‘Esse é um tema de extrema importância para o futuro, uma agenda propositiva para o combate à pobreza’, afirma diretor da Fiesp em workshop sobre desenvolvimento

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de pensar no futuro e fazer o que estiver ao alcance de cada um para que o mundo evolua. Com esse objetivo, foi realizado, nesta quarta-feira (17/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, o Workshop do Guia SDG Compass – Integração dos ODS na Estratégia Empresarial. A meta era ajudar os empreendedores a colocar em prática os chamados 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, uma agenda focada em 2030.

O evento foi aberto pelo diretor da divisão de Economia Circular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS) da federação, Mario Hirose.  “Esse é um tema de extrema importância para o futuro, uma agenda propositiva para o combate à pobreza”, disse. “Ninguém pode ficar de fora:  os 17 ODS são fundamentais”.

Hirose afirmou que a Fiesp assinou um acordo de cooperação técnica nesta terça-feira (16/10) com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços para conjugar esforços para promover os ODS no âmbito industrial. “Temos que compartilhar todas as informações para o desenvolvimento dessas diretrizes até 2030”, disse.

Ele citou como exemplo dessa tendência a decisão de uma Indústria de ajudar os funcionários a economizarem com a conta de luz em casa. “Cada colaborador apresentava a sua conta e a empresa ajudava a traçar uma estratégia de economia”, disse.

No dia a dia

Assessora na Rede Brasil do Pacto Global, Bárbara Dunin apresentou os ODS para os participantes do workshop. “É muito importante ter o apoio da Fiesp para esse treinamento em São Paulo”, disse. “Precisamos explicar o que são os ODS e como aplicar essas metas no dia a dia”.

Assim, o chamado Compass é um guia de cinco passos sobre como lidar com os ODS. “As empresas devem priorizar aqueles ODS mais ligados aos seus negócios e objetivos estratégicos”, disso. “Os 17 são importantes, claro, mas cada um pode cuidar daqueles ligados ao seu trabalho”.

Segundo Bárbara, o desenvolvimento sustentável tem que ser capaz de equilibrar inclusão social, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.

Nessa linha, os 17 ODS foram apresentados na Semana Geral das Nações Unidas em setembro de 2015. “Agora temos uma agenda holística para 2030, sem deixar ninguém para trás”, disse. “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU inclui os ODS”.

Para saber quais são os 17 ODS, é só clicar aqui.

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Hirose, ao microfone, no workshop: necessidade de ação com foco no futuro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Artigo: Olhar e atitude para o social

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Tania Cosentino

Empresa nenhuma – em particular aquela posicionada como líder no seu mercado – pode ignorar seus impactos ambientais e sociais, sejam eles negativos ou positivos. A velha crença de que o sucesso organizacional está atrelado única e tão somente ao desempenho financeiro deu lugar ao entendimento de que a geração de valor econômico deve estar intrinsecamente ligada à criação de outros valores para a sociedade. Não se trata de ações beneficentes, responsabilidade social, nem mesmo sustentabilidade. Estamos falando de valor compartilhado – um novo modelo em que o êxito de uma companhia e o progresso de um povo estão diretamente relacionados.

Vivemos um momento difícil, no Brasil e no mundo como um todo: desigualdade social, criminalidade, poluição, escassez de recursos naturais. Precisamos mudar; o planeta e a sociedade não podem mais esperar, e o setor privado, por sua vez, pode e deve ajudar. Eu me considero uma ativista pela inovação para a sustentabilidade e fico feliz de atuar em uma companhia que me dá espaço para abraçar causas tão urgentes.

Desde 2002, nós, da Schneider Electric, trabalhamos mundialmente com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e incorporamos suas iniciativas em nossos negócios. Quando a entidade lançou, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e suas 169 metas a serem alcançadas até 2030, nós logo nos envolvemos. Para mim, esse tema é apaixonante, e temos inúmeros projetos dos quais me orgulho muito.

Desde 2009, desenvolvemos o Programa de Acesso à Energia, cujo objetivo é levar energia renovável, segura, limpa e confiável a áreas isoladas, dependentes de combustíveis fósseis, com fornecimento precário de energia ou sem acesso a ela, além de promover treinamento em competências relacionadas ao setor elétrico para comunidades de baixa renda. Até 2025, a meta global da nossa empresa é gerar eletricidade para 50 milhões de pessoas e treinar 1 milhão. Até o momento, levamos luz elétrica para 5 milhões de pessoas e treinamos mais de 100 mil. Na América do Sul, em cinco anos, capacitamos 30 mil homens e mulheres, elevando a renda média da comunidade piloto em 52%.

No Brasil, somente em 2017, contribuímos para a instalação de mais de 30 sistemas de energia solar em comunidades indígenas e extrativistas do Amazonas, beneficiando espaços de uso comunitário (escolas, unidades de saúde) e atividades produtivas (pimenta, mel, castanha), e mantivemos sete parcerias educacionais ativas em diferentes estados. Em um projeto de instalação de sistemas solares no Território Indígena do Xingu, realizamos uma capacitação que beneficiou 28 jovens indígenas de 18 aldeias, de sete etnias.

Ao levar energia para uma região isolada, acreditamos ser possível melhorar condições de educação, saúde, comunicação, atividades econômicas e outros aspectos. O acesso à energia colabora para a erradicação da pobreza, a redução das desigualdades e o alcance a outros direitos fundamentais.

Vale comentar também acerca das nossas ações a favor das mulheres. Desde 2015, a Schneider Electric é um dos dez participantes corporativos do Impact 10x10x10, da ONU Mulheres, um grupo de empresas, universidades e governos que atua em políticas de gênero. Desde então, cerca de 40 mil colaboradores se juntaram ao HeForShe, programa da ONU Mulheres e da UN Global Compact Initiative. E mais: em 2016, 40 presidentes de países da nossa empresa assinaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) estabelecidos pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global.

Diversidade de gênero não é “papo de mulher”; por isso, a intenção do HeForShe é trazer os homens para a conversa, pois são eles, ainda, aproximadamente 95% dos CEOs. Já os WEPs apresentam, de forma simples, sete passos para uma empresa criar seu programa de diversidade de gênero, e tudo começa colocando o tema na agenda do CEO e das altas lideranças.

E após assumirmos formalmente esses compromissos em toda a América do Sul, fizemos uma análise da nossa demografia, identificamos nossos “gaps” e estabelecemos nossas metas: aumentar o recrutamento de mulheres para 42% sobre o total até 2017 (meta medida trimestralmente desde 2015); ter 30% de mulheres na alta liderança global da empresa até 2020; e ter 95% dos nossos colaboradores trabalhando em países com processos estabelecidos para eliminar o “pay gap” até 2020.

Tenho orgulho de dizer que, inspirada e apoiada pelo CEO global, Jean-Pascal Tricoire, lidero essa grande transformação e posso observar bons resultados. Nossas ações vão além das nossas fronteiras; levamos nossos programas aos nossos parceiros, fornecedores e às comunidades. Temos o dever de elevar o nível de toda nossa cadeia de valor, inserindo padrões de ética, gestão e RH. Eu, aliás, dedico parte do meu tempo a fazer o “advocacy” de sustentabilidade e diversidade, pois acredito que, promovendo nossas ações, compartilhando conhecimento, podemos impactar positivamente toda a sociedade. Essa é minha contribuição – como executiva e como indivíduo.

*Tania Cosentino é presidente da Schneider Electric para América do Sul, membro do Diversity & Inclusion Advisory Board da Schneider Electric, lidera o programa HeForShe, uma iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global da ONU e recebeu o 1º Prêmio CEBDS de Liderança Feminina, iniciativa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), por seu trabalho em prol do empoderamento feminino.


Apresentações – Seminário Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

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Acesse as apresentações do evento Agenda 2030 e o setor produtivo realizado em 22 de novembro, que discutiu as estratégias e desafios de implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS.


