Crescemos, mas ainda há muito espaço para crescer, afirma presidente da Anac

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Autoridades do setor aeroportuário estiveram presentes nesta terça-feira (07/05) do painel “Oportunidades de investimento no Brasil”  no 8º Encontro de Logística e Transportes para discutirem os desafios do setor.

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Marcelo Guaranys, presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac). Foto: Luis Benedito/Fiesp

Marcelo Guaranys, presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), abriu o painel e falou sobre como aumentar os investimentos privados no setor aeroportuário brasileiro. O encontro é organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“A aviação cresceu 153% no Brasil nos anos recentes. O crescimento brasileiro supera a média mundial. Nossa aviação triplicou nos últimos dez anos. Isso graças a uma série de medidas e do crescimento econômico. Crescemos, sim, mas há muito espaço para crescer. Ainda precisamos desenvolver nossa infraestrutura para atender à demanda crescente e exigente”, afirmou.

O presidente da Anac disse que a aviação não pode mais ser entendida como transporte da elite, mas como um transporte público. “Para isso, as tarifas aéreas caíram nos últimos anos. Hoje os usuários pagam menos da metade do valor de dez anos atrás”, disse.

“Temos um número enorme de aeroportos no Brasil atualmente com boa infraestrutura aeroportuária, mas ainda precisamos evoluir muito. Para tal, o Governo procura parceiros privados para melhorar os serviços e expandir a infraestrutura, além de introduzir competição no sistema aeroportuária, para que os aeroportos sejam operados de maneira mais eficiente. Para isso trabalhamos com o equilíbrio entre investimentos privados e públicos”, relatou.

Durante a exposição, Guaranys revelou que as concessões do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e o de Confins, em Minas Gerais, estão na fase de Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental para encaminhamento a leilão público entre agosto e setembro deste ano.

“Investimentos aeroportuários precisam seguir as ofertas de demanda. Essa é a lógica para o serviço de qualidade que precisamos”, encerrou.

Gestão de aeroportos de maior parte

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Gustavo Rocha, presidente da Invepar. Foto: Luis Benedito/Fiesp

Gustavo Rocha, presidente da Invepar, concessionária do aeroporto de Guarulhos desde o início deste ano, falou sobre os investimentos atuais no maior terminal do país. “A concessão de aeroportos tem um papel crucial na elevação de qualidade e eficiência operacional, gerando benefícios para os passageiros e companhias aéreas e experiência para todos os envolvidos”, disse.

Segundo o presidente da Invepar, a ideia em Guarulhos é transformar o aeroporto em um catalisador de desenvolvimento, nos moldes dos principais aeroportos do planeta. “Guarulhos é a porta de entrada para o Brasil. Com 33 milhões de passageiros por ano”, afirmou.

Para fazer frente à demanda, Rocha garantiu uma atuação forte nos próximos seis anos, com a construção de novas áreas em Guarulhos, com a criação de centro de convenções, shopping center e mais espaço para estacionamentos. “Prevemos ainda uma acessibilidade muito melhor nos próximos anos, com a construção do Rodoanel Norte”, revelou.

Rocha também falou sobre o que já foi feito durante a gestão da Invepar em Guarulhos. “Infelizmente, herdamos alguns problemas infraestruturais e, apesar do pouco tempo de gestão, já conseguimos melhorias importantes. O aeroporto já tem os padrões de sinalização dos principais aeroportos do mundo, com iluminação feito por LED, e conseguimos também ampliar o número de vagas para automóveis. A meta é que Guarulhos seja comparável a um aeroporto asiático, que são os melhores do mundo. São centros de lazer e entretenimento, modelos muito interessantes”, afirmou.

Aeroportos de Menor Porte

Marcelo Araújo, representante do Grupo Libra, concessionária do aeroporto de Cabo Frio desde 2011, falou sobre a gestão da empresa no Estado do Rio de Janeiro. “Ainda temos muito a percorrer. Estamos, de fato, começando a aprender sobre operações privadas na gestão aeroportuária. Mas já temos muito do que se orgulhar”, começou.

“O aeroporto de Cabo Frio é especializado em atender o setor petrolífero. Estamos próximos da Bacia de Campos. Já temos a quarta maior pista do Brasil e podemos receber qualquer aeronave no mundo”, contou Araújo.

Ao contrário do que ocorre em Guarulhos, o grande foco do aeroporto de Cabo Frio é a operação de cargas, segundo o dirigente. Ele informou que 100 milhões de reais serão investidos nos próximos três anos. “Criaremos nos próximos anos um novo terminal de passageiros com pátios e torres de comando para receber exclusivamente helicópteros, sem conflitar com os voos comerciais”, disse.

“Os aeroportos regionais também devem ser entendidos como catalisadores de investimentos locais. O investimento privado em aeroportos regionais é uma grande oportunidade”, encerrou.

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