Comsaude/Fiesp discute parceiras público-privadas

Especialistas e empresários discutem Parcerias Público-Privadas no setor hospitalar

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

O ciclo de palestras do Programa de Gestão Hospitalar promovido pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Fiesp, realizado na quinta-feira (29/03) na sede da federação, recebeu especialistas e empresários para discutir as Parcerias Público-Privadas (PPP) no setor.

O evento contou com as apresentações de Mariana Baleeiro Martins Carrera e Ana Maria Malik (ambas da Fundação Getúlio Vargas), Nacime Salomão Mansur (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), Mara Souza (Secretaria de Estado da Saúde da Bahia), Eduardo Portella (Comsaude) e Wladimir Taborda (USP).

A palestra, didática e rica em informações e dados sobre o desenvolvimento no Brasil da modalidade de PPPs para gestão de organizações públicas, mostrou as diferentes vantagens na adoção do modelo pela simplificação dos processos, o que eleva a qualidade dos serviços e a otimização dos recursos disponíveis.

No entendimento de alguns participantes, a incorporação da PPP na prática da gestão hospitalar é muito lenta. Palestrantes manifestaram que os avanços são animadores e que o tempo necessário para a maturação é apropriado, apesar de apenas uma organização sob este modelo funcionar no Estado da Bahia, por meio da gestão do Hospital do Subúrbio da Secretaria da Saúde. De acordo com as informações apresentadas por Mara Souza, representante do secretário de Saúde daquele estado, o governo baiano está satisfeito com os resultados.

Público presente ao ciclo de palestras do Programa de Gestão Hospitalar, realizado pelo Comsaude/Fiesp. Foto: Helcio Nagamine

Público presente ao ciclo de palestras do Programa de Gestão Hospitalar, realizado pelo Comsaude/Fiesp

O modelo em estudo pela prefeitura de São Paulo a ser adotado na área da saúde foi criticado e recebido com ceticismo, já que a proposta pela qual a administração municipal se inclina a adotar prevê a entrega da gestão em PPP para as atividades de apoio e acessórias e às atividades assistenciais pela administração direta.

De acordo com Genésio Antonio Korbes, coordenador adjunto do Comsaude e organizador do evento, certamente este modelo caminhará para o fracasso, pois serão dois comandos independentes a gerir a organização. “Peter Drucker, o pai da administração, cunhou esta situação: o monstro de duas cabeças, quando a organização tem o seu comando pulverizado”, analisou Korbes.

Para o coordenador, ficou evidenciado nos debates que o modelo precisa ser mais bem discutido e avaliado. Entretanto, a sua prática com informações e dados apresentados, com a participação da iniciativa privada na gestão, são incontestáveis e certamente quando adotado em larga escala gerará retornos econômicos, financeiros e principalmente de resolutividade e de qualidade importantes.