Nova matriz energética segue precisando das termoelétricas, diz diretor-geral da ONS

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Hermes Chipp. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

A oferta de energia eólica deve superar os 473 megawatts em 2018, enquanto o crescimento da oferta da hidráulica deve chegar a 22,3 mil megawatts no mesmo período. Ainda assim, a nova matriz energética, que se configura em torno de fontes renováveis, vai precisar das térmicas convencionais para atender a demanda, equilibrar custos e dar segurança ao sistema.

A avaliação é do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermann Chipp.

“Vai ser uma maravilha, mas para garantir atendimento tem de ter térmica. Essa matriz tem de ser modificada”, defendeu Chipp, ao participar do segundo dia de agenda da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo ele, a oferta de energia deve aumentar em 20 mil megawatts em 2018 somente com expansão hidrelétrica , o que significa um crescimento de 22,3% entre 2013 e 2018. “Mas você não pode contar só com isso. Então, vai ter precisar de térmica”.

Para Chipp, a matriz energética brasileira permitirá no futuro a inclusão de novos reservatórios na matriz, aumento da participação térmica convencional (carvão mineral e gás natural) no médio prazo e viabilidade da expansão do parque nuclear no longo prazo.

O diretor do ONS informou ainda que o índice de armazenamento energético deve chegar ao fim do ano a uma taxa de 30%. “Isso é 10% abaixo da média.”

Chipp reiterou que na atual situação, “fica clara a necessidade de mudança da política operativa com despacho térmico, mesmo para anos hidrológicos próximos à média”.

Para Marco Antônio Oliveira, representante da PSR Consultoria, se o país quiser aumentar a matriz energética com riscos menores, precisa colocar térmica na expansão.

“Se quiser andar com nível de risco mais baixo, 15% de térmica. Se olharmos a diferença de na geração do período úmido para o seco, você vai ter problema no período seco para operar o sistema. A gente tem que inserir térmicas para manter até o nível de participação que ela tem hoje”, defendeu Oliveira.

Fontes renováveis

De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, as fontes renováveis devem atingir uma participação de 83,5% somente da matriz de energia elétrica em 2022. Em 2013, cerca de 78,4% da matriz era proveniente de fonte renovável.

Altino Ventura Filho: (AR)_altino_ventura. Brasil tem, portanto, todas as condições para ser autossuficiente em termos de energia. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Segundo Ventura Filho, a participação das hidrelétricas na matriz deve cair de 76,9% para 69,9% em 2022, enquanto as térmicas por carvão deve manter a participação entre 1,4% e 1,5%. Já a eólica deve aumentar para 5,2%.

“O Brasil tem, portanto, todas as condições para ser autossuficiente em termos de energia, um exportador, um trade importante no mercado internacional”, disse Ventura Filho.

De acordo com dados do secretário, as fontes renováveis no mundo corresponderam a 13,4% da matriz de energia em 2013, contra 40,5% do Brasil no setor de energia como um todo no mesmo período. Os combustíveis fósseis chegaram a participar com 81,7% da matriz no ano passado, enquanto no Brasil o percentual foi de 58,2%.

O painel “Nova Configuração da Matriz Elétrica”, moderado pelo diretor da Fiesp Nelson Barreira, também contou com a participação do professor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e do diretor de construção da Norte Energia, Duilio Diniz de Figueiredo.
L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

14º Encontro de Energia: painel debate operação do Sistema Integrado Nacional

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A operação do “Sistema Integrado Nacional (SIN) frente às mudanças da matriz elétrica” foi tema de painel que reuniu especialistas de grandes empresas no segundo e último dia (06/08) do 14º Encontro Internacional de Energia realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro foi mediado por Carlos Faria, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da instituição.

Antes de passar a palavra para os convidados, Faria iniciou o debate afirmando que o consumidor tem assistindo à expansão do sistema energético com diminuição da capacidade de armazenagem e da geração hídrica, a “fonte mais barata que temos”.

Os debatedores do painel. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel sobre o SIN no 14º Encontro de Energia da Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Após o mediador, João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia, falou sobre matriz energética brasileira, que, em sua opinião, está mudando. “O setor elétrico atravessa um momento de transição estrutural importante de sua matriz. A presença de projetos termelétricos é uma realidade.”

Segundo Mello, os novos projetos de geração hidráulica e eólica com produção intermitente farão com que as térmicas sejam despachadas com maior frequência para assegurar suprimento. “As novas regras do setor buscam priorizar a segurança do suprimento energético, o que resultará num despacho térmico mais significativo”, disse.

Mello garantiu que o Brasil verá uma evolução da matriz até 2020. “A geração hidrelétrica vai baixar para 67% do total. Enquanto as térmicas se manterão em 17%. Já as renováveis saem de 9% para 16%, até o fim da década”, afirmou. “A complementação térmica é necessária”, acrescentou.

Leontina Pinto, diretora da consultoria Engenho, também abordou a operação do sistema brasileiro. “Sem geração e sistema, não tem abastecimento. E o sistema precisa ter modicidade, segurança e sustentabilidade”, iniciou.

Para atingir esse modelo, para Leontina, é necessário levar em consideração os recursos naturais existentes no Brasil. “O modelo adotado foi o de leilões. O perigo do planejamento energético atual é que não temos recursos para atender e, assim, faltará energia. A segurança do sistema deve ser considerada”, alertou.

“Precisamos de um serviço que contenha modicidade e segurança. Segurança é um produto a ser precificado. Uma usina eólica no Nordeste não trará certeza de abastecimento para o Sudeste”, encerrou.

Hermes Chipp, diretor geral do Operador Energético do Sistema Elétrico (ONS), compartilhou dados recentes sobre o sistema nacional. “No último ano, as regiões Sudeste e Centro-oeste, grandes produtoras energéticas, tiveram que transferir altos montes de energia para as regiões Norte e Nordeste. O que nos faz olhar com mais cuidado essa expansão energética, já que temos um problema de integração”, disse.

De acordo com o diretor, a grande previsão de expansão térmica será proveniente de usinas hidráulicas, com aumento de 20,1% e crescimento de produção de 17 mil Megawatts, sendo mais de sei mil provenientes da Usina Hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.

Para Chipp, expansão térmica é a saída para o desenvolvimento.