Sylvia A. Earle, autora de A Terra é Azul, faz palestra na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

“O que podemos fazer para cuidar do mundo azul que cuida de nós?” Essa é a inquietante pergunta que Sylvia A. Earle faz em seu livro A Terra é Azul, best seller mundial com lançamento inédito em português pela Sesi-SP Editora, no próximo dia 5 de março, quando a bióloga marinha fará palestra exclusiva na Fiesp.

A revista New Yorker a apelidou de “Vossa Profundeza” e a Time a nomeou “Heroína do Planeta”. Essas elogiosas referências, além das mais de cem honrarias que recebeu ao redor do mundo, se originam na sistemática dedicação da bióloga marinha Sylvia A. Earle para desvendar e defender com obstinação os oceanos, não apenas por serem ambientes que abrigam ricos ecossistemas, mas pelo imprescindível papel que desempenham na preservação da vida do planeta.

Nascida em agosto de 1935, nos Estados Unidos, Sylvia é antiga e regular visitante das profundezas dos mares. Desde 1998, é expedidora em residência na National Geographic. As observações que recolheu em todos esses anos em que coordenou mais de 100 expedições e somou mais de 7.000 horas debaixo d’água resultaram na produção do livro A Terra é Azul.

Redigido em estilo agradável e fluido, sem, entretanto, negligenciar em nenhum momento a consistência das informações, a obra traça com detalhes o histórico da fúria extrativista com que os oceanos foram atacados, na crença irresponsável de que seria uma fonte inesgotável de alimentos. Essa visão imediatista e inconsequente levou ao extermínio de diversas espécies marinhas e deixou muitas outras em via de extinção.

“Acima de tudo, o fato de o mundo ser azul é importante porque nossa vida depende de um oceano vivo, que não contenha apenas água e rochas, mas também sistemas vivos estáveis, diversificados e resistentes, capazes de manter o mundo em um curso favorável à humanidade”, assinala a autora, para em seguida lançar o desafio: “o que podemos fazer para cuidar do mundo azul que cuida de nós?” É a resposta a essa questão o principal objetivo da obra, que já vendeu mais de 50.000 exemplares em língua inglesa e também foi traduzido para o espanhol, japonês e chinês.

Sobre a autora

Sylvia A. Earle é bióloga marinha, oceanógrafa, escritora e palestrante. É graduada pelo St. Petersburg College e pela Florida State University, com mestrado e Ph.D pela Duke University, além de ter recebido 19 doutorados honoris causa. Autora de mais de 175 publicações e palestrante em mais de 70 países, suas pesquisas concentram-se na ecologia e conservação dos ecossistemas marinhos, com destaque para algas marinhas e desenvolvimento de tecnologias para acessar e pesquisar o mar profundo.

Recebeu mais de 100 honrarias nos Estados Unidos e outros países, incluindo o Hall da Fama Feminino nos Estados Unidos, a Ordem da Arca Dourada na Holanda, o Prêmio Banksia na Austrália e o Prêmio Artiglio na Itália.

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Brasil tem de voltar seus olhos para a economia azul, avalia professor

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

A nova fronteira econômica está no fundo dos oceanos. Mais especificamente na chamada economia azul, baseada no aproveitamento inteligente e científico dos recursos naturais em águas profundas, sem prejuízo de ecossistemas e do meio ambiente. É dessa nova fronteira que o Brasil, detentor de 3 milhões e 600 mil quilômetros quadrados de solo e subsolo marinho, poderá gerar novos negócios e novas oportunidades de emprego.

“A chamada economia azul, que está na pauta da Organização de Comércio e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Banco Mundial, se baseia no uso sustentável dos oceanos e seus recursos, com foco no crescimento econômico, com visão desenvolvimentista do ponto de vista da sustentabilidade e não apenas ambientalista”, explica o professor Dr. Rodrigo Fernandes More, do Departamento de Ciências do Mar na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), professor adjunto do Instituto do Mar da USP e membro e consultor jurídico do Grupo de Trabalho do Leplac, plano de levantamento da plataforma continental brasileira na Comissão Interministerial para os Recursos do Mar.

Essa foi a mensagem que More deixou aos participantes da reunião do Conselho Superior do Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, no último dia 29, na sede da Federação, onde se discutiu a importância econômica dessa região. “O Brasil tem uma área no fundo oceânico equivalente a todo o território da União Europeia e com imensa riqueza, que não se resume ao petróleo e ao gás natural”, disse o professor da Unifesp.

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Professor da Unifesp, Rodrigo More (segundo da esq. para a dir.), ao lado do presidente do Cosema,  Walter Lazarini, ao centro, levou para reunião na sede da Fiesp a discussão sobre as oportunidades econômicas que estão no fundo dos oceanos. foto: Helcio Nagamine

A grande área oceânica brasileira descrita por More ganhou o nome de Amazônia Azul, assim cunhada por ter uma dimensão muito próxima à da região da Amazônia e também pela sua biodiversidade, extremamente rica e importante, à semelhança da floresta. A Amazônia Azul corresponde à porção de mar declarada território brasileiro, em 1982, na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar (CNUDM), e ratificada pelo Brasil.

