Iniciativas Sustentáveis: Papel Semente – Germinando Inovação

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Por Karen Pegorari Silveira

Criada em maio de 2009, a empresa Papel Semente produz papel artesanal, ecológico e reciclado que recebe sementes de flores, hortaliças e temperos durante seu processo de fabricação. A proposta é que, depois de usado, o papel seja picado em pedacinhos e plantado na terra — em 20 dias, as primeiras mudas começam a aparecer.

A grande sacada foi desenvolvida por Andrea Carvalho e os sócios Paulo Candian e Luis Felipe Di Mare Salles e hoje já produz 50 mil folhas por mês, com capacidade para multiplicar esse volume por cinco na fábrica de 1,2 mil m².

As folhas germináveis podem ser utilizadas para vários tipos de comunicação – convites, crachás, cartões de visita, envelopes, embalagens, flyers e folders; e após sua utilização podem ser plantadas, no lugar de enviá-las ao lixo. Do papel que se planta nascem flores, verduras e até mesmo ervas medicinais.

Na fabricação artesanal são utilizadas aparas coletadas por cooperativas certificadas de catadores de papel, que viram uma massa de celulose e recebem sementes rastreadas e certificadas, que se tornam os papéis, que podem ser plantados em até seis meses. Mas nem toda semente pode ser misturada ao papel, afirma Andrea Carvalho. Só as mais resistentes e as pequenas – as grandes deixam a folha muito granulada e dificultam a impressão.

No Brasil, as sementes mais utilizadas são as de cravinho francês, margarida, clarquia, agrião, rúcula, manjericão, almeirão, mostarda, cenoura, tomate e pimenta. E até de angico-vermelho, árvore da mata atlântica que pode chegar a 20 metros de altura!

O negócio social da Papel Semente já comemora alguns números – 90% dos colaboradores da empresa são residentes da comunidade próxima a sede, em Guaxindiba, São Gonçalo (RJ); nestes anos, mais de 46 toneladas de papel foram recicladas; 1012 árvores deixaram de ser derrubadas; 460 mil litros de água deixaram de ser utilizados e 173 megawatts hora de energia elétrica foram economizados.

Aos poucos, a empresa foi conquistando clientes grandes como Coca-Cola, Grendene, Braskem, Ogilvy, Renner, Nextel e Bradesco. A participação em eventos como o Rock in Rio, em 2015, e os Jogos Olímpicos, em 2016, ajudou a consolidar a reputação da Papel Semente em território nacional. A primeira exportação aconteceu para um banco de Angola, em 2012. Dois anos depois, o dono de uma agência de marketing de Lisboa conheceu a marca pela internet e fez as primeiras encomendas de papel plantável.

Hoje, a Papel Semente exporta para Angola, Portugal, Alemanha e Suíça. Do total, 10% do faturamento vem das vendas para o exterior. No futuro, a empreendedora deseja exportar para mais países como Uruguai, Argentina, Equador, México, França e Inglaterra. Ainda no primeiro semestre de 2019 lançarão o e-commerce na Europa, tendo como base Paris.

A sócia Andrea foi uma das mulheres selecionadas do Programa de Empreendedorismo Feminino da Fundação Banco Goldman Sachs, que capacitou 10 mil mulheres ao redor do mundo para gestão de suas empresas, participou do Projeto Visão de Sucesso da Endeavor, é Embaixadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) no Rio, é colíder do Grupo Mulheres do Brasil e trabalha a questão de gênero e empoderamento feminino.

Segundo Andrea Carvalho, eles medem o sucesso do negócio pelo bem-estar das pessoas, da sociedade e da natureza. “Quero que meu filho e netos vivam em um mundo mais justo e sustentável. O caminho para isso é a inovação social. É criar negócios de impacto. Aqui na Papel Semente empregamos a comunidade local e incluímos os catadores da cooperativa da região em nossa cadeia de valor: são nossos fornecedores”, completa.

Sobre a Papel Semente

A fábrica foi implantada no Estado do Rio de Janeiro, para onde Andréa e o marido se mudaram com a família. O empreendimento vai completar 10 anos de mercado, em maio próximo, e conta atualmente com 14 funcionários.  A área de produção fica em São Gonçalo e o escritório em Niterói.

Iniciativas Sustentáveis: Siemens – Educação com base na experimentação

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Por Karen Pegorari Silveira

A partir do grande desafio no cenário educacional brasileiro, a indústria Siemens, por meio de sua Fundação, se propôs a contribuir com a melhoria da educação no país, seguindo o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4, da ONU.

Por meio do programa educacional inovador chamado Experimento – para professores e alunos, a Fundação Siemens buscou se envolver em uma educação científico-tecnológica, ancorada em valores desde a primeira infância até o final do ensino secundário.  O programa, com metodologia baseada no aprendizado pela descoberta, prioriza a experimentação, exploração e compreensão autônoma de fenômenos naturais relacionados à energia, meio ambiente e saúde.

Entre os parceiros do projeto estão o Colégio Visconde de Porto Seguro, Educação Metodista, Grupo Ser, Prefeitura de Jundiaí, Instituto Qualidade no Ensino, Prefeitura de Juquitiba, Instituto Ayrton Senna, Escolas Associadas da Unesco, Escola de Inventor, Instituto Sabin, Atina Educação, BASF, Prefeitura de Guaratinguetá, FCA, Prefeitura de Paulista e um número crescente de escolas em todo o país.

A abordagem educacional busca ensinar através da colaboração – o “processo de aprendizagem” começa com uma pergunta para o mundo – e busca ensinar em contextos que estão ligados à vida cotidiana. As experiências científicas naturais desempenham um papel central no projeto, que utiliza Guias para professores, Fichas para estudantes, Kits de material para cerca de 136 hands-on experiências de sala de aula, Cursos de formação para professores e educadores – Redes para a troca de know-how e Plataforma on-line para o material mais detalhada.

O Programa Experimento foi implantado em final de 2014 e contou com o Colégio Visconde de Porto Seguro como primeiro parceiro. Eles se dedicaram a tropicalizar o projeto da Siemens Stiftung (Alemanha) para os cenários brasileiros, sobretudo com a adequação ao currículo do país. Os kits foram divididos por faixa etária e possuem metodologia própria, que cobrem da pré-escola ao ensino médio: Experimento | 4+ (de 4 a 7 anos), Experimento | 8+ (8 a 12 anos) e Experimento 10 + (de 10 a 18 anos).

Até o momento o projeto já treinou 2.124 professores, fez presença em 83 cidades em 16 estados brasileiros e impactou mais de 152 mil crianças. Durante o andamento do projeto, os responsáveis notaram benefícios como a reconstrução do pensamento de professores, crianças e jovens ao utilizar o ciclo do pensamento científico.

De acordo com a especialista em Sustentabilidade na Siemens e secretária-executiva na Fundação Siemens, Bianca Bozon Moreira Talassi, o Programa Experimento reafirmou a contribuição da empresa para que o Brasil atinja vários dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), como a educação de qualidade, entre outros. “Assumimos publicamente esse compromisso com a publicação do relatório Business to Society (B2S). A mudança que a empresa deseja para o país é que daqui a dez anos tenhamos profissionais do futuro, que são conscientes de seu processo decisório, interessados em inovar e aptos a ter melhores desempenhos social, econômico, financeiro e educacional”, esclarece.

Sobre o Grupo Siemens no Brasil

A Siemens está presente no Brasil há cerca de 150 anos. Hoje, seus equipamentos e sistemas são responsáveis por 50% da energia elétrica gerada nacionalmente, 30% dos diagnósticos digitais por imagem realizados no Brasil e estão presentes em 2/3 de todas as plataformas offshore brasileiras projetadas nos últimos 10 anos. Atualmente, a empresa conta com 12 fábricas e sete centros de Pesquisa e Desenvolvimento espalhados por todo o território nacional.

MDIC e Fiesp assinam acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento sustentável

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de São Paulo é a locomotiva para o resto do setor industrial do país, afirmou Igor Calvet, secretário do Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, ao reforçar a importância do acordo de cooperação técnica assinado nesta terça-feira (16 de outubro), entre Fiesp e o MDIC. “Deve-se trabalhar em ações em prol do desenvolvimento sustentável vinculado à competitividade e ações concretas, fundamental para que se alastrem para outros Estados”, completou, ao lembrar que muitas vezes essas ações não são vistas como prioritárias, pois não é um trabalho simples e fácil, mas deve ser uma agenda prioritária.

Para ele, o trabalho a ser desenvolvido com este acordo será feito de forma concertada, estruturada e coordenada para reunir os níveis federal, estadual e municipal. “Quanto mais se fizer isto de modo coordenado, maior a eficácia. É fundamental a ajuda da Fiesp, que tem experiência acumulada no tema de sustentabilidade”, finalizou.

O acordo de cooperação técnica conjuga esforços para desenvolver ações relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Este acordo envolve o setor industrial nas matérias de mudança do clima, energia renovável, inovação, compras públicas sustentáveis, resíduos sólidos, parcerias e meios de implementação. Isto será feito por meio de capacitações conjuntas, realização de estudos e disponibilização de informações.

Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS) da Fiesp, agradeceu o esforço do ministério para esta agenda. “O Brasil só vai se desenvolver e crescer se melhorar sua competitividade e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável se encaixam como estratégia não só de curto, mas de médio e longo prazos. A indústria e o governo estão conscientes e alinhados para avançar [no tema]”, avaliou. Para Reis, essa cooperação é importante em um momento de inflexão no qual estamos estagnados em termos de desenvolvimento e é preciso romper essa barreira e adotar estratégia clara de comprometimento. “Estamos satisfeitos em nos engajar e aderir a esse projeto”, concluiu.

A Agenda da Conformidade Ambiental da Fiesp compreende compromissos e ações direcionados para o desenvolvimento alicerçado nos princípios da sustentabilidade econômica, social e ambiental. Como pilar e estratégia, as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

A agenda de ações conta com 17 objetivos e 169 metas a serem alcançados até 2030. Portanto, torna-se necessário o aprofundamento de debates e interfaces de forma transversal para todas as organizações e entidades públicas e privadas.

Assim, há uma oportunidade para que a Fiesp e o MDIC agilizem soluções para os problemas relacionados ao meio ambiente a fim de alavancar os ODS, especialmente via atuação institucional para a defesa de interesses da cadeia produtiva, promovendo sua competitividade.

Stivalet e Reis na assinatura de acordo de cooperação técnica. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Calvet e Reis na assinatura de acordo de cooperação técnica. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

‘Esse é um tema de extrema importância para o futuro, uma agenda propositiva para o combate à pobreza’, afirma diretor da Fiesp em workshop sobre desenvolvimento

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de pensar no futuro e fazer o que estiver ao alcance de cada um para que o mundo evolua. Com esse objetivo, foi realizado, nesta quarta-feira (17/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, o Workshop do Guia SDG Compass – Integração dos ODS na Estratégia Empresarial. A meta era ajudar os empreendedores a colocar em prática os chamados 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, uma agenda focada em 2030.

O evento foi aberto pelo diretor da divisão de Economia Circular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS) da federação, Mario Hirose.  “Esse é um tema de extrema importância para o futuro, uma agenda propositiva para o combate à pobreza”, disse. “Ninguém pode ficar de fora:  os 17 ODS são fundamentais”.

Hirose afirmou que a Fiesp assinou um acordo de cooperação técnica nesta terça-feira (16/10) com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços para conjugar esforços para promover os ODS no âmbito industrial. “Temos que compartilhar todas as informações para o desenvolvimento dessas diretrizes até 2030”, disse.

Ele citou como exemplo dessa tendência a decisão de uma Indústria de ajudar os funcionários a economizarem com a conta de luz em casa. “Cada colaborador apresentava a sua conta e a empresa ajudava a traçar uma estratégia de economia”, disse.

No dia a dia

Assessora na Rede Brasil do Pacto Global, Bárbara Dunin apresentou os ODS para os participantes do workshop. “É muito importante ter o apoio da Fiesp para esse treinamento em São Paulo”, disse. “Precisamos explicar o que são os ODS e como aplicar essas metas no dia a dia”.

Assim, o chamado Compass é um guia de cinco passos sobre como lidar com os ODS. “As empresas devem priorizar aqueles ODS mais ligados aos seus negócios e objetivos estratégicos”, disso. “Os 17 são importantes, claro, mas cada um pode cuidar daqueles ligados ao seu trabalho”.

