Debate sobre mudanças disruptivas nem começou para valer no Brasil, diz Octavio de Barros na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O economista Octavio de Barros fez nesta segunda-feira (8 de maio) durante reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec), do qual é integrante há 18 anos consecutivos, um relato sobre o impacto sistêmico provocado pelas chamadas tecnologias disruptivas. À frente do Instituto República, think tank voltado a economia, política, cidades e cultura, Barros usou como base de sua apresentação as atividades de que participou nos últimos cinco anos no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).

Além de efeitos dessas novas tecnologias sobre a forma de fabricar e distribuir produtos, Barros explicou as implicações sociais e políticas das mudanças esperadas para os próximos anos. Deixou um alerta: vão gradualmente definhar as empresas que não forem capazes de se antecipar às grandes transformações globais.

O tema de sua palestra, muito aplaudida pela plateia lotada, foi “Muito além do cenário econômico: mudanças tecnológicas disruptivas afetando os modelos de negócios, o mundo do trabalho e a representação política”.

As pessoas querem usar, em vez de ter – isso vale para carros, casas e até banco, explicou Barros. O avanço do blockchain deverá eliminar a intermediação nas transações e terá implicações tão relevantes quanto um dia foi o surgimento da internet.

Com a manufatura aditiva, empregando impressoras 3D e 4D, as empresas no futuro venderão o desenho, e não o produto físico, que será feito até em casa ou nas fábricas. A logística vai ser posta em xeque. E é prevista uma imensa transformação no sistema de patentes considerando a brutal velocidade das inovações.

Toda essa economia digital vem afetando bastante a discussão sobre a fronteira cada vez mais tênue entre manufatura e serviços. A produção manufatureira é cada vez mais automatizada, robotizada, e mesmo assim falta mão de obra capacitada. Citou Bill Ford, presidente mundial da Ford, para quem as montadoras deverão se tornar se tornar produtoras de software em um futuro não muito distante.

Praticamente não há barreiras à entrada de empresas em novos mercados. “Não é questão de grana, a questão é essencialmente capital intelectual”, afirmou Barros. Mas, destacou, a inovação requer ambiente de incentivos propício a seu desenvolvimento. Chamou a atenção para o fato de que os protagonistas da inovação do passado não serão necessariamente os protagonistas da inovação no futuro.

Nos mercado de veículos isso fica claro com o crescimento dos veículos autônomos produzidos por atores sem qualquer tradição no universo automotivo incluindo Google, Apple e Uber – e mesmo fábricas como a Tesla, sem tradição na área.

Na opinião de Barros, as tecnologias de estocagem de energia têm tido uma evolução surpreendente. Indiretamente, elas favorecem o desenvolvimento de fontes renováveis, como eólica e fotovoltaica, explicou.

Relatou painéis a que assistiu no Fórum Econômico Mundial sobre indústria e ressaltou que o futuro não é de uma sociedade imaterial – a produção de bens industriais continuará a aumentar, mas a forma de produzir vai mudar. Ou melhor, já está mudando. Ao contrário das teses contrárias, ele aposta em uma sociedade hiperindustrial, parafraseando o título do livro de Pierre Veltz.

Estudos revelam que, em 2025, 25% de todas as decisões humanas serão automatizadas ou robotizadas. Uma combinação de robôs, inteligência artificial, máquinas que pensam, sensores onipresentes, big data, internet das coisas (IoT), já é o presente.

Reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp, com a participação de Octavio de Barros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Neurociência

“É um negócio muito sério”, disse Barros a respeito da interação entre cérebro e computador. Há forte crescimento dessas chamadas ciências do cérebro.

Exemplo de empresa atuando nisso é a Neuralink, de Elon Musk, fundador da Tesla, que considera inexorável a superioridade da inteligência cognitiva artificial em relação à inteligência humana. A ideia da Neuralink é investir no desenvolvimento de chips introduzidos no cérebro humano como única forma de convivência não desigual do homem com a máquina no futuro.

Mundo do trabalho

Novas qualificações serão requeridas, disse Barros. Há uma clara distinção entre emprego e trabalho. Os empregos na forma tradicional casada com seguridade social estão gradualmente em vias de extinção. Estudo da Universidade de Oxford prevê a possibilidade de desaparecimento em curto prazo de 47% dos empregos atuais.

