Presença de dentistas em atendimento hospitalar é debatida em encontro na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A maior abertura para o trabalho dos dentistas nos hospitais, com uma participação mais ativa e integrada do tratamento dos pacientes, foi alvo de debates, na tarde desta quarta-feira (27/08), no Encontro de Entidades do Setor de Odontologia, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. A iniciativa foi coordenada pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) e do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da federação.

Além dos representantes da Fiesp, participaram do evento integrantes dos conselhos Federal e Regional de Odontologia, da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, da Associação Brasileira de Odontologia, da Faculdade de Medicina da USP e do Ministério da Saúde.

De acordo com o coordenador do Bio Brasil e do Comsaude, Ruy Baumer, o objetivo do encontro foi “unir o setor para tentar tirar tópicos de discussão, avaliar as vantagens e desvantagens da presença dos profissionais da área nos hospitais”.  Para Baumer, a ideia é aplicar a visão de “indústria de saúde” a cada “empresa ou consultório”.

Baumer: união do setor para tirar tópicos para o debate. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Baumer: união do setor para tirar pontos para o debate. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Conceito mais amplo

Um dos convidados do debate, o diretor de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), Marcelo Marcucci, destacou a visão da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que “saúde não é só ausência de doença”, mas um conceito mais amplo, ligado ao bem estar.

“O paciente hospitalizado está sob a ação de vários profissionais”, explicou. “O cirurgião dentista pode ajudar a minimizar a gravidade de problemas como infecções, por exemplo”.

Nesse contexto, como o dentista pode atuar? “Existem boas experiências em áreas como oncologia”, afirmou Marcucci. “Muitos radioterapeutas não começam a fazer tratamento sem o aval das condições da saúde bucal dos pacientes”.

Dessa forma, pode haver redução dos custos de hospitalização, além da melhora nos indicadores de qualidade de vida. “A relação entre as doenças orais e suas possíveis consequências são subestimadas”, disse o diretor de Odontologia Hospitalar do Crosp. “Nos anos 1920 já havia recomendação de odontologia hospitalar nos Estados Unidos”.

Sem escovar os dentes

Para o diretor da Comissão de Odontologia Hospitalar do Crosp Jayro Guimarães Junior, é preciso ter foco na chamada “educação transprofissional”. “Os hospitais perdem dinheiro por não terem dentistas, as necessidades odontológicas não são atendidas”, afirmou.

Segundo Junior, dentistas não são “artesãos”. “Temos toda uma ciência por trás de nós. Não é humano ficar internado por dias sem que ninguém lembre que é preciso escovar os dentes”.

Esse é um problema que, conforme a representante não médica da Divisão de Odontologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas, Maria Paula Peres, não ocorre no HC. “Todos os institutos do hospital possuem unidades de odontologia”, afirmou.

De acordo com ela, há “um protocolo para higiene oral dos pacientes, com avaliação da condição da boca de todos os internados”.

O encontro realizado na Fiesp: mais dentistas trabalhando nos hospitais. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O encontro realizado na Fiesp: mais dentistas trabalhando nos hospitais. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Na rede privada, foi apresentada a experiência do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. “Temos um serviço de odontologia ligado ao Instituto de Oncologia e ao de Hematologia, foi feita uma avaliação de que era importante estabelecer protocolos na área”, explicou a integrante do corpo clínico do hospital e professora de odontologia Letícia Bezinelli.

Segundo ela, muitos problemas de saúde dos pacientes surgiam por “má higiene”. “Em casos de transplante de medula óssea, podem ocorrer problemas por conta do maior uso de analgésicos, como a mucosite oral, por exemplo”, disse. “O grau de mucosite oral é 13 vezes maior entre os pacientes sem suporte de dentistas”.

Por esse motivo, explicou Letícia, o Einstein investe em “atendimento odontológico, cursos, pesquisas e treinamento de equipes”.

Óbvia e ululante

Coordenador nacional da Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca afirmou, no encontro, que a importância da presença da odontologia no atendimento hospitalar é “óbvia e ululante”. “O ponto a ser discutido é como estabelecer uma proposta articulada nessa linha”, explicou.

Conforme Pucca, existem quase 24 mil equipes de saúde bucal no Brasil hoje, atingindo 90% dos municípios.

Esforço do governo para controlar inflação tem impacto negativo na indústria de odontologia, diz presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A julgar pelo cenário inflacionário de 2013, o governo deve trabalhar com um arroxo maior para controlar a inflação, medida que deve refletir, de maneira negativa, imediatamente na indústria de odontologia e nos prestadores de serviço do setor. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (18/12), por Adriano Albano Forghieri, presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD).

“Antecipamos uma visão de 2014 pelo que aconteceu em 2013 e pela própria perspectiva no âmbito governamental. Por meio dessa perspectiva negativa, vamos procurar novos mecanismos para amenizar essa situação ou impedir que ela se estabeleça”, afirmou Forghieri.

Ele se reuniu com o coordenador do Comitê da Cadeira Produtiva da Saúde (Comsaude), Ruy Baumer, na tarde desta quarta-feira (18/12) para conhecer as ações da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) por meio do comitê.

Segundo Forghieri, os representantes das duas entidades estudaram possibilidades de parcerias. “No primeiro contato demos a ideia de desenvolver alguns fóruns relacionados à discussão sobre a odontologia hospitalar”, informou o presidente da APCD.

Também participou do encontro o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório, Knud Sorensen.

Da esquerda para a direita: Sorensen, Forghieri e Baumer: potencial para novos consumidores. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

A partir da esquerda: Sorensen, Forghieri e Baumer: mais consumidores. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Classe média

Para Forghieri, o aumento da classe média pode ser um alento para a indústria de odontologia em 2014, uma vez que há potencial para novos consumidores de serviços hospitalares odontológicos particulares.

“Se isso se confirmar, vão faltar profissionais da saúde na prestação de serviço particular”, disse o presidente da APCD após a reunião com Baumer. “Melhorando o setor de prestação de serviços, automaticamente todos os setores envolvidos vão ter uma melhora. Existe um fator de efeito dominó muito positivo”, explicou.