Estratégias e Desafios para atingir o ODS12 – Consumo e Produção Responsáveis

Palestrante: Patricia Faga Iglecias Lemos- Superintendente de Gestão Ambiental da USP

Estratégias e desafios de implementação dos ODS

Palestrante: Cristiana Brito – Vice-presidente da Rede Brasil do Pacto Global e Diretora de Relações Internacionais e Sustentabilidade da BASF para a América do Sul

Estratégias e Desafios de Implementação dos ODS – Água e Resíduos Sólidos na Gestão Integrada da Fibria

Palestrante: Camila Reggiani da Silva – Consultora de Meio Ambiente da Fibria

Estratégias e desafios de implementação dos ODS: o olhar da Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Palestrante: Henrique Villa da Costa Ferreira – Secretário Nacional de Articulação Social da Secretaria de Governo da Presidência da República

Estratégias e desafios de implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

Palestrante: Gustavo S. Fontenele e Silva – Coordenador Geral do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Artigo: Trabalhando em prol do Desenvolvimento Sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Por Tânia Cosentino*

Eficiência energética e baixa emissão de carbono. Estão aí duas questões urgentes que precisam ser endereçadas tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada. Sustentabilidade, mais do que nunca, deve fazer parte da estratégia de negócios. E nós, da Schneider Electric, temos orgulho de ajudar nossos clientes a repensar e reinventar seus processos, num movimento que impacta a sociedade e assegura o futuro das próximas gerações.

Ao longo de toda nossa trajetória – em 2017, completamos 70 anos no Brasil -, desenvolvemos produtos e serviços que, em suma, possibilitam às companhias produzir mais com menos. É desse modo que nossos parceiros reforçam sua atuação sustentável e fortalecem seus negócios. E nossa plataforma EcoStruxure simboliza bem tal propósito. Essa tecnologia promove automação e conectividade entre as máquinas e os dispositivos móveis, possibilitando o acesso remoto, otimizando o desempenho e melhorando a eficiência da operação, a gestão de processos e a agilidade na tomada de decisões. Só no Brasil, nossas soluções permitiram que, em 2016, nossos clientes economizassem 3TWh de energia, o equivalente a 11 dias de geração de energia da Itaipu Binacional (fonte: Itaipu Binacional) ou então ao abastecimento mensal de energia da região Norte do país (fonte: EPE).

Impactos ambiental e social sempre estiveram na agenda da Schneider Electric. Outra prova disso é que, desde 2002, trabalhamos mundialmente com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e, sem sobressaltos ou solavancos, incorporamos suas iniciativas em nossos negócios, envolvendo, inclusive, nossa cadeia de suprimentos. Não foi diferente quando a entidade lançou, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas a serem alcançadas até 2030.

Fizemos, assim, uma avaliação profunda de nossas ações e nossos projetos, relacionando-os com os tais objetivos. Concluímos que impactamos diretamente 12 dos 17 ODS estabelecidos: erradicação da pobreza (ODS 1); educação de qualidade (ODS 4); igualdade de gênero (ODS 5); água potável e saneamento (ODS 6); energia limpa e acessível (ODS 7); emprego digno e crescimento econômico (ODS 8); indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9); cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11); consumo e produção responsáveis (ODS 12); combate às alterações climáticas (ODS 13); paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16); e, por fim, parcerias e meios de implementação (ODS 17).

Na América do Sul, endereçamos fortemente o ODS 5 e, claro, o ODS 7, que, afinal, é nosso core business. Mas, desta vez, aproveito a oportunidade para falar de forma mais profunda sobre o ODS 17. São as parcerias firmadas com instituições sérias que nos garantem dar passos cada vez mais largos e transversais em direção ao cumprimento das metas traçadas.

Trabalhamos junto a ONGs como World Wide Fund for Nature (WWF) e Instituto Socioambiental (ISA), experientes em ações e relacionamento com comunidades isoladas que possuem baixo ou nenhum acesso à energia renovável. Nesses casos, geramos eletricidade em espaços de convivência (escolas e unidades de saúde) e aqueles destinados a atividades produtivas – pimenta, mel, castanha –, e ainda promovemos treinamentos para que os próprios moradores possam cuidar da manutenção elétrica. Agora com energia a um custo justo, essas pessoas podem, finalmente, melhorar seus processos produtivos (refrigeração, por exemplo), com impacto direto na geração de renda.

As mulheres ganham atenção especial. Junto ao ISA e ao Instituto Consulado da Mulher, valorizamos o empreendedorismo feminino, oferecendo treinamento e apoio às trabalhadoras envolvidas com a cadeia de produção de pimenta. E mais: em parceria com o ISA, levamos soluções e treinamentos para cerca de 30 aldeias do Parque Indígena do Xingu.

Ainda dentro do programa de acesso à energia, pudemos, em conjunto com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), eletrificar comunidades remotas da região, como Tumbira e Rio Negro. Além disso, lado a lado com a FAS e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), apoiamos a iniciativa Star Energy, incentivando a pesquisa científica sobre sistemas de energia sustentáveis, renováveis, replicáveis e autônomos para a Amazônia.

Também atuamos em parceria com organizações educacionais em diferentes localidades do Brasil e até de outros países, como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Centro Universitário de Lins (Unilins) e Instituto Dom Bosco. Doamos soluções de iluminação e eletrificação solar, além de material didático, para que tais entidades possam estruturar e ofertar treinamentos de elétrica básica e energia fotovoltaica. O objetivo é beneficiar pessoas de baixa renda, ajudando-as a entrar no mercado de trabalho ou a avançar no empreendedorismo e, portanto, a sair da condição de vulnerabilidade social a que estão submetidas. Na América do Sul, em cinco anos, foram treinadas 30 mil pessoas, incluindo mulheres, elevando a renda média da comunidade piloto em 52%.

Há outros tantos parceiros fundamentais quando o objetivo é trabalhar em prol do desenvolvimento social e econômico: a ONU e seu Pacto Global, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Câmara Americana de Comércio (Amcham), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds – cujo principal intuito é influenciar políticas públicas nas esferas municipal, estadual e federal), a Plataforma Liderança Sustentável (organizada pelo consultor Ricardo Voltolini), etc.

As associações criam guias de boas práticas, fomentando e orientando ações por parte da iniciativa privada. Por meio da ONU Mulheres, por exemplo, nós firmamos compromisso com o HeForShe e com o Women Empowerment Principles (WEP) – iniciativas que visam, em linhas gerais, à eliminação das disparidades entre homens e mulheres na sociedade e ao empoderamento feminino no ambiente corporativo.

Estamos atravessando um momento bastante difícil em nosso país e no mundo. Precisamos mudar e com urgência. O planeta nem a sociedade podem esperar. E o setor privado pode e deve ajudar! Para tanto, os ODS são cruciais, porque norteiam as ações empresariais. Faço o que acredito e fico feliz de trabalhar numa empresa que me dá espaço para executar esses projetos e de ter um time apaixonado que também abraça causas tão importantes. Sou uma ativista pela inovação para a sustentabilidade. Essa é minha contribuição como executiva e como indivíduo.

*Tania Cosentino é presidente da Schneider Electric para América do Sul, foi reconhecida pela ONU como um dos 10 Pioneiros nos ODS – indivíduos de todo o mundo que estão de fato defendendo a sustentabilidade em suas companhias e mobilizando toda a comunidade de negócios para o cumprimento dos tais objetivos.

Fiesp e Ciesp encerram Semana do Meio Ambiente com discussão sobre os ODS da ONU

Tássia Almeida e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Semana do Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp chegou ao fim na tarde desta quinta-feira (8/6), com uma discussão sobre as indústrias e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODS. O tema foi apresentado com o intuito de compartilhar perspectivas do setor industrial brasileiro em relação aos objetivos, além de promover o envolvimento das empresas brasileiras e apontar os possíveis caminhos para o cumprimento da Agenda 2030, fundamental para a prosperidade das pessoas e do planeta.

Durante a abertura do evento, Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Meio Ambiente, relembrou os principais assuntos debatidos ao longo da Semana que teve início na segunda-feira (5 de junho), e destacou que foi uma programação com bastante conteúdo e recorde de público.