Estamos, explicou, diante de uma “jobless productivity”, ou seja, um aumento de produtividade sem geração de empregos. Isso, segundo Barros, vai requerer um esforço brutal de qualificação, sobretudo da classe média. Além disso, já se sabe que a automação e a robotização são altamente rentáveis, mas a dúvida é como será no futuro a partilha social dos ganhos de produtividade. Por mais surpreendente que possa parecer, a ideia da renda básica de cidadania, disse o economista, é discutida por países maduros como forma de lidar com o inevitável descompasso entre os empregos que serão destruídos e os que serão criados com as novas tecnologias.

O mundo do trabalho experimenta grandes transformações. Os novos empregos tendem a ser gerados sob a forma do trabalho sob demanda ou freelance, com trabalhadores independentes para serviços pontuais e de gratificação imediata. Enquanto gerações anteriores ao longo da vida tiveram de 7 a 10 empregos, no novo mundo do trabalho as pessoas passam a ter 7 a 10 atividades simultâneas.

Citou o precariado (precariato), nova categoria socioeconômica, cunhada pelo pesquisador Guy Standing da Universidade de Londres. Cidadãos até mesmo bem qualificados circunstancialmente acabam aceitando uma vida instável e não têm senso de ocupação clássico. “É algo muito complexo, com impactos imensos até do ponto de vista político.” O chamado precariado não é uma categoria anti-capitalista, muito pelo contrário, bastante inserida na dinâmica capitalista.

Um dos melhores painéis de Davos, em sua opinião, foi sobre educação. Na quarta revolução industrial a educação deverá se inspirar conceitualmente na do Renascimento. Deverá ser o incentivo à inventividade e à criatividade, ao lado das chamadas ciências duras. Várias universidades relevantes no mundo estão permanentemente promovendo alterações no seu mapa de qualificações e nas grades curriculares em função da velocidade dos novos conhecimentos requeridos.

Destacou que 65% das crianças na faixa de 3 a 4 anos trabalharão em profissões que ainda não existem.

Outra questão bastante abordada na palestra foi o tema da longevidade. A esperança de vida no mundo vem aumentando aceleradamente. E o Brasil é o país que até 2050 mais envelhecerá (idade média da população). As implicações disso são imensas do ponto de vista econômico (fiscal em particular), social e político. O financiamento da longevidade é tema altamente complexo, segundo Barros.

Política

Em Davos, debateu-se muito a chamada “crise da democracia”, disse Barros, mencionando a preocupação de Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, com o dano provocado pelo populismo tanto à direita como à esquerda. Há colapso da esquerda e incompetência da direita, levando ao chamado thirdwaynism, fenômeno que se observa em dezenas de países. O exemplo da recente eleição da França é emblemático disso. Surge o imperativo de uma nova narrativa política que torne compatível o interesse de quem investe e de quem trabalha.

Há uma demanda mundial por proteção – à esquerda, via Estado do bem-estar, e à direita, via xenofobia, com fechamento de fronteiras à imigração e protecionismo comercial. Governar está cada vez mais difícil no mundo inteiro, disse.

Economistas e intelectuais, segundo Barros, subestimam muito os impactos brutais da economia digital sobre a cultura, a política, a economia e aspectos sociais.

Enquanto o mundo constrói uma agenda do futuro, o Brasil ainda lida teimosamente com uma agenda de passado. “Este debate nem começou no Brasil para valer”, afirmou Barros ao encerrar sua participação. A reunião foi conduzida por Paulo Francini, vice-presidente do Cosec.

“Mãe das reformas” é o teto para o crescimento dos gastos no Orçamento, diz economista-chefe do Bradesco

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, participou nesta quarta-feira (16/3) de reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec), do qual é membro e é presidido por Delfim Netto. Em sua apresentação, Barros se mostrou otimista com a retomada da economia brasileira caso surja uma “senha”, uma mudança que permita a reversão do atual estado de falta de confiança. Vê guinada para 2017, porque acha que o gatilho da retomada da confiança virá rápido, caso se confirmem mudanças.

“Se não é tudo, é quase tudo”, disse Barros em relação à confiança. Destravado o problema provocado pela crise política, Barros prevê crescimento do PIB de 2% em 2017 e 3% em 2018. A inflação baixa para 6,5% em 2016 e 4,5% em 17. Também cai a taxa básica de juros (Selic), dos atuais 14,25% para abaixo de 10% no final de 2017. Haverá, nesse cenário positivo, quatro quedas de juros este ano (possivelmente a partir de julho) e duas ano que vem.

