Fiesp renova associação com Organização Nacional da Indústria do Petróleo

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp renovou, no início de abril, a sua associação com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). A indústria nacional de bens para o setor de óleo e gás natural representa 3,7% do PIB brasileiro e emprega 700 mil pessoas, o que significa 0,7% dos empregos existentes no país. As informações são de levantamento realizado pelo Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia – (Decontec) da federação.

“A Fiesp tem muita importância na Onip:  49% das empresas, 57% da força de trabalho e 51% do faturamento dessa indústria estão localizadas no estado de São Paulo”, apontou o 2º vice-presidente da federação, José Ricardo Roriz Coelho, que integra o corpo de conselheiros da Onip.

Roriz lembra também que São Paulo já é o terceiro maior produtor nacional de petróleo e o segundo maior de gás natural. “E essa participação só vai crescer com o aumento da produção da Bacia de Santos”, disse.

A Onip passou por uma reestruturação e inicia sua atividade com foco na competitividade.

O objetivo é ser um fórum neutro de articulação e cooperação entre as companhias de exploração, produção, refino, processamento, transporte e distribuição de petróleo e derivados, empresas fornecedoras de bens e serviços, além de organismos governamentais e agências de fomento.

 

Workshop discute aumento da rede de fornecedores para o setor de petróleo e gás

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê de Petróleo e Gás (Competro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), realizou, na manhã desta quarta-feira (29/01), um workshop tecnológico que teve como objetivo dar início às atividades de desenvolvimento da rede nacional de fornecedores no setor de petróleo e gás.

Representantes de grandes empresas da área e autoridades estiveram presentes. Eduardo Berkowitz, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) e membro do Competro, comemorou a realização do evento, que, entre outras coisas, deu início aos processo de nacionalizar peças  que ainda não são fabricados no Brasil.

Segundo Berkowitz, o workshop é uma continuação dos trabalhos iniciados em 2013, quando foram identificadas oportunidades de nacionalização de peças e equipamentos de barcos de apoio usados pelo setor de petróleo e gás.

O workshop desta quarta-feira (29/01) na Fiesp: mais oportunidades para as empresas brasileiras. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O workshop na Fiesp: mais oportunidades para as empresas brasileiras. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

“Oito ou nove projetos foram identificados em reuniões prévias e foram levados adiante por empresas âncoras. Agora essas empresas estão discutindo quais as próximas etapas para que esses projetos possam seguir em frente. Para que, por fim, seja desenvolvido o conteúdo local”, explicou.

Também presente ao encontro, Ubirajara Sampaio de Campos, subsecretário de Petróleo e Gás da Secretaria de Energia e coordenador do Programa Paulista de Petróleo e Gás – iniciativa que visa apoiar o desenvolvimento de fornecedores paulistas para a área – afirmou ser fundamental reuniões como a desta quarta-feira (29/01).

“Esse encontro é uma consequência de um trabalho anterior. A cadeia produtiva de petróleo e gás é um mercado muito diversificado, que irá crescer muito. São fundamentais esses encontros, porque há a necessidade de compreender quais as ações devem ser tomadas para a melhoria da cadeia”, disse

Novas frotas

Segundo Luís Fernando Mendonça, superintendente da Onip, “esse encontro é uma consequência do workshop de equipamentos para sistemas e equipamentos que são fornecidos para estaleiros que constroem barcos de apoio do tipo PSV, cuja demanda brasileira é muito grande”.

Segundo o superintendente, é necessária a substituição e o constante investimento na criação de novas frotas da cadeia de fornecimento. Para isso, a indústria brasileira precisa estar preparada e pronta para atender a demanda crescente.

“É fundamental desenvolver a cadeia de suprimentos e contribuir para que gargalos de equipamentos sejam desobstruídos”, disse.

Segundo Glauco Túlio, diretor de marketing comercial da empresa Tecmar – Motores Marítimos, o setor privado tem muito a ganhar com o workshop. “Hoje é o segundo passo para iniciar a produção e começarmos a busca de parceiros para nacionalizar produtos”, disse. “Buscamos aqui parceiros para desenvolvimento, pesquisa e usinagem, explicou Túlio.

Na próxima década Brasil investirá US$ 400 milhões em offshore, diz especialista

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip)

Discutir o futuro da cadeia produtiva de petróleo e gás, além dos investimentos na formação profissional especializada que atendam à demanda do setor petrolífero para extração das reservas do pré-sal foram alguns dos temas abordados durante Seminário Desafio Pensando no Futuro: Pré-Sal, realizado nesta terça-feira (1º), no Espaço Fiesp.

Segundo Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip), o Brasil investirá cerca de US$ 400 milhões no setor offshore, responsável pela extração das reservas marítimas de petróleo e gás natural.

De acordo com dados da Petrobrás, 81% das reservas petrolíferas brasileiras estão concentrados no subsolo marinhos. Destes, 64% ficam em águas profundas e ultra-profundas. Além disso, 90% dessas novas reservas comprovadas de petróleo encontram-se no fundo do mar.