Segundo Bárbara, o desenvolvimento sustentável tem que ser capaz de equilibrar inclusão social, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.

Nessa linha, os 17 ODS foram apresentados na Semana Geral das Nações Unidas em setembro de 2015. “Agora temos uma agenda holística para 2030, sem deixar ninguém para trás”, disse. “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU inclui os ODS”.

Para saber quais são os 17 ODS, é só clicar aqui.

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Hirose, ao microfone, no workshop: necessidade de ação com foco no futuro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Semana de Meio Ambiente – Seminário: A Importância Estratégica dos ODS e exemplos de sucesso na implementação



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Confira as apresentações realizadas no seminário “A Importância Estratégica dos ODS e exemplos de sucesso na implementação” realizado na Fiesp no dia 07 de junho.


Painel: A Importância Estratégica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável


Secretaria Nacional de Articulação Social, Secretaria de Governo da Presidência da República

Sergio Kelner – Diretor do Departamento de Educação para a Cidadania e Inovação 


Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária –Embrapa

Daniela Lopes  Pesquisadora 


Painel: Exemplos de Sucesso na Implementação dos ODS´s


empresa de pequeno porte – Metalúrgica Inca Ltda.

Luis Bello – Gerente


empresa de médio porte – Micro-Química Ltda.

Cláudio Hanaoka – Diretor


empresa de grande porte – Embraer S.A.

Mayara Ribeiro – Analista de sustentabilidade

Artigo: Olhar e atitude para o social

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Tania Cosentino

Empresa nenhuma – em particular aquela posicionada como líder no seu mercado – pode ignorar seus impactos ambientais e sociais, sejam eles negativos ou positivos. A velha crença de que o sucesso organizacional está atrelado única e tão somente ao desempenho financeiro deu lugar ao entendimento de que a geração de valor econômico deve estar intrinsecamente ligada à criação de outros valores para a sociedade. Não se trata de ações beneficentes, responsabilidade social, nem mesmo sustentabilidade. Estamos falando de valor compartilhado – um novo modelo em que o êxito de uma companhia e o progresso de um povo estão diretamente relacionados.

Vivemos um momento difícil, no Brasil e no mundo como um todo: desigualdade social, criminalidade, poluição, escassez de recursos naturais. Precisamos mudar; o planeta e a sociedade não podem mais esperar, e o setor privado, por sua vez, pode e deve ajudar. Eu me considero uma ativista pela inovação para a sustentabilidade e fico feliz de atuar em uma companhia que me dá espaço para abraçar causas tão urgentes.

Desde 2002, nós, da Schneider Electric, trabalhamos mundialmente com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e incorporamos suas iniciativas em nossos negócios. Quando a entidade lançou, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e suas 169 metas a serem alcançadas até 2030, nós logo nos envolvemos. Para mim, esse tema é apaixonante, e temos inúmeros projetos dos quais me orgulho muito.

Desde 2009, desenvolvemos o Programa de Acesso à Energia, cujo objetivo é levar energia renovável, segura, limpa e confiável a áreas isoladas, dependentes de combustíveis fósseis, com fornecimento precário de energia ou sem acesso a ela, além de promover treinamento em competências relacionadas ao setor elétrico para comunidades de baixa renda. Até 2025, a meta global da nossa empresa é gerar eletricidade para 50 milhões de pessoas e treinar 1 milhão. Até o momento, levamos luz elétrica para 5 milhões de pessoas e treinamos mais de 100 mil. Na América do Sul, em cinco anos, capacitamos 30 mil homens e mulheres, elevando a renda média da comunidade piloto em 52%.

No Brasil, somente em 2017, contribuímos para a instalação de mais de 30 sistemas de energia solar em comunidades indígenas e extrativistas do Amazonas, beneficiando espaços de uso comunitário (escolas, unidades de saúde) e atividades produtivas (pimenta, mel, castanha), e mantivemos sete parcerias educacionais ativas em diferentes estados. Em um projeto de instalação de sistemas solares no Território Indígena do Xingu, realizamos uma capacitação que beneficiou 28 jovens indígenas de 18 aldeias, de sete etnias.

Ao levar energia para uma região isolada, acreditamos ser possível melhorar condições de educação, saúde, comunicação, atividades econômicas e outros aspectos. O acesso à energia colabora para a erradicação da pobreza, a redução das desigualdades e o alcance a outros direitos fundamentais.

Vale comentar também acerca das nossas ações a favor das mulheres. Desde 2015, a Schneider Electric é um dos dez participantes corporativos do Impact 10x10x10, da ONU Mulheres, um grupo de empresas, universidades e governos que atua em políticas de gênero. Desde então, cerca de 40 mil colaboradores se juntaram ao HeForShe, programa da ONU Mulheres e da UN Global Compact Initiative. E mais: em 2016, 40 presidentes de países da nossa empresa assinaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) estabelecidos pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global.

Diversidade de gênero não é “papo de mulher”; por isso, a intenção do HeForShe é trazer os homens para a conversa, pois são eles, ainda, aproximadamente 95% dos CEOs. Já os WEPs apresentam, de forma simples, sete passos para uma empresa criar seu programa de diversidade de gênero, e tudo começa colocando o tema na agenda do CEO e das altas lideranças.

E após assumirmos formalmente esses compromissos em toda a América do Sul, fizemos uma análise da nossa demografia, identificamos nossos “gaps” e estabelecemos nossas metas: aumentar o recrutamento de mulheres para 42% sobre o total até 2017 (meta medida trimestralmente desde 2015); ter 30% de mulheres na alta liderança global da empresa até 2020; e ter 95% dos nossos colaboradores trabalhando em países com processos estabelecidos para eliminar o “pay gap” até 2020.

Tenho orgulho de dizer que, inspirada e apoiada pelo CEO global, Jean-Pascal Tricoire, lidero essa grande transformação e posso observar bons resultados. Nossas ações vão além das nossas fronteiras; levamos nossos programas aos nossos parceiros, fornecedores e às comunidades. Temos o dever de elevar o nível de toda nossa cadeia de valor, inserindo padrões de ética, gestão e RH. Eu, aliás, dedico parte do meu tempo a fazer o “advocacy” de sustentabilidade e diversidade, pois acredito que, promovendo nossas ações, compartilhando conhecimento, podemos impactar positivamente toda a sociedade. Essa é minha contribuição – como executiva e como indivíduo.

*Tania Cosentino é presidente da Schneider Electric para América do Sul, membro do Diversity & Inclusion Advisory Board da Schneider Electric, lidera o programa HeForShe, uma iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global da ONU e recebeu o 1º Prêmio CEBDS de Liderança Feminina, iniciativa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), por seu trabalho em prol do empoderamento feminino.


Artigo: O desenvolvimento humano e social como um caminho para um mundo justo e sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Grácia Elisabeth Fragalá

“Nós nos comprometemos a que ninguém seja deixado para trás”

Preâmbulo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

As transformações que marcam a contemporaneidade estão associadas, paradoxalmente, ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Não é por outro motivo que uma tentativa de periodização da história vai organizar a linha do tempo desde as mudanças do renascimento como modernidade, pós-modernidade e globalização. E, em cada período -apesar dos progressos alcançados em termos de conhecimento da natureza, produtividade, avanço do conhecimento, participação das maiorias nas decisões sobre o destino comum- vemos crescer as contradições políticas, econômicas e sociais. É como se, a cada adiante, voltássemos dois passos para trás.

Se a modernidade, inaugurada sob o signo da racionalização crescente da vida e das revoluções políticas e industrial, prometeu um mundo de progresso ilimitado sob o controle de um homem consciente de suas circunstâncias, livre de preconceitos e capaz de conciliar interesses privados e riqueza pública, a pós-modernidade entregou exatamente o contrário.

Seja pela versão dos que creem que a pós-modernidade significa uma ruptura com a modernidade, como na versão contrária, dos que afirmam tratar-se de um aprofundamento de tendências impressas na modernidade, o fato é que assistimos a fenômenos complexos, que vão desde o fracionamento das identidades tradicionais até a tribalização, passando pelo enfraquecimento das soluções políticas tradicionais, centradas no Estado-Nação e em suas instituições. O fato é que estamos tateando no escuro, como se a luzes da razão não tivessem passado de um breve relâmpago no horizonte do tempo.

Hoje, como consequência da Revolução Tecnocientífica (3ª Revolução Industrial), vivemos em um sistema mundial global no qual diversos aspectos da vida se entrelaçam e desafiam a capacidade de ação das sociedades políticas nacionais. A economia -sobretudo em sua dimensão financeira global-, a cultura de massas, os problemas ambientais e a questão da biodiversidade, a questão social e política… Tudo é urgente e reclama engajamento de lideranças comprometidas com uma visão social de mundo democrática, sustentável fundada na preservação dos direitos fundamentais. Afinal de contas, neste momento da história estão em jogo os padrões produtivos, a dinâmica dos mercados, os empregos e o próprio futuro da humanidade. Aquele futuro que foi inaugurado na modernidade, centrado no homem, em sua capacidade racional, nas liberdades e da democracia como forma de governo.

Cientes destes desafios, no contexto da Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), em 2012, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) publicam o documento “A desigualdade é insustentável”, no qual enfatizam a firme disposição da indústria em tomar decisões em favor do futuro da humanidade na Terra. Tal propósito está em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aprovados em Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 2015, cuja agenda de desenvolvimento sustentável é construída a partir dos resultados da conferência do Rio e busca promover o desenvolvimento sustentável, combatendo a pobreza a partir de esforços concentrados nas áreas econômica, social e ambiental.

Os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), divididos em 169 metas, integrados e indivisíveis, marcam um compromisso dos líderes mundiais em estabelecer um esforço conjunto, capaz de mobilizar as comunidades e incentivar a participação das organizações da sociedade civil, do setor privado, das universidades e outras organizações locais na criação de um ambiente global favorável ao desenvolvimento humano e social, que reduza as desigualdades e leve a ganhos nas áreas da saúde, da educação, do bem-estar social e da sustentabilidade, entre outras.

Em São Paulo, o setor industrial, pela Fiesp, em seus Conselhos Superior de Responsabilidade Social (ConSocial) e Comitê de Responsabilidade Social (CORES), atua firme e decididamente para promover o desenvolvimento humano e social como um caminho para um mundo justo e sustentável. A indústria paulista que esteve na vanguarda das grandes transformações que conduziram a sociedade brasileira ao desenvolvimento econômico e social assume o seu papel em mais etapa de transição que enfrentamos.

As lideranças empresariais reconhecem o papel relevante na construção dessa nova agenda global e os desafios para a sua implementação local. Os caminhos para superar as barreiras exigem a união de esforços. A Fiesp, ao incentivar e promover práticas sustentáveis e socialmente responsáveis no cotidiano das empresas, espera contribuir para produzir e difundir conhecimento e boa práticas, inspirando pelo exemplo.

*Grácia Fragalá é vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) e diretora titular de Responsabilidade Social da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp.

Artigo: Diversidade, Equidade e Inclusão no meio corporativo: Discurso ou Prática?

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Theo van der Loo

Muito já se falou sobre a importância de se ter diversidade no meio corporativo. Além de ser algo justo, as empresas multiculturais, com profissionais multidisciplinares, de diferentes gêneros, origem étnica e faixas etárias, são mais criativas, produtivas e consequentemente mais rentáveis. Diversidade é algo correto a ser feito, motiva os empregados e com certeza é bom para os negócios! No entanto, tornar-se uma marca empregadora inclusiva é um desafio que precisa de envolvimento, comprometimento e disponibilidade da alta gestão para que os colaboradores sejam vistos e reconhecidos por seu talento e não por sua etnia, origem, credo, gênero, orientação ou limitação física.

A segregação é uma marca histórica na nossa sociedade e os resquícios dela se refletem até os dias de hoje. Não apenas no Brasil, mas no mundo todo. As desigualdades sociais e as discriminações de todas as espécies certamente são resultados disso e podem ser notadas em todos os ambientes, tanto nas esferas públicas como nas privadas. No meio corporativo, apesar de todo avanço e esforços jurídicos, vieses inconscientes e senso comuns equivocados são colocados em prática, prejudicando as companhias e limitando o acesso e desenvolvimento de profissionais talentosos e de muito potencial.