“Chegamos ao quarto dia de evento, e em todos os dias tivemos um público bastante atuante, presente e ativo. Isso mostra a importância dos temas que a gente se propôs discutir”, reforçou a diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores), Grácia Fragalá. Ainda segundo ela, o seminário sobre os ODS é um convite para participar de um dos principais debates do século. “Acho que a gente se coloca diante de uma situação extremante desafiadora. Quando a gente conhece os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável tem em vista 169 metas”, pontuou. “Olhando para cada um destes objetivos, observamos que esta agenda inclui os grandes desafios que a sociedade global enfrenta”, completou Grácia. A diretora do Cores defende que as empresas, principalmente as que adotam comportamentos socialmente responsáveis, são importantes agentes de transformação do desenvolvimento econômico, social e ambiental. “Elas podem até ser consideradas o principal motor para mudança que desejamos no mundo”, concluiu.

“Mais do que conhecer as metas e os objetivos, é importante que coloquemos tudo isso em prática. O objetivo dessa semana e deste evento é que aqueles que ainda não conhecem tenham um impulso, uma energia para colocar a ‘mão na massa’”, disse o diretor de Responsabilidade Social do Ciesp, Vitor Seravalli. Ele ainda comentou que “muitas instituições e empresas já mostram evidências da competência da sustentabilidade em seus negócios”. Estes exemplos e práticas empresariais foram apresentados nos painéis como uma oportunidade de mostrar para a sociedade os caminhos que estão sendo construídos. Vitor acredita que a indústria será cada vez mais inclusiva, resiliente e atenta à inovação para a sustentabilidade.

O vice-presidente do Ciesp e presidente da ABIT/Sinditêxtil-SP, Rafael Cervone, comentou sobre a evolução que o setor industrial tem vivido nos últimos anos. “Quando comecei na indústria nos anos 80 vi uma realidade, uma consciência e um comprometimento diferente do que é hoje. A gente comprava máquina para ganhar eficiência produtiva, hoje a gente avalia o consumo de energia, calor, como a gente pode aproveitar, reutilizar. Hoje a cabeça é outra, mas é claro que temos muita coisa para evoluir”, disse. Cervone lembrou que 10 anos atrás, para produzir um quilo de tecido denim para calça jeans era necessário usar 100 litros de água. “Hoje usamos 7 litros e fazemos o acabamento a laser”, afirmou.

Ao fim da abertura, André Oliveira, presidente da Rede Brasil do Pacto Global e CCO da Basf América do Sul, parabenizou e agradeceu à Fiesp e ao Ciesp pela “iniciativa de promover debates de altíssimo nível”.

O protagonismo brasileiro

No primeiro painel do dia, “O protagonismo brasileiro”, Barbara Dunin, assessora da Rede Brasileira do Pacto Global, apresentou como o Pacto Global tem trabalhado a agenda de ODS e abordou o papel das empresas nos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) x ODS. Lançado em 2000 por Kofi Annan, o Pacto Global tem mais de 12.000 signatários, sendo 9.000 empresas, e é considerado a maior iniciativa voluntária de cidadania corporativa do mundo.

Na sequência, Cristiana Pereira, diretora Comercial e de Desenvolvimento de Empresas da B3, falou sobre o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), um índice que mede o retorno médio de uma carteira teórica de ações de empresas de capital aberto e listadas na B3 com as melhores práticas em sustentabilidade.

O segundo painel explorou “O papel e o compromisso das entidades do setor produtivo”, com participação de Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital – Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon – SP e Luiza Lorenzetti, que atua na área de Sustentabilidade e Inovação da Abit/Sinditêxtil.

Por fim, o terceiro painel apresentou “O papel e o compromisso das empresas brasileiras”, com apresentações de Emiliano Graziano, gerente de Sustentabilidade para a América Latina – Basf, Lena Peron, da indústria de cosméticos Feito Brasil, e Raquel da Cruz, da Feitiços Aromáticos.

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No último dia da Semana do Meio Ambiente, os ODS foram destaque. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Gestão empresarial, sustentabilidade e seus desafios

“Não se pode mudar o que não se conhece e é fundamental compartilhar esse conhecimento com as micro e pequenas empresas. Os aspectos globais têm impacto nos negócios locais e é preciso traduzir esses conceitos”, disse Marlúcio de Souza Borges, diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, ao abrir os trabalhos da mesa-redonda sobre gestão empresarial, sustentabilidade e seus desafios.

As empresas enfrentam, em termos de meio ambiente, excesso de burocracia, que não facilita o desenvolvimento sustentável, pois as normas estão voltadas para a fiscalização e a penalização, repercutiu Walter Lazzarini Filho, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema). Ao citar o Fórum Econômico Mundial de Competitividade da Indústria, Lazzarini lembrou o alto peso da carga tributária, da ordem de 36% do PIB nacional, o que leva as empresas a dispender 2.600 horas por ano somente para o pagamento de impostos. As empresas têm interesse em cuidar da água, insumo importante, e o fato de 66% das empresas brasileiras usarem energias renováveis (fonte: Anuário Análise de Gestão Ambiental, 2013) dão a dimensão do compromisso assumido pela indústria, pontuou.

A sustentabilidade guarda relação direta com a própria sustentabilidade industrial, segundo Arlindo Philippi Jr. (Instituto de Estudos Avançados & Faculdade de Saúde Pública-USP). Ele criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que rompeu com o acordo climático global, mas tal fato não encontrou ressonância nas empresas lá instaladas, que se comprometeram a dar continuidade ao pacto. Os EUA são o segundo maior poluidor do planeta, perdendo apenas para a China – que se mantém no Acordo de Paris.

Ainda sobre o acordo climático, Aron Belink (FGV EAESP), defendeu a precificação do carbono nos debates em torno das opções estratégicas para o controle da mudança climática. “Será inevitável e é preciso nos prepararmos para não sermos pegos de surpresa”, disse. Segundo enfatizou, “as empresas precisam ter consciência da sua responsabilidade ambiental, e estamos construindo instrumentos para atender essa agenda. A Agenda 2030 não se resume aos 17 ODS, eles devem ser compreendidos integralmente e indivisivelmente, e não interpretados de forma separada pelas empresas”.

Gabriel Petrus (diretor-executivo do ICC Brasil) lembrou que guias e documentos direcionam diversas agendas para nortear as empresas e defendeu as políticas públicas para que se estabeleça uma economia verde, pois o setor corporativo abraçou a causa.

Na opinião de Sônia Karin Chapman (diretora da Chapman Consulting), é preciso reaprender a fazer negócios e consumir conscientemente. Ela citou os setores que concentram os maiores desafios em termos ambientais: papel e celulose, plásticos, cosméticos e agronegócio. “É preciso promover o olhar sistêmico sobre a cadeia de valor e o ciclo de vida dos produtos”, disse, explicando também que só se consegue gerenciar o que é possível mensurar.

A Ambev trouxe seu exemplo: reaproveita 99% de seus resíduos, gerando ganhos em termos econômicos, enfatizou Beatriz Oliveira, gerente corporativa, que explicou a preocupação com o redesenho de embalagens e a redução do pós-consumo, a preocupação com as energias renováveis e alterações climáticas, pois a água é 90% de sua matéria-prima. E faz “todo o sentido preservá-la”. Por isso, dá-se atenção também às bacias hidrográficas, e as ações desencadeadas desde 2003 pela empresa já reduziram em mais de 40% o consumo de água em seu processo.

Marcelo Drügg Barreto Vianna (docente MBA de Gerenciamento de Facilites da Poli-USP), tratou da gestão da sustentabilidade e gestão do risco com maior ênfase nos processos de conscientização, capacitação e educação. “A governança é aderente ao princípio da precaução”, disse, visão coincidente com a da procuradora Sandra Akemi Shimada Kishi (da procuradoria regional da República da 3ª região).

Kishi está à frente do projeto Qualidade e conexão água do Ministério Público Federal. “A crise hídrica não acabou. A água permeia todos os ODS”, disse. Ao tratar da hipervulnerabilidade atual, afirmou que houve um retrocesso e há uma relação intrínseca entre Lei Anti-Corrupção e gestão. É preciso facilitar o processo de informação, incrementar a transparência que é, inclusive, uma previsão legal, e o regime de integridade é exigência da lei.