Segundo o economista, a “extraordinária diversificação da economia” permite a difusão muito rápida da retomada, mas ele alerta que deve demorar para se chegar novamente ao pico de atividade, registrado em março de 2014 (desde então, houve queda de 7%). Projeções do Bradesco dão como dezembro de 2019 a volta ao pico de atividade, e o PIB industrial volta ao seu pico, do final de 2013, no final de 2021.

Apesar do otimismo (condicional) para o curto prazo, Barros defende a necessidade de criar uma “agenda clara, firme, de agenda de médio e longo prazo, para dar ideia de sustentabilidade”.

Listou quatro agendas relevantes que, acredita, podem mudar a história econômica do Brasil em relativamente pouco tempo. A primeira é o que chama de governança orçamentária, com o estabelecimento de um teto para o crescimento de gastos. A segunda se refere à produtividade, com prioridade para a preservação do emprego. Outro ponto é o aumento da potência da política monetária. A quarta agenda é da infraestrutura, que permite a expansão da capacidade produtiva.

Previdência

Frisando que o Brasil precisa proteger e fortalecer seu estado de bem-estar social, melhorando muito a qualidade dos serviços na área, Barros disse que o custo da Previdência é problema grave. Lembrou que o Brasil já gasta com Previdência a mesma porcentagem do PIB que o Japão, país cuja população já envelheceu. Barros defende a separação entre previdência rural, não lastreada em contribuições e que deveria ser considerada assistência social, e a Previdência em si, especialmente urbana, baseada em contribuições e sujeita ao equilíbrio atuarial.

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Reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp com apresentação a cargo de Octavio de Barros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Estamos gastando R$ 400 bilhões por ano com a carga de juros no Brasil”, diz Octavio de Barros

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, debateu nesta segunda-feira (11/5) sobre crescimento econômico com o Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na ocasião ele informou que o país tem o maior gasto de juros com provisão do PIB do planeta.

Segundo Barros –que iniciou a palestra citando a frase do ministro Joaquim Levy sobre o objetivo de não exportar para 2016 o que se pode resolver em 2015– muitos economistas ortodoxos acreditam que os juros já foram longe demais e que o Banco Central é o único a atuar na contramão do cenário econômico e já deveria reduzir as taxas.

“Quando a economia estava aquecida ele reduzia os juros e agora, com a economia em depressão, ele aumenta os juros”.

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Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O economista enfatizou que o país está isolado comercialmente e se tornou um dos países mais fechados do mundo.

“Não dá para negar que o Brasil precisa avançar em acordos comerciais e, talvez, seja uma boa troca que poderíamos fazer, do câmbio depreciado por redução de tarifas de importação. Um bom tema para debates”, disse.

Sobre as exportações, Barros informou que para este ano há previsão de queda de 13%, enquanto a as importações devem registrar queda de 17%.

Desemprego

O economista-chefe do Bradesco afirmou ainda que em dois anos o país migrou de apagão de mão de obra para demissões em massa.  Ele citou números da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, que aponta para uma taxa de desemprego de 6,8% em 2015. Em 2016, o indicador deve chegar a 8,2%.

“É uma terra arrasada e é difícil fazer ajustes neste contexto”, disse Barros durante o encontro na Fiesp. Em 2014, o índice ficou em 4,8%.

A reunião do Conselho de Economia da Fiesp foi conduzida pelo ex-ministro Delfim Neto, presidente do Cosec.

Rebaixamento de grau de investimento do país aumentaria custo do capital

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp,

O Brasil evoluiu em rating e desde 2008 recebeu a nota de investment grade, mas qualquer rebaixamento, embora isso seja pouco provável, aumentaria significativamente o custo do capital no país, avaliou nesta segunda-feira (10/03) o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros. Ele se reuniu com o Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), às vésperas de uma equipe da Standard & Poor´s desembarcar no país para discutir rating de crédito.

A agência de classificação de risco foi a primeira a elevar a nota do Brasil para grau de investimento em 2008 e foi a única até agora a colocar a classificação com perspectiva (outlook) negativa.  Uma equipe da Standard & Poor´s virá ao Brasil nesta semana para se reunir com empresários e economistas e discutir a posição do país.

“Há uns meses, eu dava uns 60% de chance de ter rebaixamento (da nota), agora dou 60% de chance de não ter rebaixamento”, afirmou Barros. “Mas como o outlook deve continuar negativo, caso não haja o rebaixamento não haverá espaço para blefe na área fiscal, na minha visão”, ponderou.

