INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: EDP – EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo a meta 9 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, até 2030, é preciso modernizar a infraestrutura e reabilitar as indústrias para torná-las sustentáveis, com eficiência aumentada no uso de recursos e maior adoção de tecnologias e processos industriais limpos e ambientalmente corretos, assim como vem atuando a EDP, empresa global de energia elétrica, presente em 13 países, com atuação nas áreas de geração; distribuição; transmissão; comercialização e serviços de energia.

Os compromissos assumidos no pilar “Gerar Valor Econômico” estão diretamente relacionados com o ODS 9, já que trata da expansão do investimento em tecnologias inovadoras e sustentáveis. Neste caso, a EDP disponibiliza produtos e serviços de eficiência energética para reduzir o consumo de 100 GWh de energia no cliente até 2020 através de Iluminação Eficiente – Modernizando o sistema de iluminação com instalação de equipamentos mais eficientes e duráveis, como lâmpadas LED ou Fluorescentes de alto rendimento; Refrigeração e Climatização – Substituindo os sistemas de máquinas e centrais de refrigeração de água; Elevação do Nível de Tensão – Alterando o fornecimento elétrico de baixa tensão para média ou alta tensão; Sistema de Gestão Energética (GE) – Controlando todo o consumo energético (eletricidade, gás, água e outros) voltado à redução do desperdício; EDP Solar ingressando no segmento de geração distribuída solar fotovoltaica, dando início à implantação da área EDP Solar; entre outras ações.

Segundo a empresa, seus negócios estão fundamentados na Visão de ser “uma empresa global de energia, líder em criação de valor, inovação e sustentabilidade”, e por isso assumiu, em 2016, compromissos com a sustentabilidade para 2020. São eles: Limitar a 25% o peso da tecnologia do carvão no portfólio de geração de energia em 2020 e promover projetos para a redução de emissões de CO2. Disponibilizar produtos e serviços de eficiência energética para reduzir o consumo de 100 GWh de energia no cliente até 2020. Investir R$ 100 milhões até 2020 na expansão da telemedição em clientes baixa tensão. Investir R$ 100 milhões em projetos inovadores até 2020. Alcançar 100% de certificação ambiental e assegurar a implementação de sistema de gestão em fornecedores críticos. Internalizar o conceito de economia circular e promover eficiência energética nos edifícios. Valorar as externalidades ambientais na EDP relacionadas com serviços ecossistêmicos prioritários. Manter níveis de engajamento de colaboradores > 75% até 2020. Promover a diversidade, garantindo igualdade de acesso em processos de contratação. Alcançar 100% de certificação de saúde e segurança e assegurar a implementação de sistema de gestão em fornecedores críticos. Manter a EDP como uma das Empresas mais Éticas do Brasil (Selo Pro-Ética). Alcançar > 80% de satisfação dos clientes. Implementar mecanismos de consulta periódica com stakeholders. Investir R$ 50 milhões até 2020 para promover negócios sociais e iniciativas de estilos de vida sustentáveis.

Em 2016, a EDP Brasil investiu R$ 21,6 milhões em projetos de Pesquisa & Desenvolvimento. Dentre os projetos desenvolvidos, destaca-se o Climagrid – Para monitorar possíveis interrupções de energia causadas por tempestades severas e mitigar transtornos para a empresa e para a sociedade, desde 2010, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a empresa trabalha no desenvolvimento de um sistema denominado ClimaGrid: uma ferramenta inovadora que integra os dados ambientais, meteorológicos e de ocorrências do sistema elétrico e disponibiliza as informações para as empresas distribuidoras do grupo EDP.

Para a gestora executiva de Sustentabilidade na EDP Brasil, Sonia Cardoso, “a EDP Brasil é uma empresa genuinamente comprometida com a sustentabilidade e com a inovação. Prova disso é a nossa participação na agenda global da sustentabilidade e a transparência no que tange aos nossos compromissos com o futuro. Como uma utility de energia, temos a responsabilidade em assumir uma posição dianteira no que diz respeito às inovações num setor que está diretamente relacionado com o desenvolvimento socioeconômico do país. ”

Sobre a EDP

É uma das maiores operadoras europeias do setor energético e está presente em 13 países. No Brasil, conta com mais de 3.000 colaboradores próprios, está entre as cinco maiores empresas do setor elétrico e atua nos seguimentos de geração, distribuição e comercialização e serviços de energia elétrica.