Criticou a potabilidade da água e destacou o direito humano ao seu acesso. Também enfatizou a necessidade de novos Planos de Segurança da Água (PSA), como indicadores de saúde pública, mas não os planos das concessionárias, e sim novos PSAs dentro de cada bacia hidrográfica, em seus limites locais, estaduais e nacional.

Fiesp sedia lançamento de plataforma da ONU sobre padrões voluntários de sustentabilidade

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp foi sede nesta quinta-feira (1º de junho) do lançamento da plataforma do Fórum das Nações Unidas (ONU) sobre padrões voluntários de sustentabilidade, em evento organizado também pelo Ciesp e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), com apoio do Instituto de Desenvolvimento Alemão (DIE).

A nova plataforma, composta por cinco agências da ONU, tem como objetivo incrementar o acesso, sobretudo de países em desenvolvimento, a uma base de dados única sobre padrões voluntários de sustentabilidade, estabelecendo um canal de diálogo entre agentes públicos e privados sobre medidas desta natureza. Além disso, a iniciativa busca promover a melhora do desemprenho de empresas cujo processo produtivo baseia-se no uso de exigências voluntárias, ampliando o acesso de seus produtos em diferentes mercados.

Na avaliação do diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, o Brasil passa atualmente por um processo de transformação intenso, em que o contexto sustentável terá um papel irreversível e pautará o comportamento das indústrias e do consumo no futuro.

O coordenador-geral de Articulação Internacional do Inmetro, Jorge Cruz, por sua vez, explicou que a plataforma brasileira possibilitará a realização de novos estudos sobre sustentabilidade, que poderão ser compartilhados com outros órgãos de governo. Também contribuirá para identificar e unificar os avanços necessários para o tema no país.

Segundo a especialista em economia da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Denise Penello, a ONU realiza um esforço desde 2013 para facilitar a participação dos países em desenvolvimento nas discussões sobre sustentabilidade e nos movimentos de cooperação locais e mundiais.

Representatividade

Do DIE, o pesquisador sênior e chefe do Departamento de Treinamento, Thomas Fues, comentou que a criação da plataforma figura como importante passo no esforço de conectar iniciativas sobre o assunto.

De acordo com Fues, o DIE busca a ajuda da América do Sul no desenvolvimento de novas ideias para a questão da sustentabilidade global. “Estamos em um momento crítico. Se continuarmos assim teremos problemas inimagináveis nos próximos 15 anos”, alertou. “O setor privado deve ter uma participação efetiva, de liderança, nesse movimento de conscientização dos processos produtivos”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540143000Fues, do DIE, alerta para a necessidade de atuação do setor privado nos próximos anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp.


A análise da questão sustentável agrega discussões sobre meio ambiente, padrões trabalhistas e aspectos econômicos da produção. A presidente do Comitê Brasileiro de Barreiras Técnicas ao Comércio (CBTC) e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Vera Thorstensen, destacou que não há no governo brasileiro, por exemplo, uma liderança que trate da área e organize as prioridades da agenda sustentável.

“É um ambiente novo, ainda de confusão imensa. Hoje temos a exigência de pelo menos 520 novos padrões, os chamados standards, mas quem dá seriedade a essas regras?”, criticou Vera. “Há algum órgão internacional que agregue essas boas práticas? Precisamos dessa resposta”, enfatizou.

O evento recebeu ainda a secretária executiva da Imaflora, Laura Prada, o diretor geral da Agroicone, Rodrigo Lima, a coordenadora técnica da Forest Stewardship Council (FSC), Fernanda Rodrigues, e o consultor sobre padrões voluntários de sustentabilidade Ulrich Hoffmann.

Entrevista: Guia de Produção e Consumo Sustentáveis

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Por Karen Pegorari Silveira

Durante a Semana do Meio Ambiente, promovida pela Fiesp, foi lançada a edição do Guia de Produção e Consumo Sustentáveis – Tendências e Oportunidades para o Setor de Negócios.

A publicação pretende mostrar às empresas a necessidade de adotar um modelo de desenvolvimento com menos impacto ambiental, para preservar a oferta de recursos naturais e os serviços ecossistêmicos, essenciais à manutenção da vida no planeta.

Em entrevista ao Boletim Sustentabilidade Fiesp, o diretor adjunto do departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Marlucio Borges, fala sobre o Guia PCS e as tendências apontadas por ele.

Leia a entrevista na íntegra:

A primeira grande tendência é a produção e consumo em uma lógica circular, na qual os materiais são constantemente reciclados e reutilizados. Qual o benefício para o empresário que aderir a este modelo de produção?

Marlucio Borges – A lógica de PCS, na verdade, vai além da perspectiva de constante reciclagem/reutilização dos materiais. Pressupõe uma relação de dependência e de influência entre as dimensões de produção e consumo. Em outras palavras, uma dimensão influencia e é influenciada pela outra o que impacta de modo mais amplo o modelo de negócio das empresas. Assim, a ótica de PCS aporta ao empresário um entendimento mais robusto do papel da empresa no negócio e, portanto, permite identificar estratégias e práticas que garantem melhor desempenho, competitividade e posicionamento da empresa no mercado. Além disso, a abordagem de PCS está solidamente se concretizando como elemento de referência ao atendimento de outras políticas e instrumentos que vão desde às Políticas Nacionais de Mudança do Clima e de Resíduos Sólidos a protocolos globais como os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODSs (Agenda ONU pós-2015), sendo que o ODS12 trata especificamente de padrões de consumo e produção sustentáveis.

Sustentabilidade nas compras públicas também é um novo caminho e o governo brasileiro criou um programa que dá preferência a produtos e serviços com menor impacto socioambiental. Como esta mudança pode impactar as micro e pequenas indústrias?

Marlucio Borges – O Governo é um grande comprador respondendo por um percentual de compras no Brasil que pode chegar a 15% do PIB nacional segundo dados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o que, naturalmente, representa um potencial muito significativo de mercado.

As Compras Públicas Sustentáveis consolidam-se, portanto, como um movimento do Governo no sentido de estimular de modo sistematizado a valorização de negócios sustentáveis. Todavia, a grande questão no mundo todo é o modo de se implementar este processo de maneira que ele reverbere positiva e equanimente para todas as categorias de empresas e setores da sociedade. A gradualidade na adoção de princípios e critérios para CPS é sem dúvida uma das condições para permitir que as micro e pequenas empresas possam se aparelhar e se apropriar das vantagens econômicas e socioambientais desta iniciativa. Mesmo contando com uma maior flexibilidade frente às mudanças quando comparadas às grandes empresas, as micro e pequenas empresas contam com dificuldades e limitações crônicas cujo endereçamento também é condição para acessarem um fornecimento mais exigente previsto nas CPS.

Com a nova Resolução nº 4327 as instituições financeiras passaram a fazer mais exigências para liberar financiamentos às empresas. Como esta resolução atinge o segmento industrial e como o empresário pode se ajustar para obter benefícios através desta resolução?

Marlucio Borges – A Resoluçao nº4327 do Banco Central representa a consolidação de um movimento que tem como marco importante os Princípios do Equador e que trata não só da incorporação de regras de responsabilidade socioambiental nas atividades financeiras mas também da própria corresponsabilidade dos agentes financeiros nas operações de concessão de crédito. Vale registrar que esse movimento de incorporação já vem acontecendo na indústria há muito tempo e tem sido um papel nosso no DMA FIESP demonstrar ao empresariado como esse processo, à luz do entendimento e adoção de posturas sustentáveis, pode representar um ganho de valor para o negócio. No caso da Resolução 4327, apenas como exemplo e de modo muito sucinto, uma das abordagens da PRSA (Política de Responsabilidade Socioambiental) dos agentes financeiros refere-se à questão de gestão do risco socioambiental na qual procedimentos preventivos apresentam-se como um dos principais caminhos de atendimento. Nessa linha, há quase duas décadas o DMA/FIESP não só fomenta a adoção de práticas preventivas, como a Produção + Limpa (P+L), mas também prepara o empresariado por intermédio da disseminação de conceitos, capacitação e formação de parcerias estratégicas. Assim é, que durante esta Semana de Meio Ambiente 2015 da FIESP tivemos a satisfação de lançar o Guia Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios, uma parceria FIESP/PNUMA com foco em pequenas e médias empresas e, que tem em sua base de objetivos fortalecer o posicionamento da indústria e do empresariado facilitando  não somente o ajuste para o acesso a benefícios de uma Resolução como a 4327 mas principalmente se desenvolverem e gerarem desenvolvimento.

