palcos, levando música da melhor qualidade a públicos variados, os músicos da Orquestra Filarmônica Senai-SP, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), lembram momentos especiais de sua participação no projeto.

Assim, acompanhe abaixo um pouco do muito que eles já viveram entre um acorde e outro.

“Me sinto honrado de fazer parte de um corpo musical jovem tão rico e diversificado. Cada um de um canto de São Paulo, de um Senai diferente, com um estilo diferente. É justamente essa diversidade de talentos que me faz sentir orgulho de tocar na Orquestra.

Para citar um momento apenas, a apresentação feita para um público enorme (não me recordo quantas pessoas) na Sala São Paulo, na capital, foi uma das experiências mais marcantes que eu tive, não só no Senai, como também na vida. Tenho na Orquestra Filarmônica do Senai-SP a minha segunda família”.

Diego Ribeiro de Moraes, de 24 anos. Toca violino na orquestra desde os 16

“Uma apresentação especial foi quando tocamos no Anhembi, em São Paulo, na Olimpíada do Conhecimento, para 2.500 pessoas.  Num determinado momento, o público começou aplaudir com muito entusiasmo, foi uma sensação inesquecível”.

Sérgio Henrique Corrêa Cardoso, de 31 anos. Toca percussão na orquestra há cinco anos

“Antes de começar um ensaio, eu e mais um amigo do violoncelo, Leonardo Salles, estávamos tocando umas músicas populares. Nisso, o Maestro chegou e ficou observando. Depois, ele comentou que eu estava tocando muito bem, elogiou a minha postura, a afinação, o timbre, me incentivando a procurar aulas particulares de violino. Isso me deixou muito contente, afinal, cheguei à orquestra sem nenhum curso ou aula de música, nunca tive condições de pagar estudos particulares. Para mim, todos os concertos são especiais! Minha alegria é ensaiar e esperar a próxima apresentação.”

Pedro Godoy, de 18 anos. Toca violino e tem dois anos de orquestra

“Vi a orquestra evoluindo e cresci muito na questão musical e social desde que entrei no projeto, sempre tendo o incentivo do maestro e dos colegas instrumentistas.

A apresentação que mais me emocionou até hoje foi aquela feita no velório de um flautista da orquestra. Não me emocionei apenas por ele ser um amigo, mas por ver como o maestro e o grupo não mediram esforços para dar esse último adeus a ele, realizando o pedido da família. Nesse dia, toquei de um jeito diferente:  a cada trecho uma lágrima escorria no meu rosto. Foi um momento inesquecível”.

Aline Silva Gonçalves, de 20 anos. Toca violino e está na orquestra há seis anos

“A música esteve presente na minha vida desde a infância. Aos seis anos de idade, comecei a estudar para tocar violino. A ideia de ingressar em uma orquestra jovem, integrada ao Senai e que fornecesse a oportunidade de aprofundar-me ainda mais no estudo musical acompanhando, também, o meu estudo técnico profissional, alegrou-me imensamente.

Para mim, tocar em um grupo tão grande requer valores bastante complexos, tais como o trabalho em equipe, o respeito e a confiança no próximo, entre outros. Formei-me no curso de Mecânica Automobilística em dezembro de 2010, na Escola Senai Mariano Ferraz, e sou, até hoje, componente da Orquestra Filarmônica Senai-SP”.

Murillo Amorim costa, de 20 anos, violinista na filarmônica desde 2010

“Foi uma experiência especial tocar na Olimpíada do Conhecimento, no Anhembi. Ao terminar um solo, o reconhecimento da plateia veio com uma calorosa salva de palmas.  Me senti realizado como músico. Em outra ocasião, quando a minha família foi me ver tocar pela primeira vez, sem saber que era em uma orquestra com mais de 50 membros, recebi muitos elogios”.

Rodrigo Peixoto Guimarães, de 26 anos, toca sax tenor e ingressou no grupo em 2009

“Ainda me lembro do dia que o maestro Thomaz Ferreira Martins passou nas salas de aula, convocando os alunos com conhecimento em música para prestar um teste prático e teórico, possivelmente para participar do projeto da orquestra. Fiquei muito feliz com esta oportunidade, pois tocava na igreja e sempre tive vontade de participar da Banda do Senai, onde não havia vagas para violino. Fui aceito, mesmo sendo músico iniciante.

A orquestra foi um diferencial em minha vida, despertava e ainda desperta interesse das pessoas do meu círculo de amizades, sempre compartilhei as emoções e lições que tirava do projeto.