Não tenho a pretensão de dar aulas de história, antropologia ou criar teorias, mas os convido à reflexão: quantos funcionários afrodescendentes têm na sua empresa? Quantos são líderes? Quantos trabalham no seu andar? No seu departamento? Quantos participam das reuniões? Quantos frequentam os mesmos restaurantes que você?  Há quem acredite que racismo não existe e que vivemos numa espécie de democracia racial. Não é o que percebo. A maioria dos profissionais negros no mercado de trabalho está em funções de base ou intermediárias. Não precisamos de dados estatísticos para comprovar o que está ao alcance dos nossos olhos.

A desigualdade está tão arraigada em nossa cultura que a baixa presença de negros nas empresas é vista com normalidade, principalmente nos cargos mais elevados. Na verdade nem é “vista” porque não existe muita preocupação com o tema. Acho importante lembrar que utilizando o e-social conseguimos fazer uma análise profunda sobre a inclusão de afrodescendentes nas empresas. Este diagnóstico nos ajuda a implementar medidas e KPI’s para medir os avanços e promover equidade.

Entendo que muitas vezes, num processo seletivo, são pedidas habilidades e competências que privilegiam quem teve acesso a ensino de qualidade, oportunidade de fazer intercâmbio e conhecer outras culturas. O nosso histórico de desigualdades sociais acaba segregando os profissionais ainda na triagem, no entanto, acredito que seja viável fazer um processo seletivo mais inclusivo e investir em candidatos que tenham talento e potencial de desenvolvimento, mesmo que tenham pequenos gaps. Para promovermos mudanças construtivas precisamos ser mais flexíveis e abertos às diferenças ao invés de manter o foco exclusivamente nos resultados. Para ter mais inclusão e diversidade nas companhias é preciso olhar o potencial e o talento do candidato, além de estar disposto a correr riscos e a oferecer cursos específicos para preencher alguns gaps, como por exemplo a ausência de inglês fluente.

Diversidade e inclusão tornaram-se essenciais para empresas que pretendem se manter atrativas no mercado porque cada vez mais pessoas buscam companhias e marcas que tenham propósito e valores alinhados às suas crenças pessoais.  Temos visto nos últimos anos a quantidade de empresas que têm a sua reputação prejudicada por atitudes preconceituosas. O júri das redes sociais é implacável e o resultado para as companhias são desastrosos. Preconceito gera prejuízos incalculáveis e atrela a sua imagem a ele por bastante tempo.

A discriminação racial no meio corporativo, apesar de não verbalizada, dificulta, inibe, constrange e limita. Não me parece muito assertivo manter no meio corporativo critérios que privilegiam apenas uma parte da população. Não há diversidade sem equidade e tão pouco sem apostar no que foge ao padrão construído no passado, afinal de contas estamos no século 21 e já deveríamos ter aprendido muito com os erros dos nossos antepassados.

A exclusão crônica que começou com a escravatura, segue – de certa forma –  até hoje como se fosse um “apartheid” velado. Com o avanço da tecnologia na educação, privilegiados têm acesso a tudo do melhor e os menos favorecidos ficam ainda mais distante de uma educação igualitária. Portanto, se focamos exclusivamente na meritocracia jamais teremos resultados educacionais tangíveis.

A inclusão é uma bandeira que carrego com orgulho, me engajo pessoalmente nas questões relacionadas à inserção do negro no mercado de trabalho, ministrando palestras, participando de painéis, dando mentorias,  entre outras atividades. Comecei dentro da Bayer, em parceria com o departamento de Recursos Humanos, discutindo critérios para processos seletivos mais inclusivos.

Há pouco mais de um ano, usei uma rede social para compartilhar a minha indignação sobre o fato de um colega não ter podido participar de um processo seletivo por ser negro, a minha intenção era mobilizar apenas a minha rede de contatos, mas fui surpreendido com a repercussão e o alcance da minha publicação. Recebi feedbacks positivos e negativos, e aprendi muito com cada um deles. Não sou e nem quero ser protagonista dessa história, quero contribuir para que as disparidades da nossa sociedade se tornem cada vez menores. Mas me dei conta de que alguns comentários têm mais impacto quando uma pessoa não-negra o faz. Caso contrário é rotulado como “mimimi”. Algumas pessoas me perguntam por que estou me metendo nesse assunto, dizem que como CEO eu deveria estar focado em outras questões, a minha resposta é sempre a mesma: não adianta apenas falar, devemos dar exemplo. CEO’s engajados, junto com a alta gestão, dão uma conotação mais genuína ao tema.

Falo por experiência própria que ser uma marca inclusiva traz retornos bastante positivos. Igualdade e equidade são essenciais para que tenhamos justiça social na prática e não apenas no discurso.

Fico muito feliz por poder abordar esse assunto nesse boletim porque acredito que a FIESP tem um papel importantíssimo na disseminação deste tema, uma vez que reúne indústrias de diversos tipos nacionais e multinacionais e que ainda não estão discutindo essa temática tão importante para o desenvolvimento do nosso capital social.

*Theo van der Loo é presidente e porta voz da Bayer, membro da Diretoria do SINDUSFARMA, membro do Conselho da Câmara Brasil-Alemanha e membro do Conselho Consultivo da ETCO e da Centroflora. Participa ativamente do programa CEO Legacy da FDC.

Fiesp e Ciesp debatem efeitos do 8º Fórum Mundial da Água

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Fiesp e Ciesp promoveram nesta quarta-feira (28 de março) seminário para avaliar os reflexos para o setor industrial das discussões promovidas pelo 8º Fórum Mundial da Água e as ações necessárias frente a políticas públicas e privadas para assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água, respeitando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis – Agenda 2030. Durante o evento foi lançado o Manual de Uso Racional de Água no Setor Industrial, criado pela Fiesp e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ao abrir o evento, Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento do Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp (DMA), exaltou o tom inclusivo do oitavo Fórum. A garantia da segurança da disponibilidade de água para as atuais e futuras gerações, conforme o objetivo 6 dos ODS, perpassa outros ODS. É notável que não tenha se resumido a questões técnicas o oitavo fórum, abrangendo compartilhamento e outros temas.

Destacou que há 14 anos a Fiesp promove o debate aprofundado do tema e afirmou que é fundamental a interação e parceria de todos os atores envolvidos.

Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), destacou que 250 milhões de pessoas morrem por ano devido ao consumo de água imprópria e que metade da população mundial vai viver em regiões sem abastecimento adequado. Lazzarini ressaltou que os ODS em alguns casos são de difícil execução, como alcançar em 2030 o acesso à água para todos, e já em 2020 recuperar e preservar fontes de água.

O maior dos desafios é conseguir cumprir esses objetivos com o escasso tempo disponível, afirmou Lazzarini.

Aprígio Azevedo, diretor de gabinete da Fiesp, também integrou a mesa de abertura. Stela Goldenstein lembrou que além da dificuldade de atingir as metas haverá riscos para a atividade produtiva caso não se consiga avançar na questão. Ter toda uma estrutura temática ligada a negócios foi novidade importante do 8º Fórum, dali saindo um compromisso empresarial pela água. Não é discussão simplesmente da área de meio ambiente, é uma discussão de todas as áreas produtivas, afirmou.

Investimento, racionalidade de uso, novos negócios, e o melhor de tudo, aumento de produtividade, são implicações dos trabalhos necessários para atingir as metas.

Rubens Naman Rizek Junior, secretário de Estado Adjunto de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, destacou que o tema da água será essencial no balizamento de qualquer decisão pública ou privada.

Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água, ressaltou a capacidade da Fiesp em entender o futuro e pautar discussões de temas essenciais para o desenvolvimento da indústria e do país como um todo.

Rafael Cervone Neto, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, transmitiu as boas-vindas enviadas pelo presidente das entidades, Paulo Skaf. “Toda indústria tem relação intrínseca com a água”, destacou Cervone. Precisamos mobilizar as pessoas, afirmou. “Não adianta só a tecnologia.”

O primeiro painel do seminário teve como tema “Fórum Mundial da Água: Perspectivas e Desafios após o Evento”. Benedito Braga, secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos e presidente do Conselho Mundial da Água, explicou que é um processo, não um evento, o Fórum Mundial da Água. No caso da edição brasileira, aos temas tradicionais foi acrescentada a sustentabilidade.

Clima, pessoas, urbanização crescente, desenvolvimento, ecossistemas e financiamento, os temas definidos como essenciais, e os temas transversais deram a estrutura temática de 300 sessões técnicas do fórum, cuja ideia é fazer a ligação dos técnicos com os tomadores de decisão. As discussões dos temas levaram a ideias muito interessantes, relatou. Ministros de 56 países participaram e emitiram uma declaração conjunta sobre o tema.

Foi o maior fórum da história, disse Braga, com 120.000 participantes. Das discussões técnicas participaram 10.000 pessoas.

Braga defendeu o aumento da capacidade de reservação para enfrentar períodos de seca mais intensa, aproveitando períodos de chuva mais forte. E fez um alerta: se não conseguirmos motivar a classe política a para importância do tema será muito difícil implantar qualquer política que os técnicos considerem importante.

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Seminário organizado por Fiesp e CIesp abordou o 8º Fórum Mundial da Água. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Rubens Naman Rizek Junior, secretário de Estado Adjunto de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, relatou que participou do Fórum Mundial da Água e se disse muito impressionado com a mobilização em torno dele. Em relação ao uso agrícola da água, disse que é preciso relativizar os números sobre o consumo. No caso da irrigação, por exemplo, a maioria da água volta para a própria bacia hidrográfica de onde foi retirada. Exagera-se também ao falar em consumo de 15.500 litros de água para produzir um quilo de carne.

Lembrou que o grande reservatório é a própria bacia, o solo, e o Estado de São Paulo tem se destacado na preservação disso, com o programa Microbacias. Mais recente, de 2015, o programa Nascentes é outro bom exemplo.

Giuliana Chaves Moreira, da The CEO Water Mandate e Rede Brasil do Pacto Global, listou eventos conjuntos promovidos por ambos, com destaque para o Water Business Day, em 18 de março, durante o Fórum.

Gustavo Goretti, assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, destacou a participação política no 8º Fórum. Descreveu o projeto Biomas, para mostrar na prática aos produtores como recuperar com o menor custo suas áreas. Goretti defendeu a construção de represas, apesar do impacto local, depois recuperado.

No pós-Fórum, a CNA espera que aumente a cooperação entre os setores, disse. Nas propriedades há potencial para aumento da produtividade e da área irrigada graças à elevação da capacidade de reservar água e retê-la nas propriedades rurais.

Samuel Barreto, gerente nacional de Água da The Nature Conservancy Brasil, destacou os extremos climáticos, anomalias climáticas que devem ficar mais intensas e frequentes. Outro aspecto importante é a contabilidade da água, com aumento da demanda em relação à sua oferta. O terceiro ponto é a existência somente de prognósticos negativos. A lição tirada disso tudo é que não é possível mais fazer mais do mesmo. O maior desafio é fazer um trabalho conjunto.

Em relação aos riscos para o setor produtivo, citou o reputacional e o financeiro.

Exemplos da indústria

No segundo painel, foco para a Governança da Água no Setor Industrial, com a apresentação de cases. De acordo com Rafael Cervone Neto, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, na Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) há grande compromisso com o cumprimento dos ODS, mas especialmente os que tratam de igualdade de gênero, pois a força de trabalho do setor é constituída majoritariamente por mulheres; trabalho decente; indústria, inovação e infraestrutura; consumo e produção responsáveis; parceria em prol das metas.

Cervone lembrou a importância da água como grande influenciadora das transformações na indústria, pois sem a máquina a vapor não teria se expandido em tal escala. Portanto, é força motriz. Historicamente, os banhos de tingimento evoluíram para os corantes que se fixam nos tecidos, das cores mais claras para as mais escuras, e era possível reaproveitar os banhos com o apoio da área química em um processo mais eficiente. O processo à base de ozônio, na fabricação e tratamento de jeans, denin, conseguiu dispensar uso da água, economizando, inclusive, energia.

