Seminário na Fiesp debate fraudes na indústria

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Realizado na manhã desta quarta-feira (31/10), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o seminário Fraudes na Indústria apresentou os conceitos, ameaças e estratégias de prevenção de fraudes cometidas contra a indústria e seus componentes financeiros e de pagamentos.

O evento foi coordenado pelos diretores do Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp, Ricardo Franco Coelho e Fernando Só e Silva, que ressaltaram a missão do Deseg, de atuar em prol da melhoria da segurança empresarial e pública do Estado de São Paulo.

“Esse encontro é importante para que as pessoas se conheçam, façam network, troquem informações sobre as melhores práticas, o que está dando certo, o que não está dando certo, e levar para as organizações”, explicou Coelho.

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Da esquerda para a direita: Paulo Roberto Hummel (consultor da FGV), Ricardo Franco Coelho (diretor do Deseg) e Fernando Só e Silva (diretor do Deseg), na abertura do seminário. Foto: Everton Amaro

Na visão do diretor, o tratamento da fraude é um problema corporativo e estratégico. “A posição estratégica da organização representa uma aliança interna importante”, afirmou.

O consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), João Peres, falou sobre os riscos e fraudes corporativas e explicou que a empresa tem certeza de que, num cenário de fraude, ela será lesada.

“Jeitinho brasileiro”

“Não existe fraude sem haver um processo de corrupção vinculado”, alertou Peres. Para ele, o ‘jeitinho brasileiro’ é uma percepção de que a corrupção já faz parte da nossa sociedade: “Existe embutida na consciência coletiva a concepção de que se poder agir por meio da corrupção”.

Ao apresentar dados estatísticos de uma pesquisa realizada pela KPMG, Peres informou que a perda financeira das empresas brasileiras e americanas em fraudes representa 5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos respectivos países. E que 74% das empresas da América Latina disseram ter prejuízo com fraudes, sendo que corrupção e suborno representam 79% deste índice.

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João Peres, consultor da FGV: 'Não existe fraude sem haver um processo de corrupção vinculado'. Foto: Helcio Nagamine

O consultor da FGV alertou para o fato de que as fraudes também são cometidas por pessoas de alto escalão nas organizações e lembrou que “não existe corrupção de governo que tenha não envolvimento de empresa privada”.

No seu entendimento, quem produz a fraude é o ser humano, que, portanto, precisa ser avaliado, compreendido e direcionado. “Todo ser humano se adapta à sociedade onde vive”, afirmou, mencionando que, atualmente, as empresas investem 40% do seu orçamento em tecnologia, 50% em processos e apenas 10% em pessoas.

“O programa de prevenção de fraudes deve mexer diretamente com o material humano. E a parte mais difícil é mostrar as vantagens de ser honesto”, sublinhou.

Peres também ressaltou a importância de uma política de transparência, chamada de speak up, que permite denúncias de outros colaboradores, preservando suas identidades. “Essa transparência dá credibilidade à organização”, esclareceu. “A moralidade corporativa brasileira está em baixa”, alertou, lembrando que “nenhuma mudança acontece sem governança”.

Prevenção

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Renato Almeida dos Santos, gerente de ética da ICTS: 'Cabe à organização prevenir fraudes e não apenas delegar isso aos gestores'. Foto: Everton Amaro

O gerente de ética da ICTS Internacional, Renato Almeida dos Santos, explicou como a compliance pode ser uma ferramenta de prevenção da fraude organizacional.

Ao mostrar uma pesquisa, Santos afirmou que dentro das corporações, 13% dos colaboradores agem de forma antiética, 60% agem conforme o ambiente e 27% não agem de forma antiética.

Para ele, as organizações não podem focar apenas nas minorias, mas devem influenciar positivamente a maioria. “É possível ensinar ética aos colaboradores, pois, na percepção deles, a organização tem o poder. Cabe a esta prevenir fraudes e não apenas delegar isso aos gestores”, afirmou.

Na opinião do gerente da ICTS, as empresas precisam de uma gestão integrada de ética, com um comitê e um gestor responsável. Ele ressaltou que a posição da organização em relação aos colaboradores é determinante e que ela deve buscar suas vulnerabilidades de processos antes dos colaboradores com tendências antiéticas, a fim de prevenir o problema.

Além disso, enfatizou a necessidade de se investir mais recursos para o momento da contratação dos colaboradores, a fim de evitar problemas futuros, já que, segundo ele, uma das maiores causas da fraude é a competitividade no ambiente de trabalho. “Dinheiro não é o único motivador das fraudes, existem muitos outros, como status, por exemplo”, apontou.

FGV usa ‘observatório de câmbio’ para calcular desalinhamentos cambiais

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Vera Thorstensen, professora e pesquisadora da EESP/FGV

Ao contrário de Suíça e Brasil, os Estados Unidos sempre passam a imagem de país com moeda estável, e isso não é verdade, segundo Vera Thorstensen, professora e pesquisadora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV).

Durante o semimário “Impactos do câmbio sobre o comércio internacional”, realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (24), Vera informou que a FGV acaba de lançar o Observatório da Taxa de Câmbio. A ferramenta tem como objetivo estimar uma taxa de câmbio de equilíbrio para diversos países, a partir de metodologias alternativas existentes na literatura, para avaliar a robustez dos resultados.

“Agora podemos mostrar o que o FMI [Fundo Monetário Internacional] esconde – e não apenas os dados dos países que permitem”, afirmou a pesquisadora da FGV, ao explicar que o sistema é extremamente sofisticado na verificação de moedas, valorizadas ou não.

“Esta é uma das metodologias. E o que queremos mostrar é que quem estava desvalorizado, valorizou, e vice-versa; o jogo do comércio varia conforme o passar do tempo”. De acordo com Vera, nesta avaliação, os Estados Unidos atualmente estão com o câmbio mais desvalorizado que o da China.

Durante sete anos em que o Brasil esteve com a moeda valorizada, segundo a professora, o país anulou completamente a defesa que tinha na área de tarifa e os direitos que negociou na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Isso é o que foi feito nos últimos oito anos, quando valorizou sua tarifa”, apontou.

Os países com câmbio valorizado, como o Brasil, apontou a pesquisadora, reduzem ou mesmo anulam os direitos tarifários negociados na OMC. Já os países com câmbio desvalorizado (EUA, Índia, China) subsidiam exportações.

“Desalinhamentos cambiais significativos e persistentes afetam a eficiência dos instrumentos de política comercial negociados na OMC. Portanto, devem ser por ela regulados”, sublinhou Vera Thorstensen.