Sesi-SP promove campanha pela saúde auditiva; tráfego urbano é o grande vilão

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Conscientizar a população sobre os riscos dos ruídos e a importância dos cuidados com a audição. Este é o objetivo principal da primeira Campanha de Saúde Auditiva do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). A programação de dois dias teve início na manhã desta quinta-feira (27/03) com palestras, exibição de vídeos e atividades interativas, prosseguindo até sexta-feira (28/03).

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Especialistas falaram sobre fatores que causam perda da saúde auditiva. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Para abrir o evento, os especialistas Davi Akkerman, Ana Cláudia Fiorini e Alice Penna apresentaram diferentes aspectos da saúde auditiva.

Akkerman, presidente da Associação Brasileira para Qualidade Acústica – ProAcústica, falou sobre o problema da poluição sonora urbana, que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é o segundo pior tipo de poluição no planeta, perdendo apenas para o ar.

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Davi Akkerman: “Nossa cidade vive em um caos de ruído”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para Akkerman, o grande vilão da poluição sonora nas grandes cidades é o tráfego urbano. “Existe uma série de medidas importantes que podem ser tomadas, como a redução do número de veículos pesados circulando em áreas residenciais, alteração do tipo de pavimentação utilizada na rua, redução do limite de velocidade, incentivo ao ciclismo, pedestrianismo e todo tipo de ecomobilidade”, explicou o presidente da ProAcústica, que criticou a ação do poder público nessa área e alertou também para a necessidade de campanhas educativas.

“Nossa cidade vive em um caos de ruído e nunca se prestou atenção para isso. O Psiu é um órgão público que está mais interessado em fiscalizar casas noturnas e bares, mas isso é muito pouco frente à grande quantidade de ruído que é gerado em todas as ruas e avenidas expressas da cidade”, completou Akkerman.

Perdas auditivas

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Ana Claudia Fiorini: irritabilidade, stress, distúrbios do sono podem ter relação com ruído. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para falar sobre perdas auditivas induzidas por níveis de pressão sonora elevados, a convidada foi a professora doutora do Departamento de Fonoaudiologia da Unifesp-EPM, Ana Cláudia Fiorini.

“A perda auditiva é uma preocupação internacional, por causa do impacto que ela tem na vida da pessoa. Seja na aprendizagem, na orientação vocacional, no isolamento social, sempre haverá um impacto”, disse Ana Cláudia. “E os principais agentes causadores da perda auditiva são o ruído e o processo de envelhecimento.”

A professora da Unifesp-EPM falou também dos outros efeitos na saúde desencadeados pela poluição sonora. “Irritabilidade, stress, distúrbios do sono podem ter relação com ruído, mas as pessoas não são alertadas com relação a isso. Às vezes as pessoas já sofrem com esses problemas e não sabem qual a causa.”

Por fim, a fonoaudióloga do Cerest/SP e professora dos cursos de especialização em audiologia e saúde do trabalho do Cefac Saúde e Educação, Alice Penna, fez uma palestra sobre o programa de conservação auditiva (PCA) para as empresas.

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Alice Penna: perda auditiva relacionada ao trabalho ainda é uma das doenças mais prevalentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“A perda auditiva relacionada ao trabalho ainda é uma das doenças mais prevalentes em todos os ambientes de trabalho. Só não é uma pandemia, porque estamos controlando e isso está declinando. Mas o fato de existir essa perda auditiva no ambiente de trabalho já mostra um descuido, porque é possível prevenir”, disse a fonoaudióloga.

Alice reforçou que é preciso empenho das empresas para controlar o número de pessoas que sofrem com os ruídos no ambiente de trabalho. “Praticamente 95% das empresas têm recursos tecnológicos, mas não têm organização e o real dimensionamento do que é o PCA.”, afirmou a especialista. “Potência não é nada sem controle. Se os recursos tecnológicos não são empregados com inteligência no processo, não há controle.”

Atividades interativas

Além das palestras, foi instalada uma orelha gigante inflável na Avenida Paulista, em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sesi-SP.

O público poderá entrar na orelha e passear por um túnel interativo e, com a orientação de um fonoaudiólogo, conhecer as partes que formam a orelha, sentir a vibração dos menores ossos do corpo (martelo, estribo e bigorna), visualizar a condução do som da cóclea até o cérebro e entender o funcionamento da audição.

Nos dois dias de campanha, das 9 às 15h, os interessados também podem ver um vídeo sobre Audição, do Projeto Homem Virtual, além de conhecer a medição de ruído e projeção do mapa sonoro local em tempo real.

A iniciativa é realizada pela Diretoria de Esporte e Qualidade de Vida do Sesi-SP.