Além de citar alguns exemplos da indústria têxtil, explicou que na área de confecção quase 90% do uso da água não está no processo industrial, mas na lavagem da roupa. Com tecnologia desenvolvida na guerra do Iraque, os tecidos passaram a contar com biopartículas biodegradáveis e assim é possível usar mais vezes a mesma roupa sem lavar. Há empresas que já contam com camisas que podem ser usadas até 300 vezes, apesar das resistências culturais. A tecnologia aponta para roupas que não amassam e meias que também estão aptas a usos contínuos, contando com ajuda do café para eliminação de odores, ou seja, tecidos autolimpantes.

No Brasil, há predomínio do algodão, por conta do clima, e o algodão brasileiro é um dos poucos que não precisam de irrigação. Só depende de chuva, diferentemente dos concorrentes, sinalizou Cervone.

Daniela Gil Rios, gerente de Relações Governamentais da Procter & Gamble (P&G), lembrou a presença da marca em mais de 70 países, com mais de 100 mil funcionários, além de ser o maior anunciante do mundo. “Com mais de 4,6 bilhões de consumidores/dia, reunido dez marcas, e mais de 30 anos no Brasil, a P&G está presente em 94% dos lares”, disse. Em termos de inovação, 7 mil cientistas espalhados pelo mundo repensam os produtos e os investimentos chegam à casa de US$ 2 bilhões/ano em pesquisa e inovação. No Brasil se concentram 4 fábricas e 3 centros de distribuição, além do Centro de Inovação América Latina estar localizado em Louveira (SP).  Entre as metas globais para 2020, um avanço é o fato de todas as fábricas terem zerado os resíduos encaminhados a aterro sanitário. Entre outras metas, diminuir o consumo de água em 20% por unidade de produção até 2020; tratar internamente a água com o mínimo de envio de efluentes para fora da companhia; maximizar o reúso com perspectiva de aumento de 20% até 2020.

Como tendência mundial, os produtos 100% concentrados fazem diferença para o meio ambiente, reduzindo a pegada hídrica, e a quantidade de embalagens, além de neutralizar odores.

Daniela Gil Rios enfatizou um produto 100% social que se iniciou no mundo, em 2004, e, no Brasil, em 2014, com o sachê água pura, desenvolvido por pesquisadores e que atende um bilhão de pessoas que se utilizam de águas impróprias. O sachê, produzido em uma única fábrica e distribuído gratuitamente em 85 países, contém 4g e purifica 10 litros de água em 30 minutos, evitando diversas doenças e propiciando mais qualidade de vida.

No Brasil, ela citou experiência no Vale do Jequitinhonha, que agrega 75 municípios e 980 mil habitantes, 75% deles em área rural. O solo é castigado por secas e enchentes e o acesso à água é escasso. Ao citar o impacto em 9 cidades, 175 comunidades, 86 escolas rurais, com o apoio da Child Fund Brasil, houve melhora sensível na saúde e na educação.

Já o exemplo da Raízen diz respeito ao pioneirismo em integrar a produção com a distribuição e comercialização do etanol proveniente da cana-de-açúcar. José Orlando Ferreira, gerente da Qualidade Integrada da empresa, lembrou que se trata de joint-venture entre Shell e Cosan e o resultado é portfólio de produtos que levam açúcar em sua composição, passando por postos de combustíveis, indústria farmacêutica e os setores de bebidas e cosméticos.

Ferreira citou o exemplo do programa ReduSa, com a divulgação de programas internamente, monitoramento e definição de metas. Ao citar a gestão corporativa, há preocupação com a melhoria dos índices, que dependem de boa medição das vazões e conhecimento dos balanços hídricos, além de gestão e monitoramento online, para a construção de um painel hídrico, pois assim surgem oportunidades para redução água e a instalação de um projeto-piloto que depois será compartilhado com as demais unidades.

O ReduSa conta com metas anuais, reunião de engajamento dos times, estabelecimento de metas e divulgação dos programas que alcançam desde refeitórios até áreas de convivência.

Em termos de números, cuidados e tratados, 200 mil m3/h de água recirculada em torres de resfriamento; 7 mil toneladas de vapor/hora e redução de captação de 9 bilhões de litros de água, em três anos de programa ReduSa. Não é só economia de água, mas também energética: 89 mil megawatts, o suficiente para abastecer em um ano 45 mil residências.

Uso Racional de Água

O objetivo do Manual de Uso Racional de Água no Setor Industrial é nortear a agenda da sociedade, após 20 anos da aprovação da Lei n. 9.433/1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, pois há desafios a serem superados.

A Fiesp já produziu outros materiais para internalizar esse tema junto ao setor produtivo, pois há poucas publicações sobre como fazer, e a indústria é fornecedora de soluções, pontuou a gerente do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Anícia Pio. “Este será um guia nacional e importante para setores sensíveis, tais como alimento e fármaco, que precisam de água com excelente qualidade em sua planta”, frisou.

O Manual traz sugestões de captação de água da chuva, aproveitamento de água de caldeiras, reaproveitando-se inclusive o condensado. No capítulo de água de utilidades foram abordados os principais aspectos de funcionamento e os monitoramentos e controles necessários para sistema de resfriamento, geração de vapor, reúso de água de condensado.

A gerente Anícia Pio enfatizou a governança do uso da água nas atividades produtivas com suas principais iniciativas: avaliação inicial; desempenho operacional; avaliação de condições locais e entendimento dos impactos; identificação de riscos e oportunidades; definição de plano de ação e metas; monitoramento e comunicação do desempenho.

Sob os aspectos institucionais do gerenciamento de recursos hídricos: a gestão descentralizada e participativa com os instrumentos da Política Nacional e Estadual de Recursos Hídricos: planos de bacias; enquadramento; outorga; cobrança e sistema de informações de recursos hídricos.

“Não é só fazer a lição dentro da sua fábrica, mas também junto a fornecedores e verificar se estão ou não em áreas de estresse hídrico e seus riscos inerentes”, disse, melhorando as condições da comunidade local, gerando cases de sucesso.

Para o diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, a indústria não é problema, mas solução e tem trabalhado em prol da sustentabilidade, em função dos insumos escassos, além de produzir produtos com mais confiabilidade.

Em termos ambientais, a Fiesp e o Ciesp estão presente nos Conselhos Nacional e Estadual de Recursos Hídricos e Comitês de Bacias Estadual e Federal, representando a indústria em mais de 200 fóruns ambientais.

Êxito da Agenda 2030 e dos ODS exige articulação entre indústria, governo e sociedade

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O debate realizado na Fiesp, em 22 de novembro, sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – publicados em 2015 e aprovados pelos 193 estados-membros das Nações Unidas – bem como o cumprimento da Agenda 2030, contou com vários representantes da sociedade. Os ODS e suas 169 metas comportam compromissos para todos os setores com o devido planejamento das ações para a consolidação dessa Agenda. Foi dado destaque ao pilar voltado à indústria em suas vertentes ambiental e econômica.

Na abertura do evento, Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp, frisou que não poderemos tratar dos objetivos relacionados à dimensão social sem considerar que sua viabilidade passa necessariamente pela dimensão econômica. Não menos importante é a questão da indústria, inovação e infraestrutura, o ODS 9. Reis enfatizou que para alcançar esse resultado é preciso atender aos objetivos da dimensão ambiental. “Precisamos ainda considerar o papel das nossas entidades, a Fiesp e o Ciesp, que são com certeza facilitadores deste processo, por meio da promoção à produção e consumo sustentáveis, buscando o equilíbrio na manutenção da nossa competitividade com a melhoria da qualidade de vida da sociedade.”

Nesse sentido, Reis destacou um dos resultados de pesquisa realizada pela Fiesp – em novembro deste ano, mas ainda não divulgada – sobre quais ODS têm maior atuação das empresas paulistas. De acordo com as respostas obtidas, há equilíbrio na atuação das dimensões social, ambiental e econômica, e o objetivo 17 – parcerias e meios de implementação – foi bastante destacado pelas pequenas e médias empresas.

“Os 17 ODS talvez sejam a mais completa e abrangente declaração ambiental, econômica e social, e é muito ambiciosa”, complementou Walter Lazzarini (presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp), lembrando que a entidade sempre esteve envolvida com o desenvolvimento ambiental sustentável. Mas frisou ser fundamental o acompanhamento e a fiscalização para que os ODS sejam efetivamente concretizados.

Na opinião de Carlo Pereira (secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU/PNUD), “estamos em contagem regressiva. Os meios de implementação implicam em interdependência de elementos como recursos financeiros, desenvolvimento e transferência de tecnologia, comércio, desenvolvimento de capacidades e globalização inclusiva, integração regional, além de um ambiente nacional propício a esta nova agenda. E a implementação exige recursos e as parcerias exigem planejamento, alinhamento e sinergia.”

Ao traduzir o desafio em números, Pereira afirmou que a Agenda 2030 oferece oportunidades, pois estima-se que serão necessários de US$ 3 trilhões a 4 trilhões anuais para sua implementação, e um estudo com ênfase no setor privado indica de US$ 12 trilhões a 48 trilhões até 2030 em possibilidade de negócios. Os desastres naturais duplicaram em frequência desde 1980, e perda da diversidade e danos ao ecossistema custaram 3% do PIB global só em 2014, enquanto a violência e o conflito armado consumiram 9% do PIB mundial.

Essa Agenda é uma oportunidade para o aperfeiçoamento da gestão pública, do relacionamento do setor privado com os demais e a consolidação das políticas com seus objetivos integrados, que precisam ser tratados no seu conjunto, refletiu Grácia Elisabeth Fragalá (diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp). “O capital humano será o diferencial para a competitividade”, disse, citando a probabilidade de geração de até 308 milhões de vagas no mundo até 2030.

A efetiva execução requer o fortalecimento de instituições de governança, inovações tecnológicas, consumo sustentável, melhorias de infraestrutura de cidades, programa de capacitação, entre outros fatores, pontuou Rafael Cervone Neto (1º vice-presidente do Ciesp). “Temos de mobilizar os setores público e privado, academia e a sociedade como um todo, aprendendo a conversar mais e melhor”, neste plano de ação para o planeta e as pessoas.

Para Patrícia Faga Iglecias Lemos (superintendente de Gestão Ambiental da USP) há diferença ao se enfatizar o consumo e produção responsável, que é diferente de sustentável, disse a expositora ao tratar do ODS 12, muito próximo ao setor privado, questionando o acesso aos bens, e o reconhecimento da figura do outro em detrimento de uma visão individualizada, hoje predominante. Mas criticou a Política Nacional de Recursos Sólidos (PNRS), um desafio para o país, que promove inclusive novos negócios, porém ainda “estamos tímidos para implementar essa agenda”.

Ao traçar um panorama, trouxe números do quadro atual. Quanto ao desperdício de alimentos: 1,3 bilhão de toneladas/dia (FAO Report, 2013); o uso de lâmpadas econômicas poderia economizar US$ 120 bilhões no mundo todos os anos; seriam precisos 3 planetas como o nosso para manter o atual estilo de vida, o que leva à necessidade de repensar nossas ações (World Bank, 2016); em termos de saúde, as desigualdades são alarmantes: 3 em 10 pessoas  no mundo, ou 2,1 bilhões, não têm acesso à água tratada em casa, e 6 em 10, ou 4,5 bilhões, não possuem tratamento de esgoto sanitário (WHO and UNICEF Report, 2017).

Para ela, o desafio é este equacionamento da pessoa humana como eixo das preocupações, mais os pilares do meio ambiente, atividade econômica e inclusão social versus o controle da produção e do consumo. Outros pontos relevantes são a redução da pegada ambiental e a participação e fomento na elaboração das políticas públicas.

Ao colocar o conhecimento científico a serviço das políticas públicas, criou-se na USP um Escritório Regional para trabalhar este tema no Brasil, com extensão para a América Latina, resultado de contato com programa Cidades do Pacto Global.

 

Cases e indicadores

 

“Os ODS representam ferramentas de planejamento a médio e longo prazos para governos e empresas”, refletiu Cristiana Brito (vice-presidente da Rede Brasil para o Pacto Global). Entre as qualidades de liderança necessárias, citou intenção, ambição, consistência, colaboração e responsabilidade.

Entre os cases citados, a Ambev obteve economia de 40% de água na produção de cerveja e abriu seu Saveh (Sistema de Autoavaliação da Eficiência Hídrica) para a cadeia de fornecedores. Também indicou o SDG Compass, guia de orientação para as empresas, um norte para o alinhamento de estratégia, mensuração e administração de sua contribuição para que os ODS sejam alcançados, trazendo 5 passos: compreender os ODS; definir prioridades; estabelecer objetivos; integrar; elaborar relatórios de comunicação.