Rastrear o Ciclo de Vida dos produtos é outra grande tendência mundial e, em algum momento, as micro e pequenas empresas receberão demandas de seus clientes relacionadas às questões de sustentabilidade. Como estas empresas podem incorporar este processo e serem mais competitivas?

Marlucio Borges – Como tendência mundial penso em uma abordagem mais sistêmica, ampla e fundamentada sobre as dimensões de produção e consumo em todas as suas vertentes o que nos leva a um pensamento do Ciclo de Vida e não simplesmente em seu rastreamento. De modo sucinto, é possível assumir que para as micro e pequenas empresas um caminho inicial e necessário é buscar conhecimento sobre o seu próprio negócio e sobre o mercado para poder responder a perguntas simples mas fundamentais (que valem também para as grandes) tais com: onde estou? onde quero chegar? como chegar lá? O Guia PCS citado acima, já considerando o pensamento do Ciclo de Vida, dá algumas pistas para estas perguntas.

Inovação para a sustentabilidade também terá cada vez mais relevância na competividade das empresas pois, está diretamente relacionada à melhoria de eficiência e produtividade. Como este tipo de estratégia pode ajudar as micro e pequenas indústrias a ganharem mais mercado?

Marlucio Borges – Primeiro, é preciso entender o que significa inovação e como ela pode realmente transformar um negócio. Para o caso de micro e pequenas empresas tal entendimento se faz ainda mais essencial porque tem a ver com a capacidade de aderência e de assimilação deste fundamental agente de mudança. Uma das maneiras de se definir inovação é entendendo-a como um veículo que permite a transformação do conhecimento em valor. Sob este aspecto e de maneira geral, é preciso conceber estratégias simples que potencializem o conhecimento muitas vezes “escondido” nas empresas de modo que se transformem em valor. Vemos, por exemplo, conhecimentos do chão-de-fábrica que quando devidamente considerados e trazidos à tona trouxeram modificações práticas que geraram grande valor às empresas. Isso é inovação. Pensando em pequenas empresas, um grande desafio sem dúvida é efetivar estes caminhos de inovação. Sem querer ser repetitivo, mas já fazendo um convite à leitura, há também no Guia PCS FIESP/Pnuma: tendências e oportunidades para o setor de negócios um pouco desta discussão e sugestão de encaminhamentos.

Guia de Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios

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 O guia é um projeto fruto de uma parceria entre a FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e o PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, principal organização dentro da ONU no campo ambiental.

A iniciativa tem como principal objetivo a sensibilização e o engajamento do setor industrial do Brasil e partes interessadas, especificamente do Estado de São Paulo, na implantação de políticas e práticas de Produção e Consumo Sustentável, com foco específico em empresas de pequeno e médio porte.

Clique aqui, para visualizar ou baixar a publicação em seu computador ou acesse o menu ao lado.

ONU faz consulta pública na Fiesp sobre princípios para indústria de alimentos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Empresários e representantes do setor agropecuário avaliaram nesta terça-feira (11/03) os seis tópicos da versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA), elaborado pelo Pacto Global das Nações Unidas. Essa consulta pública, iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global, apresentou o documento com os objetivos do setor para uma agricultura mais sustentável. E deve ser lançado oficialmente em setembro deste ano.

O relatório, que já foi avaliado por nove países na primeira rodada de consulta pública realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de setembro a novembro de 2013, traz na segunda rodada seis sugestões para promover uma produção agrícola sustentável. São eles a promoção da segurança alimentar, saúde e nutrição; ser ambientalmente responsável; garantir viabilidade econômica e compartilhar valores; respeitar os direitos humanos; incentivar a boa governança e responsabilidade e aprimorar o acesso e a transferência de conhecimento, habilidades e tecnologia.

Segundo a gerente do Pacto Global das Nações Unidas, Adrienne Gardaz, essas diretrizes foram levantadas durante a primeira consulta com os nove países. “O objetivo dessas reuniões não é desenvolver os princípios, mas propor resultados. Esses resultados foram traduzidos para uma base que agora temos para elaborar os princípios”, afirmou.

De acordo com Adrienne, os princípios devem ser finalizados em abril deste ano. “O lançamento oficial será em setembro, durante a assembleia geral da ONU”.

Ela explicou que os fundamentos para elaborar o documento estão baseados no conceito do Fome Zero e nos compromissos com a sustentabilidade da agricultura firmados durante a Rio+20.

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A reunião para discutir a versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Isabella Freire Vitali, gerente no Brasil e coordenadora na América Latina da Proforest, e mediadora do encontro, afirmou que “essa consulta vai ser compilada com todas as outras. A ideia é consolidar o que é consensual”.

Até março, o órgão vai realizar consultas públicas no Brasil, Estados Unidos, Turquia, Reino Unido e outros países. O presidente da Rede Brasileira do Pacto Globa, Jorge Soto, também participou da consulta na Fiesp.

Sugestões do Brasil

A consulta pública desta terça-feira (11/03)  foi realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).  O ex-ministro Roberto Rodrigues, membro do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da entidade, participou do encontro e contribuiu para algumas alterações na redação do documento.

Rodrigues sugeriu que a liberação dos mercados esteja presente no documento com um dos objetivos.  “O único mecanismo justo seria liberar o mercado para todo mundo”, afirmou ao avaliar um dos seis tópicos propostos para a formação dos princípios do Pacto Global.

Ele também pediu mais clareza no que se refere ao pequeno produtor, citado em todos os seis itens que devem compor o documento. “Outra questão é sobre a defesa do pequeno produtor. O que é pequeno produtor? Qual o conceito que vamos ter universalmente sobre o pequeno produtor? Por tamanho? Por faturamento?”, questionou.

Embora tenha reconhecido que a questão é importante, Isabella, da Proforest, afirmou que é difícil padronizar esse entendimento de maneira global.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, também participou da consulta. Segundo ele, o evento é uma oportunidade para avaliar todas as implicações da agricultura na economia e na sociedade.

“Acho até que demorou um pouco para o tema da agricultura chegar a uma discussão mais detalhada e aberta dentro do Pacto Global”, disse ele.

Entre outros colabores para a produção do documento, o head de Responsabilidade Socioambiental do Rabobank, Luiz Fernando do Amaral, sugeriu uma atualização da abordagem do tema e uma simplificação da linguagem.

Amaral afirmou ainda que o primeiro passo para aplicação desses princípios é que eles sejam incorporados na missão e nos valores das corporações. “Isso é algo que a gente negligencia”, alertou.

Segundo ele, outro ponto de atenção é “definir e esclarecer para que serve esse documento e principalmente para o que não serve. É muito importante alinhar as expectativas”. “Um relatório, para ser inovador, tem que ser simples o suficiente, sistematizado para diferentes tipos de consultas, automatizado, mas também flexível”, sugeriu.

Brasil, China e Índia ajudam a reduzir a pobreza mundial, diz coordenador da ONU

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A pobreza extrema no mundo foi reduzida pela metade em 20 anos, mostrou relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os avanços dos Objetivos do Milênio divulgado ontem. A meta do programa global foi atingida antes do prazo, 2015, e o Brasil, a China e a Índia se destacaram no cumprimento desse objetivo. A  avaliação  é de Jorge Chediek, coordenador-residente do sistema ONU no Brasil. Chediek participou do lançamento da 5ª Edição do Prêmio ODM Brasil na manhã desta terça-feira (02/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Países como a China, a Índia e o Brasil ajudaram muito a atingir os objetivos a nível global”, afirmou Chediek.  Segundo o Relatório Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2013, a pobreza extrema no mundo diminuiu de 47% em 1990 para 22% em 2010, o equivalente a 700 milhões de pessoas a menos em condições de extrema miséria.

