Desafio da redução do desperdícios de água é debatido no L.E.T.S.

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Uma dos grandes desafios enfrentados no estado de São Paulo, a redução das perdas na distribuição de água foi um dos temas discutidos durante a Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.) nesta terça-feira (20/05) . A coordenação do debate foi de Alceu Guérios Bittencourt, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Não adianta aumentar os investimentos se não se controlar e medir os resultados adequadamente”, afirmou Bittencourt.

Berenhauser, da Enops: modelo de gestão para reduzir perdas. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Carlos José Teixeira Berenhauser, da Enops Engenharia, apresentou um novo modelo de gestão, por meio de contratos de performance para redução de perdas de água.

Como ações para a redução das perdas aparentes, Berenhauser elencou a implantação da medição de vazão, política da substituição de medidores, aprimoramento das equipes de leitura, recadastramento comercial, pesquisa de fraudes, levantamento de perfil de consumo e dimensionamento de hidrômetros e telemetria de grandes medidores.

Para falar sobre as perdas reais, o especialista apresentou o esquema da Cruz de Lambert. “Tem quatro ações principais para trabalhar com a perda real: controle de pressão, controle ativo de vazamentos, gerenciamento da infraestrutura, velocidade e qualidade dos reparos.”

Berenhauser explicou a remuneração por desempenho ou performance. “É um formato que já está sendo aplicado há cerca de três anos, mas é considerado novo porque o mercado de saneamento ainda é muito tradicional”, disse.

“Surgiu por uma necessidade das empresas de saneamento e possibilita a ampliação do mercado, já que pode atuar em clientes descapitalizados, tem uma remuneração diferenciada baseada na expertise da contratada e oferece mais liberdade na proposição de ações e metodologias.”

Emyr Diniz Costa Junior, da Odebrecht: tema de perda tem que ser visto como algo relacionado com a sustentabilidade. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Com uma visão mais ampla sobre o tema da redução das perdas, Emyr Diniz Costa Junior, da Odebrecht. “A coisa mais importante na questão das perdas é que ela é como a morte e o imposto de renda: não podemos evitar e ocorre a qualquer um”, brincou. “As perdas ocorrem em todos os sistemas, mas o que podemos fazer com algo que não podemos evitar? É preciso gerenciar.”

Mas como fazer essa gestão das perdas? De acordo com o representante da Odebretch, é como tratar uma doença. “A gente primeiro quer conhecer o problema, saber qual o tamanho dele, como ele é tratado”, comparou. “Com relação às perdas, já existem as melhores práticas, órgãos que criaram tabelas em que é possível classificar as perdas, para assim saber qual o remédio dar para cada uma delas.”

Entre as ações para reduzir as perdas, ele indica o controle eficiente das perdas físicas e das perdas comerciais e encontrar o nível econômico de perda. “O tema de perda tem que ser visto como algo relacionado com a sustentabilidade. Não explorar a natureza mais do que ela pode nos dar; ela vai continuar dando água para a gente. Promover ações de consumo consciente e trabalhar na redução de perda, que está do lado das companhias de água e saneamento no Brasil.”

Anicia Pio, do DMA da Fiesp: redução de perdas é fundamental para a sustentabilidade hídrica. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Representando o Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Anicia Pio, afirmou que a redução de perdas é fundamental para a sustentabilidade hídrica. “Toda vez que eu tiro água da natureza, trato essa água, mas ela não chega ao usuário final, e eu terei que demandar mais água para atender essa população. Vou precisar sempre, que é o caso que estamos vivendo agora em São Paulo, buscar novos mananciais para suprir essa necessidade”, comentou.

“Imaginem uma indústria que produz uma tonelada de tecido por mês mas perde 40%, a metade. Certamente essa empresa iria quebrar. Mas essa é a realidade do setor de saneamento. Sem dúvida que é possível fazer melhor. É difícil, mas é possível fazer”, afirmou  Anicia.

Para a gerente do DMA, mais do que buscar mais recursos hídricos, é importante também trabalhar para reduzir as perdas. “Será que eu preciso continuar buscando água a 100, 200, 300 km de distância para abastecer a população, com esses níveis de perda do nosso sistema de saneamento? Será que a redução de perdas não é uma ação extremamente urgente e necessária para que eu possa minimizar esse problema hoje?”, questionou.