No caso da Basf, o SDG Compass contribui com os ODS através de produtos e soluções ao longo da cadeia de valor. Na lição de casa, lida-se com os objetivos de acordo com sua relevância; como orientação para definição das próprias metas da empresa; os ODS são monitorados utilizando-se um sistema de indicadores, como o GRI (Global Report Initiative) e também por meio de diálogo com os parceiros para verificação do cumprimento dos pontos estabelecidos. “Não é só mitigação de risco, mas se pode perceber principalmente oportunidades”, avaliou.

Brito apontou conclusões da pesquisa United Nations Global Compact Progress Report 2017, com quase 2,000 empresas signatárias, representando todos os setores e regiões do mundo sobre princípios contidos nos ODS. Os números demonstram que 70% dos CEOs estão engajados no Pacto Global e que 70% das empresas estão publicamente reportando sobre sustentabilidade, e 55% declararam que o reporte contribui para a inclusão do tema em seus negócios principais. E mais de 60% das empresas têm políticas sobre os dez princípios aplicados aos fornecedores, mas ainda assim o tema é um desafio para 57% das grandes empresas. As PMEs, menos engajadas, precisam de suporte em função de sua complexidade e demanda por recursos para o desenvolvimento de suas ações no campo da sustentabilidade.

Na Rede Brasil, 750 organizações, ou seja, mais de 500 empresas integram o Pacto Global.

Outro exemplo vem do setor de celulose. Camila Reggiani da Silva, consultora de Meio Ambiente da Fibria, que produz 5,3 milhões de toneladas de celulose por ano, a partir de eucalipto, destacou o aspecto social da empresa que somente em Aracruz emprega 9.000 pessoas. Em Três Lagoas, a implantação de unidade gerou 5.000 empregos.

Há mais de 1 milhão de hectares de plantação, destacou. “É muito. O negócio precisa ser sustentável para ter repetitibilidade e insumos.” Quase todos os ODS, enfatizou, são contemplados pela Fibria, que enfatiza a ecoeficiência, ou seja, busca gerar mais com menos, com menor impacto ambiental e maior geração de renda.

Várias questões estão envolvidas na produção de celulose, destacou a expositora. Em água, 85% são tratados e devolvidos ao ambiente e somente 15% são usados no processo. Há metas de longo prazo definidas para a empresa, explicou. O objetivo é reduzir a captação específica de água até 2025. Isso envolve melhorias no processo e em inovação. Em relação a comunidades, há a preocupação de se trabalhar junto com elas, procurando parcerias e redução de impactos.

A meta de longo prazo de resíduos caminha junto com a política nacional e visa a reduzir em 91% os resíduos dispostos em aterros externos até 2025. Silva deu como exemplo a secagem de lodo no moinho Jacareí para uso como biomassa. E há produção de corretivo de solo a partir de resíduos.

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Evento na Fiesp discutiu os ODS e a Agenda 2030. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Comissão Nacional para os ODS

O secretário nacional de Articulação Social, Henrique Villa da Costa Ferreira, disse que a Agenda 2030 impõe diversos desafios, sendo um dos principais a sensibilização em relação a ela, que, ressaltou, não é uma agenda ambiental. “Dialoga diretamente com o desafio brasileiro”, tratando de temas como corrupção. “É uma agenda de todos nós”, disse, “ao tratar melhor do lixo, cada um é protagonista dela”. O mesmo vale em relação à água, ao repúdio a atos de corrupção e contra a cidadania.

Ferreira ressaltou que as câmaras temáticas sobre os ODS deverão estar implantadas até o final do ano. Em 2016 foi criada a Comissão Nacional para os ODS, presidida pela Casa Civil, em função do Decreto n. 8892/2016.

Em relação à adequação de metas, explicou, é feito o ajuste para estabelecer números factíveis, conforme os recursos disponíveis. Deu como exemplo a instalação de esgoto, que tem como meta 100% de atendimento, o que não é viável.

Há, lembrou, oportunidades para o setor produtivo, com o estabelecimento de planejamento de longo prazo, vinculado ao aumento da estabilidade institucional. A Agenda 2030 valoriza ativos e princípios e exige o envolvimento e compromisso de múltiplos stakeholders, com importante participação de grandes empresas. Ela deve levar à melhora da imagem do setor produtivo.

Como grandes desafios há a desigualdade brasileira, as crises econômica e fiscal, a cultura política de mudanças após cada eleição, o alinhamento dos níveis de governo e a falta de integração das políticas públicas. “Não dá para tratar cada objetivo como se fosse uma caixinha”, defendeu.

No debate, Ana Paula Fava (assessora especial de Assuntos Internacionais do Governo do Estado de São Paulo) ressaltou o desafio da comunicação. O Estado já vem trabalhando há muitos anos em temas da Agenda 2030, e agora há a oportunidade de trabalhar de forma integrada.

Os quatro pilares escolhidos pelo Estado são a Educação, com o programa Impacta ODS, que utiliza gibi criado por Maurício de Souza; sensibilização dos envolvidos, para que todos conheçam bem todos os aspectos; parcerias, com workshops, cada vez menos espaçados e com maior qualidade, visando ao objetivo 17, do diálogo e das parcerias institucionais; mensuração, junto com o Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), alinhado ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e ao Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

São Paulo está bastante alinhado com o governo federal e com as propostas da ONU. O grande desafio é inserir a agenda de forma permanente no governo, na opinião de Fava. “Não deixemos de pensar que não vamos começar a fazer coisas que não foram feitas. Esse sentimento de que já começamos e estamos fazendo as coisas de forma correta dever ser passado aos brasileiros”.

Gustavo Fontenele e Silva (coordenador geral do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior-MDIC), questionou qual é o futuro que queremos para a indústria e o Brasil. “Há hoje uma desarticulação do tecido socioeconômico, e cabe a nós escolher um caminho do desenvolvimento sustentável e inclusivo”, refletiu. “ODS e indústria são indissociáveis. O desenvolvimento econômico e social depende da gestão sustentável dos recursos naturais. E é muito mais ampla hoje a questão da sustentabilidade”. Para ele, a prática exige inserção e integração sistêmica de fatores chaves de competitividade que abrange os setores industrial, serviços e as agendas sociais e ambientais. “O papel do Ministério é ajudar em sua implementação”, concluiu. 

Há barreiras operacionais e barreiras estruturantes ao cumprimento dos ODS. As últimas, incluindo a superação das desigualdades regionais e intrarregionais, são mais difíceis de superar. Para resolver esses gargalos são fundamentais as parcerias, previstas no ODS 17.

“É preciso”, defendeu, “tornar atrativos para o setor privado os projetos, por exemplo adotando regras claras e previsíveis para investimento”. Ele ainda destacou como oportunidades para as empresas o desenvolvimento de novos segmentos de mercado, a ampliação das vendas, a otimização da eficiência operacional, a redução da rotatividade de funcionários e a promoção da economia circular.

Apresentações – Seminário Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

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Acesse as apresentações do evento Agenda 2030 e o setor produtivo realizado em 22 de novembro, que discutiu as estratégias e desafios de implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS.


Estratégias e Desafios para atingir o ODS12 – Consumo e Produção Responsáveis

Palestrante: Patricia Faga Iglecias Lemos- Superintendente de Gestão Ambiental da USP

Estratégias e desafios de implementação dos ODS

Palestrante: Cristiana Brito – Vice-presidente da Rede Brasil do Pacto Global e Diretora de Relações Internacionais e Sustentabilidade da BASF para a América do Sul

Estratégias e Desafios de Implementação dos ODS – Água e Resíduos Sólidos na Gestão Integrada da Fibria

Palestrante: Camila Reggiani da Silva – Consultora de Meio Ambiente da Fibria

Estratégias e desafios de implementação dos ODS: o olhar da Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Palestrante: Henrique Villa da Costa Ferreira – Secretário Nacional de Articulação Social da Secretaria de Governo da Presidência da República

Estratégias e desafios de implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

Palestrante: Gustavo S. Fontenele e Silva – Coordenador Geral do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Sindicato Responsável: Sindirepa-SP, parcerias pela qualificação

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Por Karen Pegorari Silveira

O Sindirepa-SP firmou parceria com Senai para que seus associados tenham condições diferenciadas de pagamento em cursos da instituição e para que possam melhorar seus processos operacionais. Para ser beneficiada, a empresa precisa ter Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específico de reparação de veículos.

O curso tem duração de 40 horas e a programação oferece ensinamentos sobre fluxograma de processos na oficina automotiva; como potencializar a eficiência com o uso de ferramentas como TPMO (Tempo Padrão de Mão de Obra Automotiva), check list, ordem de serviço, orçamento de peças e mão de obra.

Também são abordados o processo de garantia de produtos e serviços; a importância do conhecimento do Código do Consumidor; organização e limpeza; e segurança do trabalho.

Além disso, o Sindirepa-SP também realizou convênio com TecDoc e Partlinks para dados e informações de peças e aplicações. Tem ainda o Programa Empresa Amiga da Oficina que conta com mais de 40 empresas, entre fabricantes de autopeças e equipamentos e prestadores de serviços que promovem uma série de ações aos associados da entidade, entre elas, palestras técnicas que são muito importantes para promover o conhecimento dos profissionais e estreitar relacionamento.

Em fase piloto há também o Programa de Incentivo à Qualidade (PIQ), em parceria com o Sindirepa Nacional e o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA). Nesta iniciativa, seis oficinas de funilaria e pintura do Estado de São Paulo foram certificadas:

As entidades desenvolveram um roteiro que permite ao empresário avaliar a empresa nos estágios atual e desejável. “Usamos metodologia apropriada com pesquisa de campo e avaliação 360º. Os indicadores de performance guiam as ações e as melhorias a serem alcançadas”, explica José Nogueira, vice-presidente do Sindirepa-SP.

Por meio do programa, as empresas recebem o acompanhamento de avaliador especializado, que orienta as oficinas e entre os principais objetivos a serem obtidos seria melhoria na infraestrutura (layout), melhoria nos processos de trabalho (cliente x fornecedor interno), a criação de indicadores de qualidade, a interpretação de índices de satisfação do cliente da empresa, a visão de Recursos Humanos da empresa e oportunidade de melhoria da mão de obra com treinamentos específicos.

Para Nogueira, a expectativa é atrair mais adeptos para a cultura da qualidade. “Este programa visa a excelência no segmento de reparação automotiva, um caminho sem volta. Foi cuidadosamente estudado em bases reais, sendo assim uma escada que permite superar um degrau em cada etapa”, afirma o vice-presidente.

Para conhecer mais ações do Sindirepa-SP, acesse – portaldareparacao.com.br



Iniciativas Sustentáveis: Dow – Parceiros da Diversidade

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Por Karen Pegorari Silveira

Embora os negros representem mais da metade da população brasileira e ocupem vagas de início de carreira como aprendizes (57,5%) e trainees (58,2%), nos cargos de gerência e quadro executivo eles ainda são minoria, 6,3% na gerência e 4,7% no executivo, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituo Ethos em 2016. As mulheres negras têm ainda menos representatividade no mercado de trabalho, apenas 1,6% na gerência e 0,4% no quadro executivo.

Para fomentar uma mudança neste cenário, empresas estão mobilizando uma aliança, desde agosto deste ano, para acelerar a inclusão de profissionais negros no mercado. A Aliança Toda Cor nasceu de uma parceria entre a Dow, Boticário, Bradesco, KPMG, Microsoft e Unilever.

Alinhadas com a meta 10 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que recomenda reduzir as desigualdades, as empresas foram escolhidas por serem parceiras e clientes da Dow, e por representarem uma diversidade de segmentos de mercados. Segundo eles, a ideia é influenciar diferentes indústrias, parceiros e clientes na discussão do tema da questão racial.

Inicialmente o objetivo das empresas com este projeto é compartilhar experiências sobre como estão trabalhando em ações que ajudem a promover a efetiva inclusão e desenvolvimento de negros. Como benefícios as empresas esperam o engajamento de funcionários na causa da diversidade racial, a criação de parcerias externas com associações, instituições e universidades, além do fomento e aumento da inclusão do negro no mercado de trabalho em diferentes indústrias.

