Apresentações Encontros Fiesp Sustentabilidade

ENCONTROS FIESP SUSTENTABILIDADE

Trabalho, Crescimento Econômico e Sustentabilidade 

31 de agosto (quinta-feira)

Das 18h00 às 20h00

Local:  Av. Paulista, 1313 – Auditório 4º andar – São Paulo-SP

Palestras:

Prof. Hélio Zylberstajn

Malwee

Sinditêxtil

Realização: Comitê de Responsabilidade Social – Cores

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINDITÊXTIL – CONTRA O TRABALHO ESCRAVO

Por Karen Pegorari Silveira

Fundado na década de 30, o Sinditêxtil-SP tem como principal missão representar legalmente a Cadeia Produtiva Têxtil; do cultivo do algodão, matérias-primas sintéticas, fibras têxteis, fiações, até tecelagens, tinturarias e estamparias, no Estado de São Paulo.

Seu trabalho, em conjunto com a Abit, tem diversas iniciativas contempladas dentro do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Nº. 8, e atua, principalmente, no envolvimento e articulação de empresas e instituições de São Paulo. Destas iniciativas, destacam-se:

Parceria público privada Abit, Abvtex e OIT

Apoia a parceria público privada (PPP) firmada entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) e com o investimento do Instituto C&A, Instituto Renner e Inditex. Com o título “Promovendo melhorias das condições de trabalho e gestão nas oficinas de costura em São Paulo”, o projeto irá atuar em três eixos: promover a conscientização sobre direitos e o empoderamento de populações vulneráveis que trabalham em oficinas de costura, promover a conscientização sobre riscos e treinamento de gestão para donos de oficinas de costura (especialmente em micro, pequenas e médias empresas) e reforçar a capacidade de instituições nos níveis federal, estadual e municipal para a articulação e implementação de políticas para a melhoria das condições de trabalho nas oficinas de costura, com especial atenção a trabalhadores e trabalhadoras migrantes.

InPACTO

O Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPACTO) tem por finalidade unir o setor privado e organizações da sociedade civil para prevenir e erradicar o trabalho forçado nas cadeias produtivas.

Comissão Municipal para a Erradicação do Trabalho Escravo (COMTRAE/SP)

O sindicato participa, junto à Abit, da COMTRAE da cidade de São Paulo, um fórum para fomentar a política municipal de combate ao trabalho escravo, e também a primeira instância municipal para discussão do tema, tendo como um de seus objetivos a construção do Plano Municipal de Enfrentamento ao Trabalho Escravo.

Programa Valor em Cadeia

Promovido pelo Uniethos e pelo Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), tem como principal objetivo melhorar o desempenho do negócio, o bem-estar dos funcionários e a gestão ambiental das micros, pequenas e médias empresas.

Laboratório da Moda Sustentável

Iniciativa de múltiplos parceiros em nível nacional com o objetivo de abordar e transformar os principais desafios do setor de vestuário no Brasil, com importantes participações de atores situados em São Paulo.

Empresas do Sinditêxtil-SP também participam do recém-lançado Núcleo de Sustentabilidade e Inovação da Abit, que promove e dissemina discussões acerca dessa temática.

Para saber mais sobre o trabalho do Sinditêxtil-SP, acesse www.sinditextilsp.org.br

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: MALWEE – SUSTENTABILIDADE NA CADEIA DE VALOR

Por Karen Pegorari Silveira

A meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sugere que é preciso tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas, e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas.

Esta também é uma preocupação da indústria têxtil Malwee, que atua em um segmento com diversas denúncias de trabalho análogo ao escravo, e tenta fugir deste problema atuando de forma responsável e sustentável.

No Brasil, a empresa contabiliza 2.747 fornecedores, e desse total, 190 (6,9%) são empresas que atuam como prestadores de serviço para o processo de costura e acabamento das roupas. Essas confecções, importantes para a manutenção da capacidade produtiva e competitividade, caracterizam-se por serem empresas de pequeno porte com uso intensivo de mão de obra, o que amplia o risco de ocorrerem situações de não conformidade com a legislação trabalhista e os princípios de respeito e garantia dos direitos humanos.

Dessa forma, um dos maiores investimentos da Malwee, dentro do Plano 2020, é o fortalecimento das políticas internas para assegurar que as facções cumpram estritamente todas as regulamentações legais do País, bem como a criação de novos mecanismos de controle para impedir a ocorrência de práticas que estejam em desacordo com seus valores e compromissos.

