Iniciativas Sustentáveis: Bayer – Apostando na Diversidade

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no terceiro trimestre deste ano, dos 13 milhões de desempregados no país, 8,3 milhões (63,7%) eram pretos ou pardos. A pesquisa revela ainda que esta população chega a receber 55% a menos (R$1.531) que a população branca (R$ 2.757). E quando se analisa o ambiente executivo e de gestão há ainda menos diversidade. Nas 500 maiores empresas do país existe apenas 4,7% de negros em cargos executivos.

Este cenário é o que tem feito muitas empresas repensarem seus modelos de gestão, como fez a Bayer, sob a direção do CEO Theo van der Loo, ao levantar a bandeira do “Respeito do Diverso”.

A farmacêutica promove o tema através de variadas ações dentro do seu Programa de Diversidade. São encontros, palestras e debates divididos em grupos por afinidade. Com a ação Blend, iniciativa global para despertar a consciência dos colaboradores para as questões LGBT, o intuito é promover um ambiente sadio, confiável, livre de preconceitos e íntegro para todos. Com o BayerAfro, a empresa deseja que os colaboradores reflitam a distribuição afrodescendente da sociedade brasileira em todos os níveis hierárquicos. O Bay-In visa fortalecer a cultura e as práticas de gestão que tornam a Bayer uma empresa aberta, inclusiva, segura, respeitosa e acessível à diversidade humana no relacionamento com todos os stakeholders. O All In promove a equidade de gênero e o respeito à individualidade por meio do diálogo e do engajamento de todos para uma vida melhor.

Todos esses grupos contam, desde junho de 2016, com sponsors da liderança da organização para auxiliarem na educação e na transformação dos temas para ações práticas dentro das divisões.

Duas parcerias também foram firmadas: uma com a Fundação Dom Cabral a fim de sensibilizar todos os gestores sobre os benefícios da diversidade, e outra com a EmpregueAfro, consultoria que seleciona profissionais negros para concorrer a cada vaga que a Bayer abre externamente.

Todos esses esforços levaram a companhia, em 2015, a ser reconhecida pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no 1º Prêmio São Paulo Diverso, que celebra esforços corporativos, individuais e coletivos no campo das ações afirmativas dentro do mercado de trabalho;

Segundo Theo van der Loo, CEO da Bayer e principal defensor da diversidade no mercado de trabalho, o papel dos CEOs como influenciadores é fundamental para fomentar este tema no país.

Sobre a Bayer

De acordo com o último censo interno realizado em 2014, dos 4 mil funcionários da Bayer, no Brasil, 14% são negros.  A meta da empresa, até 2020, é ter 20% de estagiários negros.

Entrevista: Desafios e Benefícios da Transparência para as Empresas

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Por Karen Pegorari Silveira

Nesta entrevista o gerente da unidade de Políticas Públicas do Sebrae, Bruno Quick, comenta sobre a importância das organizações responsáveis e transparentes para o Desenvolvimento Sustentável de um país.

Para ele, a falta de integridade traz riscos, o risco da sonegação, o risco da corrupção e da penalização, o risco da perda de valor de marca, entre outros problemas sérios.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Por que organizações eficazes, responsáveis e transparentes são importantes para alcançarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

Bruno Quick – Porque são essas instituições que praticam um padrão de ética e de integridade que equilibra as relações com o setor econômico, com a sociedade e com o próprio Estado. Então cada empresa que pratica um padrão de integridade, de ética, de justiça nas suas relações ajuda a firmar no país um novo padrão e esse padrão é que é capaz de gerar o que se chama de sustentabilidade do desenvolvimento. Aliás quando se fala em desenvolvimento, devíamos dispensar o adjetivo sustentável, porque se não é sustentável, não é desenvolvimento, é crescimento, e em um pais não basta o crescimento; o crescimento não implica necessariamente em bem-estar, nem em democratização de oportunidades. Então o setor empresarial tem um papel muito importante, porque ele atua na sociedade através de emprego, através de serviços e produtos que oferece, ele tem um papel preponderante na economia porque gera oportunidade, gera riqueza, agrega valor, recolhe tributos. O setor empresarial e a sociedade são quem sustenta o Estado.

Quais os principais desafios e que tipos de ações podem ajudar as empresas a implantarem a meta 16 dos ODS?

Bruno Quick – Vamos começar pelo tema mais crítico na atualidade – a corrupção. Não podemos transigir com o que é certo, não devemos fugir ao que pode ser tornado público e que ao final das contas é de interesse público, é de interesse do país. É preciso firmar contratos equilibrados, respeitar os contratos firmados, exigir do Estado as condições necessárias a estar na formalidade, entre outras ações. O empreendedor tem que fazer política, tem que fazer defesa de interesses, de um interesse legitimo das empresas enquanto responsáveis pela dinamização da economia, exigir que a burocracia diminua, que as regras sejam claras e estáveis e que a concorrência justa. Então a participação política das empresas em exigir um bom ambiente de negócios é essencial. Elas devem participar das suas entidades, ter relação justa a transparente com seus funcionários, fornecedores, clientes e ter clareza no que entrega. Não admitir o assédio e oferecer igualdade de oportunidades entre gênero, raça, de religião. Então a empresa é um espaço de cidadania muito intenso, e pode fazer valer um padrão ético na sua cadeia. A empresa deve entender que ela é engrenagem fundamental para o seu setor, para a sua comunidade e ela precisa fazer com que esse conjunto de engrenagens gire para o lado correto. Obviamente empresa sem lucro não existe, mas esse lucro há de se entender que este lucro, para além de remunerar o capital e recompensar os empreendedores, está a serviço das pessoas, no que elas que consome, onde elas que trabalham, e elas são o motivo de ser das empresas

Pode nos dar exemplos de inciativas de sucesso já realizadas por algumas organizações relacionadas a este ODS?

