Indústria cria 26,5 mil empregos em abril, revela pesquisa da Fiesp e do Ciesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depcon). Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A indústria paulista criou 26,5 mil postos de trabalho em abril na comparação com o quadro de funcionários verificado em março, mostrou pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) nesta terça-feira (14/05), em meio a expectativas das entidades de recuperação mais tímidas do emprego no setor manufatureiro bem como na atividade industrial.

Segundo Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), a Fiesp e o Ciesp devem revisar para baixo as projeções de crescimento para a atividade industrial, o emprego na indústria e para o Produto Interno Bruto (PIB).

“Na verdade, o ano 2013 chegou com um grau de recuperação menor do que o que estava sendo esperado. As previsões, sem exceção, têm sido revisadas para números menores e a nossa não vai fugir da regra”, afirmou Francini.

Mais pessimistas, analistas do mercado não estão mais apoiando a previsão do Banco Central de expansão de 3% do PIB. Algumas consultorias já projetam crescimento em torno de 2,5%.

A pesquisa

Embora tenha indicado geração de vagas, a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo apontou uma variação negativa para o emprego no mês em 0,40%, com ajuste sazonal, porque o desempenho do mercado de trabalho para o mês de abril costuma ser melhor, explicou Francini.

O resultado de abril foi o pior da série, iniciada em 2006, com exceção das fortes perdas registradas em 2009 e 2012, 0,79% e 0,89% respectivamente.

Nível de Emprego – Abril 2013 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

No acumulado do ano foram gerados pela indústria paulista 60 mil empregos, com um crescimento de 2,34%. Apesar de positiva, a taxa de criação de vagas do mês continua apresentando o menor desempenho desde 2006, início da pesquisa, com exceção da crise de 2009, quando o índice apurou perdas de 1,30% no acumulado daquele ano, e de 2012, quando a leitura apontou ganhos de 0,70% para o mesmo período.

Nos últimos 12 meses foram fechados 12 mil postos de trabalho, ou seja, um recuo de 0,46% em relação a abril de 2012.

“Uma recuperação vem ocorrendo no mesmo tom e ritmo da indústria: moderado”, avaliou o diretor do Depecon. “Isso faz com que continuemos com uma visão positiva de 2013 menos pelo mérito do ano e mais pela grande queda ocorrida em 2012”, completou.

Setores e regiões

Do total de empregos gerados em abril, o setor de açúcar e álcool contribuiu com a criação de 18.207 postos no mês, o equivalente a uma taxa positiva de 0,70% na comparação com março. Os outros setores da indústria de transformação geraram 8.293 vagas, o equivalente a um ganho de 0,32%.

No acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 32.993 vagas enquanto os outros segmentos da produção brasileira abriram 27.007 novos postos de trabalho.

Das atividades analisadas no levantamento, 13 apresentaram efeitos positivos, seis fecharam o mês em queda e três ficaram estáveis. O emprego no setor de Produtos Alimentícios registrou a maior alta do mês com 5,9%, seguido pelo desempenho positivo na indústria de Fabricação de Coque, de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis, que encerrou o mês com ganhos de 5,2%.

Já o emprego na indústria de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos e de Móveis apuraram perdas no mês de 0,8% e 0,6% respectivamente. A pesquisa da Fiesp e do Ciesp mostrou ainda que das 36 regiões analisadas, 23 apresentaram quadro positivo, seis ficaram negativas e sete  encerraram o mês estáveis.

Jaú foi a cidade que apresentou a maior alta com taxa de 4,91% em abril, impulsionada por Produtos Alimentícios (14,01%) e Produtos de Madeira (6,73%). A região de Araçatuba registrou ganho de 4,51% sob influência positiva dos setores de Produtos Alimentícios (13,27%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (10,97%). Enquanto Botucatu subiu 3,78%, influenciado por Produtos Alimentícios (10,06%) e Produtos Minerais não Metálicos (3,46%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para Santo André, que computou a queda mais expressiva do mês com 1,34%, abatida pelas perdas em Produtos Alimentícios (-27,6%) e Confecções de Artigos do Vestuário (-5%). Santos fechou o mês com baixa de 1,10%, pressionado pelo desempenho ruim dos setores de Confecção de Artigos e Vestuário (-5,05%) e Impressão e Reprodução de Gravação (-1,66%). O emprego em São Caetano caiu 1,08%, com perdas mais expressivas em Produtos Diversos (-32,62%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-3,12%).

Indústria paulista cria 9,5 mil vagas em fevereiro; Fiesp estima recuperação de 1,6% do emprego em 2013

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor do Departamento de Economia da Fiesp: ainda existem dúvidas quanto ao grau da recuperação da indústria de transformação. Foto: Helcio Nagamine.