Atualmente moro nos Estados Unidos. E isso porque, novamente, o Senai teve participação na minha vida, me indicando para uma vaga de emprego aqui, no ramo de ferramentas de corte, onde estou participando de um treinamento que durará um ano. Depois, devo voltar para ajudar a implementar uma empresa no Brasil. Infelizmente, tive que sair da orquestra por um período, mas estou ansioso para voltar o mais breve possível.

Para que eu não ficasse sem tocar, o maestro Thomaz redigiu uma carta de apresentação contando sobre minha participação na iniciativa, o que facilitou a minha entrada na Tuscarawas Philharmonic Orchestra, com sede em New Philadelphia, Ohio e na Alliance Simphony Orchestra, com sede em Alliance, também em Ohio. Já participei de cinco concertos com estas orquestras, que também contribuíram muito para meu crescimento cultural e musical”.

Deyvid Raniere, de 26 anos, violinista. Ingressou na orquestra em 2006 

Os músicos da Orquestra Filarmônica Senai-SP com o maestro Thomaz Ferreira Martins: envolvimento e orgulho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Os músicos da Orquestra Filarmônica Senai-SP com o maestro Thomaz Ferreira Martins: envolvimento e orgulho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Orquestra Filarmônica Senai-SP: quando a música é o melhor presente

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Muito obrigado. Ver vocês foi o melhor presente que eu já recebi na vida”. O agradecimento, ouvido pelo maestro Thomaz Ferreira Martins, em março de 2014, veio de um gari. E logo após uma apresentação da Orquestra Filarmônica Senai-SP, iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) por ele tocada. O concerto aconteceu numa empresa de coleta de lixo em Osasco, na Grande São Paulo, como parte das comemorações do dia dos coletores.

Além de emocioná-lo até hoje, aquelas palavras resumem o principal objetivo da orquestra. “A nossa função é levar a arte para perto das pessoas, aproximar algo que parece distante”, explica Martins. “Muita gente ainda tem medo de ir a um concerto por falta de roupa adequada ou por não saber qual a hora certa de aplaudir”.

Exatamente para quebrar barreiras, a Orquestra Filarmônica Senai-SP foi criada em 2006, desde sempre sob a orientação do maestro Martins, responsável pelo projeto pedagógico da iniciativa. Atualmente, 75 músicos formam o grupo, sendo estimulados com aulas de instrumento, música de câmara e teoria musical. São todos alunos ou ex-alunos do Senai-SP, com ensaios realizados na Escola Senai “Roberto Simonsen”, no Brás, na capital.

O maestro Martins e os integrantes da Orquestra Filarmônica Senai-SP: com aulas de instrumento, música de câmara e teoria musical. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O maestro Martins e os integrantes da Orquestra Filarmônica Senai-SP: com aulas de instrumento, música de câmara e teoria musical. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Tivemos 200 interessados somente nessa escola quando abrimos as primeiras fichas de inscrição”, conta Martins. “Fiquei surpreso e ali quebrei qualquer ideia pré-concebida sobre o fato de trabalhar com música ao lado de profissionais da indústria, do chão da fábrica: o que vale é a sensibilidade de quem está ali tocando”.

De acordo com o maestro, a Filarmônica é uma das únicas no Brasil vinculadas a uma instituição de ensino que não seja um conservatório, escola de música ou projeto social. “Somos uma orquestra jovem, com repertório de peso. Não conheço outra entidade educacional que tenha um plano consolidado como o nosso”.

Fanfarra

O projeto que hoje encanta as plateias é fruto de toda uma tradição do Senai-SP na área musical. “Temos o registro de uma fanfarra na escola desde 1948”, conta Martins. “Depois, em 1990, essa fanfarra se transformou numa banda marcial, que existiu até a formação da orquestra”.

Beethoven na igreja

Ponto fundamental para entender o sucesso do grupo, o envolvimento dos músicos é destacado por Martins. “Até os amigos e as famílias se envolvem”, conta. “Esses jovens levam a música para a sua vida, falam de Beethoven na igreja, no bairro, colaboram para a formação de público”.

Martins: “Até os amigos e as famílias se envolvem”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Martins: “Até os amigos e as famílias se envolvem”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Prova desse vínculo, o maestro lembra, comovido, de uma apresentação feita no velório de um flautista do grupo, falecido aos 17 anos, em decorrência de uma hidrocefalia. “Ele foi sepultado com o uniforme da orquestra e, naquela hora difícil, seu pai ainda veio me agradecer por tudo o que nós tínhamos feito pelo filho”, diz. “A música era a felicidade dele e aquela família vai guardar a lembrança dele tocando conosco, feliz”. Uma recompensa que, segundo Martins, “vale o trabalho de uma vida”.