Bruno Quick – Estamos com movimentos consistentes de fomento à cultura de integridade. Em parceira com a CGU, o Sebrae lançou o programa Empresa Íntegra que traduz conceitos e estimula o empreendedor a se diferenciar no mercado elaborando seu plano de integridade. Em 2017 fizemos eventos em todo país para disseminar o tema juntamente com os eventos FOMENTA que alcançaram cerca de 3 mil empresários, além de nosso portal http://sebrae.com.br/empresaintegra que traz uma séria de conteúdos sobre o tema.

Há também uma iniciativa global presente no Brasil, denominada Alliance for Integrity que reúne empresas, governo e terceiro setor para capacitar e oferecer instrumentos a pequenos e médios negócios na implementação de programas de integridade, da qual a CGU também faz parte.

Na outra ponta podemos citar a ação do Estado: Além conhecida da Lei Anticorrupção, neste mês de novembro o executivo lançou decreto de governança que determina que práticas de integridade sejam adotadas na administração pública federal, bem como no estado Rio de Janeiro e no GDF surgem normas que já determinam que licitações públicas de determinado valor só poderão ter participantes empresas com seus programas de integridade.

Uma boa resposta a esse fomento é o prêmio Pró-Ética da CGU que atrais centenas de empresa que querem ser reconhecidas e valorizadas por seus programas de integridade. É um caminho sem volta, o Compliance ou a adoção de programas de integridade estão se tornando tão presentes que em breve estará incorporado à cultura dos empreendedores e Estado.

A implementação bem-sucedida do ODS 16 resulta em quais benefícios para as empresas e sociedade?

Bruno Quick – Cada vez mais a sociedade se preocupa e quer saber o que ele está comprando, e hoje há uma maior preocupação em, por exemplo, de não comprar produto de empresas envolvida em trabalho escravo ou trabalho infantil, que pratiquem atos de corrupção, usem materiais que tragam riscos ou danifiquem o meio ambiente ou a saúde pública. O que se trata por valor agregado. A empresa precisa ser clara quanto ao que está oferecendo ao consumidor, sem filtros e sem distorções. Outra questão também é a transparência para os investidores. A não integridade traz riscos, o risco da sonegação, o risco da corrupção e da penalização, o risco da perda de valor de marca, então são inúmeros riscos que você afasta ao dar transparência. É preciso mitigar os riscos e construir empresas para durar. Não há nada mais satisfatório para o empresário do que deixar um legado.

Artigo: Instituições Eficazes e o Desenvolvimento Sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Anna Paula Vieira de Mello Rudge com participação de Paulo Hamilton Siqueira Junior

As Organizações das Nações Unidas (ONU) preocupando-se com o Desenvolvimento Sustentável editou o ODS 16:

Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

Do ponto de vista das empresas e sua sustentabilidade podemos destacar os seguintes artigos desse ODS:

16.5. Reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em todas as suas formas;

16.6. Desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes em todos os níveis;

16.7. Garantir a tomada de decisão responsiva, inclusiva, participativa e representativa em todos os níveis;

16.8. Ampliar e fortalecer a participação dos países em desenvolvimento nas instituições de governança global;

Esse ODS se coaduna com os denominados Direitos Fundamentais de Terceira Dimensão, que em um dos seus aspectos englobam o direito a uma saudável qualidade de vida, ao progresso e ao desenvolvimento. Na dinâmica estatal o desenvolvimento se insere na gestão pública adequada e se relaciona com medidas de Anticorrupção.

Para a implantação de medidas anticorrupção as empresas precisam ser cada vez mais transparentes e isso ocorre por meio da prática de Governança Corporativa aliados as normas de Compliance e Gestão de Riscos.

Essas práticas têm que partir da cúpula da empresa, tem que ser uma estratégia dessas com o ambiente interno e externo garantindo a sua sustentabilidade.

Governança corporativa “é o sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre Acionistas/Cotistas, Conselho de Administração, Diretoria, Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar-lhe o acesso ao capital e contribuir para sua perenidade” (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).

A Governança Corporativa passou a ser necessária a qualquer empresa, até mesmo para conseguir crédito bancário ou investimentos, pois todos querem ter a segurança de que aquela empresa não tem nada a esconder o que a torna mais segura, mais crédula e ao mesmo tempo mais sustentável do ponto de vista da sua sobrevivência.