Barros: não rebaixamento do país por agência de classificação de risco. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Barros: não rebaixamento do país por agência de classificação de risco. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Membro do Cosec, Barros avaliou ainda que os problemas macroeconômicos do Brasil não são de natureza  “tão grave”. “Eu pessoalmente acho que o Brasil não tem nenhum problema insolúvel.  Há um problema de só percepção de gestão fiscal, o qual eu acredito ser algo facilmente contornável, se houver vontade”, explicou.

Fragilidade

Em meados de 2013, o Brasil entrou para o grupo dos “Cinco Frágeis”, países que têm em comum as moedas mais vulneráveis a mudanças na economia internacional. O banco de investimento Morgan Stanley incluiu o país nesse hall formado pela Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul.

Barros, no entanto, acredita que manter essa classificação é exagero. “O Brasil tem problemas, mas a classificação de frágil para mim é exagerada”, afirmou.

O economista-chefe do Bradesco justificou a opinião afirmando que o Credit Default Swaps (CDS), indicador do Risco-País, tem registrado queda enquanto “o diferencial entre Brasil e México, que havia piorado e chegado a 110 pontos, agora está em 78 pontos e a tendência é que isso melhore gradualmente”.

Barros estima uma expansão de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2014. Segundo ele, os vetores do crescimento devem ser uma atividade global mais aquecida, recuperação da Petrobras e o volume de concessões para obras, sobretudo as Parcerias Público-Privadas (PPPs).

A reunião do Cosec na Fiesp nesta segunda-feira (10/03): fragilidade exagerada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A reunião do Cosec na Fiesp nesta segunda-feira (10/03): fragilidade exagerada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“Do lado baixista tem a subida do juros, o [setor] agrícola mais fraco, o fiscal menos expansionista, bancos públicos menos ativos e a desaceleração da Argentina e da China”. 

Barros falou para membros do Cosec. A reunião conduzida pelo presidente do conselho, o ex-ministro da Fazenda Delfim Neto. O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini, e o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Andrea Calabi, também participaram do encontro.

Diretor de Competitividade da Fiesp apresenta estudo sobre reindustrialização para membros do Conselho de Economia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, apresentou, na manhã desta segunda-feira (09/09), o estudo “Por que reindustrializar o Brasil?” para membros do Conselho Superior de Economia (Cosec) da entidade.

>> Para ter acesso ao estudo completo, clique aqui

O estudo foi lançado durante o seminário “Reindustrialização do Brasil – Chave para um projeto nacional de desenvolvimento”, realizado pelo Decomtec na sede da Fiesp em 26 de agosto. “Foi um sucesso de público: 864 pessoas participaram do encontro e outras 2.146 acompanharam o evento pela internet”, disse Roriz Coelho.

Roriz: estudo lançado em seminário da Fiesp para discutir a reindustrialização do Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Roriz: estudo lançado pela Fiesp para discutir a reindustrialização do Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Segundo a publicação, a participação do setor manufatureiro no Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil está próxima do menor patamar desde 1947, quando as primeiras informações a respeito foram levantadas no país. Na ocasião, a indústria foi responsável em 11,3% do PIB.

Para reindustrializar o Brasil e retomar a trajetória de expansão do país, o documento ainda propõe dobrar a renda per capita (principal indicador de desenvolvimento de um país) dos atuais US$ 10 mil para US$ 20 mil pelos próximos 20 anos, com um crescimento de PIB de 4,01% ao ano e aumento médio de 3,52% da renda per capita. Outra opção é alcançar essa meta em 15 anos, com alta do PIB a 5,29% ao ano. Se isso acontecer, conforme o estudo, o país alcançará “nível de entrada para ser desenvolvido”.

Impacto da crise

Ainda segundo o estudo do Decomtec, entre 2004 e 2012, a participação industrial na atividade econômica totalizou uma perda de 30,8%. Assim, a fatia de contribuição do setor manufatureiro para o PIB caiu de 19,2% em 2004 para 13,3% no ano passado. A taxa já é a menor desde 1955, quando a participação chegou a 13,1%.

A reunião do Cosec na manhã desta segunda-feira (09/09), na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A reunião do Cosec na manhã desta segunda-feira (09/09), na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Membro do Cosec, o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, reconheceu que foi um erro da parte dos economistas subestimar o impacto da crise da indústria na atividade econômica brasileira. Segundo ele, o problema da economia brasileira é “essencialmente industrial”.