Em todas as confecções eles realizam avaliações presenciais por meio de visitas das inspetoras de qualidade, que analisam a qualidade das peças e se pode estar ocorrendo quarteirização do processo pelo fornecedor. Analistas internos da empresa também checam o recolhimento das guias de INSS e FGTS dos fornecedores. No último ano, um caso de irregularidade foi identificada e a Malwee optou pela rescisão do contrato de fornecimento.

Em 2015 a empresa iniciou um programa formal de auditoria nas confecções e formou uma equipe própria para a realização dessa tarefa de avaliação dos fornecedores. Também passaram a exigir a certificação no programa desenvolvido pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), que auxilia no monitoramento das boas práticas de responsabilidade social e relações de trabalho no setor de moda. No último ano, 61% das contratadas já estavam certificadas pela ABVTEX – em março de 2014, eram apenas 10,8%. Além disso, novos fornecedores contratados pela empresa receberam o prazo de, no máximo, dois meses para adequarem-se e conseguirem a certificação.

Segundo informações divulgadas no Relatório de Sustentabilidade da empresa, entre os fornecedores instalados no país, o Grupo Malwee avalia que existe um baixo risco de violação dos direitos de associação dos trabalhadores a sindicatos e entidades representativas de classe. Contudo, trabalham com fornecedores terceirizados instalados em países como Bangladesh, China, Índia, Vietnã e Peru, nos quais os controles sobre a garantia desses direitos ainda são reduzidos. Para diminuir esse risco, solicitam desses fornecedores a concordância, por escrito, com o Código de Ética para fornecedores, disponível nos idiomas português e inglês.

O desenvolvimento do Plano 2020 também inclui o Programa de Avaliação de Fornecedores, que permite a avaliação dos parceiros de acordo com critérios de desempenho ambiental e social. O Programa prevê a realização de auditorias e a checagem da documentação, gerando relatórios periódicos com o nível de conformidade dos fornecedores. O programa também está preparado para permitir o monitoramento, praticamente em tempo real, do desempenho dos parceiros em relação aos indicadores de avaliação estipulados no planejamento estratégico. A meta da Malwee é que até 2020 todos os fornecedores estejam inseridos e avaliados.

Segundo Taise Beduschi, gestora de Sustentabilidade da Malwee, “Além de trabalhar em prol do bem-estar dos nossos colaboradores e, por meio de auditorias, assegurar que nossos prestadores de serviço no processo produtivo ofereçam condições de trabalho dignas a seus colaboradores, um programa como esse nos ajuda a dar a visibilidade necessária sobre a importância deste assunto e, assim, conscientizar outras companhias sobre a necessidade de adotar práticas sustentáveis em nosso setor”, afirma.

Sobre o Grupo Malwee

Com 48 anos de existência e 6 mil colaboradores, a Malwee é uma das principais empresas de moda do Brasil e realiza a gestão das marcas: Malwee, Malwee Kids, Carinhoso, Puket, Scene, Enfim, Wee!, Liberta, Zig Zig Zaa. O Grupo conta com 6 unidades fabris, 20 mil pontos de vendas multimarcas e mais de 280 lojas monomarca.

 

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: CATERPILLAR – INCLUSÃO INTEGRAL

Por Karen Pegorari Silveira

Segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2015, divulgada pelo Ministério do Trabalho, 403,2 mil pessoas com deficiência atuam formalmente no mercado de trabalho, correspondendo a um percentual de 0,84% do total dos vínculos empregatícios.

Esse aumento progressivo da participação nos últimos anos, de 0,77%, em 2014, e 0,73% em 2013 reflete o pensamento de companhias, como a Caterpillar, que apostaram na diversidade e inclusão de pessoas com deficiência (PcD), e ainda colaboram para o alcance da meta 8.5 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que sugere alcançar o emprego pleno, produtivo e o trabalho decente para todas as mulheres e homens, inclusive para os jovens e as pessoas com deficiência, além de remuneração igual para trabalho de igual valor até 2030.

Para receber os PcD, a empresa realizou todas as adequações necessárias e customizou os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) considerando as características individuais e fornecendo o equipamento de acordo com cada necessidade/deficiência. Além disso, a empresa criou campanhas, treinamentos, comitês, semanas temáticas, informativos internos e externos, rodas de conversa e mídias sociais para falar sobre o assunto.