Chediek: empenho para a diminuição da pobreza no mundo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Chediek: pobreza extrema passou de 47% em 1990 para 22% em 2010 . Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O coordenador da ONU também alertou que o mundo precisa avançar mais em serviços de saúde. “Poderíamos praticamente eliminar a expansão da epidemia do HIV”.

No final de 2011, 8 milhões de pessoas estavam recebendo terapia antirretroviral para o HIV nas regiões em desenvolvimento. A meta  de acesso universal à terapia antirretroviral continua possível de ser realizada até 2015 se as tendências atuais forem mantidas.

Entre 2000 e 2010, a taxa de mortalidade por malária caiu mais de 25% em nível global. Assim, conforme os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, foi possível evitar a morte de mais de 1 milhão de pessoas durante este período.

Novos desafios

Com o desenvolvimento das sociedades, o mundo ganhou novos desafios, um deles é a mobilidade urbana, avaliou Chediek. Para resolver os problemas decorrentes da desenfreada urbanização nas cidades do mundo, o coordenador da ONU propõe um planejamento de metas para depois de 2015, prazo estabelecida pelo órgão para a conclusão dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Mais 40 milhões de brasileiros foram resgatados da miséria por meio do ODM, diz secretário-geral da República

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Os municípios envolvidos com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, oito metas definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para solucionar os principais problemas da humanidade, foram responsáveis pela inclusão econômica, social e política de 40 milhões de brasileiros nos últimos anos, afirmou o secretário geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

“Vocês fazem parte dessa grande vitória que tivemos que é o resgate de mais 40 milhões de brasileiros de uma vida de exclusão”, disse o secretário-geral e da República, por meio de uma gravação, durante o seminário de lançamento da 5ª Edição do Prêmio ODM Brasil – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, realizado na sede da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta terça-feira (02/07).

A abertura de lançamento do Prêmio ODM Brasil, feita por Loures. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A abertura de lançamento do Prêmio ODM Brasil, feita por Rodrigo Rocha Loures. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A abertura oficial do lançamento em São Paulo foi feita pelo secretário executivo do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade, e presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic), Rodrigo Rocha Loures.

Carvalho apresentou um balanço do programa de desafios humanitários a serem cumpridos até 2015 e convidou representantes de cidades a inscreverem projetos de inclusão social na iniciativa da ONU.

“Em 2015 a ONU vai fazer um balanço dos ODMs e avaliar a situação de cada um dos países”, afirmou Carvalho. “O Brasil está muito próximo de conseguir todos os oito objetivos do milênio, portanto vamos trabalhar forte e fazer com que cada município possa aderir a esse programa e essa ambição de preenchermos os oito objetivos do milênio”, completou.

Carvalho enviou uma gravação para ser exibida no evento: a mortalidade infantil caiu de 26,1 óbitos em 2001 para 15,7 em 2011. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Carvalho enviou uma gravação para ser exibida no evento: mortalidade infantil caiu de 26,1 óbitos em 2001 para 15,7 em 2011. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo Carvalho, o Brasil tem se destacado no cumprimento das metas do milênio, que são: acabar com a fome; educação básica de qualidade; igualdade entre sexos e valorização da mulher; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde das gestantes; combater a AIDS, malária e outras doenças; qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e o trabalho conjunto para o desenvolvimento.

Segundo dados do governo, a mortalidade infantil caiu de 26,1 óbitos em 2001 para 15,7 em 2011, fazendo com o que o Brasil atingisse a meta com quatro anos de antecedência. Mas o país ainda não cumpriu a meta de redução da mortalidade materna — morte de mulheres ocorrida durante a gravidez, o aborto, o parto ou até 42 dias após o parto.  Em 1990, a taxa era de 141 óbitos por 100 mil nascidos vivos, em 2010 o índice chegou a 68 óbitos por 100 mil nascidos vivos. A meta do ODM é de 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos.

Embora o Brasil esteja bem posicionado no cumprimento das Metas do Milênio, “temos ainda tristes ilhas de isolação”, afirmou Carvalho. Segundo ele, o governo federal deve aumentar o número de municípios premiados pelo ODM. O programa também deve ganhar abrangência estadual. A expectativa é premiar 30 projetos nacionalmente reconhecidos em 2014.

Ministra do Meio Ambiente debate biodiversidade com autoridades da ONU e FAO, na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

A ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, reúne-se na manhã desta quinta-feira (28/02) com autoridades e representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para debater o cenário internacional sobre as metas de biodiversidade de Aichi e o Protocolo de Nagoya.

A ministra estará acompanhada por Bráulio Dias (secretário-geral da Convenção da Diversidade Biológica, da ONU) e Shakeel Bhatti (secretário-geral do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Agricultura e Alimentação, da FAO).

Conferência da ONU sobre mudança do clima confirma novo período de Quioto

Lucas Alves, de Doha, no Catar, para Agência Indusnet Fiesp

Com um resultado considerado pouco ambicioso pela maioria das partes, a 18ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP18), realizada nas últimas duas semanas, no Catar, adotou um segundo período de compromissos para os países desenvolvidos (chamado de Anexo 1), por meio do Protocolo de Quioto, para cumprimento de metas de redução de emissão de gases de efeito estufa, entre 2013 e 2020.”]Imagem relacionada a matéria - Id: 1540143000

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que acompanhou as negociações em Doha por meio de uma equipe técnica, considera que, embora pouco satisfatória, a decisão pela manutenção de Quioto como instrumento legal no combate as emissões de gases que provocam o efeito estufa é essencial para um futuro acordo que devera ser negociado até 2015.

“A continuidade do Protocolo é uma decisão importante para não haver uma lacuna no processo e, assim, evitar abrir margem para que os países retrocedam a tudo aquilo que vem sendo negociado nos últimos anos”, defendeu o segundo vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

Além de ter estabelecido um período de oito anos de compromissos – muitos países defendiam que fossem apenas cinco anos –, Quioto definiu uma meta agregada de redução de emissões pelos países desenvolvidos de 18%, considerando 1990 como ano-base. Entretanto, as nações que aderiram a este segundo período deverão se esforçar para revisar, de maneira ambiciosa, suas metas, de pelo menos 25 a 40%.

O segundo período do Protocolo de Quioto foi aceito pelos seguintes países: Austrália, Belarus, Cazaquistão, Mônaco, Noruega, Suíça, Ucrânia e pela União Europeia. Ficaram de fora nações importantes como os Estados Unidos, Japão e Rússia.

Pós-2015

Em Doha, as discussões também avançaram para a elaboração de um novo acordo global, que deverá ser concluído ate 2015 para entrar em vigor em 2020, reunindo todos os países que participam da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), previsto na Plataforma de Durban (definido na COP17, realizado no ano passado, na África do Sul).

De acordo com a agenda do novo acordo, no ano que vem deverão ser identificadas e exploradas opções de ações que levem a medidas de mitigação mais elevadas, com o objetivo de reduzir as emissões pré-2020. Na decisão, está explicita a forte preocupação com as atuais promessas de redução de emissões (pouco ambiciosas) que poderão comprometer os esforços para que se evite o aumento da temperatura em 2ºC, segundo observou a equipe da Fiesp em Doha.

A COP18 também marcou o encerramento de um importante trilho de negociação, iniciado em Bali, em 2007, o chamado Acordo de Longo Prazo (LCA em inglês). Com o fim deste mandato, as pendências de caráter técnico serão discutidas no âmbito de dois grupos de trabalho, o SBI e o SBSTA, enquanto que as decisões politicas serão tomadas no âmbito do secretariado da COP.

Desta maneira, o pacote com todas as decisões da COP18, chamado de “The Gateway a Second Commitment Period”, deverá ser publicado nos próximos dias.