“Nós economistas, e eu me incluo nisso, cometemos erros e o maior deles foi termos subestimado olimpicamente o impacto da crise industrial no conjunto da economia brasileira”, afirmou Barros. “O que aconteceu com a indústria brasileira teve uma sequela brutal no país nos últimos anos e essa crise que nós atravessamos tanto no passado quanto no presente é uma crise evidentemente industrial”, completou.

Clique aqui para saber mais sobre o estudo sobre reindustrialização do Decomtec. E aqui para ler sobre o seminário “Reindustrialização do Brasil – Chave para um projeto nacional de desenvolvimento”.

Brasil tem condição de crescer 3,5%, em média, nos próximos 10 anos, avalia economista-chefe do Bradesco

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Ainda que o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 e de 2014 deva ficar entre 2% e 2,5%, em mais um sinal de que a economia brasileira vem apresentando evolução abaixo do seu potencial, o país tem condições de sustentar um crescimento médio anual de 3% a 3,5% num horizonte de 10 anos, de acordo com o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.

“É uma projeção conceitual. Não é para ser levada a ferro e fogo. É isso que eu acredito que as empresas estejam usando no planejamento para médio e longo prazo. Nenhuma empresa séria desse país olha o PIB de determinado ano e projeta o futuro. Só um analista muito ingênuo para achar que empresas projetam a partir do que acontece num determinado ano”, alertou Barros nesta segunda-feira (12/08) ao participar da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do qual é membro.

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Economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros: estimativa de crescimento da indústria brasileira para 2014 deve continuar em torno de 2,7%. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A projeção do Bradesco para o crescimento do PIB em 2013 é de 2,3%. Para 2014, o percentual sobe para 2,5%. Segundo Barros, a previsão do banco para o crescimento da indústria este ano foi “ligeiramente” revisada para cima, uma vez que os níveis de estoque do setor estão próximos do ideal, embora não haja crescimento expressivo da atividade.

“Tínhamos 2,5%; agora, estamos com 2,6%. E para o ano que vem a gente acha que o crescimento da indústria brasileira deve continuar em torno de 2,7%, desde que mantenhamos esse nível atual de estoques que estamos observando”, afirmou.

Desde o segundo semestre de 2012, a ociosidade da indústria vem diminuindo gradualmente, explicou o economista.  “A demanda vem melhorando. Fomos consumindo estoques e não crescemos nada industrialmente”.

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Octavio de Barros: país não soube lidar com salto de demanda interna. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Vítima do próprio sucesso

Na visão de Barros, 70% da desaceleração econômica brasileira dialoga com a retração da economia global. Os outros 30% “são problemas só nossos”.

De acordo com o economista, o Brasil foi “vítima do seu próprio sucesso”. O país não estava preparado para lidar com a inclusão de 50 milhões de pessoas nas classes A, B e C nos últimos 10 anos e o aumento significativo do padrão salarial.

“Isso é sucesso, ninguém vai discordar”, disse Barros. “Mas não basta ter demanda. Tem que ter marco regulatório, previsibilidade, uma série de ingredientes que são determinantes no processo decisório de infraestrutura. O Brasil não avançou e talvez tenha sido o pecado mortal maior”, explicou.

Segundo ele, desde 2001 foram abertas quase 100 milhões de contas bancárias inéditas, enquanto a frota de automóveis e comerciais leves aumentou em 23 milhões de unidades de 2003 a 2013. Mas o país não soube lidar com esse salto de demanda.

“O aumento do consumo foi ótimo, deu popularidade a governos de plantão, mas insuperáveis custos por falta de competitividade, com gargalos de infraestrutura em grande medida devido a essa imensa inclusão social”, afirmou Barros. “Isso tornou nossa indústria com ainda maiores dificuldades de competição”, acrescentou.

‘Brasil precisa de novos vetores de crescimento’, afirma economista Octávio de Barros (Bradesco)

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Octávio de Barros: 'A hipótese é que o Brasil cresceu em 2012 aquilo que o mundo lhe permitiu crescer'. Foto: Julia Moraes

Seria ingenuidade acreditar que o Brasil poderia pisar no acelerador quando o mundo está pisando no freio. A opinião é do economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, em referência à desaceleração das exportações brasileiras frente ao excesso de produtos manufaturados disponíveis no mercado internacional e, principalmente, a desaceleração econômica da Argentina.

De acordo com apurações do Ministério do Desenvolvimento Indústrias e Comércio Exterior (MDIC), as exportações brasileiras para a Argentina amargaram uma queda de 18,4% nos primeiros oito meses de 2012 em relação ao período imediatamente anterior, de US$ 14,6 bilhões para US$ 11,9 bilhões calculados até setembro.

