Aumentos de população e de renda causam desequilíbrio entre demanda e oferta

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/dir.: André Pessôa, da Agroconsult, e Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro

A fim de analisar o investimento internacional e a expansão da oferta agrícola, o Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp convidou especialistas atuantes no setor para sua reunião mensal, realizada nesta segunda-feira (18) na sede da Sociedade Rural Brasileira.

Durante o evento, foi exposto o relatório sobre os Impactos Econômicos do Parecer da Advocacia Geral da União (AGU), que restringe a aquisição de terras por estrangeiros. O fundador e diretor da Agroconsult, André Pessôa, também apresentou as principais causas do desequilíbrio entre a oferta e a procura dos principais produtos agrícolas no mundo como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo ele, a demanda está correndo à frente da oferta por vários motivos: aumento da população mundial, especialmente urbana, e avanço do poder aquisitivo. E, apesar da repetição anual do recorde da produção de commodities, os estoques das safras mais relevantes estão em níveis muito próximos aos da década de 70.

“Naquela época, foi importante a chamada “revolução verde”, para equilibrar o choque de demanda com o uso de tecnologias modernas e insumos aprimorados, o que permitiu aumento do nível de estoques e a queda do custo das principais commodities”, explicou André Pessôa.

E continuou: “Estamos na mesma situação daquela época: hoje temos uma ferramenta poderosa que é a biotecnologia, que tem permitido a manutenção de taxas de crescimento de produtividade positivas. No entanto, este aumento é decrescente”, analisou.

Dependência

De acordo com Alexandre Mendonça de Barros, sócio-consultor da MB Agro Associados, o Brasil conquistou uma segurança alimentar sólida e robusta, e tem sinalizado para que outros países abram seus mercados e dependam da oferta do Brasil. A China, por exemplo, está aumentando a renda e expondo sua dependência do produto brasileiro.

“Devemos ter uma postura condizente com a abertura de mercado do mundo, já que o paradigma chinês reza que o país jamais importará alimentos”, afirmou Barros. Outro aspecto ainda relacionado é que a segurança alimentar não se refere somente à disponibilidade física do produto, mas também à capacidade de renda para a sua aquisição.

Expansão

Conforme apresentado, apenas para aquisição da terra e a montagem da infraestrutura básica operacional dentro das fazendas, seria necessário investir, em bilhões, R$ 31,2 em grãos de algodão, R$ 43,8 em cana-de-açúcar e R$ 18,5 em florestas, totalizando R$ 93,5 bilhões. Isso sem contar outros R$ 64 bilhões para as usinas de cana, o que fecha a soma em mais de R$ 150 bilhões em aportes.

“Se este dinheiro não estiver disponível, cresceremos em um ritmo bem menor, já que o Brasil não é um país rico em capital. Estamos falando de quase um “pré-sal” da agricultura em investimento nos próximos anos”, sinalizou Alexandre Mendonça de Barros.