Anicia falou sobre as iniciativas promovidas pela Fiesp, como a publicação de guias, as parcerias com universidades para a produção de materiais sobre conservação, uso racional e reuso de água e o Prêmio Fiesp de conservação e reuso de água. Outra ação foi a racionalização do uso da água no edifício sede da entidade, feito por meio de contrato de performance.

“Não desembolsamos nenhum centavo, conseguiu uma economia de cerca de 40%, que é a média que você consegue imediatamente quando faz a troca de equipamentos, reduz pressão na rede e faz monitoramento, em qualquer prédio comercial ou residencial.”

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Verificação de Gases de Efeito Estufa é um diferencial, diz especialista em seminário na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Se enquadrar na legislação pela redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) não é apenas uma barreira para a empresa que cumpre as regras, mas um diferencial, afirmou, nesta quinta-feira (05/12), Julio Jemio, consultor de projeto da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para verificação do GEE. Segundo ele, atender à regulação pode render para a empresa ao menos quatro oportunidades.

“Uma delas é a oportunidade operacional. Uma vez que você faz um inventário de emissão de GEE, isso lhe dá o necessário para fazer um projeto que pode incluir o uso de novas tecnologias, o que vai trazer eficiência energética”, explicou Jemio ao participar do Seminário Gestão de Gases de Efeito Estufa, organizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Juntos, a ABNT e o BID criaram o projeto Fomento à Gestão dos Gases de Efeito Estufa e Verificação por Terceira Parte em Pequenas e Médias Empresas no Brasil.

Jemio: novas tecnologias e eficiência energética em debate. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Jemio: novas tecnologias e eficiência energética em debate. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

O consultou afirmou que, com a gestão sobre as emissões de GEE, a empresa pode planejar o futuro, já que “todo o inventário tem também a finalidade de prover informações para um planejamento estratégico”.

Há ainda oportunidades regulatórias, defendeu Jemio, uma vez que o mundo caminha no sentido de redução de emissões, com as grandes corporações adotando métodos mais limpos de produção não só para cumprir a lei, mas também para reduzir custos e ganhar competitividade de mercado.

“Não vai demorar muito para que todo o Brasil ande no sentido de redução de GEE. Se a empresa não se atualizar, ela simplesmente vai ser pisoteada”, alertou.

Mais credibilidade

Segundo Jemio, as empresas que utilizam a gestão de emissão de GEE como estratégia ganham maior credibilidade. “Há uma oportunidade competitiva, um diferencial no mercado e na publicidade. Empresas que se declaram verdes já conquistaram um diferencial, uma vantagem”, argumentou.

Ele defendeu ainda as oportunidades financeiras que uma boa gestão de emissões pode gerar a uma empresa. De acordo com o consultor, “se uma empresa tem todas as informações num inventário, ela identifica onde pode reduzir e essa redução vai ter uma repercussão direta nos custos”. “Se a empresa utilizar um tipo de lâmpada que emita menos energia, ela vai emitir menos, mas também vai pagar menos”, completou.

Também consultora do projeto da ABNT com o BID, Isabel Sbragia apresentou os princípios para contabilização e elaboração de inventários, limites organizacionais e operacionais, identificação e cálculo das emissões, relatório, verificação, gestão e redução das emissões.

Crédito de carbono

Apesar da agenda positiva para o envolvimento de empresas na economia de baixo carbono, o representante da Odebrecht, Alexandre Baltar, lançou um contraponto ao afirmar que o mercado de crédito de carbono “está parado” já que os preços despencaram.

“Como a demanda diminuiu e a oferta aumentou o preço foi para praticamente zero, ninguém vende. Quem pode gerar credito está aguardando para ver o que vai acontecer”, explicou.

Baltar apresentou os desafios da gestão de emissões no setor de engenharia e construção. Ele usou exemplo de uma obra da Odebrecht onde houve redução de emissão de GEE com a criação de padrões para o uso de caminhões nas instalações do projeto.

“Tivemos um caso em Angola onde testamos isso e reduzimos 15% de diesel colocando esses critérios. Demos premiações para os mais eficientes”, afirmou.