Esse território submerso que corresponde a quase metade do território nacional abriga importantes bacias petrolíferas. Como as de Campos, Espírito Santo e Santos, de onde o Brasil extrai mais de 90% do petróleo. Mas tem também jazidas de minerais pesados, ouro, carvão, níquel, cobalto, enxofre, manganês, calcário e fosforita, que podem ser usados desde a indústria de tecnologia como nos setores farmacêutico, de mineração, da construção civil e o agrícola, por exemplo. O Brasil, entretanto, a despeito de todo esse potencial oceânico, ainda engatinha nessa exploração, segundo More, uma vez que os desafios da economia azul envolvem questões de transporte marítimo, navegação, biotecnologia e produção de energia.

“O Brasil tem um potencial agrícola enorme e é sem dúvida um grande exportador. Pela dimensão de sua costa pode ampliar de maneira significativa essas novas fronteiras, elevando sua participação no abastecimento global”, avalia Walter Lazarini, presidente do Cosema. Mas é preciso, segundo ele, que se tenha cuidado na exploração dos recursos marítimos para que a vida marinha, fonte importante de alimentação, não seja afetada, assim como o meio ambiente.

Um dos fatores que devem ser levados em conta é que essa área, apesar de muito rica, ainda é muito nova dentre as preocupações da sociedade, na visão de Walter Lazarini.  “Todo trabalho nesse sentido deve ser feito dentro do licenciamento ambiental futuro dessas atividades, levando-se em conta critérios que evitem problemas no meio ambiente ou contaminação dele”, completa.  “Sempre falamos da Amazônia Verde e de todo potencial exploratório que tem, mas da mesma maneira que aqui a exploração dos recursos naturais deve ser feita de forma racional, também na Amazônia Azul as indústrias devem desenvolver conhecimento e capacitação para explorarem essa nova economia”, pondera o presidente do Cosema.

A avaliação de Lazarini é ratificada pelo professor da Unifesp. “Hoje, há uma intensa ocupação do Brasil no espaço oceânico ainda relacionada ao petróleo e ao gás natural, mas para que possamos avançar em outros temas, principalmente em ciência e tecnologia voltada à área de biotecnologia, precisamos de estudos sobre o impacto ambiental no mar profundo, sob o risco de restringir a atividade científica na região por falta de conhecimento de questões fundamentais”, diz More.

Pela sua complexidade esse tipo de exploração também exige equipamentos de alta tecnologia, pessoal especializado para fazer o estudo da região e para operar os equipamentos no fundo marítimo. Isso do ponto de vista ambiental. Do ponto de vista econômico, é preciso que o Brasil crie um plano, um programa de incentivo para que empresas comecem a estudar esses recursos, uma vez que a exploração no fundo do oceano tem um custo superior à feita em terra”, diz. Porque, ressalta o professor, quando essas jazidas tiverem de ser exploradas, as empresas têm de estar preparadas, o Brasil precisa estar preparado para que o espaço não seja ocupado por companhias estrangeiras. “As disputas marítimas se tornaram mais frequentes porque se alterou a percepção da importância dos oceanos na economia mundial e esse tipo de riqueza aguça os olhos de outros países”, assinalou.

Tudo isso, no entanto, não será suficiente para que o Brasil avance na economia azul, se assenhore desses recursos, segundo o professor da Unifesp, se não tiver uma moldura jurídica que traga segurança e previsibilidade às empresas nos investimentos na área dos oceanos. “Isso é extremamente importante para um país como o Brasil, que pretende ter um papel de liderança na América Latina”, diz More.




Mar não está para peixe, mostra João Lara Mesquita em reunião na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Criador da série “Mar sem Fim”, exibida pela TV Cultura, o ambientalista João Lara Mesquita participou nesta terça-feira (26/4) como convidado de reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema). Em sua palestra, com o tema “Desafios ambientais e os oceanos”, apresentou dados sobre ameaças à vida marinha.

Ressaltou a complexidade da questão. O principal problema dos oceanos, o mais importante ecossistema do planeta, em sua opinião, é o desconhecimento. Sabe-se mais sobre o espaço que sobre os oceanos, disse. Relatou graves crimes ambientais, como deposição de resíduos tóxicos e radioativos em larga escala no mar.