A Caterpillar disponibiliza por exemplo, o “Curso de Libras” (desde 2014) para líderes e funcionários que têm contato direto com os funcionários surdos que além de facilitar a comunicação, integra todos no ambiente de trabalho.  Também criou (desde 2015) a “Oficina da Comunicação” que atua no desenvolvimento da comunicação dos funcionários surdos ou com perda auditiva.

Essas iniciativas fazem parte do programa “JUNTOS, Ser Diferente é Somar” e têm como base as pesquisas aplicadas periodicamente (1- com todos os funcionários, 2- com a liderança, 3- com os funcionários com deficiência), nos atendimentos realizados por equipe multidisciplinar (individual e/ou em grupo), no mapeamento das deficiências por áreas de atuação e nos apontamentos feitos pelo Comitê de Diversidade e Inclusão.

Segundo a empresa, para garantir a execução de todas as etapas do programa, desde 2015 foi incluído na estratégia de RH, um indicador para o acompanhamento do percentual de aceitação da pessoa com deficiência pela liderança da organização. Três treinamentos foram aplicados em 2016: 1) “Gerenciando a inclusão” para supervisores e líderes operacionais 2) “Preconceitos Inconscientes” para diretores e gerentes e uma segunda versão do “Preconceitos Inconscientes” para o público administrativo.

A Caterpillar Brasil foi eleita pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência a melhor empresa para trabalhadores com deficiência, na terceira edição do prêmio, que visa ampliar a visibilidade das boas práticas de inclusão profissional adotadas por empresas do Estado de São Paulo.

A pesquisa avaliou diversos quesitos, como a promoção da política dos direitos da pessoa com deficiência, igualdade de oportunidades, nível de sustentabilidade dos projetos e condições materiais e psicológicas; além do cumprimento da legislação sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência

Segundo Caio Orlandini, supervisor de Recursos Humanos, “A inclusão de pessoas com deficiência é, acima de tudo, uma oportunidade conjunta. A oportunidade de as pessoas com deficiência exercerem uma atividade digna com autonomia e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para empresa na conscientização de seus funcionários e na diversificação da sua força de trabalho, gerando inovação e resultados”, comenta Orlandini.

A companhia também apoia projetos e entidades nas comunidades onde tem operações, sendo considerada uma das principais colaboradoras do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUMDECA) em Piracicaba. Em parceria com este trabalho, o programa “JUNTOS: Ser Diferente é Somar, propõe foco nas iniciativas de apoio para a inclusão e desenvolvimento da pessoa com deficiência com ações que transcendem os muros empresariais.

Há ainda a parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Piracicaba – AUMA – e a entidade Espaço Pipa através do FUMDECA, financiando 100% do projeto AME (Artes, Música e Esportes), que trabalha no desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas em pessoas com Síndrome de Down e com a APAE que promove a inclusão de deficientes intelectuais (adicional à cota).

Sobre a Caterpillar

A Caterpillar possui funcionários com deficiências em diversos cargos, de diferentes áreas. Hoje a empresa conta com 45 tipos de cargos entre os funcionários com deficiência física, auditiva, intelectual e visual, destes, 33 são operacionais e 12 administrativos, onde o maior número se concentra na área de Logística. Na fábrica de Piracicaba (SP), onde se concentra a maior quantidade de funcionários, a empresa conta com 163 profissionais com deficiência e reabilitados e no Brasil somam-se 180.

ENTREVISTA: RAFAEL LUCCHESI FALA SOBRE JOVENS, EDUCAÇÃO E MERCADO DE TRABALHO

Foto de José Paulo Lacerda

Por Karen Pegorari Silveira

Rafael Lucchesi, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), sugere como é possível contribuir com a inclusão de jovens no mercado de trabalho e na educação, e ajudar a atingir a meta 8.6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para ele, o Brasil precisa eleger a educação profissional como política de Estado, entre outras ações.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

A meta 8.6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sugere que é preciso reduzir a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação. Como o Senai, em parceria com as indústrias, têm contribuído com esta meta do ODS?