ENTREVISTA: INDUSTRIALIZAÇÃO INCLUSIVA x NEGÓCIOS

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Por Karen Pegorari Silveira

Marina Grossi, presidente do CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, comenta o que ajuda uma indústria a ser realmente inclusiva e sustentável.

Para ela, não há uma receita a ser seguida, mas proteger o meio ambiente e erradicar a pobreza são iniciativas primárias, porém essenciais para que uma empresa seja considerada inclusiva.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável nº 9 cita a industrialização inclusiva. Por que este item é importante para o Desenvolvimento Sustentável dos países?

Marina Grossi – A meta 9.2 do ODS 9 se relaciona a “promover a industrialização inclusiva e sustentável e, até 2030, aumentar significativamente a participação da indústria no setor de emprego e no PIB, de acordo com as circunstâncias nacionais, e dobrar sua participação nos países menos desenvolvidos”. É sabido que a infraestrutura básica – como estradas, tecnologia da informação e comunicações, saneamento, eletricidade e água – permanece escassa em muitos países em desenvolvimento, limitando o acesso aos cuidados de saúde e à educação, por exemplo. Assim, o desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável se coloca como uma relevante fonte de geração de renda e permite o rápido e sustentado aumento dos padrões de vida das pessoas.

Quais ações tornam uma indústria efetivamente inclusiva?

Marina Grossi – Na verdade, não há uma receita a ser seguida. Cada indústria deve ser avaliada individualmente, pois as ações variam, por exemplo, de acordo com o tipo e tamanho da indústria. Segundo a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), uma indústria inclusiva e sustentável deve proteger o meio ambiente, erradicar a pobreza e criar prosperidade compartilhada, por meio de parcerias. Assim, as ações das indústrias precisam estar alinhadas a estes princípios para que estas sejam consideradas inclusivas. Certamente, elas também precisam pensar em políticas que promovam a inclusão nos seus respectivos quadros de colaboradores, bem como em suas cadeias de valor.

Como as indústrias podem engajar seus stakeholders nesta meta?

Marina Grossi – O engajamento dos stakeholders pode se dar de inúmeras formas. Uma das maneiras é via ações diretas com a cadeia de valor de uma dada indústria, podendo-se iniciar no processo de elaboração da matriz de materialidade. Este processo oferece subsídios para identificar os elementos realmente significativos para a empresa e para o seu setor de atuação segundo a perspectiva da sustentabilidade. A metodologia da materialidade, logo, ajuda a direcionar o conteúdo do relatório de prestação de contas e de outros canais de comunicação, ao mesmo tempo em que propicia uma oportuna análise sistêmica sobre a companhia, tornando-se uma poderosa ferramenta auxiliar para a boa gestão. Dessa maneira, a indústria deve focar nos temas apontados no processo de materialidade, de modo a engajar os stakeholders, extraindo informações relevantes ao negócio.

Quais os benefícios para as indústrias que integrarem as metas do Objetivo 9 em sua estratégia?

Marina Grossi – O mundo enfrenta desafios econômicos, sociais e ambientais concretos e os ODS representam o conjunto de prioridades, pactuadas globalmente, que devem ser adotadas para superarmos esses desafios, eliminarmos a pobreza extrema e colocarmos o mundo em uma trajetória sustentável. Neste contexto, o setor industrial é peça chave e tem muitas responsabilidades. Estar alheio a estas questões é um negócio cada vez pior. Em termos práticos, a indústria já possui amplo conhecimento e tecnologias para viabilizar uma economia sustentável, mas é a implementação das metas dos ODS que irá promover parcerias e dar escala às boas práticas. E aí está a oportunidade para as empresas líderes mostrarem de que maneira ajudam no avanço do desenvolvimento sustentável.

Para as micro e pequenas indústrias, quais ações iniciais podem ser implantadas para que elas tenham um futuro inclusivo e sustentável?

Marina Grossi – As ações variam muito de acordo com a área de atuação da indústria. Porém, o primeiro passo, é entender a importância da agenda 2030 e interligar as estratégias empresariais com as prioridades globais, exercício que implica análise de risco e decisão estratégica. Assim, para orientar o setor privado nesta direção, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Rede Brasileira do Pacto Global e o GRI lançaram a versão brasileira do Guia dos ODS para as Empresas (SDG Compass, em inglês).