O problema é dramático, afirmou Mesquita. Citou exemplos como o do príncipe Albert, de Mônaco, que se recusa a sentar a uma mesa na qual seja servido atum, peixe marinho sob risco de extinção. A pesca é insustentável no mundo inteiro, afirmou, dando como prova o subsídio anual de US$ 20 bilhões por ano dado à atividade por Japão e Comunidade Europeia. Já foi esgotada metade dos recursos de pesca, e em 2048 toda a pesca industrial estará encerrada.

Risco grave é a acidificação da água, o que é péssimo para os corais, considerado uma espécie de floresta tropical dos mares, por sua importância para a biodiversidade.

Apenas 2,2% dos oceanos estão protegidos, e há na água até 13.000 pedaços de lixo por quilômetro quadrado. Relatório apesentado no Fórum Mundial mostra que até 2050 haverá mais plástico que peixe nos oceanos.

Citou a Meta 11 de Aichi (Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010, e direta ou indiretamente relacionadas às questões da saúde humana), de até 2020 no máximo proteger áreas costeiras. EUA criaram área protegida, Reino Unido também, França criou a maior área protegida, Chile fez sua parte. Portugal proibiu a pesca de arrasto em área de 2,2 milhões de km². Brasil tem menos de 1,5% da zona costeira supostamente protegida (a meta do país, que assinou o tratado de Aichi, é chegar a 10% até 2020).

Lembrou que Brasil não participou de reunião na ONU em abril para discutir como criar MPAS.

Citou a confusão e profusão de tipos de áreas de conservação ambiental no Brasil. Deu como exemplo a APA da Baleia Franca, em Santa Catarina, criada em 2000, que por falta de plano de manejo teve proibida atividade de avistagem de baleias. Na APA de Cairuçu há apenas um funcionário, que não dispõe de barco para fazer a fiscalização.

As reservas extrativistas (Resex). Das 18 Resex, entre as 59 UCs, apenas uma tem levantamento de fauna em andamento. Sem saber a quantidade, não é possível saber quanto pode ser retirado.

Perda com turismo em parques é enorme, lembrou Mesquita. Queensland, Estado da Austrália da Grande Barreira de Corais, fatura US$ 5 bilhões por ano com turismo. Parques dos EUA recebem 280 milhões de visitantes por ano.

Segundo Mesquita, unidades de conservação marinha poderiam gerar receita de turismo. Denunciou penúria nas UCs marinhas, mas listou nove exceções. Deixou como sugestões reduzir o número de tipos de UCs; passar para a iniciativa privada a gestão de parques nacionais e UCs com atrativos, deixando para o ICMBio a gestão ambiental apenas; estimular RPPNs e PPPs; impor e cobrar metas aos gestores. E, principalmente, elimina o fosso criado entre Congresso e ambientalistas, durante e depois das mudanças do Código Florestal.

Considera urgente uma estratégia para evitar ações contrárias ao ambiente no Congresso.

A especulação imobiliária destrói manguezais, corais e outros importantes ecossistemas marinhos, disse Mesquita, destacando que 90% da vida marinha começa no litoral. A construção desordenada, além disso, acaba com a beleza natural do Brasil. Mesquita exibiu diversos exemplos, em vários Estados do Brasil. Criticou usinas eólicas construídas à beira-mar. “Se fossem feitas 50 metros mais para dentro receberiam o mesmo vento.”

Denunciou a extirpação de mangues no Nordeste para carcinicultura (basicamente, em áreas concedidas a políticos), um “duplo crime ambiental”, por eliminar hábitats marinhos e introduzir espécie exótica.

Segundo Mesquita, mineração no fundo do mar é grande ameaça. Pressão violenta que oceano passa a sofrer. Por fim, lembrou que a Constituição determina a proteção da área costeira.

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, conduziu a reunião e explicou a João Lara Mesquita, convidado para uma palestra, o funcionamento do Conselho. Disse que o convite a Mesquita foi feita em função de seus relevantes serviços ao meio ambiente. Celso Monteiro de Carvalho, vice-presidente do Cosema, comentou relevância das denúncias de Mesquita. Considera monumental a coleta de dados feita por ele.

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Reunião do Cosema, da Fiesp, com a participação de João Lara Mesquita. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Informes do Cosema

Antes da palestra de Mesquita, o conselheiro Mario Hirose informou sobre liminar ganha em mandado de segurança contra a Cetesb para que os associados do Ciesp não tenham que pagar a taxa de licenciamento ambiental sob as novas regras.

Também relatou crescimento recorde de 129% das empresas inscritas no Prêmio Mérito Ambiental, cujo prazo se encerrou em 15 de abril. A entrega será em 7 de junho.

Hirose falou ainda sobre a participação de diretores da Fiesp na campanha pelo impeachment da presidente da República e a reunião de Paulo Skaf com Michel Temer no domingo (24/4), destacando a manutenção da posição contra o aumento de impostos. Hirose lembrou defesa de Skaf da retomada da arrecadação a partir da volta do crescimento, quando a roda da economia voltar a girar.