Rafael Lucchesi – Temos um grande desafio, já que o desemprego entre os jovens no Brasil chega a quase 30%. Com a recente aprovação da reforma do ensino médio, esse cenário poderá se reverter nos próximos anos, a fim de ampliar o acesso à educação profissional, já que apenas 9,3% dos estudantes brasileiros estavam no ensino médio em 2016. Apesar disso, o SENAI vem contribuindo significativamente com grande parte da formação profissional dos jovens brasileiros. A instituição é o maior complexo de educação profissional da América Latina e, desde que foi criado, há 75 anos, formou 71 milhões de brasileiros em 28 áreas da indústria brasileira, da iniciação profissional até a pós-graduação tecnológica. Pesquisa de egressos aponta que a cada dez estudantes formados pelo SENAI, sete conseguem vaga no mercado de trabalho no primeiro ano de formado. Em 2016, o SENAI formou 2,6 milhões de profissionais e esse número deve se expandir nos próximos anos, sobretudo, pelo crescimento da oferta da educação a distância.

Qual a importância da inclusão desses jovens para o crescimento econômico do país?

Rafael Lucchesi – Os jovens bem preparados e com formação sólida são fundamentais para a competitividade das indústrias e para o crescimento econômico por serem uma força de trabalho criativa, com grande capacidade de trabalho, de absorção de conhecimentos e novas tecnologias. É no mercado de trabalho que os profissionais se desenvolvem e adquirem experiência para se tornarem ainda mais qualificados e produtivos. Além disso, a convivência de várias gerações no ambiente de trabalho permite a troca de experiências e conhecimentos indispensáveis à inovação e ao aumento da produtividade nas empresas. No entanto, é importante destacar que só a formação de mão de obra não é suficiente. O desafio é fazer com que o país retome o crescimento econômico para criar empregos. Nesse sentido, é preciso uma agenda mais ampla, que torne o país mais competitivo, com menor custo de financiamento, melhoria da infraestrutura, entre outros fatores.

Quais ações, na sua opinião, são necessárias para diminuir o número de jovens sem emprego e sem formação e atingir esta meta até 2020?

Rafael Lucchesi – O fundamental para o Brasil é eleger a educação profissional como política de Estado, uma forma de oferecer oportunidades de carreira e de renda aos jovens e aumentar a competitividade das empresas. O país gasta cerca de 6% do PIB em educação, acima de alguns países desenvolvidos. Então, não se trata de uma questão de recursos, mas de inserir a educação profissional como projeto de Estado e trabalhar para atingir a meta prevista no Plano Nacional de Educação (PNE).

Países industrializados, como a Alemanha por exemplo, têm aproximadamente 50% de jovens cursando o ensino técnico, enquanto no Brasil apenas 9,3% estão matriculados neste tipo de curso. O senhor acredita que o sistema alemão é o caminho para que o Brasil alcance a meta 8.6 dos ODS? Como este sistema poderia ser aplicado no país?

Rafael Lucchesi – O SENAI foi criado com base no modelo alemão e suíço de educação profissional, inclusive com o modelo de financiamento e institucional semelhantes. É uma experiência que deu certo no Brasil e que, inclusive, colocou o país no topo do ranking mundial no WorldSkills, o torneio de educação profissional do mundo, ficando à frente de países que são referências na área, como a Coreia do Sul e a própria Alemanha. Por isso, acredito que o sistema alemão é uma boa inspiração para construirmos o sistema no país. O maior desafio aqui seria estruturar as escolas levando-se em conta as especificidades desse tipo de formação. É preciso ter escolas de educação profissional que fluam no tempo nas competências que se modificam. Todos os principais estudos mostram que governos em todo o mundo têm dificuldade de responder aos desafios da educação profissional, que possui uma questão fundamental: formar pessoas com a habilitação exigida pelo mercado de trabalho, que se modifica muito rapidamente.

ARTIGO: INDÚSTRIA, DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TRABALHO DECENTE


Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Hélio Zylberstajn

O tempo em que se acreditava que o desenvolvimento econômico traria automaticamente o aprimoramento social já passou. Hoje, se entende que é preciso e é possível buscar as duas dimensões de desenvolvimento simultaneamente. Passou o tempo também da negligência em relação ao meio ambiente. Hoje, se tem plena consciência da escassez e da finitude dos recursos naturais e portanto da necessidade de evitar que se atinja um ponto de não retorno na preservação do clima e do ambiente do planeta.

O programa Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representa o consenso entre os países membros da ONU para a busca do desenvolvimento socialmente e ambientalmente sustentável. Propõe uma lista de 17 metas a serem atingidas pelo conjunto de todos os membros até 2030. São todas importantes e se baseiam no princípio do triple bottom line: o desenvolvimento econômico deve compatibilizar sustentabilidade econômica, preservação do meio ambiente e desenvolvimento social. É pouco provável que o mundo consiga atingir as metas propostas, no prazo definido. Mas o programa terá cumprido um papel relevante se um grande número de países tiver caminhado na direção desejada.