Quem quiser acompanhar a Filarmônica do Senai-SP deve ficar atento às apresentações do grupo, normalmente realizadas duas vezes por mês, nos teatros do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) no estado (veja abaixo as datas dos próximos concertos).

No repertório da temporada 2013 e 2014, compositores como Beethoven, Schubert, Strauss e Debussy, entre outros.

A quem interessar possa, jeans no vestuário e aplausos em cena aberta estão liberados. “Já fui a muitos concertos de jeans e camiseta quando era estudante”, conta Martins. “E acho que, se deu vontade, tem que mais é que aplaudir mesmo:  a arte deve estar ao alcance de todos”.

Serviço

Confira as próximas apresentações da Orquestra Filarmônica Senai-SP

13 de Setembro – Teatro do Sesi em Itapetininga

Horário: 18h

Endereço: Avenida Padre Antônio Brunetti, 1360

27 de Setembro – Teatro Sesi Amoreiras– Campinas

Horário: 18h

Endereço: Avenida das Amoreiras, 450, Parque Itália

11 de Outubro – Teatro do Sesi Indaiatuba

Horário: 18h

Endereço: Avenida Francisco de Paula Leite, 2701

01 de Novembro – Teatro Municipal de Mairiporã

Horário: 20h

Endereço: Avenida Tabelião Passarella, 850, Centro

Mais informações sobre a orquestra:

https://www.facebook.com/OrquestraSenai

‘A Madrinha Embriagada’ pode fazer com que mercado de teatro musical no Brasil cresça, diz maestro do espetáculo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Regente, compositor e educador musical, Carlos Bauzys é o responsável por preparar o coro, os solistas e a orquestra do espetáculo “A Madrinha Embriagada”, uma adaptação do musical da Broadway, “The Drowsy Chaperone”, montada por iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).  A novidade: neste espetáculo, os treze músicos que compõem a orquestra vão ficar suspensos. Eles são parte do cenário.

Segundo Bauzys, a ideia de construir um mezanino para a orquestra em pleno cenário vai além da estética e é fruto da intenção de recrutar um novo público para o teatro musical no Brasil.

Bauzys: ideia de construir um mezanino para a orquestra vai além da estética. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bauzys: ideia de construir um mezanino para a orquestra vai além da estética. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“A ideia é mostrar que tem uma orquestra tocando, já que as pessoas tendem a achar que é um playback”, diz o maestro. “A música ao vivo faz toda a diferença, deixa o espetáculo mais vivo, mais teatral”, explica.

Geralmente, a orquestra, o pulso de qualquer teatro musical, se abriga em um fosso, uma área construída entre a plateia e o palco, abaixo do nível da plataforma. Quanto mais longe o assento do palco, menor a visibilidade dos músicos e do maestro.

A ideia de deixar a orquestra suspensa sobre os atores em cena cumpriu a missão didática de aproximar o musical de um novo público, mas também resolveu um problema de espaço. “Quando o teatro não tem fosso, a gente tem de dar outro jeito. Ou fica no palco, ou nos cantos da plateia, ou no mezanino. Neste caso, foi feito um mezanino”, conta Bauzys.

Enquanto os atores contracenam e cantam, luzes coloridas refletem a silhueta dos músicos e dos seus instrumentos em dois mezaninos separados. Sem luz, as estruturas são apenas a continuação de um papel de parede azul claro das paredes do cenário, um apartamento no centro de São Paulo nos anos 1920.

Os músicos de "A Madrinha Embriagada": no palco, como parte do cenário. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os músicos de "A Madrinha Embriagada": no palco, como parte do cenário. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

“É toda uma engenharia para a coisa funcionar ali”, conta o diretor musical do espetáculo. “Para os músicos da esquerda ouvirem os da direita eles precisam estar com fone, os músicos da direita têm uma TV para acompanhar a regência, que fica no mezanino esquerdo do palco”, explica Bauzys.

Responsável por guiar os músicos, a maestrina acompanha cena por cena em outro aparelho de TV. O musical é transmitido por uma câmera instalada atrás da plateia.

Para Bauzys, a exibição da orquestra, a simplicidade didática do espetáculo e a vontade dos artistas em promover o teatro musical em cada cena pode contribuir para mudar a cena artística nacional na área. “Esse espetáculo foi um acerto no sentido de formação de público porque é um musical que fala de musicais. E se dirige a todo o tipo de público, é bem resolvido”, afirma o maestro.

“A Madrinha Embriagada” faz parte do Projeto Teatro Musical, do Sesi-SP, que deve capacitar novos atores com um curso de formação de três anos, descobrindo talentos por meio de oficinas de vivência na área e contribuindo para motivar a formação de um público para o gênero.