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: BASF – INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo dados do Estudo “Integração dos ODS na Estratégia Empresarial”, elaborado pelo Comitê Brasileiro do Pacto Global, metade das 21 empresas pesquisadas já considera os ODS como referência em suas atividades cotidianas para a condução dos negócios, seja na gestão, seja na estratégia. E outras 20% declaram que usarão os ODS no futuro.

A BASF é uma das empresas que já integra alguns dos ODS em seu negócio, como a meta 9 – investindo em Pesquisa & Desenvolvimento para criar produtos que contribuam cada vez mais com a sustentabilidade. Além disso, a empresa tem metas para o uso de recursos, de gerenciamento de resíduos e de diversidade e inclusão de pessoas, bem como de alcance para projetos de engajamento social.

Buscando equilibrar os pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental), a BASF analisou mais de 60 mil produtos e soluções do seu portfólio e as classificou de acordo com sua contribuição para a sustentabilidade. Só as soluções mais inovadoras, que contribuem de forma significativa para sustentabilidade em toda a cadeia de valor, representaram 27,2% das vendas globalmente (em 2016).

A companhia também apoia globalmente a Organização das Nações Unidas (ONU) na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, na América do Sul, participa das discussões referentes à adoção e às práticas voltadas ao atingimento dos ODS.  No Pacto Global (2000) a BASF ocupa a presidência da diretoria do Comitê Brasileiro do Pacto Global desde 2015 e teve o mandato renovado por mais três anos, em eleições realizadas em 2016. Também participam nos quatro Grupos Temáticos (GTs) criados para aplicar os 10 princípios e implementar os valores do Pacto Global: Anticorrupção; Energia e Clima; Direitos Humanos e Trabalho; Alimentos e Agricultura.

Com relação a gestão energética, o complexo químico de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, é um bom exemplo. Na unidade, a eficiência energética aumentou 40,3% entre 2002 e 2015. Além disso, o consumo de energia elétrica por tonelada produzida foi reduzido em 12,4%, e o de água em 72,7% no mesmo período. Esse resultado foi possível pela aplicação do projeto Triple E (Excelência em Eficiência Energética), que tem como principal objetivo aumentar a competitividade por meio de uma melhor eficiência energética.

Lançado em dezembro de 2015, na América do Sul, o Triple E contribui para as metas ambientais da empresa. Para seu desenvolvimento foi criado um time multifuncional para gestão das ações, que tinha como missão avaliar oportunidades e fomentar melhorias nas práticas para a gestão de energia nos processos. Entre as medidas adotadas está a norma internacional ISO 50001, que auxilia as empresas a estabelecer práticas mais eficientes e modernas no uso desse recurso. A BASF foi a primeira entre as grandes indústrias químicas a receber essa certificação e o complexo químico de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, foi o primeiro da América do Sul.

O objetivo da ISO 50001 é permitir que a organização estabeleça sistemas e processos necessários para melhorar o seu desempenho energético, incluindo a eficiência energética, uso e consumo de energia primária. Na BASF a energia primária corresponde a todo e qualquer tipo de energia utilizada, como a elétrica, de combustíveis, vapor, ar comprimido, etc.

O projeto Triple E apresentou bons resultados e deverá ser colocado em prática em outras localidades, sendo que a ISO 50001 será implementada nas unidades fabris que apresentam maior consumo de energia, como São Bernardo do Campo (SP) e Camaçari (BA), no Brasil, e Concón, no Chile.

O gerente de Sustentabilidade da BASF, Emiliano Graziano, conta ainda que “além dos aspectos econômicos, a redução no consumo de energias possibilita o decréscimo na emissão de gases causadores do efeito estufa, pois menos combustíveis são queimados, por exemplo. Além disso, a aplicação de tecnologias limpas é estudada, como a utilização de painéis solares para aquecimento de água”.

Hoje, na fábrica da BASF em Guaratinguetá são produzidos 1.500 tipos de matérias-primas para as mais diversas aplicações. Trata-se da maior unidade da BASF na América do Sul, com capacidade de produção de mais de 320 mil toneladas anuais de produtos. A planta tem uma área total de 380 hectares (ou 3,8 milhões de metros quadrados), sendo 10% de área fabril e 324 hectares de áreas verdes e reserva ambiental.

Um dos exemplos de aplicação das soluções da BASF que contribuem para a sustentabilidade em outras fábricas é a Casa Granado. Para a construção de sua nova fábrica em Japeri (RJ), a empresa utilizou duas soluções da BASF. Uma delas é o piso de alto desempenho, chamado Ucrete. Além de não conter solvente, a solução tem como principais benefícios a grande resistência química, e mecânica e facilidade de limpeza, características essenciais em uma fábrica que lida com produtos químicos e tráfego de empilhadeiras e carrinhos.

