Oriente Médio é mercado acessível para indústria de alimentos do Brasil, diz gerente de empresa dos Emirados Árabes

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

II Encontro Internacional de Castanhas e Nozes - Ivan Moraes. Foto: Everton Amaro

Ivan Moraes, gerente da Rafi Agrifoods Internacional. Foto: Everton Amaro

Por não ter uma oferta generosa de recursos naturais como o Brasil, países do Oriente Médio investiram em obras de infraestrutura para receber alimentos importados de outros países e suprir a forte demanda na região por comida.

A condição desses países se configura como uma oportunidade de mercado para um segmento da indústria brasileira de alimentos: a produção de nozes e castanhas.

A avaliação é de Ivan Moraes, gerente da Rafi Agrifoods Internacional, empresa de alimentos dos Emirados Árabes, ao participar do II Encontro Internacional de Castanha, Nozes e Frutas Secas, evento realizado na manhã desta quarta-feira (08/05) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Os portos da região têm excelente infraestrutura. Jebel Ali, por exemplo, está entre os cinco portos mais movimentados do mundo”, disse Moraes sobre o porto de Dubai, que abriga ao menos 5.500 companhias que prestam serviços para mais de 120 países.

Outro aspecto que pode representar oportunidade de mercado para o produtor brasileiro é o olhar atento à alimentação por parte do povo e de governos da região, acrescentou Moraes.

“Em se tratando de alimento, os governantes viabilizam e facilitam o acesso a comida, principalmente para a população mais carente. É muito pouco provável você ver alguém passar fome lá”, contou.

Cultura

Moraes afirmou que refeições fartas são hábito da população do Oriente Médio, onde as famílias costumam ser numerosas. Além disso, a censura a costumes ocidentais como beber acompanhado por amigos  faz com que as reuniões sociais sejam acompanhadas de mesas fartas.

“Na Arábia Saudita, por exemplo, é proibido cinema, a mulher não pode dirigir, é proibido [o consumo de] álcool. Então as pessoas se reúnem com muita facilidade e o grande prazer deles é comer”, disse Moraes. “Come-se muito no Oriente Médio.”

O consumidor árabe dá preferência para embalagens maiores, afirmou o gerente. “É muito comum encontrar pacote de arroz de 20 quilos no supermercado.”

Ele explicou que a população dessa região é receptiva a novidades desde que o produto respeite as exigências do mercado Halal, formado por mulçumanos que consomem apenas produtos industrializados que seguem os padrões da lei islâmica.

Segundo Moraes, os produtos devem ser preparados com ingredientes puros e limpos, isentos de qualquer tipo de droga e álcool e sem origem animal.