Para o presidente da Dow na América Latina, Fabian Gil, “a sociedade deve estar refletida nas empresas – não apenas por uma questão de vantagem competitiva, mas principalmente por uma questão moral. A diversidade é uma questão que transcende raça, credo, gênero ou orientação sexual, é uma questão de liberdade de opinião e de pensamento”, declara.

Ainda segundo ele, a grande chave da inovação está na diversidade e na inclusão. “No passado, inovação era um negócio de pesquisa e desenvolvimento. Não é mais. Ela começa com pessoas. Para ter gente inovadora, em todos os sentidos, temos de criar uma cultura de diversidade e inclusão. Por isso, queremos que toda a sociedade brasileira esteja representada em nossos espaços”, conta Fabian.

A Dow mantém ainda, globalmente, redes de colaboradores formadas por funcionários voluntários que se reúnem para discutir temas relacionados à diversidade e à promoção da cidadania e dos direitos humanos. São elas:

WIN (Women Innovation Network): criada globalmente há mais de 25 anos, e no Brasil desde 2000, para estimular uma cultura organizacional que promove a igualdade de gêneros no ambiente de trabalho e valoriza a contribuição das mulheres, para que elas possam exercer todas suas potencialidades.

GLAD: rede LGBT que comemora, em 2017, cinco anos de atuação no Brasil. O GLAD tem como objetivo promover um ambiente de trabalho inclusivo para todos os funcionários, independentemente de sua orientação sexual, identidade de gênero ou expressão de gênero.

DEN (Disability Employee Network): grupo que lidera esforços para quebrar os estereótipos e paradigmas sobre pessoas com deficiência, facilitando e promovendo uma rápida integração dos portadores de deficiência no ambiente de trabalho.

African American Network (AAN): é focado na inclusão de profissionais afrodescendentes no mercado de trabalho, contribuindo com a educação e qualificação do público-alvo, promovendo assim a equiparação de oportunidades e presença de etnias diversas em todos os ambientes.

Sobre a Dow

Hoje, a população de negros na companhia é de 22%, incluindo a sede Rochaverá, em São Paulo, e as fábricas – enquanto o número de negros nas empresas, em geral é de 3%, segundo dados do mercado.

Entrevista: Desafios e Benefícios na Implementação da Agenda 2030

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Por Karen Pegorari Silveira

Nesta entrevista, o Professor Doutor em Economia, Gustavo Andrey Fernandes, pesquisador nas áreas de políticas públicas – especialmente nos temas de Educação e Desenvolvimento, discorre sobre os desafios e benefícios da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na estratégia dos negócios.

Para ele, não se estabelece um processo produtivo mais sustentável sem envolver as diversas peças que compõem a cadeia produtiva, assim como consumidores e fornecedores.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

Por que as parcerias são importantes para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

Gustavo Andrey – Os ODS representam uma agenda de transformação para o mundo muito mais ampla do que a Agenda 2015. É um desafio dobrado para empresas, governos, cujo resultado, se alcançado, estabelecerá um novo patamar para toda a humanidade. A Agenda 2030 propõe um conjunto de metas que vão desde processos produtivos mais eficientes, aperfeiçoando o uso de nossos recursos naturais, até a forma como lidar com as pessoas, dentro da empresa e fora. Em linhas gerais, é a humanização de relações entre pessoas e empresas, sem perder o sentido econômico inerente à produção. Neste sentido, uma agenda tão ambiciosa como os ODS torna explícito um atributo fundamental do processo de desenvolvimento que é a cooperação. Não é possível integrar, reduzir desigualdades, seja de gênero ou racial, sem unir os diversos atores envolvidos nesse processo. Ao mesmo tempo, não se estabelece um processo produtivo mais sustentável sem envolver as diversas peças que compõem a cadeia produtiva, assim como consumidores e fornecedores. E para isso, parcerias são fundamentais.

Que tipos de parcerias podem ajudar as empresas a implantarem alguns dos ODS e como elas podem ser conduzidas?

Gustavo Andrey – Pela natureza ampla e diversa dos ODS, há possibilidade de todo o tipo de parceria. Desde trabalhos em conjunto com o setor público, com ONGs e obviamente, parcerias entre empresas. Vamos pegar um exemplo concreto. A Agenda 2030 não vai abolir a inovação como uma variável fundamental para o sucesso dos negócios. No entanto, ela estabelece novos horizontes. Eliminar diferenças de gênero no local de trabalho é uma meta explícita e para isso, é preciso inovar no local de trabalho. Uma empresa pode ganhar muito ao estabelecer parcerias com ONGs que trabalhem a questão de gênero, acelerando seus passos nessa direção. E qual o resultado disso? Uma vantagem comparativa importante, pois a empresa passa a atrair melhores funcionários o que, indiretamente, impactará positivamente os negócios.

Pode nos dar exemplos de parcerias de sucesso já realizadas para inserir os ODS na estratégia dos negócios?

Gustavo Andrey – Há inúmeras iniciativas de grande importância sendo realizadas. O Pacto Global é sem dúvida uma delas e já vem produzindo excelentes resultados como indutor de transformações. No caso brasileiro, por exemplo, a ampla discussão sobre medidas anticorrupção e boas estratégias de compliance entre empresas e academia estão mudando a forma como nós fazemos negócios. A trocas de experiência, a produção de material, divulgação, o debate, estão produzindo uma verdadeira revolução. É importante destacar que isso não aborda apenas as empresas que foram de alguma forma atingidas diretamente pelas investigações. É uma mudança de mindset.

Quais os principais desafios encontrados para a implantação dos ODS nas empresas?

Gustavo Andrey – Acredito que o principal desafio seja internalizar a Agenda 2030 entre todos os colaboradores da empresa, permitindo que novos horizontes sejam percebidos. O salto dos ODM para os ODS foi muito ambicioso, de modo que, é preciso agora concretizar esse avanço dentro da firma. Seguramente, as pessoas irão se identificar com esses goals. A partir desse momento, aparece o que eu chamo de segundo desafio: criar a possibilidade de inovação dentro da firma para alcançar os ODS. É preciso não apenas entender os ODS, mas também criar a possibilidade de que algo seja feito.

A implementação bem-sucedida dos ODS resulta em quais benefícios para as empresas e sociedade?

Gustavo Andrey – Daqui para frente, não vamos apenas consumir um produto, mas uma concepção, uma ideia mais elaborada que vai além do produto em si. Isto envolve toda a cadeia produtiva, a forma como os colaboradores são tratados dentro da empresa. Muito além, isto envolve a própria visão que a empresa passa de mundo. Veja o exemplo das empresas com problemas de trabalho escravo nos seus fornecedores. A perda de clientes é imediata. É preciso, portanto, entender, que os ODS trazem novos horizontes para que as firmas inovem e alcancem vantagens competitivas. É uma Agenda de mercado também. Não podemos apostar daqui em diante, as pessoas se tornarão menos cientes das possibilidades do mundo ou mesmo indiferentes. Pelo contrário, o consumidor do século XXI é muito mais exigente e sintonizado no mundo. É essa revolução dentro das empresas que irá revolucionar toda a sociedade. Os benefícios, portanto, para a comunidade em geral são enormes. Contudo, apenas as empresas mais preparadas irão fazer parte disso. Os ODS estão aí, é preciso agarrar essa agenda de oportunidades!

Artigo: Trabalhando em prol do Desenvolvimento Sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Por Tânia Cosentino*

Eficiência energética e baixa emissão de carbono. Estão aí duas questões urgentes que precisam ser endereçadas tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada. Sustentabilidade, mais do que nunca, deve fazer parte da estratégia de negócios. E nós, da Schneider Electric, temos orgulho de ajudar nossos clientes a repensar e reinventar seus processos, num movimento que impacta a sociedade e assegura o futuro das próximas gerações.

Ao longo de toda nossa trajetória – em 2017, completamos 70 anos no Brasil -, desenvolvemos produtos e serviços que, em suma, possibilitam às companhias produzir mais com menos. É desse modo que nossos parceiros reforçam sua atuação sustentável e fortalecem seus negócios. E nossa plataforma EcoStruxure simboliza bem tal propósito. Essa tecnologia promove automação e conectividade entre as máquinas e os dispositivos móveis, possibilitando o acesso remoto, otimizando o desempenho e melhorando a eficiência da operação, a gestão de processos e a agilidade na tomada de decisões. Só no Brasil, nossas soluções permitiram que, em 2016, nossos clientes economizassem 3TWh de energia, o equivalente a 11 dias de geração de energia da Itaipu Binacional (fonte: Itaipu Binacional) ou então ao abastecimento mensal de energia da região Norte do país (fonte: EPE).

Impactos ambiental e social sempre estiveram na agenda da Schneider Electric. Outra prova disso é que, desde 2002, trabalhamos mundialmente com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e, sem sobressaltos ou solavancos, incorporamos suas iniciativas em nossos negócios, envolvendo, inclusive, nossa cadeia de suprimentos. Não foi diferente quando a entidade lançou, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas a serem alcançadas até 2030.

Fizemos, assim, uma avaliação profunda de nossas ações e nossos projetos, relacionando-os com os tais objetivos. Concluímos que impactamos diretamente 12 dos 17 ODS estabelecidos: erradicação da pobreza (ODS 1); educação de qualidade (ODS 4); igualdade de gênero (ODS 5); água potável e saneamento (ODS 6); energia limpa e acessível (ODS 7); emprego digno e crescimento econômico (ODS 8); indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9); cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11); consumo e produção responsáveis (ODS 12); combate às alterações climáticas (ODS 13); paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16); e, por fim, parcerias e meios de implementação (ODS 17).

Na América do Sul, endereçamos fortemente o ODS 5 e, claro, o ODS 7, que, afinal, é nosso core business. Mas, desta vez, aproveito a oportunidade para falar de forma mais profunda sobre o ODS 17. São as parcerias firmadas com instituições sérias que nos garantem dar passos cada vez mais largos e transversais em direção ao cumprimento das metas traçadas.

Trabalhamos junto a ONGs como World Wide Fund for Nature (WWF) e Instituto Socioambiental (ISA), experientes em ações e relacionamento com comunidades isoladas que possuem baixo ou nenhum acesso à energia renovável. Nesses casos, geramos eletricidade em espaços de convivência (escolas e unidades de saúde) e aqueles destinados a atividades produtivas – pimenta, mel, castanha –, e ainda promovemos treinamentos para que os próprios moradores possam cuidar da manutenção elétrica. Agora com energia a um custo justo, essas pessoas podem, finalmente, melhorar seus processos produtivos (refrigeração, por exemplo), com impacto direto na geração de renda.

As mulheres ganham atenção especial. Junto ao ISA e ao Instituto Consulado da Mulher, valorizamos o empreendedorismo feminino, oferecendo treinamento e apoio às trabalhadoras envolvidas com a cadeia de produção de pimenta. E mais: em parceria com o ISA, levamos soluções e treinamentos para cerca de 30 aldeias do Parque Indígena do Xingu.

Ainda dentro do programa de acesso à energia, pudemos, em conjunto com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), eletrificar comunidades remotas da região, como Tumbira e Rio Negro. Além disso, lado a lado com a FAS e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), apoiamos a iniciativa Star Energy, incentivando a pesquisa científica sobre sistemas de energia sustentáveis, renováveis, replicáveis e autônomos para a Amazônia.

Também atuamos em parceria com organizações educacionais em diferentes localidades do Brasil e até de outros países, como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Centro Universitário de Lins (Unilins) e Instituto Dom Bosco. Doamos soluções de iluminação e eletrificação solar, além de material didático, para que tais entidades possam estruturar e ofertar treinamentos de elétrica básica e energia fotovoltaica. O objetivo é beneficiar pessoas de baixa renda, ajudando-as a entrar no mercado de trabalho ou a avançar no empreendedorismo e, portanto, a sair da condição de vulnerabilidade social a que estão submetidas. Na América do Sul, em cinco anos, foram treinadas 30 mil pessoas, incluindo mulheres, elevando a renda média da comunidade piloto em 52%.

