Brasil e França discutem desafios da indústria de alimentos e ações conjuntas

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Representantes da indústria de alimentos do Brasil e da França discutiram na tarde desta quarta-feira (26/11) os desafios de entregar à sociedade um produto mais saudável, mas que proporcione o mesmo bem estar ao consumidor que itens com alto teor de açúcar e gorduras.

Os debates aconteceram durante a conferência “Olhares Cruzados França-Brasil sobre Alimentação”, organizada pela Embaixada da França no Brasil em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por intermédio do Departamento de Agronegócio (Deagro) da entidade.

>> Cultura alimentar na França e no Brasil é tema de evento na Fiesp 

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Adriana Matarazzo: “como fazer um produto bom com menos açúcar sendo que brasileiro adora açúcar?”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“Como fazer um produto bom com menos açúcar sendo que brasileiro adora açúcar?”, questionou Adriana Matarazzo, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Sustentabilidade da Danone.

Ela explicou ainda que o desafio de entregar alimentos industriais mais funcionais e com baixo teor de açúcar no Brasil é ainda maior que em países da Europa, uma vez que o brasileiro convive há séculos com uma tradicional produção de cana-de-açúcar e possui um hábito alimentar historicamente ligado à commodity.

“Questões históricas e culturais nos levaram a consumir mais açúcar. Enquanto na França, por exemplo, como a produção de açúcar a partir da beterraba tem uma mão de obra mais cara, o consumo de açúcar não foi muito estimulado”, esclareceu.

Adriana elogiou o programa de redução de sódio em alimentos industriais conduzido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia). Ela acredita que o próximo alvo dos esforços da agência “vai ser o açúcar”.

Equivalência sanitária

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Fabiano Caridade, da Allfood. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O diretor da importadora de alimentos Allfood, Fabiano Caridade, também participou dos debates da conferência e reiterou a importância de um acordo de equivalência sanitária entre Brasil e União Europeia, a medida eliminaria barreiras comerciais de produtos de origem animal.

“A gente aguarda ansiosamente isso. O Brasil não tem equivalência sanitária com a França e isso levaria a evolução da fabricação nacional”, defendeu.

Agenda positiva

O diretor-adjunto do Deagro/Fiesp, Mário Sérgio Cutait, encerrou os trabalhos da conferência propondo que seja feito um cronograma para um grupo de trabalho que estude avanços na inovação da indústria de alimentos dos dois países e acordos que facilitem o comércio bilateral.

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Mário Sérgio Cutait propõe formação de um grupo de trabalho para estudar avanços. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“Minha proposta seria criar uma agenda positiva para o ano que vem. Temos uma lição de casa para fazer e, em conjunto, tentar superar esses desafios”, concluiu.

O embaixador da França no Brasil, Denis Pietton, e o fundador da Enivrance, empresa especializada em inovação agroalimentar, Édouard Malbois, também participaram das discussões.

“Precisamos de uma indústria forte, adaptada para atender as nossas necessidades. A natureza é extraordinária, mas poder transformá-la também é extraordinário”, disse Malbois.