A outra solução são os painéis isotérmicos para sistemas construtivos, que tem como principal atributo o conforto térmico.  O uso do sistema isotérmico substitui vigas, pilares, telhas, tijolos e argamassa por painéis que se encaixam numa estrutura autoportante, que permite construir com mais rapidez, eficiência, economia e maior durabilidade. Por meio de um parceiro, as peças são encomendadas na medida do projeto, garantindo baixa geração de resíduos, com uma taxa de desperdício de apenas 0,5%, o que representa oito vezes menos perdas do que o método convencional. Além disso, não é utilizada água em todo o processo produtivo, desde a fábrica até a instalação no local da obra, reforçando a proposta sustentável da edificação.

Sobre a Basf

Mais de 3920 colaboradores formam a equipe no Brasil, com vendas, de aproximadamente, 2,1 bilhões de Euros. As fábricas da companhia estão localizadas em Guaratinguetá, São Bernardo do Campo, Indaiatuba e Jacareí, todas no Estado de São Paulo. Seu portfólio de produtos vai desde químicos, plásticos, óleo e gás, até a agricultura.

ARTIGO: OS CAMINHOS PARA UMA INDÚSTRIA SUSTENTÁVEL, INCLUSIVA E INOVADORA

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Por Vitor Gonçalo Seravalli*

No momento atual, há vários argumentos e justificativas para que as indústrias reduzam drasticamente a sua prioridade para as questões relacionadas ao longo prazo.

Afinal, as crises política e econômica, que se arrastam há bastante tempo, impactam as empresas em várias perspectivas e exigem das mesmas um foco total em sua sobrevivência, o que se traduz na adoção de estratégias com alcance de curto prazo.

Com isso, tudo na vida destas indústrias é, simultaneamente, urgente e importante.

Uma rara boa notícia é podermos identificar empresas que já colocam a sustentabilidade integrada e como peça chave de suas estratégias de negócio, que ampliam seu olhar para as oportunidades conectadas aos três pilares: social, ambiental e econômico com foco em diferenciais competitivos, que seus concorrentes, para o bem delas, ainda não conseguem perceber.

Não, não é verdade que o problema esteja resolvido definitivamente para estas empresas. Somente quem atua no mercado sabe das dificuldades que os desafios diários e as constantes turbulências trazem. Contudo, qualquer força positiva que possa tornar estas organizações menos vulneráveis e mais competitivas, será sempre bem-vinda.

Neste contexto, é promissora a existência de um compromisso assumido em âmbito global para a construção de um genuíno desenvolvimento sustentável. É motivador saber que este acordo se materializa em uma agenda ampla e abrangente, em um claro plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade.

São 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas que pavimentam o caminho para o futuro, cuja construção, todos os setores da sociedade podem e devem contribuir.

Como não poderia deixar de ser, as indústrias das mais diversas dimensões e segmentos de mercado, inclusive as pequenas e médias empresas, possuem potencial de atuação em praticamente todos os objetivos, mas um deles, o ODS 9, é praticamente exclusivo para elas.

“Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação” – Este objetivo significa a criação de uma base sólida e diversa para apoiar o desenvolvimento econômico, para manter o bem-estar social e para viabilizar tecnologias e processos industriais limpos e ambientalmente corretos.

Seu desmembramento em 8 metas considera a alta complexidade do ambiente industrial em suas cadeias de valor e possibilita o desenvolvimento de iniciativas e projetos nas mais diferentes áreas e nos mais distintos negócios, em um espaço onde a pesquisa e a inovação tecnológica são consideradas alavancas para a necessária mudança que precisamos concretizar até o ano de 2030.

Enfim, é absolutamente necessário que todos nós conheçamos esta agenda, mas é fundamental que a coloquemos em prática.

Para saber mais, veja: https://nacoesunidas.org/pos2015/

*Vitor é diretor de Responsabilidade Social do CIESP e especialista em Sustentabilidade Empresarial.

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: ITAIPU – NOVAS ENERGIAS

Crédito foto: Alexandre Marchetti

Por Karen Pegorari Silveira

Adotar tecnologias e processos industriais limpos e ambientalmente corretos é uma das submetas do Objetivo 9 para o Desenvolvimento Sustentável, para isso, a Itaipu Binacional adotou o aproveitamento de fontes renováveis de energia, em especial o biogás produzido a partir de dejetos da agropecuária, agroindústria e esgotos urbanos.