No âmbito corporativo compliance é o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como para evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer. O termo compliance tem origem no verbo inglês to comply, que significa agir de acordo com uma regra, uma instrução interna, um comando ou um pedido.

Gestão de risco ou gerenciamento de riscos é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos humanos e materiais de uma organização, no sentido de minimizar ou aproveitar os riscos e incertezas sobre essa organização.

A gestão de risco acontece exatamente para tornar a empresa mais sustentável, medindo os riscos de mercado, os riscos internos, os riscos da concorrência, os riscos com o governo, com seus funcionários, enfim, fazem um mapeamento dos possíveis riscos ou agressões que aquela empresa possa vir a sofrer e com isso cria um manual de como proceder de acordo com a lei naquelas situações.

 A ideia de sustentabilidade empresarial é algo que deve estar presente nos dias atuais das empresas de todos os tamanhos. A noção de sustentabilidade na vida econômica vem da maior percepção dos riscos pela atividade empresarial. A governança corporativa deve estar presente em todas as empresas orientando-se pelos pilares de senso de justiça, transparência com os demais agentes da vida econômica, práticas de auditoria e contabilidade confiáveis que possam dar a certeza de que as informações estão corretas e ainda o Compliance, que resumidamente é estar em conformidade com o cumprimento de normas reguladoras expressas nos estatutos sociais, regimentos internos e na legislação vigente. Se a sua empresa aplica os preceitos acima, ela é mais sustentável, não só do ponto de vista da sociedade, mas também passa a correr menos riscos em relação a sua existência.

A Lei Anticorrupção – Lei nº 12.846/13 – trouxe para as empresas e seus dirigentes a possibilidade de suportar graves consequências na esfera cível e administrativa por atos considerados lesivos à administração pública, nacional ou estrangeira.

De acordo com a Lei Anticorrupção, o emprego das práticas de Compliance, pode reduzir sanções a serem impostas as empresas, pois passariam com essa atitude a ficar livres dos chamados crimes por omissão (Lei nº 12.846/13, artigo 7).

Na prática, o mercado e os agentes públicos enxergam que as empresas que cumprem com as regras de Compliance, são organizações que buscam se preservar sendo mais sustentáveis internamente e externamente. Contudo, sempre existe a possibilidade de ocorrerem falhas, o que importa em dizer que os manuais de conduta e risco das empresas devem ser constantemente revisados, diante da própria dinâmica das relações comerciais e de mercado e os constantes desafios que importam.

As regras de Compliance vão muito além das notícias que tanto chamam atenção na mídia, baseadas em crime de corrupção. As empresas precisam apresentar regras de conformidade e controlar os seus riscos em todas as áreas do seu negócio: ambiental, trabalhista, tributárias, contratuais, entre outras, para que sejam vistas como empresas mais sustentáveis e sólidas perante o mercado.

Nesse contexto, o serviço jurídico ganha corpo e importância para subsidiar uma estruturação de compliance adequada, com a construção inclusive de uma auditoria jurídica.

O pressuposto da auditoria jurídica é a segurança e transparência nas operações da gestão pública, com o intuito de atingir os objetivos propostos, minimizando os riscos por meio da construção de estratégia para adequação da atividade ao sistema jurídico.

Cremos que o foco principal é pontuar e minimizar o risco. A auditoria jurídica é um instrumento de proteção. Toda atividade pressupõe estrutura funcional e legal. Na seara pública se presume a figura do gestor público. A finalidade da auditoria é identificar, pontuar e classificar, ou seja, qualificar e quantificar a possibilidade de risco ou mesmo ações que ofendem o princípio constitucional da administração pública. O resultado ou conclusão da auditoria é indicar a estratégia para minimizar ou mesmo gerenciar os riscos inerentes à atividade pública. O risco pode ser limitado ou ilimitado. A fim de pontuar este dado a auditoria jurídica envolve, por exemplo, o exame do fluxo do processo administrativo e os meios de contração do órgão, além da adequação as normas que regem a atividade pública e as entidades de fiscalização do exercício profissional.

Outrossim, há necessidade do estudo do ativo e passivo jurídicos contenciosos e extrajudiciais. O sucesso de qualquer auditoria pressupõe uma atividade multidisciplinar, sendo que compete ao advogado avaliar as questões jurídicas, pois é o profissional competente e habilitado para a referida atividade.

O planejamento por meio da construção de uma estratégica jurídica é indispensável para o sucesso da atividade empresarial.

A conclusão que chegamos é que todas as empresas precisam se modernizar, se adaptar aos novos tempos, as práticas de Compliance, Governança Corporativa, e Gestão de Riscos são uma realidade e as empresas que não se adaptarem estão colocando em risco a sua sobrevivência, pois passarão a não ser mais aceitas quando avaliadas pelo manuais de riscos de outras empresas (no caso de serem fornecedoras ou mesmo no caso de obtenção um patrocínio de outras empresas ou do governo) e não serão aceitas pelo mercado no caso de necessidade de capital, empréstimos ou investimentos.

* Anna Paula Vieira de Mello Rudge é advogada sócia fundadora do Escritório Vieira de Mello Rudge Advocacia e membro do Comitê de Responsabilidade Social, Cores, da Fiesp.