“A OMC [Organização Mundial da Saúde] está projetando um crescimento próximo de zero das exportações mundiais. E o que está acontecendo com as exportações brasileiras é um pouco pior do que no mundo porque nós perdemos o mercado argentino e isso deu um violento impacto sobre nossas exportações de manufaturados”, avaliou Barros.

Barros trouxe nesta segunda-feira (01/10), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um panorama dos impactos da crise mundial no Brasil e sobre as economias da Zona do Euro para os membros do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da entidade.

“A hipótese é que o Brasil cresceu em 2012 aquilo que o mundo lhe permitiu crescer”, afirmou o economista.

O executivo do Bradesco acredita que quatro pilares foram fundamentais para o Brasil crescer o que cresceu na última década: crédito farto, políticas sociais generosas, câmbio valorizado e gasto público sustentado na carga tributária. Essa fórmula, no entanto, não será suficiente para garantir que o país continue crescendo.

“Não é que esses pilares se esgotaram, mas a gente precisa de outros vetores de crescimento. O gasto público, por exemplo, ajudou a crescer o PIB (Produto Interno Bruto), mas agora não estamos falando mais de carga tributária, pelo contrario, é hora da desoneração, a palavra de ordem é desonerar”, avaliou.

Prêmio de loteria

Barros acredita que se não fosse a crise, o Brasil não teria conseguido convergir as taxas de juros para uma trajetória de queda.

“Eu digo que nós ganhamos um segundo prêmio de loteria da nossa história recente. O primeiro foi o boom das commodities, que nos deu uma parruda renda nacional macroeconômica só pelo aumento do preço de commodities. O segundo prêmio é que se não fosse a baixa do ciclo com a crise mundial, o Brasil não teria conseguido convergir as suas taxas de juros”, disse o economista, acrescentando que “em condições normais você não consegue sair do lugar. Então, o Brasil aproveitou e os juros estão caindo.”

Conselho de agronegócio da Fiesp discute reflexos da crise mundial no Brasil

Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) recebe na segunda-feira (01/10), na sede da Fiesp, o economista-chefe do banco Bradesco, Octávio de Barros.

Durante a reunião, o especialista falará sobre a crise mundial e sua influência no agronegócio. Os impactos sobre as economias da Zona do Euro, o crescimento Chinês e os reflexos para o Brasil também serão abordados.

A reunião, organizada pelo Instituto Roberto Simonsen, será fechada, mas ao término, por volta das 12h30, Octávio de Barros falará com a imprensa.

Serviço
Data/Horário: 01 de outubro de 2012, das 10h às 12h30
Local: na sede da Fiesp – Av. Paulista, 1313, auditório do 4º andar

Indústria brasileira está em processo de reinvenção, avalia Octavio Barros

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Octavio de Barros, economista-chefe do Banco Bradesco e membro do Cosec/Fiesp, durante reunião do Conselho

Octavio de Barros, economista-chefe do Banco Bradesco, segundo maior banco privado do Brasil, afirmou que o setor industrial vive um momento difícil e de reinvenção.

O economista, que é membro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, apresentou sua análise nesta segunda-feira (13), durante reunião do Cosec, ressaltando que a indústria brasileira enfrenta um período delicado, com investimentos menos sensíveis no curto prazo do que no passado.

Barros, porém, se diz otimista com o os primeiros sinais do “potencial governo reformista” da presidente Dilma Rousseff, citando o recente anúncio da concessão de três aeroportos à iniciativa privada. Para o economista, a gestão atual  está mais focada nos interesses do setor produtivo e é muito diferente da do governo precedente.

Inflação

O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira, apontou que o mercado projeta uma inflação de 6,19% neste ano, contra estimativa anterior de 6,22%. O prognóstico ainda está acima do centro da meta de inflação, a 4,50%.

A principal fonte da pressão inflacionária, na opinião de Octavio Barros, é o ciclo de investimentos em curso. O economista argumenta que qualquer governo vai optar por conter os gastos de outras fontes a refrear investimentos no Brasil, que já alcançou grau de investimento classificado como BBB-. “Você vai falar para um governante reduzir depois de 20 anos sem investimentos? A opção preferencial neste momento é segurar os gastos das famílias.”

China

Durante sua apresentação, Barros avaliou a China como um forte exportador de capitais e pontuou que o país asiático considera o Brasil como fornecedor fixo de commodities. “O Brasil tornou-se confiável para a China, que precisa de segurança alimentar e segurança energética.”