Fiesp participa da Conferência da ONU sobre Biodiversidade

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê de Mudança do Clima da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reuniu-se nesta terça-feira (06/11) para conhecer e avaliar os principais resultados da Conferência de Diversidade Biológica (COP11), realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em outubro, na Índia.

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Coordenado pelo 2º vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto (ao centro), Comitê de Mudança do Clima da entidade avalia resultados da COP11, realizada pela ONU na Índia


A equipe técnica que foi para Hyderabad destacou que a maior conquista da cúpula foi o anúncio da destinação de recursos financeiros, especialmente por parte dos países desenvolvidos, para a conservação da biodiversidade.

Há dois anos os países-membros da ONU se encontraram na cidade de Nagoya, no Japão, para discutir como a diversidade biológica deveria ser preservada. Nascia, naquele momento, o Protocolo de Nagoya, que estabelece um regime jurídico internacional para a repartição dos benefícios econômicos advindos do uso dos recursos genéticos, tanto para os provedores como para os que utilizam estes recursos.

O Brasil já assinou o Protocolo, que agora segue para ser ratificado pelo Congresso Nacional. Espera-se que o Protocolo entre em vigor a partir de 2014, com a ratificação de, no mínimo, 50 países.

“O setor produtivo faz uso de muitos recursos e a discussão sobre biodiversidade está diretamente ligada à forma como desenvolvemos nossos produtos. Portanto, acompanhar as negociações internacionais é importante para conhecermos quais são os riscos e oportunidades para o Brasil e para internalizarmos as discussões para as mais de 130 mil indústrias que a Fiesp representa”, afirmou o segundo vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê, João Guilherme Sabino Ometto.

Outro tema da Conferência foi a implementação das 20 metas para conservar a biodiversidade do planeta, conhecidas como Metas de Aichi. A data limite para os países apresentarem suas estratégias nacionais de internalização é 2014, quando ocorrerá a COP12.

A Fiesp continuará acompanhando todos os desdobramentos nacionais e internacionais do Protocolo de Nagoya e da internalização das Metas de Aichi.

Fiesp participa das negociações climáticas pré-COP18

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

A Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (para a sigla em inglês UNFCCC) voltará a se reunir, nesta semana, com a árdua tarefa de construir as bases de um acordo para o segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto (KP).

O resultado deverá ser validado pelos países-membros da ONU no final deste ano, durante a COP18, que será realizada no Qatar.

“É preciso acompanhar as circunstâncias em que se dará o acordo do novo período de Quioto e os possíveis impactos para o setor produtivo brasileiro”, afirma o segundo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

A reunião em Bangkok também deverá definir a extensão do mandato dos grupos de trabalho que discutem o Protocolo de Quioto e os Compromissos de Longo Prazo (LCA, em inglês) dos países e a implementação da Plataforma de Durban, definida na última Conferência do Clima, realizada em dezembro do ano passado, na África do Sul.

“Vamos acompanhar as discussões da implementação das iniciativas previstas na Plataforma de Durban e analisar a posição do Brasil na construção deste futuro acordo”, destaca Ometto.



Há espaço para ampliar exportações brasileiras à ONU, afirma ministro Rubens Gama Filho

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Ministro Rubens Gama Filho, do MRE: "Há muito espaço para crescer – na prestação de serviços de toda ordem, venda de bens, alimentos e equipamentos"

O Sistema da Organização das Nações Unidas (ONU) importou de diversos países do globo cerca de 14 bilhões de dólares entre serviços e bens no ano de 2010. A cifra sugere que a organização não oferece apenas soluções políticas ao redor do mundo, mas oportunidades para negócios envolvendo também empresários brasileiros.

Embora o valor importado pela ONU no último ano seja estimulante, a participação do Brasil neste mercado ainda é tímida. Em 2010, o País exportou 227 milhões de dólares para o sistema ONU. Os produtos mais vendidos pelo Brasil foram vacinas, alimentos, equipamentos médicos, de informática e telecomunicações e inseticidas. Os principais serviços prestados por empresários brasileiros foram transferências de fundos, serviços de viagem e sociais.

“Há muito espaço para crescer: na prestação de serviços de toda ordem, venda de bens, alimentos e equipamentos. As Nações Unidas compram muitos equipamentos”, afirmou nesta quarta-feira (28) o ministro Rubens Gama Filho, diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores, durante o seminário “Como vender para a ONU”.

Organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São (Fiesp) e pelo Ministério das Relações Exteriores, o seminário é uma iniciativa do Programa de Promoção das Exportações para o Sistema Nações Unidas (PPE-ONU), conduzido pelo Itamaraty, em cooperação com o Serviço de Compras das Nações Unidas.

O PPE-ONU foi concebido pelo Itamaraty em 2004 e os objetivos do programa são: aumentar as exportações brasileiras ao sistema; informar sobre as regras e princípios adotados pelas agências da ONU no momento da compra; orientar empresas brasileiras no processo de registro e cadastro para participação do mercado.

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Natasha Fernandez, representante de compras governamentais: "Quanto mais empresas participarem, melhor para nós"

Gama Filho ressaltou ainda um outro forte interesse do Itamaraty em relação às exportações para a ONU: a participação política do Brasil no organismo por meio dos negócios. “Não é só exportação, mas estamos muitos interessados em saber que temos mais de mil empresas brasileiras cadastradas e com voz neste sistema. Isso nos dá peso político”, completou o ministro.

Como vender para ONU

As Nações Unidas possuem a Divisão de Licitação para regular as ofertas e os negócios alcançados com fornecedores de diversos países. Segundo o ministro Gama Filho, como parte do processo de aquisições, e por uma questão de princípios, a ONU busca evitar que as compras se concentrem demais nos países mais competitivos, dando oportunidade de suas licitações aos países em desenvolvimento. “As nossas empresas não podem ficar fora desse sistema, é uma boa oportunidade comercial, mas politicamente também”, reforçou.

Para participar do processo de licitação na ONU é necessário registrar a empresa no site do orgão. A representante de compras governamentais Natasha Fernandez explicou que, por se tratar de um organismo com grande variedade de agências, e necessidades, o registro da empresa é obrigatório e importante para definir à qual das 37 agências se aplica determinada oferta de bens ou serviços.

“Por terem propósitos diferentes, elas compram mercadorias diferentes, é fundamental que você faça sua lição de casa, o registro”, afirmou Natasha durante o seminário. Em 2009, a ONU importou 6,3 milhões de dólares em serviços e 7,4 milhões em bens, somando 13,7 bilhões de dólares em um ano.

Concorrência

Natasha Fernandez acrescentou que a expectativa da Divisão de Licitações da ONU é que um número cada vez maior participe dos processos de licitação. “Quanto mais empresas participarem, melhor para nós. Não queremos o melhor, nem o mais barato. Queremos a melhor combinação entre preço e qualidade”, concluiu.

Diretora da Fiesp comenta discurso de Dilma, a primeira mulher a abrir encontro da ONU

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da República, Dilma Rousseff, discursou, pela primeira vez na história da Organização das Nações Unidas (ONU), durante a abertura do encontro anual de líderes de todo mundo, e a diretora-titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, Eliane Belfort, acredita que a exposição de Dilma pode contribuir ainda mais para vencer o persistente preconceito contra mulheres em cargos de liderança.

“Essa visibilidade dá oportunidade para colocar em pauta as questões sobre a mulher, pois ainda existe preconceito. Sim, a mulher é invisível em muitas áreas”, alertou Eliane.

O discurso de Dilma diante dos líderes mundiais reflete o aumento da participação da mulher, conquistada ao longo das décadas, em setores como a política e a economia. O empoderamento das mulheres será um dos temas abordados na 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, em novembro.

“Junto à minha voz a voz das mulheres que ousaram lutar e ousaram participar e conquistar espaço de poder que me permite estar aqui hoje”, disse a presidente Dilma em seu discurso de abertura. Ela ressaltou, no entanto, que a fatia feminina na política ainda é pequena. “Fui a primeira mulher eleita presidente do Brasil, 121 anos depois da proclamação da República, e 78 anos depois que as mulheres tiveram direito ao voto. Nós representamos 52% dos eleitores, mas só 10% dos parlamentares são do sexo feminino”, completou Dilma Rousseff.