Há outros tantos parceiros fundamentais quando o objetivo é trabalhar em prol do desenvolvimento social e econômico: a ONU e seu Pacto Global, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Câmara Americana de Comércio (Amcham), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds – cujo principal intuito é influenciar políticas públicas nas esferas municipal, estadual e federal), a Plataforma Liderança Sustentável (organizada pelo consultor Ricardo Voltolini), etc.

As associações criam guias de boas práticas, fomentando e orientando ações por parte da iniciativa privada. Por meio da ONU Mulheres, por exemplo, nós firmamos compromisso com o HeForShe e com o Women Empowerment Principles (WEP) – iniciativas que visam, em linhas gerais, à eliminação das disparidades entre homens e mulheres na sociedade e ao empoderamento feminino no ambiente corporativo.

Estamos atravessando um momento bastante difícil em nosso país e no mundo. Precisamos mudar e com urgência. O planeta nem a sociedade podem esperar. E o setor privado pode e deve ajudar! Para tanto, os ODS são cruciais, porque norteiam as ações empresariais. Faço o que acredito e fico feliz de trabalhar numa empresa que me dá espaço para executar esses projetos e de ter um time apaixonado que também abraça causas tão importantes. Sou uma ativista pela inovação para a sustentabilidade. Essa é minha contribuição como executiva e como indivíduo.

*Tania Cosentino é presidente da Schneider Electric para América do Sul, foi reconhecida pela ONU como um dos 10 Pioneiros nos ODS – indivíduos de todo o mundo que estão de fato defendendo a sustentabilidade em suas companhias e mobilizando toda a comunidade de negócios para o cumprimento dos tais objetivos.

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINBEVIDROS – INCENTIVO À SUSTENTABILIDADE

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Por Karen Pegorari Silveira

O Brasil produz em média 2 milhões de toneladas de vidro por ano, e desse montante cerca de 20% é matéria-prima reciclada. Assim como nos demais processos de reciclagem, o valor do vidro reciclado varia de acordo com a pureza do material.

Na Alemanha, o índice de reciclagem em 2010 foi de 87%, correspondendo a 2,6 milhões de toneladas e em 2009 foi de 81%. Na Suíça o índice foi de 95% e nos EUA 40%.

Com este cenário, o SINBEVIDROS considera que a busca pelo desenvolvimento sustentável do setor é estrategicamente o grande desafio para aumentar a competitividade das empresas associadas, preparando-as para as novas exigências do mercado consumidor.

Para ajudar o setor a melhorar sua competitividade, o sindicato desenvolveu um programa próprio de avaliação ambiental denominado “SELO VERDE SINBEVIDROS”. Com o programa eles pretendem diagnosticar, avaliar e definir categorias para níveis de proatividade com que as empresas associadas gerenciam suas questões ambientais, bem como controlam a gestão de seus resíduos. Essas categorias são divididas em: Selo Verde SINBEVIDROS Bronze; Prata e Ouro.

O intuito do sindicato com o programa é que cada selo conquistado represente um incentivo para as empresas associadas desenvolverem mais ações que reduzam os impactos ambientais possíveis nos seus processos, aumentando assim as ações de reciclagem de resíduos, além de chamar a atenção para a destinação correta dos mesmos, quando esgotada todas as possibilidades da sua reutilização.

Para realizar os diagnósticos e as avaliações do Selo Verde, o SINBEVIDROS contratou os serviços da Rede SENAI-SP de Meio Ambiente, com sede na Escola SENAI Mario Amato em São Bernardo do Campo. Sua estrutura é composta por especialistas na área ambiental, laboratórios de meio ambiente e microbiologia e uma área de pesquisa e desenvolvimento que também atende ao Edital SENAI SESI de Inovação.

A visita de diagnóstico e avaliação tem as seguintes etapas:

Reunião de abertura com direção da empresa;
Diagnóstico e avaliação da documentação legal;
Visita às instalações da empresa;
Verificação da gestão de resíduos;
Reunião de encerramento.

O técnico do SENAI faz um relatório contendo os assuntos discutidos e as questões identificadas durante a visita para todas as empresas associadas participantes. Caberá ao SINBEVIDROS enviar o relatório e comunicar a empresa da pontuação alcançada e a data de entrega do selo conquistado e/ou do certificado de participação.

Para conhecer melhor essa e outras iniciativas do Sinbevidros, acesse www.sinbevidros.com.br.






Iniciativas Sustentáveis: Colorado Máquinas – Transformando resíduo em renda

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Por Karen Pegorari Silveira

Os resíduos de indústrias podem, muitas vezes, representar um problema para o negócio caso a empresa não tenha intenção de reaproveitá-los e decida pelo descarte. Porém, muitos desses resíduos estão sendo desperdiçados sem que as companhias percebam a sua utilidade para seu próprio negócio e até mesmo para a comunidade no seu entorno.

Os paletes, por exemplo, são o principal resíduo da Colorado Máquinas, empresa de Ribeirão Preto, interior da capital paulista, que resolveu desenvolver uma grande parceria para reaproveitá-los e solucionar o problema.

Em um trabalho conjunto com o Sesi-SP a empresa implantou o Sustent’ARTE, uma oficina completa para criação de produtos provenientes de resíduos de madeiras, que gera outros benefícios além do reaproveitamento: a qualificação profissional e a possibilidade de inserção de mais pessoas no mercado de trabalho.

As aulas acontecem no Núcleo Municipal de Formação Profissional Antônio Scaff, espaço cedido pela Prefeitura da cidade vizinha, Orlândia, e os produtos elaborados neste projeto, através dos paletes doados, vão desde porta-retratos e fruteiras, até prateleiras e baús em madeira.

A primeira fase do projeto foi concluída por 42 alunos. Eles receberam o certificado de conclusão em uma cerimônia que teve a presença de seus familiares, amigos e dos parceiros promotores do Projeto, como o Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça e da Prefeitura Municipal de Orlândia.

Entre os 42 alunos que participaram das aulas nos últimos seis meses, 16 também fizeram especialização em manuseio de máquinas para madeira no SENAI-SP e receberam certificados correspondentes ao curso.

O investimento da Colorado Máquinas foi de aproximadamente R$ 100 mil, destinados a contratação de especialistas e montagem da oficina. O curso é oferecido gratuitamente pelo período de 15 meses e ensina pessoas de ambos os sexos a produzirem artesanato, peças decorativas e móveis em madeira.

A iniciativa foi reconhecida como uma das cinco melhores práticas socioambientais do país na categoria Resíduos, modalidade sênior do XV Prêmio Benchmarking Brasil.

Para a supervisora de Comunicação e Responsabilidade Social do Grupo Colorado, Maria Inês Marcório Guedes de Carvalho, “esta premiação simboliza o reconhecimento, respeito e confiança de públicos especializados e formadores de opinião em sustentabilidade para o trabalho conjunto desenvolvido”, declarou a profissional.

Sobre a Colorado Máquinas

A Colorado Máquinas, fundada em 1999, faz parte do Grupo Colorado, um dos maiores grupos brasileiros do setor agroindustrial, que emprega cerca de 7.000 pessoas, está presente em quatro regiões do Brasil, atende a dezenas de municípios e exporta para quatro continentes. Na concessionária são comercializadas máquinas agrícolas da marca John Deere, e esta empresa do grupo conta com 199 colaboradores diretos – sendo que as áreas produtivas contam com 50 vendedores de máquinas e peças e uma equipe de 60 técnicos mecânicos.

Entrevista: Como incentivar o consumo e produção responsáveis no Brasil

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Por Karen Pegorari Silveira

O Prof. Dr. Weber Amaral, especialista em economia circular da ESALQ-USP, sugere como é possível contribuir com o consumo e produção responsáveis e ajudar a atingir a meta 12 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para ele, o Brasil tem uma grande oportunidade para reduzir perdas no pós-colheita e as empresas uma excelente oportunidade para atrair clientes mais conscientes com uma comunicação transparente.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

O ODS 12 discorre sobre a produção e o consumo responsáveis e incentiva as empresas a adotar práticas sustentáveis e a divulgar suas informações de sustentabilidade. Porém, no Brasil mais de 96% das empresas são de pequeno e médio porte, as quais não têm o hábito de comunicar suas ações neste tema. Em sua opinião, como essas empresas podem comunicar suas práticas em sustentabilidade de forma simples e clara, e qual a importância dessa divulgação para a estratégica do negócio?

Weber Amaral – Hoje com acesso “quase” universal as mídias sociais e canais digitais para comunicação, estas PMEs podem se utilizar destes canais para comunicarem as suas ações, a partir de criação de narrativas claras e voltadas para seus públicos específicos. Negócios que conseguem demonstrar e divulgar estas ações tendem a atrair mais clientes e também serem mais efetivos.

Reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial também é uma importante meta deste ODS, já que cerca de 30% de tudo o que é produzido no mundo é desperdiçado e perdido antes de chegar à mesa do consumidor. Quais ações deram certo em outros países e quais ações são necessárias para que o Brasil colabore com este objetivo?

Weber Amaral – Para que possamos entender melhor este problema de desperdício de alimentos, seria importante contextualiza-lo.

Por exemplo, identificarmos onde estão estas perdas? Em quais elos da cadeia de alimentos? No campo? No transporte do campo até as unidades de armazenamento ou processamento? No transporte do alimento pronto para consumo? Ou na ponta final da cadeia: associado ao comportamento dos consumidores?

As maiores variações de perdas dos alimentos não estão nos números gerais entre os países, mas sim nas porcentagens de perdas dentro de cada elo da cadeia de cada pais. Por exemplo no Brasil, temos uma grande oportunidade para reduzir perdas no pós-colheita, envolvendo a logística do campo para a indústria, onde temos os maiores gargalos.

O Brasil produz em média 387 quilos de resíduos por habitante por ano, quantidade similar à de países de primeiro mundo como Croácia e Hungria por exemplo, mas só destina corretamente pouco mais da metade do que coleta (58%), enquanto esses países trabalham com taxas mínimas de 96%. De acordo com sua experiência o Brasil pode conseguir alcançar a meta 12.5 do ODS, que sugere, até 2030, reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso? Como isso seria possível?

Weber Amaral – O Brasil poderá atingir a meta estabelecida para 2030. A adoção dos fundamentos da Economia Circular pode ser uma excelente estratégia para buscar esta meta, trabalhando no desenho para a circularidade dos produtos, reduzindo as perdas já no desenho dos produtos (prevenção), e em seguida, reduzindo as perdas nos processos de fabricação (redução do volume gerado) e posteriormente reutilizando e reciclando volumes menores que os atuais por ciclo do produto gerado. Porem necessitamos de habilitadores que fortalecem práticas de logística reversa, manufatura, reciclagem e em especial, desenho para circularidade, dentro de um contexto de políticas públicas de suporte e não punitivas.

Como é possível garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável? É papel do setor empresarial, do governo ou da sociedade como um todo? Qual a melhor forma de transmitir informações sobre sustentabilidade e mudar a mentalidade de uma população, e quais iniciativas têm dado certo neste sentido?

Weber Amaral – Precisamos garantir que o tema da mudança dos atuais modelos econômicos lineares e não sustentáveis se tornem “virais”, e “contaminem” o dia a dia das pessoas, dos profissionais, crianças e futuros profissionais. A primeira mudança passa pela mudança de comportamento e da mentalidade. Desta forma todos os setores da sociedade estariam comprometidos com esta transição, com mudanças que afetem os padrões de produção lineares e consumo não consciente.

Ha vários exemplos de melhores práticas em diferentes segmentos da indústria brasileira, em diversas regiões e cidades, sendo que estes processos de mudança vêm ocorrendo deste a Rio 92, e em muitas áreas e segmentos, o Brasil tem papel de liderança em práticas e projetos inovadores, economicamente viáveis e de impacto social e ambientalmente transformadores.


Artigo: Produção e Consumo responsáveis: um objetivo para o desenvolvimento sustentável na indústria

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Flavio Ribeiro

Em sua definição clássica, economia é a ciência que estuda a apropriação, conversão e uso dos recursos naturais para a satisfação das necessidades humanas. Este conceito, simplificado, esconde uma realidade cruel: ao passo em que os estoques de capital natural são finitos, e mesmo os recursos “renováveis” possuírem uma capacidade limitada de regeneração, nossas necessidades não param de aumentar, seja pelo crescimento populacional, seja pela elevação do consumo individual. Temos assim um colapso em vista, com um sistema em constante expansão dependendo de outro que possui uma capacidade restrita de atendê-lo.