Puxada pelos setores de Produtos Alimentícios, Couro e Calçados, Coque e Derivados de Petróleo e Biocombustíveis, a indústria paulista criou 9,5 mil postos de trabalho em fevereiro, de acordo com dados da pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo divulgada nesta quinta-feira (14/03) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

A Fiesp projeta uma recuperação de 1,6% do emprego em 2013, embora ainda existam incertezas quanto à força dessa retomada.

“Ainda existem dúvidas quanto ao grau da recuperação da indústria de transformação. Temos dados positivos, mas estamos com certa reserva a algumas características”, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Francini se refere ao crescimento de 17,3% da produção de bens em fevereiro, número apurado pelo índice Produção Indústria Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), puxado principalmente pela fabricação de caminhões.

“O destaque no setor de caminhões está muito mais vinculado ao fracasso do setor no ano passado. Então, o grande crescimento deste ano está apoiado na grande perda do ano passado”, explicou.

Francini afirma que a recuperação da indústria de transformação – e, consequentemente, do emprego – está em curso, mas “falta vigor”. Segundo o diretor, a recuperação de 1,6% em 2013 deve contrabalançar em 50% as perdas de mais de 2% apuradas pelo índice de emprego no final de 2012.

Para a atividade industrial, a Fiesp projeta uma recuperação de 2,3%, ante queda de ao menos 4% verificada no ano passado.

Bom desempenho

Destaques em fevereiro, os setores que mais contrataram no mês passado foram os de Produtos Alimentícios, com a criação de 3.548 vagas, Preparação de Couros e Fabricação de Calçados, com 2.609 novos postos de trabalho, e o segmento de Coque de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis, que contratou 2.097 trabalhadores.

O setor de Máquinas e Equipamentos, destaque da pesquisa anterior ao responder por duas mil das contratações registradas em janeiro, criou 655 vagas. “Mas de qualquer maneira é um número positivo e não derruba nossa expectativa de que o setor está em processo de recuperação”, ponderou Francini.

Segundo Francini, a indústria de calçados é a principal responsável pelas contratações no segmento de Preparação de Couros e Fabricação de Artefatos de Couro, Artigos para Viagem, sobretudo na região de Franca. “É um município com boa concentração e está ocorrendo certa recuperação efetiva da fabricação doméstica de calçados. E isso é uma boa noticia”, afirmou.

Comparada ao mês de janeiro, a criação de vagas em fevereiro ficou praticamente estável, com variação ligeiramente negativa de 0,04% na leitura com ajuste sazonal.

No acumulado de 2013, a indústria paulista gerou 20,5 mil empregos, com variação positiva de 0,80%. A indústria paulista, no entanto, demitiu 38 mil funcionários nos últimos 12 meses, o equivalente a uma queda de 1,44% na comparação com o período imediatamente anterior.

Do total de contratações ocorridas em janeiro, a indústria foi responsável pela contratação de 3.243 mil vagas. O setor de açúcar e álcool criou 6.257 vagas, o equivalente a um ganho de 0,25% em comparação com fevereiro.

Setores e regiões

Dos 22 setores cuja situação de emprego foi analisada no levantamento de fevereiro, 12 apresentaram efeitos positivos, sete fecharam o mês em queda e três ficaram estáveis. O emprego no setor de Fabricação de Coque, Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis registrou o crescimento mais expressivo, com 5,1% na leitura mensal, seguido pelo bom desempenho da indústria de Couros e Fabricação de Artigos de Viagem e Calçados, com 3,6%.

Já o emprego no segmento de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos registrou a queda mais significativa com 0,7% em fevereiro contra janeiro. A indústria de Produtos Diversos também encerrou o mês em baixa, com variação negativa de 0,5%.

A pesquisa da Fiesp e do Ciesp mostrou ainda que, das 36 regiões analisadas, 18 apresentaram quadro positivo, 12 ficaram negativas e seis regiões encerraram o mês estáveis.

Franca foi a cidade que apresentou a maior alta com taxa de 5,03% em fevereiro, impulsionada por Artefatos de Couro e Calçados (8,34%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (3,53%). A região de São Carlos registrou ganho de 2,68%, sob influência positiva dos setores de Produtos Alimentícios (14,92%) e Máquinas e Equipamentos (6,63%). Enquanto São José do Rio Preto subiu 2,11%, influenciado por Coque, Petróleo e Biocombustíveis (7,13%) e Produtos Alimentícios (3,69%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para Santos, que computou a queda mais expressiva do mês com 3,02%, abatida pelas perdas em Confecções de Artigos do Vestuário (-14,29%) e Impressão e Reprodução de Gravações (-3,39%). Matão fechou o mês com baixa de 2,79%, pressionado pelo desempenho ruim dos setores de Produtos Alimentícios (-7,44%) e Máquinas e Equipamentos (-1,27%). O emprego em Campinas caiu 0,54%, com perdas em Produtos Alimentícios (-1,25%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-0,57%).

Vídeo: veja a íntegra da coletiva de divulgação do Índice de Emprego de fevereiro de 2013