A diretora do Cores/Fiesp reforça o argumento da presidente lembrando que a cota para a participação feminina em partidos políticos é, muitas vezes, ignorada. Ela também chama a atenção para a importância da atuação das mulheres no processo de reforma política. “Nós temos hoje algumas políticas que não estão sendo aplicadas, como a obrigatoriedade de participação feminina nos partidos políticos, que não cumprem as leis e não são punidos por isso”, acrescentou Eliane.

O Brasil adota cotas para candidaturas de mulheres em nível municipal desde 1995. Em 1997, essas medidas foram estendidas para todas as eleições proporcionais e estabeleceram a reserva de no mínimo 30% e, no máximo, 70% de vagas para cada sexo nas listas partidárias.

Maior participação feminina

A ministra Iriny Lopes, secretária de Políticas para Mulheres, fará uma palestra sobre a importância do fortalecimento da participação das mulheres para o equilíbrio socioeconômico das nações, no primeiro dia da 5ª Mostra.

Conhecida por sempre atuar em prol dos direitos humanos, inclusive nos temas que se referem à luta dos direitos das mulheres, Iryni Lopes foi a relatora da Lei Maria da Penha.

“Esse tema começou a ser enfatizado por nós em 2008, quando realizamos, na Mostra, uma mesa redonda sobre o tema ‘mulheres protagonistas’. No ano passado, promovemos um debate sobre o desafio de conciliar trabalho e família. E este ano, como o tema central da Mostra é ‘Desenvolvimento Social e Resultado Econômico’, abordaremos a questão da promoção da igualdade entre os gêneros para o desenvolvimento socioeconômico no mundo”, complementou a diretora da Fiesp.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) irá sediar a edição 2011 da Mostra durante os dias 21, 22 e 23 de novembro.

Praticar sustentabilidade: um passaporte para os mercados globais

Agência Indusnet Fiesp,

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Vitor Seravalli, presidente do Comitê e diretor de Responsabilidade Social do Ciesp

O Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG) pode transformar o País, em 2010, na primeira rede do mundo em número de empresas signatárias. A iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), lançada em 2000, lista dez princípios empresariais para transformar o planeta e reúne 7.700 participantes, dentre eles mais de cinco mil organizações articuladas por 130 redes no mundo todo.

Atualmente, 350 companhias brasileiras assinam o Pacto Global, que estimula a responsabilidade social no setor privado. O montante coloca o Brasil em quinto lugar em número de signatários.

Mas, segundo o presidente do Comitê e diretor de Responsabilidade Social do Ciesp, Vitor Seravalli, há espaço para elevar o País ao primeiro posto, hoje ocupado pela Espanha, com cerca de 700 organizações.

“O Brasil tem condições de liderar a rede em um curto espaço de tempo. Fazer parte dessa iniciativa, hoje, é um ticket para investir na Bolsa de Valores, abrir capital, fazer negócios e entrar em mercados internacionais”, afirmou Seravalli, em painel que discutiu o tema na 4ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.

“É uma grande oportunidade que as empresas têm de praticar e trazer a sustentabilidade para perto dos negócios. Hoje se tem usado essa palavra com frequência, mas muitas vezes as pessoas não entendem quais são os seus papéis em relação à sustentabilidade”, acrescentou.


Liderança
Criado em 2003, o Comitê Brasileiro é um grupo voluntário formado por 32 organizações nacionais. Sua finalidade: promover a adoção e incorporação dos princípios do Pacto Global na gestão de negócios das empresas que operam no Brasil, como forma de fortalecer o movimento de responsabilidade social no País.

Uma das empresas signatárias é a CPFL Energia. O gerente de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa, Henrique Lian, falou sobre a estratégia da companhia em adotar práticas sustentáveis e aplicá-las aos negócios.

Em 2009, o grupo investiu R$ 159 milhões na busca da maximização dos aproveitamentos energéticos e gerenciamentos de riscos ambientais de suas operações, e implementou sistemas de prevenção para controlar os impactos do negócio na sociedade, nas comunidades e no meio ambiente.

Além disso, neste ano, a companhia passou a publicar seu Relatório Anual em formato de blog, iniciativa pioneira no Brasil. “A CPFL é a primeira empresa brasileira a utilizar a ferramenta, que permite um diálogo constante com nossos públicos de interesse, inclusive para incorporar sugestões”, afirmou Lian.

Apoio à indústria
Mas nem só de grandes companhias é feito o Pacto Global. Segundo Vitor Seravalli, empresas com mais de seis funcionários já podem ser signatárias e criam condições de serem notadas pelos públicos de interesse (stakeholders). No Brasil, a participação é igualmente dividida entre as grandes (54%) e as pequenas e médias (46%).

Também signatário e membro do CBPG, o Serviço Social da Indústria (Sesi) faz o papel de mediador do processo nas indústrias. O plano de ação envolve a mobilização de empresas para a adoção de práticas socioambientais, por meio de oficinas e workshops, além do Prêmio Sesi de Qualidade no Trabalho (PSQT).

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Alex Mansur, gerente-executivo do Sesi-Departamento Nacional

A entidade oferece serviços de apoio aos industriais em programas de inclusão de pessoas com deficiência, diagnóstico do clima organizacional, elaboração de relatórios de sustentabilidade e códigos de ética, investimento social privado e, ainda, a aplicação do Modelo Sesi de Sustentabilidade no Trabalho, ferramenta em desenvolvimento.“Ajudar as empresas a desenvolver esse processo internamente, podendo aplicar os princípios do Pacto Global em seus negócios, está no nosso DNA”, sublinhou o gerente-executivo do Sesi-Departamento Nacional, Alex Mansur.

Brasil pode ser maior rede signatária do Pacto Global das Nações Unidas

Agência Indusnet Fiesp,

O Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG) pode transformar o País, em 2010, na primeira rede do mundo em número de empresas signatárias. A iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), lançada em 2000, lista dez princípios empresariais para transformar o planeta e reúne mais de sete mil organizações articuladas por 150 redes no mundo todo.

Atualmente, 316 companhias brasileiras assinam o Pacto Global, que estimula a responsabilidade social no setor privado – o que coloca o Brasil em quinto lugar em número de signatários. Mas, segundo o presidente do CBPG e diretor de responsabilidade social do Ciesp, Vitor Seravalli, há espaço para elevar o País ao primeiro posto, hoje ocupado pela Espanha, com cerca de 700 organizações.

“Fazemos tantas ações isoladas em sustentabilidade e, quando surge uma iniciativa global que tem tudo para nos dar visibilidade, nem sempre é aproveitada como poderia”, afirmou o diretor, durante reunião do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp nesta segunda-feira (26). Seravalli representa a Fiesp no Comitê, que também é signatária do Pacto.

“Nossa meta é transformar a rede brasileira na primeira do mundo. Está faltando pegar esse nosso potencial empresarial e juntá-lo a uma ação que dê às empresas a capacidade de comunicar suas iniciativas socioambientais”, acrescentou.

Criado em 2003, o Comitê Brasileiro é um grupo voluntário formado por 30 organizações nacionais. Sua finalidade: promover a adoção e incorporação dos princípios do Pacto Global na gestão de negócios das empresas que operam no Brasil, como forma de fortalecer o movimento de responsabilidade social no País.

Segundo Vitor Seravalli, empresas com mais de seis funcionários já podem ser signatárias do Pacto e criam condições de serem notadas pelos públicos de interesse (stakeholders). No Brasil, a participação é igualmente dividida entre as grandes (54%) e as pequenas e médias (46%) empresas.

“Os relatórios de sustentabilidade ficam visíveis no site internacional do Pacto Global. Quando a ONU reconhece a iniciativa como progresso notável, a empresa ganha uma estrela. É um benchmarking natural”, aconselha o diretor do Ciesp e presidente do CBPG.

Para saber como participar, acesse o site da rede brasileira do Pacto Global, ou informe-se no Ciesp, pelo e-mail atendimento@ciesp.org.br.