Já não é novidade que a forma como produzimos e consumimos traz consequências ambientais bastante graves, além dos evidentes reflexos da exclusão, fome, miséria e demais mazelas sociais. Desde a década de 1960 muitas iniciativas têm sido propostas para reduzir os impactos ambientais das diversas atividades humanas, e embora ainda haja um grande desafio a enfrentar, é fundamental reconhecer os avanços já obtidos.

A jornada de melhoria do desempenho ambiental das atividades econômicas já passou por diversas “gerações”, cada uma destas com seus obstáculos. Desde as primeiras leis e criação dos órgãos ambientais, passando pela necessidade de investimentos em equipamentos de controle da poluição, desenvolvimento de procedimentos como o licenciamento ambiental e a avaliação dos impactos de obras e empreendimentos, até as discussões sobre protocolos internacionais e efeitos globais da poluição, muito já ocorreu. Do lado da indústria, já faz algumas décadas que é notória a melhoria de produtos e processos com a aplicação de modelos de gestão ambiental, como os sistemas certificados e a “Produção mais Limpa” (ou eco-eficiência), estratégia que visa conjuntamente melhorias ambientais e econômicas por meio de reduções de desperdícios, revisão de processos e outras ferramentas.

Há, porém, que se destacar que as melhorias até o momento não têm sido suficientes para reverter a trajetória de colapso em nosso sistema econômico. Os indicadores ambientais ainda trazem sérias preocupações com o fornecimento de água, energia, alimentos e diversos materiais usados para as atividades humanas. Mais do que isso, embora muito se tenha caminhado em “como produzir mais com menos”, ainda não se questiona o “quanto” nem o “para quem” se deve produzir. Se a “produção mais limpa” avançou bastante, o “consumo sustentável” ainda é uma realidade distante para grande parte da população.

É neste sentido que se orienta o “ODS 12: Produção e Consumo Responsável”, um dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável propostos pelas Nações Unidas para os próximos 15 anos. Composto de onze metas (veja em http://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-consumption-production/), muitas voltadas para medidas específicas a serem adotadas por empresas ou governos, este objetivo traz desafios à toda a sociedade, e que não serão facilmente superados. Ao contrário, em muitos casos exigirão mudanças profundas na forma com a qual desenvolvemos nossa economia, mas sem as quais dificilmente se vislumbra um futuro próspero para a humanidade.

Além do evidente foco em reduzir o consumo de água e energia (principalmente das fontes fósseis), bem como o desperdício de alimento, um ponto importante a se destacar em várias destas metas propostas pelas Nações Unidas é o papel da informação. Esta preocupação aparece ao sugerir o desenvolvimento de ferramentas de monitoramento de impactos, o apoio à pesquisa e desenvolvimento científico, o acesso à informação ambientalmente relevante, ou mesmo a divulgação pelas empresas de melhores dados e informações ambientais sobre seus produtos, serviços e instalações.

Se nos anos de 1960 a política ambiental se valeu das estratégias coercitivas aplicadas por governos centrais e fortes; se nos anos de 1970 o movimento social criou demandas por participação pública nos processos decisórios; se nos anos de 1980 e 1990 a evolução se deu pelos sistemas de gestão ambiental e a produção mais limpa; e se nos anos de 2000 foram os efeitos globais da poluição que motivaram as mudanças, agora é a “sociedade da informação” que se impõe.

Mas atuar com informação não é tarefa fácil, a começar por assegurar que esta informação seja de qualidade e que possa ser utilizada para tomada de decisão. Além disso, é bom lembrar que não se trata de possuir “informação”, mas sim em converter a informação em “valor” para o negócio. Por fim, lembrar que atualmente o conceito de “valor”, inclusive ao acionista, não se restringe à indicadores econômicos (como receita bruta, lucro sobre despesas ou dividend yeld). Empresas sólidas e responsáveis também incluem em seus processos decisórios questões como passivos ambientais, relacionamento com stakeholders, questões de gênero, dentre diversos outros aspectos relativos aos impactos sociais e econômicos de suas atividades.

Embora haja uma enorme gama de visões para este futuro, uma certeza existe: as oportunidades estão nos novos modelos de negócio. Não se trata apenas de criar startups, mas de levar às empresas já existentes (muitas de grande porte) formas mais inteligentes, ágeis, modernas e ambientalmente adequadas de fazer negócio. No caso da indústria de bens duráveis, por exemplo, esta não pode mais depender apenas do eterno fluxo de extrair- manufaturar- vender para gerar riqueza, modelo que depende da constante obsolescência ou curta vida útil dos produtos. Já se fala em ter uma “economia circular” e a própria forma das pessoas consumir já começa a ser outra, permitindo relacionamentos de longo prazo, por meio do oferecimento de serviços ao invés de produtos em muitos casos.

Há também que se preparar para novas formas de interação entre os diversos elos das cadeias de produção e consumo, com inclusão de elementos não previstos até o momento. A ampliação da reciclagem dos resíduos em alguns países europeus, para usar um exemplo, já está criando séria concorrência para as empresas de commodities, como as mineradoras – muitas destas já ampliaram suas estratégias de negócio para se tornarem fornecedores de materiais, sejam estes oriundos de uma jazida, dos restos de uma fábrica ou mesmo da coleta seletiva do lixo.

Os tempos estão mudando, a sociedade está mudando, as pessoas estão mudando. É essencial e urgente reinventarmos a economia, com bases mais propícias a estes novos tempos. É disso que se trata o “ODS 12”, trazendo elementos práticos para a importante missão de buscar alternativas para que nossa economia siga oferecendo produtos e serviços que satisfaçam as necessidades humanas, mas de forma mais justa, ampla e que permita a redistribuição dos benefícios da prosperidade entre uma parcela crescente da população.

* Flávio de Miranda Ribeiro é Gerente do Departamento de Políticas Públicas de Resíduos Sólidos e Eficiência dos Recursos Naturais da CETESB – Cia. Ambiental do Estado de São Paulo, além de docente e pesquisador nas áreas de Avaliação do Ciclo de Vida, Produção mais Limpa, Gerenciamento de Resíduos e Regulação Ambiental da Indústria. Também é membro do Grupo de Especialistas em Consumo e Produção Sustentáveis do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

Trabalho, crescimento econômico e sustentabilidade em discussão na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Gracia Fragalá, diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp, abriu a edição desta quinta-feira (31 de agosto) dos “Encontros Fiesp de Sustentabilidade, com o tema “Trabalho, crescimento econômico e sustentabilidade”. Para o debate, concebido para acompanhar o assunto destacado no boletim do Cores, com foco na meta 8 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Trabalho decente e crescimento sustentável), foram convidados representantes da universidade, da indústria e da área sindical, com a mediação de Claudia do Amaral Vieira.

Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), coordenador do Projeto Salariômetro, membro do Conselho Superior de Estudos Estratégicos e do Conselho Superior de Relações do Trabalho da Fiesp, fez a apresentação Como as indústrias podem apoiar o trabalho decente e o crescimento econômico?

Dividiu em 5 pontos sua palestra:

Origens e desenvolvimento da responsabilidade social corporativa;

Estilos de desenvolvimento econômico;

Os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável;

O Objetivo 8;

Contribuição das indústrias.

Origens

Inicialmente rejeitado até por grandes economistas, como o norte-americano Milton Friedman, o conceito de responsabilidade social da empresa foi ganhando aceitação e virou bandeira do mundo empresarial, afirmou o professor. Objetivos sociais, ambientais e econômicos passaram a ser o padrão a perseguir, compondo o triple bottom line.

Também foi sendo refinada a definição dos aspectos sociais do trabalho. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) criou o conceito de trabalho decente, e a ONU depois lançou seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Estilos

Zylberstajn explicou a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico, que modifica a sociedade enquanto ocorre. No Brasil se encara o desenvolvimento muito mais como um fim que como um meio, disse. Há grandes problemas no país, incluindo ambientais e urbanos.

O caminho da industrialização poderia ter sido trilhado com custos sociais e ambientais muito mais baixos. Um desses custos é o excedente de mão de obra, que leva à informalidade do mercado de trabalho. Exemplo de melhor caminho está no Japão, que fez uma reforma agrária e ocupou as pessoas no campo, assim como a Coreia do Sul. Os EUA também fizeram isso, ocupando a fronteira agrícola com a distribuição de terra – o que também ajudou a manter os salários, devido à existência de uma opção.

E no Brasil, além disso, as políticas de fomento incentivam o investimento poupador de mão de obra.

O Federal Reserve, o banco central dos EUA, além do controle monetário, tem como objetivo o emprego. “Se exagera na taxa de juros, pode prejudicar o emprego, então tem que balancear.” O desenvolvimento econômico não pode se dissociar do ambiente social em que se insere, em nome inclusive da sustentabilidade, defendeu Zylberstajn.

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“Encontros Fiesp de Sustentabilidade, com o tema “Trabalho, crescimento econômico e sustentabilidade”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Os objetivos

O professor fez questão de ler os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU.

O objetivo 8, com relação direta com o tema do encontro, desdobra-se em diversos itens, dos quais o professor destacou estes dois:

8.6 Até 2020, reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação

8.b Até 2020, desenvolver e operacionalizar uma estratégia global para o emprego dos jovens e implementar o Pacto Mundial para o Emprego da Organização Internacional do Trabalho.

Em resumo, o professor da FEA disse que a contribuição das indústrias deve ser imitar a Alemanha e a Coreia do Sul e qualificar os jovens. Para isso, devem se tornar uma extensão da sala de aula, para qualificar. E o Senai pode contribuir com sua experiência para treinar supervisores.

No Brasil, engenharia e áreas correlatas respondem atualmente por apenas 5,2% das pessoas graduadas em faculdades, destacou Zylberstajn.

Sustentabilidade na prática

O case do Grupo Malwee – responsável por 9 marcas, 6.000 colaboradores e 35 milhões de peças produzidas e distribuídas por ano – foi apresentado por Taise Beduschi, da área de sustentabilidade. Entre os objetivos da Malwee está o desenvolvimento de ações que estimulem o uso consciente de seus produtos pelo consumidor, até seu destino final. No processo produtivo, a sustentabilidade é buscada, por exemplo, com a redução do consumo de água e energia. Também se estende essa busca de sustentabilidade aos fornecedores.

No Brasil, a empresa contabiliza 2.747 fornecedores, e desse total, 190 (6,9%) são empresas que atuam como prestadores de serviço para o processo de costura e acabamento das roupas. Essas confecções, importantes para a manutenção da capacidade produtiva e competitividade, caracterizam-se por serem empresas de pequeno porte com uso intensivo de mão de obra, o que amplia o risco de ocorrerem situações de não conformidade com a legislação trabalhista e os princípios de respeito e garantia dos direitos humanos.

Um dos maiores investimentos da Malwee, dentro do Plano 2020, é o fortalecimento das políticas internas para assegurar que seus fornecedores cumpram estritamente todas as regulamentações legais do país, bem como a criação de novos mecanismos de controle para impedir a ocorrência de práticas que estejam em desacordo com seus valores e compromissos.

Camila Zelezoglo, coordenadora de Negociações Internacionais do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo (Sinditêxtil), citou entre as iniciativas do setor:

Parceria Público-Privada OIT, iniciada em maio deste ano, com duração prevista de 18 meses, na Região Metropolitana de São Paulo, tendo como eixos de atuação trabalhadores (as) migrantes, donos de oficina de costura e instituições (federal, estadual e municipais);

Laboratório da Moda Sustentável, iniciativa da Abit, Abvtex e OIT, com investimento inicial do Instituto C&A e realização do Instituto Reos. Suas duas fases preveem a construção de cenários futuros e um Laboratório social;

Programas Melhoria da Produtividade, com 120 horas de consultoria especializada durante 3 meses e a meta de redução do excesso de produção, tempos de espera, transporte, inventário e defeitos.

Os Encontros

Os “Encontros Fiesp Sustentabilidade”, do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores), têm como objetivo disseminar os conceitos e os valores da sustentabilidade. Periodicamente um especialista, representantes da indústria e dos sindicatos são convidados a apresentar temas e compartilhar seus conhecimentos e boas práticas de forma a inspirar, orientar e motivar o desenvolvimento de novas ações.