Renault acredita, no entanto, que, além dos investimentos no setor petrolífero, o governo federal precisa estabelecer uma política industrial específica para área de pré-sal. A medida, segundo ele, permitirá o desenvolvimento sustentável do setor e a participação das empresas nacionais, com destaque para os micro e pequenos negócios. “Precisamos de um planejamento com metas de médio e curto prazos. Assim teremos uma participação efetiva do empreendedor nacional neste mercado”, argumentou.

Royalties

A disputa pelos royalties de petróleo foi vista com preocupação por José Anibal, secretário de estado de Energia de São Paulo. Em sua avaliação, temas importantes como investimentos na área de infraestrutura, modernização e capacitação de mão de obra foram deixados de lado.

José Anibal, secretário de estado de Energia de São Paulo

“O debate sobre o pré-sal está focado na distribuição dos royalties. Está errado! Precisamos de uma ação bem organizada, que permita a qualificação dos recursos humanos, empresarial e um financiamento tecnológico. Não nos falta formulação. O que pode nos faltar é ação, convergência”, alertou.

Segundo Aníbal, o governo do Estado de São Paulo é favorável à repartição dos royalties, mas defende uma discussão do projeto já aprovado pelo Senado e que agora será votado na Câmara dos Deputados.

O substitutivo apresentado pelo senador Vital do Rego (PMDB-PB) propõe que, a partir de 2012, a União e os estados produtores fiquem com 20% dos royalties, cada um, e que os municípios confrontantes passem a receber 17%, chegando a 4% em 2020. “Este substitutivo provoca perdas para os estados produtores e para os municípios confrontantes”, concluiu o secretário.

País precisa de uma política forte para o setor de Petróleo e Gás

Odair Souza, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil precisa se posicionar estrategicamente para garantir que a indústria nacional tenha capacidade de aumentar o conteúdo local nos investimentos em petróleo e gás. Este foi o entendimento dos palestrantes do painel Política Industrial para o Setor de Petróleo e Gás e a Demanda de bens e Serviços do Pré-sal, durante o 12º Encontro Internacional de Energia, promovido pela Fiesp nestas segunda e terça-feira (15 e 16).

Eloy Fernandez y Fernandez, diretor da Onip

Apesar das medidas que o governo vem tomando para posicionar melhor o fornecedor brasileiro, as entidades representantes da indústria de petróleo e gás advertem para os gargalos críticos que podem dificultar a geração de empregos, o aumento da competitividade e o sucesso da participação das empresas nacionais como fornecedoras de bens e serviços ligados ao petróleo, que pode totalizar US$ 400 bilhões até 2020. “O Brasil tem escala suficiente para desenvolver uma sólida cadeia de bens e serviços”, observou o diretor geral da Onip, Eloy Fernández y Fernández.

O diretor da Onip considera que, para o País alcançar esse patamar, o setor de petróleo precisa de uma política ampla por parte do governo. “Se os fatores de competitividade não forem implementados com êxito, a geração de empregos nos próximos 10 anos, que poderia totalizar entre 1,7 milhão e 2,1 milhões, não acontecerá nessa projeção”, alertou Fernández.

O diretor da Onip elencou alguns fatores capazes de influenciar positiva ou negativamente no aumento do conteúdo local:

  • Sistema tributário, custo de capital e câmbio;
  • Inovação dentro das empresas;
  • Desenvolvimento da Engenharia nacional;
  • Educação básica e técnica;
  • Ganhos de produtividade; entre outros

 

Para o diretor do IBP, Antonio Carlos Guimarães, o discurso de que as empresas operadoras só têm interesse em produtos importados virou jargão. “Ao contrário, as operadoras entendem que comprar no Brasil é um bom negócio. O desenvolvimento sustentável do País está no DNA delas”, sublinhou.

Guimarães vislumbra um aumento significativo da produção industrial destinada ao setor de petróleo e gás. “Juntos, virão o aumento da arrecadação e a geração de novos empregos”, previu. O palestrante também considerou que para aumentar a capacidade produtiva das empresas nacionais são necessários incentivos que viabilizem o predomínio de fornecedores nacionais. “Hoje, o predomínio é dos produtos estrangeiros, há um ‘gap’ enorme do ponto de vista da capacidade das empresas nacionais”, refletiu.

Mais empregos

O plano de investimento da Petrobras vai aumentar consideravelmente o número de empregos na cadeia naval, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça. “Dos atuais 60 mil trabalhadores, o setor deverá ter mais de 100 mil funcionários, em decorrência do aumento da fabricação de plataformas e navios de transporte”, disse. Mendonça também considerou a necessidade de uma política concreta para o setor.

Mobilização da Indústria

O diretor de Infraestrutura da Fiesp e do Ciesp, Julio Diaz, fez um relato da mobilização que a Fiesp/Ciesp tem feito para conscientizar a indústria paulista sobre o potencial de investimentos que o setor de petróleo e gás terá nos próximos anos.

“Há 10 anos, o setor representava 5% do Produto Interno Bruto brasileiro. Hoje, corresponde a 10%, em 2010 será responsável por 20%”, frisou. “Estamos perdendo para o mercado externo em competitividade”, disse ao enumerar o leque de incentivos que a Petrobras e seis instituições financeiras oferecem à indústria fornecedora do setor. O painel foi coordenado pelo diretor da Fiesp, Paulo Guirro Pacheco.

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Acompanhe a cobertura do 12º Encontro Internacional de Energia