O objetivo deste texto é discutir em que medida a Indústria pode contribuir para o atingimento de um dos 17 objetivos, o ODS 8, que propõe: “Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.” O Programa ODS desdobra o ODS 8 em 10 objetivos operacionalizados, que são listados resumidamente.

8.1. Crescimento de 7% ao ano do PIB

8.2. Crescimento da produtividade

8.3. Apoio à produção, à geração de emprego decente, ao empreendedorismo, à criatividade e inovação, e incentivo à formalização e ao crescimento das micro, pequenas e médias empresas, inclusive por meio do acesso a serviços financeiros.

8.4 Melhorar a eficiência dos recursos globais no consumo e na produção, e empenhar-se para dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental.

8.5 Alcançar o emprego pleno e produtivo e trabalho decente e remuneração de igual valor para todos os trabalhadores e todas as minorias.

8.6 Reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação, até 2020.

8.7 Erradicar o trabalho forçado e o trabalho infantil.

8.8 Proteger os direitos trabalhistas e promover ambientes de trabalho seguros e protegidos para todos os trabalhadores, incluindo os trabalhadores migrantes, em particular as mulheres.

8.9 Implementar políticas para promover o turismo sustentável.

8.10 Promover o acesso aos serviços bancários, financeiros, e de seguros para todos.

8.a. Ampliar o acesso dos países de menor desenvolvimento aos fluxos de comércio internacional.

8.b Implementar uma estratégia global para o emprego dos jovens.

É uma lista ampla e ambiciosa, que reafirma os princípios defendidos pela OIT. Em alguns casos, propõe sem quantificar. Em outros, ambiciona “erradicar” os problemas. Em um caso, exagera claramente na quantificação (crescimento anual do PIB à taxa de 7% ao ano, item 8.1). A maior parte dos objetivos da lista propõe a adoção de políticas públicas, que dependem obviamente, de iniciativas governamentais. Haveria algum objetivo para o qual a Indústria poderia contribuir, independentemente de iniciativas do governo? Penso que sim.

Um dos problemas mais graves do mercado de trabalho é o desemprego de jovens. Os jovens são mais vulneráveis ao desemprego por diversas razões, e isso vale para todos os países. A falta de oportunidades para jovens os coloca em situações de alto risco para o crime, a violência e inclusive para a militância política extremamente contestadora e até mesmo para o terrorismo. Não é coincidência que na lista acima, esta questão aparece duas vezes, ambas grifadas (8.6 e 8.b).

Penso que Indústria no Brasil tem recursos e conhecimento para aliviar este gravíssimo problema. Cada indústria ou grupo de industrias poderia “adotar” uma ou mais escolas de nível médio e, por meio de convênios com o SENAI e outras instituições, oferecer programas de aprendizagem. As escolas continuariam a oferecer os conteúdos acadêmicos, e, duas ou três vezes por semana, os alunos aprenderiam uma profissão nas empresas conveniadas, tendo os supervisores destas como instrutores. O Senai e as outras instituições de ensino profissional ofereceriam apoio técnico às escolas e aos supervisores-instrutores. Para completar, as empresas participantes se comprometeriam a efetivar os aprendizes, contratando-os por período determinado (6 meses ou um ano).

Um programa desse tipo ofereceria às empresas a mão-de-obra qualificada que elas precisam, sob medida, pois teria sido treinada pelos seus próprios supervisores. A probabilidade de inserção dos alunos na empresa e/ou no mercado seria muito grande, bem maior do que os egressos das escolas tradicionais, que oferecem conteúdos apenas acadêmicos.

Aumentar a chance de jovens se colocarem produtivamente no mercado de trabalho seria um resultado de grande impacto social e constituiria uma contribuição relevante ao alcance da Indústria. A inciativa poderia ser implantada em um pequeno número de escolas, para se fazer um teste. Se bem sucedido, o teste poderia ser ampliado para o setor como um todo e certamente induziria o governo e outros setores a participar. A Indústria teria então dado uma contribuição importante para o atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

*Hélio Zylberstajn é professor da FEA/USP, Coordenador do Projeto Salariômetro, membro do Conselho Superior de Estudos Estratégicos e do Conselho Superior de Relações do Trabalho, da Fiesp.