A atuação da Itaipu nesse campo, iniciada em 2008, resultou na criação do CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis–Biogás), uma instituição científica, tecnológica e de inovação, formada por 17 instituições que desenvolvem e/ou apoiam projetos relacionados às energias renováveis.

O Centro é responsável por projetos de implantação, monitoramento e melhorias em sistemas de produção de biogás em 11 unidades de produção no oeste do Estado do Paraná. Os sistemas foram instalados em amidonarias (indústria que produz alimentos com amido), pequenas e médias propriedades rurais, cooperativas, granjas e empresas que transformam dejetos de animais ou resíduos industriais em eletricidade, energia térmica e biocombustível, podendo ainda ser obtido biofertilizante de todo esse processo. As unidades comprovam a viabilidade técnica e econômica do biogás.

O laboratório do CIBiogás, que realiza os ensaios de análise do potencial do biogás, compartilha o conhecimento desenvolvido no setor com cursos na modalidade Ensino a Distância em Português, Inglês e Espanhol.

Segundo levantamento da empresa, os cursos já atenderam, até o momento, 1.148 alunos de 26 países, especialmente da América Latina e da África, como Argélia, África do Sul, Burkina Faso, Cabo Verde, Ghana, Ilhas Maurício, Moçambique e Senegal, com destaque no continente africano, onde a maioria dos países ainda não conta com serviços de energias térmica e elétrica com uma cobertura satisfatória e o carvão e a lenha constituem as principais fontes energéticas. Daí a importância do biogás como alternativa para a geração de energia.

O biocombustível, produzido na Granja Haacke, é comprimido em cilindros e transportado até um posto de abastecimento na Itaipu Binacional. A frota de veículos da Itaipu encerrou 2016 com 59 veículos movidos a biometano, um aumento de 37% em relação ao ano anterior.

Existe ainda o projeto UDCIBiogás, que consiste no desenvolvimento de uma planta de biogás com o tratamento de biomassa residual proveniente da poda de grama, resíduos de restaurantes e copas e parte do efluente sanitário gerado no Complexo Itaipu Binacional. O biogás gerado a partir do tratamento desses resíduos será refinado e o biometano oriundo desse refino, utilizado como biocombustível para abastecer parte da frota de veículos da Itaipu Binacional.

Além de gerar combustível verde, o projeto apresenta benefícios como redução no custo com transporte dos resíduos orgânicos gerados nos restaurantes; redução no volume na estação de tratamento de esgoto e o fornecimento de biofertilizante para a manutenção das áreas verdes de Itaipu. A implantação da estrutura está na fase final, com o comissionamento dos equipamentos.

Como resultados são destacados o desenvolvimento do primeiro sistema de geração de energia térmica para o cozimento de alimentos, em substituição à lenha, no Parque Nacional das Quirimbas; a produção de biofertilizante obtido a partir da transformação dos dejetos de animais em biogás, para uso na horta da comunidade; a diversificação da produção de alimentos na região, devido ao uso do biofertilizante, com inclusão de hortaliças na alimentação.

Atualmente, a Itaipu, juntamente com o CI-Biogás, vem discutindo uma nova parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel) voltada às energias renováveis na área rural. A Copel, por meio do programa Mais Clic Rural, quer investir em melhorias na rede de distribuição.

Segundo o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Paulo Schmidt, a ideia é combinar esse programa da Copel com o aproveitamento do biogás e de outras fontes renováveis disponíveis na região. “Dessa forma, o produtor, além de receber uma melhor oferta de energia, também terá a oportunidade de melhorar os seus ganhos pela venda de energia e de eliminar problemas ambientais”, afirma Schmidt.

Ainda de acordo com o superintendente outro ponto importante do projeto é o desenvolvimento de uma rede de internet de alta capacidade, que tanto servirá à gestão do novo modelo de rede de distribuição, com núcleos de geração descentralizada, quanto aos produtores e cooperativas em diversas aplicações.

Sobre a Itaipu Binacional

Hoje, a Itaipu tem cerca de vinte unidades geradoras e esta geração de energia pode alcançar o número de 100 bilhões de kW hora. Atualmente a Usina emprega 1.340 funcionários no Brasil e 1.760 no Paraguai. É considerada a segunda maior usina hidroelétrica do mundo, ficando atrás somente da Usina de Três Gargantas na China.